Família, Maternidade, Psicologia

O ADOLESCENTE EM QUESTÃO

No Brasil, estima-se que 20% da população seja adolescente. O processo de adolescer supõe alterações bio-psico-sociais, é uma fase de transições marcada por indefinições, insegurança, momentos de reclusão e necessidade de pertencer a um grupo.

O jovem já alcançou a fase de inteligência abstrata, como a do adulto, sendo capaz de compreender a realidade nos seus diversos aspectos, porém, não possui ainda a maturidade que advém da experiência, necessitando orientações e certa vigilância por parte dos pais.

Eles são idealistas e tendem a fazer tudo sem medida, seus sentimentos são polarizados: amam e odeiam. Lutam para tornarem-se independentes, por isso gostam de quebrar regras e contrariar, para legitimar o próprio eu.

Reduzem o tempo de convivência na família, o que é normal para a idade, pois eles precisam se conhecer melhor e ter os próprios parâmetros sobre a realidade.

Apresentam uma vitalidade sui gêneris, querem mudar o mundo, re-conceituá-lo, embora careçam de maturidade para fazê-lo. Possuem ideias criativas e podem ter elevado senso de justiça, sendo um momento propício para o diálogo e discussões sobre os valores vitais com os pais e os adultos idôneos do seu entorno.

A adolescência é marcada por questões de identidade pessoal. Eles procuram encontrar um eu seguro, único, e o conseguem à medida que se aproximam da juventude adulta, desde que bem orientados nas etapas anteriores.

As inesperadas mudanças de humor são constantes, sendo que muitas vezes eles próprios se desconhecem. Exploram vários aspectos de sua personalidade experimentando sentimentos, pensamentos e novas condutas. Nesta fase, crescem as tensões entre razão e emoção, porque são inteligentes e capazes de formular julgamentos, mas são também altamente emotivos.

As crises nesta etapa são potencializadas quando há conflitos familiares, ausência de seguro direcionamento por parte dos pais, apelo consumista, ausência de formação moral, inadequado direcionamento da sexualidade, excessiva busca de prazer e uso de substâncias químicas bem como condutas anti-sociais.

O adolescente é uma pessoa vulnerável; para evitar que ele se desvie, é fundamental a estrutura familiar e o auxílio afetivo que o leve a conhecer-se e respeitar-se, bem como uma sadia educação emocional associada a muitas conversas com adultos idôneos.

É preciso ampliar sua liberdade à medida que cresce sua responsabilidade, para que ele se afirme no mundo exterior com segurança. Imprescindível é, enaltecer suas qualidades, dar-lhe responsabilidades crescentes, estar sempre por perto, apresentar-lhe as verdades, aceitar seus resquícios de imaturidade, bem como educar nas virtudes essenciais ao ajuste social e ao bem estar pessoal.

Os pais devem estimular o interesse por atividades construtivas: arte, esportes, leitura, música, atividades filantrópicas, etc – pois esta é uma fase de grande vigor. É fundamental propor-lhe uma escala de valores para que ele não se sinta inseguro na hora de decidir entre o bem e o mal. Neste campo, auxiliá-lo a ter um projeto de vida, um projeto grande e fundamental, que dure até o fim, o que vai norteá-lo e evitar que se aborreça com a vida ou que desvie da rota.

Em casa, que não haja temas proibidos. É na família que se aprende a dizer não ao impróprio, ao perigoso e ao duvidoso.

Resguardar cada idade desta fase de acordo com a sua correlata maturidade, cuidando para não atropelar a biologia e não permitir que ingresse precocemente em vivências adultas. Em casa, é preponderante que ele tenha deveres e os cumpra com regularidade, afinal, a casa não é um hotel, e somente estudar é pouco, a vida inclui também outras dimensões.

Um adolescente que vive numa família que pratica uma religião de sólidos fundamentos morais, onde há alegria e demonstrações de afeto e que possui uma fé e uma doutrina, cresce com mais segurança e com sentimentos de esperança e dificilmente se sentirá desamparado, afinal, os pais não dão tudo, não sabem tudo, não protegem em tudo, mas o seu Deus sim.

Lélia Cristina de Melo

Psicóloga clínica e Orientadora familiar – CRP: 08-02909

Rua Recife, 183 – Cabral

(41) 3352-2163 (41) 99925-0926

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Família, Maternidade, Psicologia

CRIANÇA NÃO É FRAQUINHA

De onde vem o insistente conceito de que a infância é tão frágil? Essa visão não é muito antiga, as crianças de décadas atrás eram naturalmente maduras, autônomas e mais preparadas para a realidade e as exigências da vida, mesmo em idades precoces. Elas tinham várias tarefas em casa, ajudavam os irmãos, iam sozinhas a um comércio próximo, preparavam seu próprio lanche, zelavam pelos seus pertences, etc.

A desconcertante proteção que se vem concedendo a elas nas últimas décadas decorre de um equívoco conceitual no âmbito da educação. Os pais tendem a poupá-las e a substituí-las. Muitas crianças de 10 anos parece que têm 7, as de 4 parece que têm 2, as de 6 têm comportamentos de 4.

A maioria dos pais tratam os filhos no mesmo nível durante 2 ou 3 anos, não percebendo que a criança de 0 a 6 anos avança em questão de semanas, requerendo gradativas exigências, uma vez que as novas fases pedem novas conquistas.

Em uma sociedade que insiste no conceito de limites em educação, deveria se ater em alavancar todas as quase ilimitadas potências que toda criança traz consigo. Poupá-la não ajuda no seu desenvolvimento, o que ela pede (sem falar) são mais experiências e estímulos, porque é de sua natureza aprender muito, ter autonomia e resolver problemas.

Crianças precisam de pais suficientemente bons, não ilimitadamente bons, pois neste caso, eles “roubam” a parte que cabe aos filhos empreender.

Filhos fortes são fortes porque são motivados a ter responsabilidades, a se esforçar, a se posicionar, a pensar nos outros e a colaborar com eles.

A medida da educação, que não tem receita nem manual, é perceber que você “puxa para cima” a criança, jeitosamente, de modo que ela vai avançando nos estágios posteriores esperados.

Educar é exigir motivando, e é natural dizer mais não do que sim, pois toda criança é regida pelo princípio do prazer. A energia da infância é para ser aproveitada, construída e otimizada.

Criança estimulada aprende idiomas, aumenta o vocabulário, raciocina, brinca, memoriza, interpreta, tem compaixão, ajuda, não chora demais, é autônoma e se comunica. Não subestimemos as suas potencialidades, ela não é bibelô, não é fraquinha e está longe de ser coitadinha.

Aos pais que amam com um amor sadio, não esquecer que educar é mais exigir (sempre amorosamente) do que conceder, e que o contrário disso é um equívoco do amor, porque expõe os filhos à fragilidade e ao despreparo.

Lélia Cristina de Melo

Psicóloga Clínica e Orientadora Familiar – CRP: 08/02909

lelia.melo2609@gmail.com – 99925-0926

Afterschooling, Família, Psicologia

DIVERSÃO É COISA SÉRIA

A idéia de férias não significa não fazer nada ou não ter compromissos. É um tempo de maior relaxamento, mas de lazer divertido, para qualquer idade. Tendo em vista a proximidade deste período, estão elencadas neste texto dicas de brincadeiras para a criançada, nas variadas situações do cotidiano. Sempre lembrando que é preciso dar a elas opções criativas, disponibilizar materiais, incentivar a variedade, dispor de tempo e, muitas vezes, brincar juntos. Limitar-se a dizer que elas precisam sair dos aparelhos não ajuda, os pais devem abrir caminhos concretos para que os filhos se interessem por outras atividades.

Se você se interessa por essas dicas no texto “Dicas de atividades para as férias”  irá  encontrar outra lista!

Outro ponto fundamental é saber que brincadeiras criativas são espetaculares para divertir, alegrar, estimular, educar, conviver e aprender. É preciso levar muito a sério essa história. Nada de crianças irritantes e adultos irritados dentro de casa. A alegria deve ser o pano de fundo da educação na família, pois é ela que dá sustentação para que a disciplina funcione bem e a autoridade dos pais seja bem vista e respeitada. Vocês sabiam que quando vocês se divertem e riem com os filhos, aumenta, diante deles: o seu crédito, a admiração, a confiança, a intimidade e o “pátrio poder”?

Programar as atividades deixa esse período mais organizado e mais proveitoso. As lacunas, aqueles espaços tediosos e vazios que ocorre quando se deixou tudo para a última hora e não se sabe o que fazer, podem ocasionar conflitos, mau-humor, irritabilidade e apatia.

Outra idéia-chave para as férias é não demonizar atividades intelectuais/culturais, como por exemplo: ler, fazer alguma tarefa escolar enviada pelo colégio, estudar outro assunto de interesse pessoal, pesquisar sobre temas de diferentes áreas, visitar museus.

Para as famílias que valorizam a vertente transcendente, planejar visita a asilos, hospitais, orfanatos e outras instituições filantrópicas é uma ótima dica. Essas vivências despertam sentimentos como compaixão, solidariedade, altruísmo e benevolência, além de promover um maior amadurecimento, pela oportunidade de constatar a fragilidade e o sofrimento alheio e poder fazer algo pelos necessitados.

As experiências gratificantes das férias vitalizam o bom humor e harmonizam as relações familiares e de amizade. Os filhos agradecem e retornam à escola mais motivados.

Abaixo, sugestões de atividades para as diversas ocasiões.

1 – DIAS CHUVOSOS/FERIADOS/FÉRIAS/DENTRO DE CASA

  • Colagem em folhas A4 usando: feijão, macarrão, folhas de árvores, tecidos, bolinhas de papel crepom, recortes de revistas, fios de lã, etc.
  • Cortar tiras finas de qualquer papel (10, 15 cm por 4, 5) e colar entrelaçando-as para formar elos.
  • Confeccionar “livrinhos” feitos pela criança, grampeando metade de folhas A4 após desenhos coloridos, colagens e pequenos textos.
  • Recortar figuras de revistas, colar sobre cartolinas e cortar em pedaços formando quebra-cabeças caseiros.
  • Cobras de meias de seda: usar a parte das pernas e enchê-las com flocos de espuma, amarrar e desenhar a cara com canetinhas ou colar boca e olhos com botão e fio de lã.
  • Bolas com meias velhas: cortar e encher com arroz cru e costurar a abertura.
  • Receitas simples: gelatina, brigadeiro, patê de atum, saladas, sanduíches.
  • Karaokê, com ou sem aparelho. O importante é soltar a voz.
  • Ver fotos antigas da família, inclusive dos pais e avós.
  • Diferentes jogos de tabuleiro.
  • Adivinhar o objeto escondido no ambiente. As crianças perguntam: está no chão? É vermelho? É mole?
  • Em um mapa ou globo, alguém escolhe um ponto geográfico e as demais crianças fazem perguntas que exijam respostas SIM ou NÃO. Ex.: está no mar? É no Brasil? É um rio? É uma cidade? Está no hemisfério sul?
  • Encontrar palavras (2, 3, 4) em um texto. Ganha ponto quem encontra antes.

2 – VIAGENS (NO CARRO)

  • Dizer palavras terminadas em ão, ol, al, etc. Dizer palavras iniciadas com m, c, etc.
  • Dizer nomes de animais aquáticos, terrestres, da floresta, que voam, etc.
  • Citar características de um objeto e os demais tentam acertar o nome.
  • Alguém lê uma historinha para todos. Depois comentam.
  • Cada um (inclusive o pai e a mãe) contam uma situação difícil que depois deu certo.
  • Imitar a voz de um personagem de desenhos/filmes para que adivinhem.
  • Utilizar palavras que rimem: carteira/porteira/torneira/esteira/madeira.
  • Adivinhar objetos feitos de madeira ou de metal ou de plástico.
  • Dizer o maior número de características de um objeto apresentado. Ex.: lápis – pequeno, de madeira, escreve, cilíndrico.
  • Um de cada vez diz um tipo de: esporte, comida, material escolar, móveis da casa, objetos da cozinha, brinquedos, peças de roupas, etc.
  • Dizer o contrário de palavras: alto, pequeno, muito, macio, certo, aberto, feio, etc.
  • Rimar frases. Ex.: vi um camelo/ele não tem cabelo, gosto do mar/subi no altar, aquele é meu/primeiro sou eu, o cavalo corre/a galinha morre.

3 – ESPAÇO EXTERNO

  • GINCANAS (levar ovo em uma colher, andar em sacos, com os olhos vendados, conseguir morder uma maçã pendurada, etc.)
  • Elástico, bambolê, empurrar pneus, corda.
  • Caça ao tesouro. Alguém esconde um objeto ou mais e se cronometra o tempo da caçada. Podem-se fornecer pistas da localização.
  • Olimpíadas de avião de papel: folhas de A4 dobradas. Cada piloto lança o seu e ganha o que conseguir a maior distância ou fizer os melhores loopings. Pode-se usar diferentes critérios.
  • Jogo da velha humano: traçar com giz os quadrados no chão e formar as equipes do X e da bolinha. Para diferenciar, uma equipe joga com as mãos levantadas. As regras são as mesmas do jogo no papel.
  • Brincadeiras tradicionais: pique, esconde-esconde, estátua, não deixar a bola cair mais de 2 ou 3 vezes, senão paga “castigo”.
  • Empinar pipas.
  • Guerra com balão e tinta: a tinta pode ser caseira ou com corante alimentar. Encher balões com água e tinta e começar a “guerra”.
  • Cabo de guerra. Uma corda grande e 2 times.
  • Bolas de sabão normais ou gigante (ver na internet como fazer as gigantes.
  • Grande pintura: papel ou tecido bem grande para as crianças colorirem simultaneamente.
  • Trenó na grama: em um morrinho, as crianças sentam sobre um papelão e escorregam até embaixo.
  • Piquenique no parque com a família e/ou amigos.

As férias vêem aí. Final de semana tem toda semana. E final de tarde tem todos os dias. As brincadeiras são chances para as crianças crescerem com mais qualidade. Não precisam ficar de fora os passeios, as viagens e algumas tarefas sugeridas pela escola. Boas férias!!

SUGESTÕES DE PASSEIOS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

– Aeroporto

– Corpo de Bombeiros

– Exército Boqueirão

– Cavernas em Colombo (Bacaetava)

– Pescarias

– Churrasco à beira de rios

– Empinar pipas

– Museu do Automóvel

– Parques de Curitiba (piquenique)

– Passeio a pé

– Visitas a familiares e amigos

– Cinema em casa com amigos

– Sessão de ver fotos antigas e atuais

– Museu e Moinho holandês (Castro)

– Parque Estadual Guartelá

– Cidade histórica da Lapa

– Vila Velha

– Linha Turismo

– Caminho do Vinho

– Parque Histórico de Carambeí.

Lélia Cristina de Melo – Psicóloga clínica e orientadora familiar – CRP: 08/02909

3252-2163/99925-0926

Família, Psicologia

FAMÍLIA E SOCIEDADE: BREVE PERSPECTIVA

Que funções a família tem?

– Unidade de produção econômica e centro de consumo;

– responsável pelo cuidado dos menores e anciãos;

– formadora da personalidade das crianças (estrutura psíquica);

– transmissora de valores culturais, morais e religiosos;

– lugar de socialização primária e secundária.

Sua principal função é proteger a esfera privada da pessoa e prepará-la para integrar-se à esfera pública.

E quais são as atuais crises na família?

– Novos papéis homem/mulher;

– Individualização dos filhos (põem a família a seu serviço);

– Perda do sentido de autoridade parental (super-proteção, excesso de coisas, fragilidade);

– Adultos atraídos ao universo juvenil;

– Jovens ingressam precocemente no mundo adulto (prazeres, sexualidade, liberdade, uso de bebidas);

– Expansão da permanência do jovem no lar;

– Debilitação de valores morais e religiosos;

– Contra-valores nos meios de comunicação;

– Decomposição dos valores éticos (culto ao corpo e ao $$, hedonismo, etc.);

– Ausência do pai.

A família é cada vez menor, se forma mais tarde e se lhe dedica menos tempo.

Veja-se que as ameaças são numerosas e graves, mas a esperança e as possibilidades são maiores.

Sabe-se que sem família, o homem não é viável. Se os pais não construírem convicções sólidas e firmes, se não cuidarem do amor e do compromisso, se não engendrarem valores morais, se não motivarem a valentia, se não assumirem o timão da nave, se não forem coesos e fortes e não cumprirem com maestria o seu indelegável papel, se não aprenderem a ser melhores e se não recomeçarem quando falharem, então o projeto de família não se efetivou.

Precisamos não nos conformar com os sistemáticos inimigos da família, manifestar nosso descontentamento com os padrões vigentes equivocados e contrários aos valores.

Levar vidas paralelas e individualizadas não soma, não agrega, não constrói. Só assistir ao cenário e se comover, não muda nada. A sociedade é o que são suas famílias, e pela nossa inércia, uma cultura de baixa estatura moral vem influenciando gerações.

Mas, há, claramente, um movimento de retomada dos valores familiares. Pessoas, grupos e entidades têm se mobilizado para fortalecê-los. Quero convidá-los também a fazer parte desta seara: escrever artigos, criar blogs, dar conferências, aconselhar os amigos, agrupar-se com outras famílias, dar bons exemplos, etc., pode fazer parte do pacote pró-família. Somos muitos e temos as melhores intenções, só estamos dispersos. Mas podemos começar a nos juntar.

Lélia Melo – Psicóloga clínica e Orientadora familiar

CRP – 08/02909

3252-2163/99925-0926

Psicologia

OS OUTROS E EU: UMA CONVIVÊNCIA VIÁVEL

 

Aprendemos cedo a perceber o outro, a afetar e ser afetados pelos que nos circundam. É tão fundamental saber interagir como saber comer, brincar, estudar ou trabalhar. Não dá para subestimar as relações pessoais, porque senão decaímos como humanidade.

Precisamos investir na educação emocional das crianças e ensiná-las a ler os estados de ânimo das pessoas, assim como promover a sensibilidade e estimular a compaixão, favorecendo expressões adequadas de afeto. Por quê? Porque sempre seremos seres co-implicados. E se o somos, nossa maior especialização deveria ser a arte de nos relacionar, porque nada importa tanto quanto o outro importa.

Se for preciso crescer, maturidade é descobrir o bem que há no outro, o outro que é o meu igual, não o meu adversário, não uma ameaça, não um anônimo.

O homem é ele e sua circunstância (Ortega y Gasset). Ora, fazemos as circunstâncias, promovemos as realidades e apoiar-se em pessoas é melhor que apoiar-se em dinheiro e em coisas.  A riqueza das nações nunca esteve em seu patrimônio, mas nos seus cidadãos, sendo que aquilo que não serve para ajudar os outros, não serve, tão pouco precisa.

Mais terrível que a fome é o desamor. Para alguém vazio, dê-lhe algo para amar, afinal, todos os atos da vida humana fazem referência ao amor, seja porque o afirmam ou porque o negam. Se o amor é o ato humano por excelência, é ele que redime a possível feiúra da vida.

Que tão fácil tem se tornado desqualificar o outro! O outro tem sido o nosso inferno (à moda de Sartre), quando deveríamos suavizar seus sofrimentos, nos ocupando de suas histórias e nos antecipando às suas necessidades.

Comunicar-se de verdade, não se maquiar, recusar-se ao indiferentismo, humanizar os homens, restituindo-os a si mesmos.

O nosso alheamento das pessoas nos leva ao vazio e à insuficiência.

Nunca foi tão premente redirecionar a nau, reeducar os afetos e descobrir a distância que separa as nossas ações do ideal humano e civilizado que uma sociedade sadia requer, dando bases seguras ao homem e às culturas.

Não mais se deixar atrair pelo abismo, não mais se equivocar com os egoísmos maquiados. Pelo contrário: corresponder às exigências do amor, fazer triunfar a moral, continuar até o sacrifício, salvar o homem do caos, recusar-se a desesperar!

No lugar deste fatídico déficit na capacidade de amar, a aventura gozosa de recomeçar: um novo projeto para o velho homem, baseado em um amor recíproco robusto, porque está em jogo nada menos que a felicidade humana. E para reconquistá-la, agregar pessoas, unir vontades, produzir transformações!

Lélia Cristina de Melo – Psicóloga Clínica e Orientadora Familiar

CRP: 08/02909