FAQ, Homeschooling

Homeschooling? Você vai alienar o seu filho!

Dando continuidade à reflexão iniciada no texto “Homeschooling? Você é irresponsável e vai alienar seu filho!”, gostaria de parar um pouco para refletir sobre as oportunidades de instrução encontradas no Brasil e em tudo que as envolve. No texto anterior falei, de forma breve sobre a realidade da escola pública. Tenho exemplos de situações terríveis que envolvem o ambiente escolar. E estou falando do Ensino Fundamental, crianças de 6, 7, 8 anos!

Ah! Mas podem nos questionar: e as escolas particulares? Bom, primeiro que não é todo mundo que pode arcar com os custos de uma escola particular de qualidade, segundo que são poucas, pouquíssimas as instituições que são fiéis à cultura, ao tratamento dos alunos como pessoas, que não se deixaram corromper por inúmeros vieses que pudessem deturpar sua prática.  Sei de escola particular, com fila de espera para matrícula, que se intitula cristã e que no seu material de ensino religioso apresenta a Ressurreição de Cristo como um mito. Veja bem, uma família que pratica sua religião procura na escola que se diz cristã (seja Católica ou Protestante) confiança no quesito mais importante de sua fé e é traída dessa maneira. Isso não é pouca coisa. Talvez seja se você não possui fé… porém isso é apenas uma das inúmeras coisas que vêm acontecendo dentro das caras paredes das escolas particulares. Fui testemunha ocular de professor paquerando meninas de 14, 15 anos (sim elas estavam abertas a essa possibilidade, no entanto analiso aqui a postura completamente imprópria daquele que se dizia “profissional”). Já vi dentro de escola particular livro fazendo apologia à pedofilia e quando os pais questionaram a escola receberam a resposta de que aquilo estava “na cabeça deles”. Já estive em uma escola (logo que saí da faculdade) na qual fui orientada a mentir sobre a temperatura de uma das crianças, pois não haviam encontrado o termômetro e não queriam admitir isso para os pais. Nessa mesma escola, linda, extremamente limpa havia uma sala muito bem decorada, com brinquedos maravilhosos. Como professora nova, fui perguntar sobre as regras para levar meus alunos lá. A resposta foi que nenhuma criança entrava lá. Era só “para pai ver”. Hoje é uma escola particular com Ensino Fundamental tida com boa referência.

Outra frase muito escutada por homeschoolers é que os pais não serão capazes de ensinar o que a escola ensina. Fiz uma breve reflexão sobre isso no texto “Homeschooling? Você não será capaz!”.

Dizer que os filhos de homeschoolers são alienados é outra coisa que demonstra ignorância sobre o assunto. Uma criança homeschooler está NO mundo. Aprende com o deslumbramento pela vida e tem como guias as pessoas que devem amá-la de maneira incondicional. Um homeschooler tem como amigos crianças de diferentes idades, classes sociais, em situações bem mais diversificadas que os 20 minutos de recreio e as parcas conversas paralelas em sala de aula. Não estou desmerecendo a escola no que diz respeito à socialização. Sim fiz amigos em sala de aula. No entanto, pessoalmente, não a vejo como o único, nem o melhor meio de fazer com que as crianças tenham contato com outras pessoas e criem vínculos para toda a vida.  Falo um pouco sobre socialização na publicação: “Homeschooling? E a socialização?”

Talvez a pessoa que ache o homeschooling alienante, imagine que os pais vão manter os filhos dentro de casa apenas (o dia inteiro dentro da escola pode?). Bom, para isso costumo responder que tanto para as famílias escolarizadas quanto para as homeschoolers , a real qualidade das amizades, do conhecimento de mundo, a real socialização dependerá do empenho dos pais em fornecer oportunidades aos filhos. Vinte minutos de recreio não é socialização.

Muitos acham que os homeschoolers serão alienados da vida comunitária. Sobre isso a National Home Education Research Institute ( https://www.nheri.org/research-facts-on-homeschooling/ ) realizou uma pesquisa para medir o sucesso efetivo do homeschooling em adultos que foram educados por homeschooling por mais de 7 anos. A pesquisa demonstrou, por exemplo, que:

  • esses adultos demonstram ser mais participantes em serviço comunitário do que a média geral da população;
  • esse adultos demonstram maior engajamento em eleições e exercendo direito de voto, em comparação à média da população;
  • ingressam na universidade em maior percentual do que a média geral da população;
  • na vida adulta, compartilham valores e crenças de seus pais com maior facilidade.
  • Jovens educados em casa são regularmente mais envolvidos em atividades sociais e educacionais junto a comunidade. Comumente envolvem-se em atividades e grupos tais como escoteiros, igrejas, atividades esportivas da comunidade, voluntariado etc.
  • Adultos que foram educados por homeschooling têm se demonstrado politicamente mais tolerantes em relação aos que foram educados por escolas.

Estão aí apenas alguns dados das primeiras pesquisas e já começam mostrando que o homeschooling proporciona à família como um todo uma vivência extremamente rica e de nada alienante. Conheço situações de jovens de boas escolas que não sabem estabelecer bons vínculos afetivos e sociais. Mas sabem ficar horas entocados na frente de um computador. A culpa aqui não é da escola, assim como não seria do homeschooling. A alienação dependerá da qualidade das relações e das oportunidades de convivência e amadurecimento que a família se esforçar em proporcionar a todos os seus membros.

Cibele

 

 

 

 

FAQ, Homeschooling

Homeschooling? Você é irresponsável e vai alienar seu filho!

Não é difícil encontrar famílias que são homeschoolers ou que estão decidindo por começar a prática, relatarem este tipo de acusação: que são irresponsáveis, que os filhos serão alienados, etc. Comigo já aconteceu de dizerem que eu deveria ser presa. Vejam, minhas filhas são crianças alegres, sociáveis, bem tratadas, curiosas, aprenderam a ler antes da maioria das crianças no Brasil porque demonstraram o interesse e encontraram apoio e carinho em mim e em seu pai para que isso e outros ganhos intelectuais acontecessem e, sem saber realmente do que se trata a educação domiciliar, sem me conhecer direito a pessoa disse, em uma festa de aniversário, para outras pessoas que eu deveria ser presa.

Vivemos uma época na qual todos acham que sabem de tudo. Todos são especialistas em tudo. Nesta época, é necessário saber que nossa caridade e paciência devem ser um pouco maior para fazer com que todos, inclusive nós mesmos, compreendamos que não sabemos tudo.

É importante salientar que, na maioria das vezes, as pessoas que acusam pais homeschoolers (ou aqueles que vão começar) de irresponsáveis, não o fazem por maldade. São pessoas que, como todos, cresceram e se tornaram adultos em uma sociedade que entoa o chavão de “lugar de criança é na escola”.  Realmente acreditam que isso é o melhor para toda e qualquer criança. Não conhecem a possibilidade ímpar, excelente que a educação familiar pode proporcionar a uma criança. Trocando em miúdos, quem acusa, realmente está preocupado(a) com o bem estar das crianças.

Neste panorama, acredito ser importante ter paciência e caridade. Paciência porque são muitos anos de uma crença extremamente enraizada na cabeça das pessoas. Para elas a escola é o ÚNICO lugar onde uma criança pode aprender e socializar. Caridade porque muitas vezes teremos que escolher as palavras certas, que toquem o coração e a razão da pessoa, para que ela, no mínimo compreenda que existem outros meios de ensino e que os pais tem o direito de escolha. Com um pouco de sorte, esforço e boa vontade, talvez consigamos ganhar mais um simpatizante.

Para quem acha que os pais são irresponsáveis ao pensar ou ao tirar os filhos da escola, com muito pesar eu falaria sobre a realidade do ensino brasileiro. Irresponsabilidade é achar que ao adentrar os portões da escola a criança está segura. Sei de escola de ensino fundamental, na região metropolitana de Curitiba, que recebe a “visita” da polícia com uma regularidade inquietante. Fora a questão da segurança física, eu também tentaria debater sobre a qualidade do ensino em si. O Brasil é um dos últimos colocados, há anos, nos principais rankings de avaliação educacional no mundo. Os motivos são variados: condições precárias em sala de aula, turmas lotadas, metodologias ruins ou inventadas com fins políticos e não com fim a fazer com que o aluno adquira aquele conhecimento, problemas familiares que desembocam em sala de aula, etc.

Segundo  a National Home Education Research Institute, entidade americana que vem estudando a educação domiciliar nos Estados Unidos, “Jovens educados em casa tem obtido 15 a 30% mais pontos do que jovens que estudaram na rede pública de ensino dos Estados Unidos, conforme verificado em ‘achievement  tests’. Um estudo publicado em 2015 verificou que crianças negras que receberam ensino domiciliar tiveram pontuação nas provas 23 a 42% maior do que crianças negras que estudaram em escolas públicas (Ray, 2015); o estudo mostra também que os estudantes tem demonstrado pontuação acima da média independente do grau de escolaridade ou faixa de renda dos pais, que são seus professores/tutores na educação domiciliar”.  http://www.nheri.org/research/research-facts-on-homeschooling.html

Os estudos ainda não são conclusivos, mas demonstram as grandes possibilidades dentro da prática e vão mostrando que as famílias não tem nada de irresponsáveis.

Mas você pode me dizer: “Ok… as famílias não são irresponsáveis…mas que vão alienar os filhos, ah! Isso vão! Não tem como uma criança ter contato com o “diferente”, com outras formas de pensar se ficar em casa só com os pais! Vai se tornar um intolerante!” Bom, sobre isso você pode ler mais no texto “Homeschooling? Você vai alienar seu filho!” e deixo aqui a sincera intenção de fazer com que consigamos, pela força de argumentos baseados em fatos, trazer novas luzes para o entendimento daqueles que conosco convivem.

O que você acha sobre isso? Vamos conversar?

Cibele

Família, Materiais

Pó colorido – brincadeira para o verão

Essa brincadeira, que citei numa lista de “Dicas de atividades para as férias“, não é nova, muita gente conhece e/ou já participou de festivais ao redor do mundo. Mas ainda existem pessoas que nunca ouviram falar. A origem da brincadeira vem das festividades indianas para a chegada da primavera e também tem relação à religiosidade do país. O festival se chama Holi, Festival da Cores. Neste dia as pessoas brincam de atirar tintas e pós coloridos umas nas outras. Quem começa são as crianças, mas logo todos estão brincando e “pintados” da cabeça aos pés. O festival dura vários dias. Como é extremamente colorido, bonito de se ver e divertido, hoje existem diversos festivais que usam o pó colorido, chamado gulal, também no ocidente. Confira, ao final deste post, três vídeos sobre essa festa. Os primeiros mostram o festival original nas ruas de algumas cidades da Índia. O último já é o festival com os ares de ocidente.

Ao saber sobre a festa  e ver assistir aos vídeos, tive vontade de brincar com minhas filhas. Pesquisei como comprar o gulal e achei que a brincadeira ficaria muito cara (50g chega a custar R$5,00) e, convenhamos, é divertida, em parte, porque você pode repetir o ato de jogar o pó em seus amigos e eles fazerem isso com você. Por isso resolvi descobrir como fabricar um gulal caseiro.

    

 

A própria fabricação teve a participação de minhas filhas (Assim que eu encontrar as fotos, posto por aqui). Leva alguns dias para ficar pronto, mas apesar disso, não é difícil de fazer. Foi muito divertido poder fabricar e depois brincar com elas. Tenho certeza que ao me empenhar em realizar esta brincadeira, ajudei a criar em minhas filhas memórias de infância e isso é super importante! Leia um pouco sobre a importância das memórias de infância na publicação: “Importância das memórias de infância“.

Pessoalmente não tive problemas com manchas em roupas ou algum problema com o pó nos olhos. Mas não sei se todos os corantes são bonzinhos como os que usei.

Deixo aqui a receita que encontrei e coloquei em prática. Aconselho a deixar secar ao sol. Tenha certeza que a mistura secou por completo, do contrário você terá pó mofado. Ao passar na peneira, quanto mais fino melhor.

O passo a passo é do GShow:

PASSO 1: separe tigela, colher, 5 a 10 ml de corante em gel, 75 ml de água, 200 gramas de amido de milho e um pedaço de plástico

PASSO 2: Misture o corante na água. Quanto mais corante você adicionar, mais viva vai ficar a cor do seu pó colorido

PASSO 3: Misture a água aos poucos no amido de milho. Não coloque tudo de uma vez. A mistura tem um ponto certo!

PASSO 4: Quando ela parecer líquida, mas você conseguir pressionar com o dedo e a sentir firme, está pronta. É essa loucura mesmo: meio mole, mas dura!

PASSO 5: Despeje em um saco plástico e deixe secar por dois dias

PASSO 6: Use um rolo de macarrão ou uma lata de tinta spray para triturar a tinta quebradiça

PASSO 7: Passe a tinta em uma peneira. Se estiver muito grossa, use uma com a grade mais grossa. Finalize com uma de rede bem fina para realmente reduzir a mistura a pó.

ASSO 8: Rolou! Brinque com seus amigos e faça a festa!

Boa brincadeira! Divirtam-se!

Cibele

Aspectos Jurídicos, Homeschooling

Passos necessários para retirar uma criança da escola e iniciar o homeschooling

Quais os passos necessários para retirar uma criança da escola e iniciar o homeschooling?

Cada vez mais a educação domiciliar tem ficado conhecida e muitas famílias começam a pensar na possibilidade de educar os filhos em casa. Dessas famílias, muitas ainda possuem os filhos muito pequenos e, por isso, os mesmos nunca estiveram na rede formal de ensino. No entanto muitos desses pais já estão com seus filhos na escola. Estudaram, conheceram o que é o homeschooling, decidiram que é esse estilo de vida e de ensino que desejam para seus filhos, mas não sabem como fazer para dar início ao processo e a primeira pergunta é: como retirar meu filho da escola? 

A primeira coisa que é necessário que seja esclarecida é que, por enquanto, o Brasil não possui uma lei que regulamente a prática da educação domiciliar. Não existem regras. Em nenhum lugar está definido os passos que a família deve dar para iniciar o processo. Algumas famílias (como a minha) tiveram uma experiência extremamente tranquila, encontraram pessoas simpáticas à prática e nunca sofreram denúncia alguma. Os motivos que me levaram a escolher o homeschooling, eu conto nesta publicação: “Por quê escolhi o Homeschooling?“. Outras famílias passaram por questionamentos por parte de algumas pessoas das instituições educativas nas quais os filhos estudavam, mas conseguiram realizar a retirada. Outras ainda sofreram denúncia da própria escola na qual estavam. Não tenho como dizer como será sua experiência. Espero que seja tranquila, uma vez que a responsabilidade e liberdade dos pais para com a educação dos filhos é algo garantido em nossa Constituição.

Basicamente, pais que estão com os filhos matriculados em escola particular (como as minhas filhas estavam), podem informar à secretaria da intenção da retirada dos filhos da instituição e solicitar os documentos de transferência, bem como o histórico escolar. É importante destacar que o pedido de transferência DEVE ser efetuado. Apenas deixar de enviar os filhos para a escola gera falta e é dever da escola averiguar a situação da criança. A transferência encerra o vínculo da escola com o aluno.

O que pode acontecer nesta situação é que a secretária, o/a diretor/a pergunte para onde as crianças vão, os motivos da retirada. Na minha situação, todas essas pessoas eram (são) minhas amigas. Pude ser extremamente sincera e fomos respeitados integralmente em nossa decisão. Se essas perguntas forem feitas, se os responsáveis pela escola quiserem uma reunião para saber os motivos, o casal deve conversar, entre si, para saber o que responderão. É interessante refletir: as pessoas que perguntam são próximas? A pergunta é só um questionamento corriqueiro, como para “puxar conversa”, ou a pessoa realmente quer saber se algo aconteceu na escola para acabar em retirada dos alunos? Muitas vezes esse questionamento/reunião é o meio que a escola tem de saber se houve algo que fez ou deixou de fazer com o objetivo de melhorar seus serviços. A resposta dependerá da análise dessas questões (e de outras…cada caso é um caso). Muitas famílias optam por dizer que ainda estão escolhendo para onde os filhos vão. No geral, escolas particulares não apresentam problemas para a realização da entrega da transferência. 

No caso de escolas públicas, é comum dizerem que, para entregar a transferência necessitam da matrícula na outra instituição. Já ouvi que existem famílias que realmente estavam para mudar de país. Simplesmente não tinham “a outra instituição” e essa é uma das saídas de muitos pais e mães para não terem dor de cabeça, uma vez que não possuem um relacionamento mais próximo com quem pergunta.

Apesar de termos, expresso na Constituição, o direito à liberdade de escolher como e onde nossos filhos estudarão, a educação domiciliar encontra-se, nas palavras do Ministro Barroso, em um “limbo jurídico“. Ela é constitucional, mas aguarda regulamentação. Se você deseja iniciá-la é importante saber que ela não é ilegal, mas dentro desse limbo jurídico, existem pessoas que entendem que sua prática deva ser coibida e podem causar dores de cabeça às famílias. Por isso, o conselho é: quer iniciar, mergulhe de cabeça, mas não cutuque onça com vara curta. Evite discussões com diretores, secretárias, professores por causa dos documentos.

Por enquanto, até que saia o acórdão da decisão do STF, as famílias educadoras estão sob a guarda do Sobrestamento emitido pelo Ministro Barroso. Aguardamos a regulamentação que deverá ser feita pelo Congresso e passar por todos os trâmites legais.

Ah! Retirar uma criança da escola não significa que ela está desescolarizada! Desescolarização é um processo! Se você deseja saber sobre ele, pode encontrar um pouco sobre o assunto na publicação “DESESCOLARIZAÇÃO“. Se você deseja saber sobre a prática em si, como realmente começar, pode encontrar algo no texto “Como começar essa tal educação domiciliar” e na sequencia da mesma com link no corpo do texto.  Dicas de leituras a respeito do assunto, você poderá encontrar NESTE texto.

Espero ter ajudado! Ficou com alguma dúvida? Entre em contato!

 

Um abraço!

Cibele

5-10 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise Literária – O Príncipe Feliz

Oba! Mais uma Porção de Análise Literária Infanto-juvenil!  Abaixo, você encontra acesso ao podcast da Letícia, autora da Porção Semanal e, abaixo do link, o texto-base do podcast. Se vc quiser saber quais foram as outras análises, dê uma espiada nos links no final do texto.

O príncipe feliz – Oscar Wilde

Idade: 8 anos

Essa bela história de Oscar Wilde foi publicada no ano de 1888. Ao contrário do que nos indica o título, no início da história o príncipe é tudo, menos feliz. Nos diz que durante a sua vida habitava no palácio da tranqüilidade, e nunca percebeu quanto sofrimento havia além dos muros do palácio, pois achava que todos vivam muito bem, como ele. Depois, quando colocado como estátua no alto da cidade, era admirado por todos, que o consideravam muito feliz. Mas agora,com a vista que tinha, percebeu quanto sofrimento havia na sua cidade.

Primeiro, cada consideração das pessoas que passavam pelo príncipe são equivocadas. A mãe diz aos filhos: porque não são como ele, que não importuna ninguém? As crianças pensavam que ele era como os anjos… Mas na verdade ninguém percebia que ele não era feliz, justamente por não poder ao menos importunar os demais, como as crianças faziam. Muitas vezes nós interpretamos equivocadamente a conduta dos demais. Ninguém sabe por quais tipos de problemas cada pessoa está passando.

Mas o príncipe, colocado em um lugar com visão privilegiada, via além do que os demais enxergavam: via a costureira, que cansada do seu trabalho, com o filho doente, sem alimento para oferecer, era tida, durante um baile, pela dona da encomenda, de preguiçosa. Via o rapaz, que cansado e com fome, não conseguia terminar a peça de teatro que estava escrevendo. Via a menininha, que com fome e frio, não tinha vendido nada, e por isso seria repreendida pelos seus pais. Via crianças e mendigos passando fome e frio. E por isso, com a ajuda da Andorinha, o príncipe feliz consegue ajudar a todos que quer. Desmancha-se, por assim dizer. Doa tudo de si. Cada um ali contribuiu com o que podia: ele, com as pedras preciosas de sua espada e de seus olhos. A andorinha com o seu vôo, visto que o príncipe não podia sair do lugar.

Assim devemos ser: contribuir da forma como pudermos. Por maior que seja a dificuldade pela qual estejamos passando, normalmente alguém está sofrendo com um problema muito maior. A ajuda que podemos prestar aos demais pode ser financeira, ou pode ser apenas humana: uma conversa, um conselho, um ombro amigo… Que nós não tenhamos olhos estreitos, que vêem apenas suas necessidades mesquinhas. Que vejamos o quanto o próximo precisa de nós, como o príncipe, que realmente se tornou feliz ao doar-se por inteiro aos demais. Que como o príncipe, tenhamos olhares de águia. Que vê longe, tem olhar amplo. Mas que tenhamos a sutileza e a delicadeza da andorinha, que entregava os bens sem mostrar-se, visto que a caridade deve ser feita para ajudarmos aos demais, e não por simples vaidade. Que possamos ser exemplo para as nossas crianças.

Um abraço!

Letícia

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