0-4 Anos, 5-10 Anos, Homeschooling, Linguagem, Metodologias

Letra bastão ou cursiva?

 

Gostaria de colocar minha visão acerca da questão da alfabetização com letra cursiva e bastão.

Não é difícil encontrar quem inicie o processo de alfabetização pela letra bastão ou caixa alta. Muitas mães já me perguntaram se é essa a letra que devem começar a apresentar aos seus filhos e algumas se surpreendem com minhas respostas.

Antigamente todos aqueles que eram alfabetizados o eram através da escrita cursiva. A mudança se deu não faz muito tempo e, ouso dizer, embora não tenha pesquisado muito à respeito, que essa mudança veio no tempo da reforma da educação, realizada, alí por volta da década de 1990. Tempo de revolução tecnológica em um país que lutava (ainda luta) para dar conta de inúmeras questões econômicas, sociais e educacionais. Nesse panorama e com a realidade que a tecnologia trouxe e continua trazendo, muitos acreditam que a letra de mão, a letra cursiva, deva cair em desuso, que não existe mais necessidade alguma de ser realmente ensinada nas escolas. Inclusive alguns países estabeleceram a diretriz de realmente abolí-la de suas escolas, como é possível verificar em algumas reportagens como esta: https://veja.abril.com.br/educacao/na-finlandia-escolas-trocam-letra-de-mao-por-digitacao/  . Segundo a notícia, os alunos que iniciarem no curso primário não serão mais obrigados a aprender caligrafia. As crianças aprenderão, no lugar disso, a digitação em computadores e tablets. Neste caso a questão vai além da letra cursiva. Nem as letras bastão as crianças seriam ensinadas a traçar.

Minha humilde opinião sobre o assunto é que seguir diretrizes como essas, pode nos levar a caminhos meio tortuosos. Não considero que a escrita seja apenas um meio de comunicação. A vejo como uma forma de arte, como uma maneira de exercitar a mente, o cérebro,  criar novas conexões neurológicas, imprimir no papel, mediante a coordenação visomotora aquilo que se passa na alma. Somos seres humanos e não máquinas e a escrita “ao modo antigo” me parece estar mais intimamente relacionada com isso. Mesmo que a digitação também possa transmitir, de alguma forma, o que vai em nosso coração.

Bom…mas o que então acho sobre a letra cursiva e a bastão? Acredito, após ouvir muitas pessoas e pesquisar algumas fontes, que a escrita cursiva trabalha muito mais partes do cérebro, possibilitando muito mais conexões neurológicas. Essa rede de conexões agilizam o pensamento e dão suporte para novas descobertas. Uma rede neuronal com mais conexões é mais rápida, eficiente, saudável.

Como pais presentes, queremos, com certeza, que nossos filhos sejam expostos à tudo aquilo que venha a acrescentar em seu desenvolvimento. Frente a isso, realmente, não podemos afirmar que toda criança que aprender com a letra bastão terá, certamente, dificuldade de passar para a cursiva. No entanto, essa possibilidade é maior. Muitos dizem que alfabetizam com a bastão pois as letras são mais fáceis de serem escritas. Isso se dá porque a maturidade da coordenação motora, neste quesito, é um pouco mais lenta que a maturidade para a decodificação dos grafemas (os desenhos das letras) em fonemas (o som de cada letra) e a letra bastão quase não possui curvas, mais difíceis de serem traçadas por mãozinhas imaturas.

O trabalho com caligrafia era feito com crianças um pouco maiores, em um material específico para a maturidade motora das mesmas e com uma frequência que crianças maiores poderiam suportar (e mesmo assim  muitos reclamavam). Quando a mudança aconteceu a necessidade da caligrafia também e muitas escolas abandonaram a letra cursiva, uma vez que o “objetivo social” da escrita seria a transmissão do pensamento, da ideia. Ora, se a ideia foi transmitida em letra bastão, não havia necessidade alguma de que as crianças fizessem aqueles treinos de caligrafia. Passaram a fazer uma conexão, entre outras coisas, que a escrita cursiva com crianças um pouco menores seria  cruel. Muitas professoras chegam a dizer que a letra cursiva segregava alguns alunos. De lá para cá, a maioria passou a ser alfabetizada com letra bastão e a maioria dos livros apresentam essa letra.

No entanto, pude ouvir relatos de algumas mães que afirmam que a letra bastão pode até ser mais fácil de ser traçada, no entanto, esse mesmo tipo de letra, essa mesma fonte pode confundir as crianças. Podem confundir um p com um q, um d com um b. Isso é muito fácil de ocorrer, na realidade. Para isso, o trabalho físico de lateralidade (entre outros) deve ser realizado. Existe um trabalho anterior à alfabetização que pode ajudar nessa questão.

Porém, como eu disse, escrever com a mão e não com o auxílio de computadores ou outros dispositivos é essencial para o desenvolvimento de conexões neurológicas. E, mais que escrever com a mão, utilizar-se da letra cursiva, promove ainda mais conexões, pois ” A neurociência sustenta que a escrita cursiva, por exigir maior esforço de integração entre áreas simbólicas e motoras do cérebro, é mais eficiente do que a letra de forma para ajudar a criança a adquirir fluência e escrever “em tempo real”. Ademais, a técnica estimula o cérebro, aumentando o número de sinapses e, consequentemente, sua capacidade.”, como afirma Hirmínia Dorigan de Matos Diniz, promotora de justiça em comunicado sobre educação ao Ministério Público.

Bom…sempre apresentei as letras cursivas primeiro e, quase que paralelamente, inúmeras outras fontes são apresentadas. Ao escrever solicito a cursiva e, em algum tempo, a criança passa a reconhecer todas e, como já tem treino suficiente, consegue traçá-las também sem nenhum problema.

E você? O que acha? Vamos conversar?

 

Cibele Scandelari

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FAQ, Homeschooling, Metodologias, Sem categoria

Qual o melhor método educativo?

Ao pensarmos em nossos filhos é normal, assim deve ser mesmo, que queiramos dar a eles o melhor que estiver ao nosso alcance. Dentre tantas coisas, dar a melhor educação é algo que a maioria dos pais almeja. Isso não é diferente com pais homeschoolers. Temos sede de conhecer todas as metodologias e saber qual delas é a melhor. Muitas vezes, admiramos muito uma família, a maneira como a mãe conduz sua rotina diária, nos admiramos com a forma como ela encaminha o aprendizado dos filhos. Aquela família linda passa a ser nosso modelo, queremos que a nossa caminhe nos mesmos passos. No entanto, o que funciona para uma pode não funcionar para outra. 

Creio que devemos realmente conhecer, o mais fundo que pudermos, cada metodologia que nos for apresentada, que formos descobrindo, nos interessando. Porém, acredito ser necessário nos conhecermos e conhecermos as pessoas que nos rodeiam para que não apliquemos com aqueles que amamos princípios tecnocratas.  A educação é algo pessoal. 

Conheço uma família que a mãe é a organização em pessoa. As pastas de atividades dos filhos são lindamente catalogadas, tudo é planejado com muita antecedência e cada atividade cumprida dentro de um padrão previamente combinado. Seus filhos REALMENTE estão aprendendo. Ela segue o currículo americano e está feliz da vida. Acho lindo e aos poucos tento implementar algumas coisas, mas preciso ter a consciência de que somos diferentes. Essa consciência me ajudará a não me frustrar, esperando resultados iguais.

O mesmo acontece para com os métodos. Existem diversos e é necessário estudá-los para conhecê-los. Mas é importante que cada família, além da liberdade de escolha, tenha também a tranquilidade de fazer as alterações que lhe aprouver ao longo dos estudos. Engessar um processo de aprendizado dentro de uma metodologia, só porque sim, não faz sentido.

Sendo assim, acredito que a metodologia pode sim ser uma combinação de elementos de várias vertentes. O que impede uma família que optou pelo método Montessoriano incluir em sua rotina a observação da natureza e o Diário da Natureza de Charlotte Mason? Qual é o mal que isso pode trazer? Uma mãe que está estudando os diferentes meios pode se apaixonar por uma atividade específica de uma vertente, mas ser “adepta” de outra. Seu filho está aprendendo de maneira verdadeira? O processo é prazeroso?

Dito tudo isso, posso colocar aqui o que euzinha considero importante em um método para a prática do Homeschooling. Acredito que uma boa metodologia deve considerar a pessoa como um ser integral e não focar apenas no intelecto. Para mim isso é essencial. Por isso, gosto da abordagem de Charlotte Mason, Educação Personalizada de Victor Garcia Hoz e da Educação Clássica. Ainda tenho muito a estudar, mas o respeito pela integralidade do ser humano nessas 3 abordagens é belíssima.  O cuidado com a formação do caráter, da vontade, aliado à excelência acadêmica são um desafio apaixonante. Desafio? Sim. Educar de verdade não é algo fácil. Muita água deve rolar debaixo da ponte e o cuidado dos pais deve ser constante.

Bom, vale a pena conhecer as vertentes pedagógicas. Inclusive aqueles que não deram certo para que saibamos identificar o joio no meio do trigo. Podemos conversar sobre elas…veremos. 🙂

 

Cibele Scandelari

0-4 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Metodologias

O cuidado no olhar alfabetizador

Gostaria de falar um pouco sobre alfabetização e os caminhos que podem ajudar e/ou dificultar esse processo.

Mas antes de qualquer coisa, existe algo que é importante deixar registrado: nós pais temos, com certa urgência, controlar nossa fúria pedagógica (ou talvez nosso orgulho) e parar de querer ver crianças alfabetizadas cada vez mais cedo  só “porque sim”. Só porque, em algum canto obscuro do nosso interior, nosso ego infla e diz para si mesmo “essa criaturinha de 2, 3 anos já está lendo tudo…e quem ensinou foi EU”.

Vejam bem, não sou contra que o processo seja iniciado, aconteça e desemboque numa criança alfabetizada cedo, se essa criança demonstrou interesse e tudo transcorreu bem. Apenas acho que muita gente está comparando os filhos com outras crianças, ou comparando com aquilo que sua imaginação idealizou e está esquecendo que cada um tem o seu ritmo. E isso não é bom nem ruim. É simplesmente o que é. Uma criança que aprende a ler com 7 anos não é, necessariamente, um aluno deficiente em relação a um que aprendeu  com 4. Sim, o homeschooling promove um contato maior com o mundo escrito, as aventuras que se passam dentro dos livros, mas isso não quer dizer que seu filho TENHA que ler antes, muito antes da média nacional. Seu filho tem que desenvolver, gosto… amor pela leitura. Isso sim. E seu acompanhamento constante, seu olhar amoroso, sua atenção às suas necessidades permitirão perceber a vontade de aprender, ou uma real dificuldade (dislexia, falha no processamento  auditivo, visão, etc).

O processo de alfabetização, ao meu ver, deve ser gostoso. Falo um pouco sobre a forma como encaminho o processo aqui em casa nos artigos “Como alfabetizo” e “Como alfabetizo – Parte 2”. Claro que esse processo prazeroso não significa que a criança pode sempre desviar-se das tarefas se estas não a agradarem. Aos poucos é importante que vá desenvolvendo noção de responsabilidade e de sacrifício. No entanto, existem situações nas quais os pais devem estar atentos. Algumas vezes a criança não quer fazer determinada atividade pelo fato da mesma não estar em sintonia com o estilo de aprendizado ou o nível de maturidade da criança.

Por exemplo, existem crianças que necessitam pegar nas coisas para aprender melhor. Outras precisam falar sobre o que estão aprendendo para poder processar as novas informações. Algumas vezes a criança saberia fazer a atividade, mas seu temperamento trava sua iniciativa. São desafios paralelos à alfabetização e devemos entender que eles existem e fazem parte do processo. Dizer simplesmente “esta é a atividade, senta e faça” é dar umas bofetadas num processo que pode ser gostoso. Algumas vezes, repito, a criança terá que sentar e se esforçar mais, enfrentar uma preguiça. Mas é necessário que os pais, quem a acompanha estejam atentos para perceber se algumas vezes não cabe algumas alterações nas atividades propostas.

Tenho percebido essa necessidade aqui em casa. Minha menina que está passando pelo processo de alfabetização, demonstra muita necessidade em que eu esteja por perto. Eu sei que ela já sabe, mas ela ainda está insegura quanto à sua própria capacidade. Minha presença e incentivo preenche o espaço criado pela insegurança.  Em certos aspectos essa necessidade dela não é algo fácil para mim. Meu primeiro impulso é “você já sabe, logo não preciso ficar o tempo todo aqui”. Tenho feito um esforço para conseguir encontrar uma justa medida em dar a presença que ela necessita para sentir-se segura e dar o espaço necessário para que avance em confiança e autonomia no processo.

  

Descobri que uma das coisas que podem ajudar é alterar a maneira como algumas atividades podem ser feitas. Os objetivos permanecem os mesmos, mas a forma como são trabalhados não. Por exemplo, em uma atividade do livro Professora de Papel, material que adotamos para a alfabetização, a criança deve colocar em ordem uma série de palavras para formar uma frase com sentido. Minha filha consegue ler todas as palavras ali colocadas, não falta trabalhar  nenhum fonema. No entanto, ela não queria fazer. Estava extremamente reticente. Ela tentava ler e não entendia o que era para fazer. Eu dei exemplos mas, mesmo assim, a coisa não fluía. Então, pensei (depois de ter passado nervoso, confesso), que talvez ela não tenha maturidade para realizar a atividade da maneira como está proposta. Ela ainda necessita manusear as coisas para conseguir visualizar um resultado. Sua capacidade de abstração ainda é limitada. Então, imprimi as várias frases e recortei cada uma e pedi que fosse colocando-as em ordem até que fizesse sentido. Que mudança! Para algumas ela ainda necessitou da minha presença, mas conseguiu compreender a proposta e deu para ver que sentiu-se muito bem  consigo mesma por ter conseguido fazer. Não conseguimos finalizar tudo, pois ainda não consegue se concentrar por muito tempo, mas fiquei muito feliz em ter tomado a decisão de dar uma afrouxada e escolher outro caminho. Algumas vezes temos que dar um passo atrás para poder seguir adiante. Outras vezes temos que escolher um caminho diferente e não há nada de errado nisso.  

 

Cibele Scandelari

Áreas do Conhecimento, FAQ, Homeschooling, Metodologias, Planejamentos

Como alfabetizo

Sabe aquela sensação deliciosa de ver os primeiros passos do seu bebê? Que você segura a respiração, quer gritar de alegria e se contém para não atrapalhar o momento? Então, quando um filho começa a ler na sua frente é mais ou menos isso que se sente. Bom, pelo menos comigo foi assim.

Ao fazer a escolha de educar em casa, nos deparamos com muitos métodos e não é diferente para a realidade da alfabetização. Existem muitos. Alguns são variações, outros são considerados quase como que opostos aos primeiros. Você vai encontrar o método fônico, silábico, global, das boquinhas, historiado…uma infinidade.

Particularmente gosto muito do fônico (e aplico com minhas filhas), mas não sou defensora a ponto de dizer que SÓ ELE ALFABETIZA. Não. Acho que é um método que abrange sim a maioria das crianças no processo de alfabetização, trabalha muito bem as possíveis dificuldades que elas possam vir a ter,mas não acho que ao adotá-lo, a família deva usá-lo de maneira pura e sem passar perto de alguma atividade, brincadeira, complementação do global, por exemplo. Fui professora em uma turma na qual eu usava diariamente a estimulação neurológica de Doman e vi, com meus próprios olhos, uma menina de 3 anos (fora outros) ler palavras de ponta cabeça. Em outra situação, uma amiga percebeu que sua filha de 4 está começando a compreender o processo através dos cards utilizados pelo Kumon. É claro que outras atividades foram realizadas, mas deixo aqui estes relatos apenas para não jogarmos boas alternativas no lixo.

Método bom é o que ensina. É aquele que permite que a criança torne o conhecimento seu. Já vi mais de uma família (mais mesmo) relatar que alfabetizou o primogênito no fônico, mas que o segundo filho só engatou mesmo quando começaram algumas atividades do silábico ou outro método. Com isso, quero dizer que o que dita o andar da carruagem são as demonstrações do seu filho. Você pode ter por base um método e lançar mão de uma estratégia avulsa para ganhar atenção, recobrar o ânimo, dar um empurrão em um mais preguiçoso. E não há mal nisso.

Aqui em casa, adotei (pelo menos por enquanto) o material da Professora de Papel.

O método é fônico e sua abordagem é historiada. Nele, cada letra é apresentada com uma história. O alfabeto é uma família, as meninas são as vogais e os meninos as consoantes. As letras “estrangeiras” K, W , Y, são o pai, a mãe e um tio. Nessa história houve uma briga entre os meninos e as meninas. Nessa briga, os meninos gritaram tão alto que acabaram perdendo a voz e agora só conseguem falar se estiverem de mãos dadas com as meninas.  Faço algumas alterações em algumas histórias, já encontrei errinhos ao longo do material e algumas atividades poderiam dar um espaço maior para a criança escrever. Fora essas questões, amo o material.

A cada letra apresentada, a história mostra qual o seu traçado (primeiramente cursivo, depois as letras script são apresentadas, também de forma historiada) e, o que é muito importante, ensina a produzir de maneira correta o som, fonema,  que aquele grafema representa. A história envolve a criança e isso faz com que sua memória ajude a reconhecer cada letra.

Outro material que trabalha com essa linha historiada é o Casinha Feliz e, apesar de ser mais colorido, mais bonito, escolhi o Professora de Papel porque neste a criança vê apenas 1 letra por vez e isso, ao meu ver, respeita mais seu ritmo, dá mais tempo para que internalize.

Vou apresentando letra por letra, contando cada história aos poucos. Minhas filhas gostam bastante. A mais velha ainda quer estar junto para ouvir. Trabalho o traçado de cada letra com calma, primeiro grande, em diferentes tipos de suporte, realizo atividades de colagem, massinha, perfuração. Aproveito e trabalho coordenação motora.  Realizo brincadeira que reforçam alguma noção e deixam o processo mais leve.

  

Ao longo da caminhada também esbarro (ainda) com dias nos quais a falta de vontade em fazer alguma atividade domina a pupila. Muitas vezes isso pode gerar bastante frustração, tanto na criança que quer ir brincar, como na mãe que organizou, planejou e vê seu plano indo pro ralo. Tento ter, para essas horas, atividades que trabalhem aquele ou outro aspecto de uma maneira diferente, mais leve, em forma de brincadeira. Isso faz diferença. Acalma as duas partes. Podemos falar sobre essas alternativas e como aprender a montá-las em outra ocasião.

Por ora fiquemos com estas informações a respeito de alfabetização. No próximo texto pretendo contar um pouco sobre como faço quando percebo que o método deu uma enjoada.

Até mais!

Cibele Scandelari

0-4 Anos, Família, Homeschooling, Maternidade, Metodologias, Planejamentos

Quero praticar HS…mas meu filho ainda nem nasceu…o que posso fazer agora?

Que oportunidade de ouro!

Tenho uma amiga, que mora no meu coração, não paga aluguel e nunca será despejada, que começou o homeschooling com seus dois filhos quando estes já estavam cada um com 9 e 7 anos. Ela afirma, categoricamente, que o mundo de estudo que se abriu para eles,  OS PAIS, é lindo…mas gigante. Muitas, muitas coisas a descobrir, entender, comparar, escolher. Fora que, pelo fato de termos sido intensamente escolarizados, sair dessa caixinha não é nada fácil. Por isso essa minha adorável “inquilina eterna” já disse mais de uma vez: “tem filhos pequenos? Aproveite para estudar. Leia, converse com quem já pratica“. 

Pode ser tentador pensar que, se a criança ainda é muito pequena, ou nem nasceu, dá pra esperar para quando o estudo seja mais “necessário”. Bom…até dá pra esperar, mas já digo de antemão, o arrependimento pode ser pesado e aí a ansiedade de dar conta de entender tudo pode atropelar o que poderia ser algo extremamente prazeroso. (Eu disse prazeroso, não fácil e nem mamão com açúcar).

Ao estudar sobre a prática da educação familiar, procure autores que vivenciaram em suas famílias essa realidade. Ler o que mães com anos de homeschooling e trabalho doméstico nas costas tem a falar pode ser inspirador.

Aprender sobre as diferentes metodologias é super importante. Será que seu estilo será Clássico? A leveza de Charlotte Mason te seduzirá? Vc se apaixonará pela autonomia que Maria Montessori propõe com suas atividades? Será que vc gostará de tudo um pouco e resolverá fazer um pouco de cada?

Se interesse por aprender sobre as fases do desenvolvimento infantil, sobre as coisas importantes que marcam uma infância feliz. Nem só de atividades de alfabetização vive uma mãe (e uma criança) homeschooler! Delicie-se com a realidade de que, nesse estilo de vida, será muito importante estar, brincar, rolar no chão com os filhos.

Aprenda sobre os hábitos básicos, que deverão receber um cuidado constante nos primeiros anos de vida. Falo sobre eles no texto: “Tem filhos pequenos? Foque nos hábitos básicos!”.

Nesse processo de escolhas é importante destacar: sua futura prática homeschooler deve refletir os valores da sua família. No que vcs acreditam? Quais são as ideias que permeiam suas vidas e que vcs não estão dispostos a abrir mão? Ao entrar na aventura do estudo para a prática é de grande valor querer se conhecer. A si, ao cônjuge, as características da família que querem criar. Como vivem a fé? A educação é algo que pode influenciar a vivência da dimensão transcendente e vice-versa.

Outra coisa: percebe que no parágrafo acima, coloquei que a prática deve refletir os que VOCÊS acreditam? Sim…a decisão pela educação familiar não pode ser algo unilateral. Deve ser uma decisão do casal. Comum acordo. Mesmo que um dos dois vá assumir com mais intensidade as atividades que a demanda de aprendizado exija. Sendo assim, este é um ponto a ser pensado. Quando tudo começar de fato, quando a carga de atividades, dúvidas, projetos, necessidades começarem a deslanchar, como o casal enfrentará tudo? Por exemplo, é bom saber que o homeschooling é mais do que simplesmente não colocar os filhos na escola. É um estilo de vida, como dito acima. Todos devem estar preparados para isso. As crianças estarão em casa 24 horas por dia. Isso significará um aumento exponencial do nível de bagunça. Vocês devem saber disso e se preparar. Não quer dizer que não vão viver a luta por educar os filhos na ordem, mas é necessário ter claro que a casa de revista, arrumada, impecável estará lá…na revista.

Então, se vcs já encomendaram o pacotinho com a cegonha e estão namorando essa vida apaixonante da educação domiciliar, não percam tempo e estudem muito! Todos só tem a ganhar!

 

LISTA DE (algumas) LEITURAS (pra começar…):

       

Bons estudos!

Cibele Scandelari