Maternidade, Sem categoria

Você é mãe/pai de uma criança especial?

A descoberta da maternidade/paternidade é algo grandioso na vida de qualquer pessoa. Tenha sido ou não uma gravidez planejada. Um mundo de expectativas se abre, alguns (muitos) medos também se fazem presentes. Isso acontece para praticamente todas as pessoas. É difícil que alguém receba a notícia de que será mãe/pai pela primeira vez (ou novamente) e não tenha nenhuma reação. Mas, e se dali a algum tempo vem alguma notícia sobre alguma síndrome? Se algo acontece durante o parto? Como lidar com a realidade de ser mãe/pai de uma criança especial? Como passar pela dor, pelo desapontamento, pelo trauma e encarar a realidade de maneira que a mesma possa amadurecer os pais e fazê-los capazes de a transformar? Como encontrar um sentido para o que “não deu certo”? Como encontrar forças para o dia a dia exigente?

Tenho uma amiga que durante seu primeiro parto aconteceram complicações. Seu bebê sofreu grave anóxia e a perspectiva que a vida colocava à sua frente era muito difícil. No entanto, ela e seu marido transformaram aquilo que “não havia dado certo” num caminho lindo de amadurecimento, aprendizagem que os ajudou a caminhar de maneira incrivelmente bela e ainda por cima ajudando muitas outras pessoas.

A Kerol e o Fábio são pessoas que admiro muito. O Pedro e seus irmãos são crianças muito sortudas em tê-los como pais e eu por tê-los como amigos. Para eles (e muitos outros casais)  Filhos não são obstáculos – são motivos!

Depois de tantos anos em terapias, fazendo cursos de  relacionamento conjugal, orientação familiar e desenvolvimento infantil, Fabio (que também tem deficiência, Charcot-Marie-Tooth) e Carolina decidiram criar o Mater & Pater PLUS, um canal para auxiliar outras mães e pais a comprovarem que a mater/paternidade atípica pode levar a um PLUS na vida!

A Kerol e o Fabio abriram inscrições para o Programa Online VOE PARA O PLUS – o único voltado especialmente para mães e pais de crianças que têm algum tipo de limitação, atraso, deficiência, síndrome, enfermidade ou qualquer outra condição de desenvolvimento atípico.

O programa acontece totalmente via Internet, e conta com:

  •  Vídeo-aulas gravadas;
  •  Materiais complementares em PDF;
  •  Lives exclusivas;
  •  Exercícios práticos;
  •  Bônus especiais – assista ao vídeo completo para saber mais detalhes: http://bit.ly/Vídeo-Programa-Online-VPPSepare 19 minutos para assistir ao vídeo completo para ver todos os detalhes sobre garantia, preço, formas de pagamento, bônus extras e benefícios do Programa Online VOE PARA O PLUS. Ao final do vídeo, você terá acesso à página de inscrição.
As inscrições ficam abertas de 09 a 17 de maio de 2019 (até 23h59).

Os assuntos são tratados em 4 módulos:

MÓDULO 1 – MEU FILHO NÃO SE DESENVOLVE COMO AS OUTRAS CRIANÇAS, E AGORA?

Aqui será abordada a surpresa que um diagnóstico pode trazer para a mãe e/ou o pai e de como transformar esta novidade em algo positivo e transformador. Neste módulo, serão dados os primeiros passos para você:

  •  viver sua mater/paternidade plenamente, mesmo que ela seja diferente do que você esperava ou diferente da experiência de seus familiares e amigos;
  • perceber, na prática, que receber o diagnóstico de sua criança não é o fim do mundo. Há muito o que pode ser feito, vivido e comemorado, até porque você vai perceber grandes ganhos na sua vida, em todas as áreas.

MÓDULO 2 – CUIDE DE VOCÊ PRIMEIRO!

Aqui Kerol e Fabio falam de como descansar, conciliar tantas atividades da rotina (inclusive as terapias) e ainda manter vivos os seus sonhos após a chegada da sua criança.

Com este módulo, você:

  • aprenderá maneiras de descansar mesmo que tenha uma rotina exigente;
  • verá que fazer o tempo render não é privilégio somente de quem tem muitas horas livres (muito pelo contrário!);
  • verá que é possível e até necessário que você mantenha vivo algum sonho ou projeto pessoal após a chegada da sua criança.

MÓDULO 3 – AMAR E EDUCAR UMA CRIANÇA COM DESENVOLVIMENTO ATÍPICO

É possível ter equilíbrio entre carinho e firmeza com crianças especiais?

Com uma criança com desenvolvimento atípico (ou seja, diferente do que era esperado e/ou do que é mais comum), é plenamente possível viver uma mater/paternidade afetuosa, respeitosa, firme, leve e plena. Cuidar dela não significa apenas levar às terapias. Por isso, neste módulo, falaremos da relação como um todo entre você e sua criança. Você verá:

  • a importância de ter um equilíbrio entre carinho e firmeza no seu relacionamento com sua criança;
  • o impacto positivo de uma educação afetuosa e, ao mesmo tempo, firme no desenvolvimento global de sua criança;
  • os benefícios a longo prazo que tudo isso trará para a criança, para você e para a família como um todo.

MÓDULO 4 – FAMÍLIA EM HARMONIA E SINTONIA

Como fica o casamento após a chegada de uma criança especial? Como ficam os outros filhos? A relação com amigos e parentes muda? Este módulo abordará:

  • Como fortalecer o casamento após os filhos, especialmente quando esta mudança na vida envolve UTI neonatal, acompanhamento médico da criança e terapias de reabilitação neurológica;
  • Como os irmãos da criança especial podem se sentir igualmente importantes, valiosos e protagonistas na vida de seus pais;
  • Como facilitar uma boa interação entre a criança com deficiência e seus irmãos;
  • Como lidar de maneira positiva e tranquila com parentes, amigos e colegas após tantas mudanças na nossa mater/paternidade.

Ufa! Leu até aqui? Tem alguma dúvida? Quer participar do programa Voe para o Plus? Entrem em contato com a Kerol e o Fabio por email: contato@materpaterplus.com.br ou WhatsApp: (41) 9115-1294 (diga que leu aqui no Família Barlavento, com a Cibele!)

Um abraço!!

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Homeschooling, Sem categoria

Família Barlavento para Vida nos Trilhos – Podcast

E nesta sexta, dia 08/02/2019, tive o prazer de participar do podcast Vida nos Trilhos a convite dos simpaticíssimos Edward Schimitz e  Jeferson Peres.

Conversamos sobre homeschooling e alguns dos mitos que atualmente pairam sobre o imaginário popular a cerca do tema. Foi muito bom!

Procure compartilhar com seus amigos! Principalmente se você acredita que este conteúdo pode ajudar alguém em específico.

#vidanostrilhos

Segue a entrevista! VIDA NOS TRILHOS – Entrevista Cibele Scandelari

 

FAQ, Homeschooling, Sem categoria, Vídeos

Afinal, qual é o lugar de criança?

Crescemos ouvindo a frase que diz que “lugar de criança é na escola“. Não sei ao certo quando o jargão começou a ser realmente usado com força, mas durante a fase da elaboração e primeiros anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, foi realmente muito utilizado.

O que nos era apresentado? Crianças nas ruas, nos semáforos, trabalhos forçados tanto em condições sub humanas, quanto em condições um pouco melhores, mas também privadas da vivência saudável de sua infância e impedidas de conhecer, de ir atrás do conhecimento, de descobrir as verdades das coisas. Alguém acha que isso é certo? Entre esta realidade e essas mesmas crianças estarem dentro de uma sala de aula, recebendo alguma alimentação e podendo ter momentos de brincadeiras, qual você escolheria como sendo “lugar de criança”? Ora, pois! Nenhuma pessoa com o mínimo de caráter diria que não seria na escola. A questão é que quando algo é apresentado de forma ambivalente, tendemos a escolher entre um ou outro, como se não existissem outras opções. 

No caso, o “lugar de criança” deve ser aquele no qual ela possa crescer de maneira integral, possa vivenciar sua infância da maneira mais plena possível, possa ter contato com a maior sorte de experiências com a natureza, que brinque com seus pares, mas também que vivencie a forma de agir de crianças mais velhas e mais novas, que seja exposta a situações nas quais deva tomar decisões cabíveis à sua idade e que permitam que sofra as consequências de suas decisões para que assim amadureça, perceba o mundo real.

A resposta à pergunta “Qual o lugar de criança?”, possui inúmeras possibilidades de respostas plenamente compatíveis com uma infância feliz, saudável e intelectualmente emocionante. Pode ser que para a família X a escola seja o ambiente que escolheram porque confiam naqueles professores, já estudaram ali, etc. Talvez para a família Y o ambiente familiar, inserido num contexto de educação domiciliar represente a circunstância mais saudável para eles que, talvez tenham encontrado ambientes e situações muito ruins em sala de aula e estejam dispostos a prover o melhor ambiente para o desenvolvimento de quem eles amam. Existem ainda famílias que desejariam acompanhar bem de perto alguns conteúdos e permanecer com as crianças matriculadas para apenas algumas matérias.

Talvez, para alguns casos seja necessário que a criança esteja sob olhos cuidadosos, com vistas a não parar em abandono intelectual ou sofrer quaisquer tipos de abusos, situações que são e sempre deverão ser encaradas como crime. Com certeza.

Porém, está na hora de começar a ampliar os horizontes, retirar os antolhos que nos colocaram na cabeça, com o intuito de fazer-nos olhar apenas o que gostariam que víssemos.

Cibele Scandelari

 

Abaixo deixo um vídeo que trata de “Lugar de criança: um olhar sobre a educação no Brasil”.

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Ler para os pequenos – Quando e como começar?

Que devemos estimular em nossas crianças o gosto pela leitura, já sabemos bem, estamos sempre ouvindo falar nisso. Mas a partir de quando devemos ler para eles, e de que forma podemos criar uma boa relação entre a criança e as letras?

Gosto muito de uma frase de Cecília Meireles e a repito com frequência: “A Literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição.

Considerando essa comparação que Cecília faz entre nutrição e leitura, podemos lembrar que um bebê começa a ser nutrido desde o ventre, através da cuidadosa alimentação materna e das vitaminas. E é aí mesmo que podemos começar a cuidar do gosto pela leitura.

Estudos indicam que entre o terceiro e o quarto mês de gestação, o bebê já ouve a voz materna através das ondas sonoras. Neste período, a mãe pode ler em voz alta aquilo que dá prazer e é útil a ela mesma: um conto, um romance, poesias, boas leituras sobre parto/amamentação/criação dos filhos… E não, não é a mesma coisa que falar em voz alta para o bebê, porque nossa fala do dia a dia é mais simples e direta. Já a leitura em voz alta tem uma cadência própria, que serão ouvidas e “sentidas” desde o ventre. Sentidas, sim, porque pesquisas mostram que os bebês já percebem e compartilham, no ventre, do estado emocional de sua mãe.

gravida lendo com mão na barriga

Por isso, a leitura de uma poesia ou de um conto ou uma aventura pode ser, de alguma forma, sentida pelo bebê, que estará sendo introduzido neste mundo da leitura através da voz da mãe – ou do pai, que também pode ler em voz alta próximo à barriga da esposa.

Depois de nascido, o bebê começa a prestar rapidamente atenção em tudo à sua volta, a todos os estímulos e sons. Ele estará então atento ao tom de voz dos pais, às palavras que ouve, às pausas, rimas e jogos de palavras, ainda que não esteja exatamente entendendo o que é dito.

É hora de começar a ler para ele, mesmo que, no início, o bebê não entenda o que está sendo lido. Não se sabe exatamente em qual momento a leitura passa a ser compreendida pela criança como texto/narrativa, pois varia de criança para criança. O importante é ler para ela, como é importante alimentá-la bem. Alimentos coloridos e variados, com diferentes texturas, dizem os nutricionistas. O mesmo vale para os livros e leituras: estilos variados, livros coloridos e bem ilustrados, com diferentes texturas – tanto os livros, como as palavras.

mãe lendo para bebe

E depois, o que ler ou oferecer para o nosso filho, conforme a faixa etária? Devo ler apenas o que ele é capaz de entender? Continuo lendo em voz alta? Ótimas perguntas! Ficam para os próximos artigos.

Clara F Moro é mãe do Tarcísio e da Margarida, professora e especialista em literatura.

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O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Olá, pessoal! Fiquei sumida por um tempo, e por isso gostaria de
explicar a falta de publicações semanais no Porção semanal de literatura
infanto-juvenil. Eu casei no dia 15/12/18! E logo depois veio o Natal e o Ano
Novo, a organização da mudança… Então a vida estava super corrida, e por
isso eu peço desculpas por ter deixado o canal sem novos podcasts. Mas
agora retomamos, e farei o possível para manter o podcast semanal.
Hoje falarei um pouco sobre O pequeno príncipe! Publicada no ano de
1943, essa é umas das maiores obras da literatura infanto-juvenil, e um
clássico da literatura em geral. Várias gerações cresceram lendo esse livro, e
ele tem muito a nos ensinar. Acredito que é indicado para crianças a partir de 7
anos, para que possa entender toda a simbologia e o significado dos diálogos
dessa novela infantil.
Primeiramente, falarei um pouquinho sobre o autor. Há muito da sua
vida pessoal no romance, conforme o que lemos em um TCC sobre O Pequeno
Príncipe, intitulado: Antoine de Saint-Exupéry: uma análise das escolhas
simbólicas na obra O pequeno príncipe. Vários elementos da vida pessoal
de Exupéry estão nessa novela. Exupéry, quando criança, tinha grande
vontade de voar. E alimentou isso durante toda a sua vida, pois se tornou piloto
profissional. Então, aquele piloto do início dessa novela pode ser o próprio
Antoine, que depois acaba conhecendo o pequeno príncipe. Além disso, o
autor, em uma conversa com o seu editor e a esposa deste, ao ser perguntado
sobre o esboço de um desenho, responde: “Nada demais. Apenas o garoto que
existe no meu coração.” O pequeno príncipe, de certa forma, era a
materialização do que Exupéry foi e também do que gostaria de ter sido na sua
própria infância.
Outro elemento simbólico é a rosa. O pequeno príncipe a considera
única, e pensa que ela é realmente a única da sua espécie existente em todos
os planetas. Mas, durante a sua viagem, percebe que há muitas rosas no
mundo. Mas, conforme aprende com a raposa foi com ela que ele criou laços,
foi a ela que ele cativou, e por isso ela é única. A esposa de Exupéry se
considerava essa rosa, conforme nos mostra esse trecho de uma carta dela ao
marido: “Então, meu querido, pense em tudo que tem a fazer e quantas
alegrias dará à sua rosa, à sua rosa vaidosa, que dirá consigo mesma: ‘Sou a rosa do rei, sou diferente de todas as outras, porque ele cuida de mim, me faz
viver”.
Em outro artigo, intitulado The Little Prince: Exploring the roots of
Wonder, de Greg Newbold, o autor comenta que a raposa apresenta ao
príncipe uma nova forma de ver o mundo. De forma geral, “esses personagens são ao mesmo tempo simples e complexos – simples em
seus enunciados e ações ligados à idade, universais e verdadeiras em suas
declarações e ações que desafiam a idade.” E temos muito para aprender com
essa raposa, e com vários ensinamentos de muitos personagens dessa história
em geral. Vamos a eles!
Comecemos com uma parte do diálogo entre o rei solitário e o
pequeno príncipe. Ao fazer algumas perguntas ao príncipe, o rei conclui dessa
forma: “— Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou
o rei. A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que se
lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência,
porque minhas ordens são razoáveis.” Muitas vezes exigimos de algumas
situações e das pessoas próximas de nós mais do que elas são capazes de
nos dar. E isso também pode gerar revoluções na nossa vida. A tirania nunca é
solução. O rei nos ensina mais algumas coisas. Ao falar sobre julgamentos, diz
ao príncipe: “— Tu julgarás a ti mesmo, respondeu-lhe o rei. É o mais difícil. É
bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros. Se consegues julgar-
te bem, eis um verdadeiro sábio.” É tão fácil julgarmos e vermos os erros que
os demais cometem… E ao mesmo tempo, é tão difícil reconhecermos os
nossos próprios erros! Por isso ele diz que quem consegue julgar-se bem, é
sábio. Isso não quer dizer que sabe julgar-se quem não vê defeitos e erros em
si; e sim, quem os percebe e age para transformá-los em virtudes.
Mas há quem não aprenda com os erros, e queira usá-los como alento.
O príncipe, ao continuar sua viagem, chega em um planeta onde encontra um
beberrão. “ — Por que é que bebes? Perguntou-lhe o principezinho. — Para
esquecer, respondeu o beberrão. — Esquecer o quê? Indagou o principezinho,
que já começava a sentir pena. — Esquecer que eu tenho vergonha, confessou
o bêbado, baixando a cabeça. — Vergonha de quê? Indagou o principezinho,
que desejava socorrê-lo. — Vergonha de beber! Concluiu o beberrão,
encerrando-se definitivamente no seu silêncio. E o principezinho foi-se embora, perplexo. As pessoas grandes são decididamente muito bizarras, dizia de si
para si, durante a viagem.” São realmente bizarras. O erro torna-se alentador,
para esquecer dele mesmo!
Semelhante ao bêbado é o homem de negócios que o príncipe encontra
em outro planeta. Esse homem gasta todo o seu tempo a contar as estrelas,
pois diz que as possui: “— E que fazes tu dessas estrelas? — Que faço delas? — Sim. — Nada. Eu as possuo. — Tu possuis as estrelas? — Sim. — Mas eu
já vi um rei que … — Os reis não possuem. Eles “reinam” sobre. É muito
diferente. — E de que te serve possuir as estrelas? — Serve-me para ser rico. — E para que te serve ser rico? — Para comprar outras estrelas, se alguém
achar. Esse aí, disse o principezinho para si mesmo, raciocina um pouco como
o bêbado.” O bêbado queria esquecer que bebia tomando um pouco mais.
Este, conta todas as estrelas, diz que é dono delas, e por quê? Para que possa
comprar ainda mais estrelas. Lembremo-nos de que a simples posse, por ela
mesma, não traz felicidade e satisfação para ninguém.
Mas, em outro país, o príncipe encontra um sujeito pelo qual se
interessa. É um acendedor de lampiões que não tem descanso. “Esse aí, disse para si o principezinho, ao prosseguir a viagem para mais longe, esse aí seria desprezado por todos os Outros, o rei, o vaidoso, o beberrão, o homem de
negócios. No entanto, é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio. Suspirou de pesar e disse ainda: Era o único que eu podia ter feito meu amigo. Mas seu planeta é mesmo pequeno demais. Não há lugar para dois …” Foi o único que ele encontrou que preocupa-se com algo externo a eles mesmos. O homem de negócios, só queria saber da sua riqueza; o beberrão, da sua tristeza e da sua satisfação; o rei, apesar de pensar um pouco mais, só queria ter súditos para poder exercer seu poder; e o vaidoso, só queria admiradores, e não amigos.
Isso é o que o egoísmo faz com todos: impede as relações humanas,
impossibilita as amizades.
E finalmente temos os belos ensinamentos da raposa! “A raposa calou- se e considerou por muito tempo o príncipe: — Por favor… cativa-me disse ela. — Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer. — A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um
amigo, cativa-me!” Ela ensina o príncipe que cativar significa criar laços. Por isso ela diz que os homens não conseguem mais amigos, porque não se dão ao trabalho de criar laços com os demais. É por isso também que, ao despedir- se dele, ela diz o seguinte: “— Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É
muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. — O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. — Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante. — Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. — Os homens esqueceram essa verdade,
disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa… — Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.”
Tudo que é essencial nessa vida é invisível, e só podemos sentir: Deus, (a
quem vemos apenas através da fé), o amor, as amizades verdadeiras, a
alegria, o companheirismo… Tudo isso só é visto através do coração. Em
seguida, a raposa fala o trecho mais famoso do livro O pequeno príncipe: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Ou seja: você tem
responsabilidade com as pessoas com as quais você criou laços. Por isso uma esposa tem responsabilidades com seu marido, e vice versa; o pai e a mãe
com seus filhos; os filhos com os pais; os irmãos; e os amigos. Não é possível
desprezar e esquecer uma pessoa que eu cativei.
Por fim, temos um último trecho que considero muito interessante: “ — Bom dia, disse o principezinho. — Bom dia, disse o vendedor. Era um
vendedor de pílulas aperfeiçoadas que aplacavam a sede. Toma-se uma por semana e não é mais preciso beber. — Por que vendes isso? perguntou o
principezinho. — É uma grande economia de tempo, disse o vendedor. Os peritos calcularam — A gente ganha cinqüenta e três minutos por semana. — E que se faz, então, com os cinqüenta e três minutos? — O que a gente quiser…
Eu, pensou o principezinho, se tivesse cinqüenta e três minutos para gastar,
iria caminhando passo a passo, mãos no bolso, na direção de uma fonte.” O
príncipe entendeu melhor do que o vendedor o valor do tempo. Para que
buscar ter mais tempo, se não soubermos como utilizá-lo bem? Aí só teremos mais tempo para desperdiçar, e assim mostraremos que ainda não compreendemos o valor imenso que o tempo possui.
Espero que essa reflexão tenha sido proveitosa, e tenha compensado o
tempo que ficamos sem podcasts por aqui. Continuem acompanhando a
página do Porção semanal de literatura infanto-juvenil, o canal aqui na Sound Cloud, e deixem suas sugestões para as próximas análises.

O Pequeno Príncipe
O Pequeno Príncipe