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Pretende praticar homeschooling até quando?

Sempre que me perguntam isso, sinto uma forte vontade de responder: “Para sempre! Os netos inclusive!”. Então, meu anjo da guarda me lembra que quem me pergunta pode não fazer a menor ideia de tudo o que envolve o estilo de vida homeschooler e posso parecer, no mínimo, uma extremista desconectada da vida real e que cria os filhos afastados da diversidade proporcionada pelo mundo. Então, me seguro e respondo com um pouco mais de prudência.

Não tenho bola de cristal. O mundo muda bastante e muito rápido. Sendo assim, minha resposta é baseada no que minha família vive hoje e no testemunho que tenho de outras famílias amigas que admiro muito. Com base nessa vivência, acredito que os benefícios encontrados no estilo de vida homeschooler são tantos e tão profundos que não consigo imaginar um bom motivo para voltar para sala de aula, a não ser que no país a prática fosse criminalizada. Se essa possibilidade se tornasse realidade, devido ao que isso representa para a família e para o exercício do pátrio poder dos pais com relação aos filhos, eu colocaria todos os meus esforços para ir embora para um país que respeitasse meu direito sobre a educação dos meus filhos. Sem sombra de dúvida. Não posso dizer que conseguiria, mas tentaria com tudo o que estivesse ao meu alcance.

O homeschooling proporcionou à minha família uma aproximação real e palpável, nos tornamos reais protagonistas da educação de nossas filhas (e não apenas com relação aos conteúdos ditos formais, mas principalmente com relação ao desenvolvimento da integralidade de cada filha), a profundidade do aprendizado aumentou, a educação tornou-se muito mais personalizada, mais direcionada às suas inclinações e pré disposições, as dificuldades de cada menina pôde ser acompanhada no seu ritmo e sanada de forma gradual e respeitosa. Passamos a nos conhecer mais. Passamos a querer melhorar mais uns pelos outros. Isso pode acontecer com uma família escolarizada? Creio que sim, mas nem tudo nessa intensidade. Falo isso por ter vindo de uma família escolarizada e por ter sido professora por muitos anos. Sim. O homeschooling é muito bom. Vejam, apesar de não ser algo impossível, não estou dizendo que é fácil. Neste artigo, explico os motivos que fizeram com que escolhêssemos o homeschooling para nossa família: “Por quê escolhi o homeschooling?“.

Dito tudo isso e por causa dessas questões, volto a afirmar que, se depender de mim, de acordo com a experiência vivida até aqui, minhas filhas serão homeschoolers, no mínimo até o final do Ensino Médio. Se eu encontrar alguma dificuldade com algum assunto ou conteúdo, contrataremos tutores para nos auxiliar, cursos específicos, contaremos com a ajuda de amigos queridos. 

A sala da minha casa, o passeio no parque recheado de amor e intensão educativa, a feira de ciências tão carinhosamente organizada são exemplos tão, tão ricos que mesmo que se a melhor escola estivesse de frente à minha casa, não colocaria minhas filhas de volta numa sala de aula. Vivo hoje uma qualidade de vida que a rotina escolar não pode proporcionar. Só terei a infância delas uma vez e nunca mais. Por isso escolho o caminho estreito da vida homeschooler. 

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Homeschooler tira férias?

Não sei vocês, mas aqui em casa, estamos já contando os dias para as férias. O livro de português da mais velha foi finalizado em agosto e iniciei outro por desencargo de consciência. Matemática da Saxon faltam apenas 6 tarefas. A minha doçura de 5 anos já está com o livro de alfabetização praticamente inteiro feito e o de matemática parece mais brincadeira pra ela. As outras disciplinas estão mais ou menos assim. Dessa forma, impossível não pensar, e com justiça, no merecido descanso. No entanto fico pensando…será que família homeschooler realmente tem férias? Me faço essa pergunta justamente por não serem essas as nossas primeiras como família educadora: começo a perceber que o estilo de vida de quem estuda em casa muda muitas coisas mesmo.

Quando estamos na escola, ou quando temos nossos filhos em salas de aula, as férias representam a quebra radical da rotina. Muitos estudantes, quando pensam em férias, não querem chegar perto de um livro, alguns sonham com dias inteiros de sono e maratonas de séries de TV, aprender é visto como difícil, penoso e estafante (em alguns aspectos podem estar certos).  O objetivo, para muitos é o não fazer nada. Penso que isso aconteça muito por causa da rotina estressante, do ir e vir do trânsito caótico das cidades, da presença massiva de conteúdos totalmente dispensáveis para a vida real (e que o adolescente percebe já de cara), etc. Mas uma família homeschooler possui uma rotina bem diferente. O estilo de vida proporcionado pela educação “domiciliar” é algo que permeia tudo na família. Horários flexíveis, possibilidade de matar uma dúvida real, aprender de acordo com o seu tipo de inclinação natural (auditiva, visual, cinestésica, etc). Dependendo da maneira como a família encarou o aprender, este pode ter sido introjetado de tal maneira na rotina que seja, no mínimo interessante pensar em como se daria a vida sem isso. Falo isso por já ter percebido uma crescente e autônoma vontade de conhecer, compreender e aprender em minhas filhas. Muitas vezes as perguntas, os temas de estudos acabam partindo delas e não de mim. Devo freá-las nas férias? Creio que não…

Ao meu ver aprender deve ser uma deliciosa aventura. É algo bom. Não deixamos de querer aquilo que nos empolga, que nos maravilha, que dá sentido aos nossos dias. No entanto, o descanso é vital. É necessário…para todos os envolvidos (consigo visualizar as mães…balançando a cabeça positivamente).

Sendo assim, penso que as férias homeschoolers são uma saudável e necessária mudança de rotina. Um ir ao encontro do saber de outras formas, talvez mais leves e livres, mas nem por isso, menos importantes e eficientes. Talvez, as aulas em frente a livros deem uma boa rareada, mas os passeios cheios de observações por um parque, uma viagem a um lugar com bons museus, a leitura em voz alta de um tema novo e empolgante possam e devam ter seu lugar nesses dias de ver a vida com leveza, mas sempre com curiosidade e sede de compreender, conhecer, desvendar. Talvez as férias sejam momento de realçar laços de família, tão necessários para uma psiquê  bem sustentada, capaz de amadurecer e absorver da maneira adequada novos e importantes conhecimentos. 

Bom, por aqui o planejamento das férias que se aproximam, não será “fazer nada”. Não teremos hora de estudo…mas continuaremos a cutucar a amorosa curiosidade… Se posso resumir em uma frase será “descobrir formas agradáveis de continuar a conhecer a beleza da vida, juntos…saboreando a brisa do verão, o colo dado em momento inesperado, a presença um do outro”.

 

Cibele

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Qual o melhor método educativo?

Ao pensarmos em nossos filhos é normal, assim deve ser mesmo, que queiramos dar a eles o melhor que estiver ao nosso alcance. Dentre tantas coisas, dar a melhor educação é algo que a maioria dos pais almeja. Isso não é diferente com pais homeschoolers. Temos sede de conhecer todas as metodologias e saber qual delas é a melhor. Muitas vezes, admiramos muito uma família, a maneira como a mãe conduz sua rotina diária, nos admiramos com a forma como ela encaminha o aprendizado dos filhos. Aquela família linda passa a ser nosso modelo, queremos que a nossa caminhe nos mesmos passos. No entanto, o que funciona para uma pode não funcionar para outra. 

Creio que devemos realmente conhecer, o mais fundo que pudermos, cada metodologia que nos for apresentada, que formos descobrindo, nos interessando. Porém, acredito ser necessário nos conhecermos e conhecermos as pessoas que nos rodeiam para que não apliquemos com aqueles que amamos princípios tecnocratas.  A educação é algo pessoal. 

Conheço uma família que a mãe é a organização em pessoa. As pastas de atividades dos filhos são lindamente catalogadas, tudo é planejado com muita antecedência e cada atividade cumprida dentro de um padrão previamente combinado. Seus filhos REALMENTE estão aprendendo. Ela segue o currículo americano e está feliz da vida. Acho lindo e aos poucos tento implementar algumas coisas, mas preciso ter a consciência de que somos diferentes. Essa consciência me ajudará a não me frustrar, esperando resultados iguais.

O mesmo acontece para com os métodos. Existem diversos e é necessário estudá-los para conhecê-los. Mas é importante que cada família, além da liberdade de escolha, tenha também a tranquilidade de fazer as alterações que lhe aprouver ao longo dos estudos. Engessar um processo de aprendizado dentro de uma metodologia, só porque sim, não faz sentido.

Sendo assim, acredito que a metodologia pode sim ser uma combinação de elementos de várias vertentes. O que impede uma família que optou pelo método Montessoriano incluir em sua rotina a observação da natureza e o Diário da Natureza de Charlotte Mason? Qual é o mal que isso pode trazer? Uma mãe que está estudando os diferentes meios pode se apaixonar por uma atividade específica de uma vertente, mas ser “adepta” de outra. Seu filho está aprendendo de maneira verdadeira? O processo é prazeroso?

Dito tudo isso, posso colocar aqui o que euzinha considero importante em um método para a prática do Homeschooling. Acredito que uma boa metodologia deve considerar a pessoa como um ser integral e não focar apenas no intelecto. Para mim isso é essencial. Por isso, gosto da abordagem de Charlotte Mason, Educação Personalizada de Victor Garcia Hoz e da Educação Clássica. Ainda tenho muito a estudar, mas o respeito pela integralidade do ser humano nessas 3 abordagens é belíssima.  O cuidado com a formação do caráter, da vontade, aliado à excelência acadêmica são um desafio apaixonante. Desafio? Sim. Educar de verdade não é algo fácil. Muita água deve rolar debaixo da ponte e o cuidado dos pais deve ser constante.

Bom, vale a pena conhecer as vertentes pedagógicas. Inclusive aqueles que não deram certo para que saibamos identificar o joio no meio do trigo. Podemos conversar sobre elas…veremos. 🙂

 

Cibele Scandelari

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Barlavento para RPC – Rede Globo

No dia 16/05/2018, o grupo de apoio de famílias homeschoolers de Curitiba, em um de seus encontros semanais, participou de uma entrevista para a Rede Paranaense de Comunicação (filiada à Rede Globo). Algum tempo mais tarde o grupo também participou de outras entrevistas. Confira as mesmas nos seguintes links: Rede Massa, Rádio Olinda, Sempre Família – Gazeta do Povo, Rede Evangelizar.

No geral, a entrevista para a RPC foi bastante positiva. As imagens do grupo de apoio mostram claramente que a interação social acontece. O especialista convidado a falar sobre o assunto destaca a existência de péssimas escolas e, com isso, a necessidade de livrar as crianças desses ambientes. Reforça a necessidade dos pais que adotam essa modalidade, de estarem sempre estudando para que possam oferecer bons conhecimentos aos filhos. Voltando à questão da socialização, o educador convidado destaca que atualmente as escolas têm encontrado dificuldades neste quesito devido a tantos problemas que o professor tem que dar conta. Sobre isso, ele destaca que a convivência entre os alunos acontece majoritariamente nos intervalos e recreio e afirma que, quando estão em aula o professor gasta, em média 15 minutos exigindo silêncio, respeito, apartando brigas, etc.

Uma das mais positivas reportagens a respeito da educação domiciliar, realizada antes da votação do STF. Vale a pena conferir! LINK LOGO ABAIXO!

https://globoplay.globo.com/v/6738887/

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Barlavento para Sempre Família – Live

No dia 22 de agosto de 2018 participamos, Cibele e Manoela, de uma live para o Sempre Família contando nossas experiências e aventuras com a prática do homeschooling.

A live tinha, também a expectativa com relação ao julgamento da constitucionalidade da prática no Brasil que estava para ser votada pelo STF nos dias seguintes. Debatemos um pouco sobre rotina, sobre dar conta da casa e da educação das crianças, a riqueza que a educação familiar pode trazer para o dia a dia das pessoas que compõe o lar. Também analisamos a tão questionada questão da socialização. Falamos sobre a votação do STF, eu ainda achava que o parecer seria favorável no sentido de que os ministros simplesmente dariam um ok para o processo que estavam analisando. No entanto, esclareço aqui que a decisão tomada considera o homeschooling CONSTITUCIONAL, mas que carece de regulamentação. Segundo palavras do Ministro Barroso, a situação de quem pratica educação domiciliar encontra-se em um “limbo jurídico”, pois não é ilegal, mas não possui regras.

Assista a live e confira todos os assuntos nela tratados!