ANÁLISE LITERÁRIA, Materiais

Análise literária – Um conto de Natal

E aqui está mais uma porção semanal de análise literária infanto juvenil! Se vc quiser saber quais foram as outras análises, dê uma espiada nos links no final do texto.

 

Charles Dickens

Olá, pessoal. Esse é o porção semanal de literatura infanto juvenil, e hoje falaremos sobre Um conto de Natal, de Charles Dickens.

Esse livro foi publicado pela primeira vez em 1843, e comenta-se que foi escrito em um mês, pois Dickens contava com o dinheiro da venda desse livro para pagar dívidas. Mal sabia ele que seu livro se tornaria um dos maiores clássicos da literatura universal a tratar do Natal!

Bem, inicialmente, eu gostaria de dizer que o livro escolhido para essa semana é indicado para crianças de 10 anos ou mais, visto que é extenso, e exige mais da compreensão da criança. Mas pode ser utilizado para ensinar muitas coisas para o público infantil! Vejamos quais são elas.

Em primeiro lugar, quando Scrooge é visitado pelo espírito de Marley, seu amigo lhe diz que espera que Scrooge tenha um fim diferente do que ele teve. E por isso, os Espíritos Natalinos do passado, do presente e do futuro visitarão Scrooge durante aquele Natal. Scrooge era um sujeito avarento, egoísta, mal educado, e totalmente mundano. Só pensava em acumular mais e mais dinheiro, e, apesar disso, vivia como se fosse miserável. Tratava todos os seus conhecidos muito mal. Digamos que esses três espíritos natalinos são a nossa consciência. Nela, nós temos guardado tudo que de bom ou ruim fizemos no passado, no presente, e o que poderemos ou não fazer no futuro. Cabe a nós examiná-la, e vermos, com a ajuda de quem nos quer bem, como podemos continuar fazendo o que já fazíamos de bom, e como podemos mudar para não mais praticar atos maus. Seria muito bom que, como Scrooge, nessas datas que nos lembram do quanto devemos ser bons uns para com os outros, nossa consciência nos alertasse sobre como devemos agir! Mas ela só nos alerta se nós quisermos, por isso, devemos estar muito atentos a ela. Para que depois, não soframos como Jacob Marley: “Seu sofrimento, e de todos os outros, era querer fazer o bem na Terra e não conseguir, ter perdido esse poder para sempre”.

Além disso, o conto também nos ensina sobre o verdadeiro valor do Natal. Mais do que uma época para grandes ceias ou ricos presentes, é tempo de olharmos para a necessidade do nosso próximo, que muitas vezes tem uma realidade semelhante às condições em que Cristo Menino nasceu: simples, necessitando da ajuda do próximo. É tempo de lembrarmos também do verdadeiro sentido do Natal: o nascimento de Jesus. A família de Bob, empregado de Scrooge, nos ensina de forma belíssima como o amor muitas vezes é a única fonte de alegria de uma família. A ceia deles era simples, eles passavam por muitas necessidades, mas tinham o coração aquecido pelo verdadeiro sentido do Natal, a presença do Amor entre nós: ”Esta não era, por certo, uma família de gente bonita: eles não estavam bem vestidos, seus sapatos eram desconfortáveis, suas roupas apertadas e, além disso, Peter conhecia muito bem uma loja de penhores. Mesmo assim, estavam felizes e satisfeitos com o que tinham, e também uns com os outros desfrutando juntos aquelas data”.

O conto, também nos ensina sobre o verdadeiro arrependimento. Arrepender-se não significa apenas reconhecer o erro passado, mas tentar não cometê-lo mais no futuro. E Scrooge aprende muito bem isso. “Entrou na igreja, caminhou pelas ruas, olhou as pessoas andando apressadas de lá para cá, afagou a cabeça das crianças, conversou com mendigos, espiou para dentro das janelas das casas e de suas cozinhas, e tudo isso lhe trouxe muita alegria. Nunca tinha imaginado que uma simples caminhada pudesse lhe trazer tamanha felicidade. E, quando a tarde chegou, decidiu ir fazer uma visita ao sobrinho. […] Scrooge fez tudo isso e ainda muitíssimo mais. Para o pequenino Tim – que não morreu – Scrooge acabou tornando-se um segundo pai. Também se tornou um bom amigo, um bom chefe e um bom homem, o melhor que a cidade já conhecera ou que qualquer outra cidade poderia ter conhecido.”

Por fim, esse texto também nos ensina a não desanimarmos ao pensar que somos capazes de fazer tão pouco, diante de tanta necessidade presente no mundo. Scrooge aprende isso com o espírito do natal do passado, ao ver o que seu antigo patrão fazia pelos seus empregados: “Uma coisa tão insignificante, afinal – disse o Fantasma, e ainda assim esses tolos ficam tão agradecidos. – Insignificante?! – ecoou Scrooge. […] – E não é insignificante? O velho só gastou umas poucas libras do seu perecível dinheiro, três ou quatro no máximo. Acha que isso merece tanto elogio? – Não se trata disso – disse Scrooge, ofendido pela crítica e falando, sem querer, como o seu antigo eu, e não como o seu eu atual. – Não é nada disso, Fantasma. Ele tinha o poder de nos tornar felizes ou infelizes, de fazer nosso trabalho suave ou opressivo, de torná-lo um prazer ou uma tortura. Quero dizer que o poder dele estava em suas palavras e gestos, estava em coisas tão vagas e insignificantes que seria impossível medir seu valor. Mas e daí? A felicidade que ele espalhou foi imensa e equivale ao gasto de uma grande fortuna”.

Que assim sejamos nós. Aprendamos, com Scrooge, a examinarmos a nossa consciência, e possamos ensinar nossas crianças a fazerem o mesmo. Podemos fazer muito pouco pelos demais? Não é pouco. É muito melhor do que não fazermos nada. Depende de nós, muitas vezes, como no trecho acima, tornar a vida dos demais suave ou opressiva. Nossos gestos e palavras podem tornar a vida de outras pessoas muito melhor. E, como nos diz o final do conto, “ todos concordavam em dizer que ali estava um homem que sabia celebrar o Natal e manter seu espírito vivo o ano todo – se é que algum homem consegue isso. Que o mesmo possa ser dito de cada um de nós”!.

Boa leitura a todos!

Um abraço!

Letícia

VOCÊ PODE ENCONTRAR AS ANÁLISES ANTERIORES NOS LINKS ABAIXO:

A árvore generosa

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo

O Gigante Egoísta

 

Materiais

Garimpe na Black Friday! Sugestão de livros!

Estamos às portas de uma das maiores promoções: a Black Friday. É tempo de encher o carrinho de compras e lembrar que a casa não comporta tudo aquilo, de ficar em dúvida se o melhor é comprar tudo em livro para as crianças, investir em sua própria educação ou se fazer um pouco das duas coisas. Amamos uma promoção…de livro então!!!

Pensando nisso, eu e a Letícia, nossa colunista do Porção Semanal de Literatura (Episódio 1, Episódio 2), montamos uma modesta lista com sugestões de bons livros para serem garimpados nessa maravilhosa promoção.   Os livros infantis sem indicação de faixa etária podem ser lidos para crianças menores.

Aí vai!!

Lista de livros Black Friday

Infantis

A árvore generosa – Shel Silverstein

O gigante egoísta – Oscar Wilde

Um conto de natal – Charles Dickens (acima de 8 anos).

O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry (acima de 6 anos);

As crônicas de Nárnia – C. S. Lewis (acima de 7 anos, em média);

O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado – Audrey Wood;

O homem que amava caixas – Stephen Michael King;

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo – Willian Joice;

As aventuras de Pedro Coelho – Beatrix Potter;

O Hobbit – J. R. R. Tolkien. (acima de 7 anos, em media;

O Fabuloso livro azul – Andrew Lang (vários contos organizados nesse livro por esse autor);

O Fabuloso livro vermelho – Andrew Lang (vários contos organizados nesse livro por esse autor);

O Fabuloso livro verde – Andrew Lang (vários contos organizados nesse livro por esse autor).

Alice no país das maravilhas – Lewis Carroll (acima de 10 anos).

A casa sonolenta – Audrey Wood

Coleção Laura Ingalls (Os pioneiros) – Laura Ingalls Wilder (a partir de 9/10 anos)

Coleção A casa da árvore mágica – Mary Pope Osborne

 

Adultos

David Copperfield – Charles Dickens;

Dom Quixote – Miguel de Cervantes;

Grandes Esperanças – Charles Dickens;

Odisseia – Homero;

Ilíada – Homero;

Os Miseráveis – Victor Hugo;

A divina comédia – Dante Alighieri;

1984 – George Orwell;

Grande sertão: veredas – Guimarães Rosa;

As aventuras de Huckleberry Finn – Mark Twain;

Persuasão – Jane Austen;

O morro dos ventos uivantes – Emily Brönte;

Box teatro completo – William Shakespeare;

Madame Bovary – Gustave Flaubert;

Crime e castigo – Fiódor Dostoiévski;

Guerra e Paz – Liev Tolstói;

Vidas Secas – Graciliano Ramos;

Jane Eyre – Charlotte Brönte;

Daisy Miller – Henry James;

Moby Dick – Herman Melville;

Os três mosqueteiros – Alexandre Dumas

 

Para estudo:

The Well Trained Mind – Susan Wise Bauer

Teaching the Trivium – Bluedorn

Blueprint Homeschooling – Amy Knepper

Fundamentos de Antropologia – Stork & Echevarria

Maquiavel Pedagogo – Pascal Bernardin

Filhos: Quando educá-los? – James B. Stenson

Carinho e firmeza com os filhos – Alexander Lyford-Pike

 

Um abraço, boas compras e boa leitura!

Cibele e Letícia

 

ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise Literária – Os fantásticos livros voadores de modesto máximo

E a porção semanal de análise literária infantil desta semana apresenta este belíssimo livro de William Joyce! Abaixo o podcast para você ouvir. Se preferir, texto abaixo do link!

 

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo – William Joyce 

Esse conto infantil foi publicado pela primeira vez em 2012. Dessa vez, estamos falando de uma história mais recente do que as anteriores. William Joyce é cineasta, escritor e ilustrador. Deve ser por isso que o livro é tão bem ilustrado, e a adaptação feita em um curta metragem ganhou o Oscar em 2012 como melhor curta animado.

Nesse conto, o sr. Modesto gostava muito de palavras, histórias e livros. Mas, em um certo dia, acontece um temporal, e tudo voa pelos ares. As vezes, algumas histórias geram reviravoltas na nossa forma de ver o mundo e os acontecimentos. E olhamos além, como o sr. Modesto, que passa a olhar para o céu, para a imensidão. Lá, de repente, ele vê uma moça sendo carregada por livros voadores. Era uma bela moça. Ela é a imaginação, que através dos livros, como nos diz um básico clichê, nos leva para lugares desconhecidos por nós. Modesto então também quer que seu livro voe. E qual é a resposta da moça? Ela diz que ele precisa de uma boa história. Histórias enriquecem o imaginário, e nos fazem conhecer, através da leitura e da imaginação, outros tempos, lugares e pessoas.

Modesto então é levado para um abrigo de livros. Podemos interpretar esse abrigo como uma biblioteca, que aqui é representada como se fosse um ser vivo. É vida que pulsa dos livros! “Estava tomada pelo farfalhar de uma infinidade de páginas, e ele podia ouvir o cochichar de mil histórias diferentes.” E cada livro o convidava a uma aventura. E todos os livros são realmente assim. O livro nos convida a viver algo que provavelmente não teríamos oportunidade de viver na prática.

Além disso, a história nos diz que os livros se misturavam. Tragédias com comédias, poesias com romances… Ninguém vive só de sofrimentos ou tristezas ou apenas de alegrias. A vida é um misto disso. Nos livros, normalmente as coisas estão separadas para facilitar a compreensão, e para que tenhamos a oportunidade de analisarmos de forma pura determinado sentimento ou assunto.

Modesto cuidava de seus livros. Nós sempre teremos a tendência de cuidar do que ou de quem nos faz bem. E isso normalmente não nos custa, pois apreciamos isso. Como Modesto, muitas vezes ficamos imersos em uma história, e não largamos o livro enquanto não o terminamos. O conto também nos diz que ele escrevia sua própria história. Podemos não escrever, mas a vida de cada um de nós poderia ser a base de qualquer narrativa. Ela é história, e por isso nos identificamos tanto com os personagens.

Modesto envelhece, e os livros, para retribuir o cuidado que ele anteriormente tinha com eles, contam-se a si próprios para ele. Quem reconhece o que os outros fazem por eles, retribuirá o cuidado. A vida de Modesto chega ao fim, e o conto termina como começou. Nós passamos e as histórias ficam. São comuns a toda a humanidade, e podem ajudar qualquer ser humano. Eu, você, nossas crianças, somos Modesto Máximo.

 

Boa leitura!

Letícia

0-4 Anos, 5-10 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise: O Gigante Egoísta – Oscar Wilde

Aqui está a porção semanal de análise literária infantil! Abaixo o podcast para você ouvir. Se preferir, texto abaixo do link! Enjoy!

Oscar Wilde

Essa história foi publicada por Oscar Wilde em maio de 1888. Conheci esse texto quando estava na graduação em Letras, e me surpreendi ao ver o talento de Wilde também na escrita de obras infantis. Há muitos aspectos que podem ser analisados nessa história. Vamos a eles!

Inicialmente, as crianças brincam no jardim do gigante, enquanto ele está viajando. As árvores estão carregadas de frutos, as flores estão viçosas, o jardim está belíssimo. Quando ele volta, proíbe as crianças de brincarem em seu belo jardim. Constrói um alto muro, e ainda coloca um aviso lá: “É proibida a entrada, proceder-se-á contra os trangressores.” Ele era egoísta. E como uma pessoa egoísta sofre ao querer o belo e bom só para si. As crianças tentavam brincar em outro lugar, mas lembravam-se sempre do belo jardim do gigante. Aqui temos um ponto importante: elas não sentem medo pelo fato de que ele é diferente. Sentem medo porque ele foi mau para com elas. As crianças normalmente são assim: não tem preconceitos, enxergam todos como iguais e com o valor que cada pessoa tem.

Mas, chega a primavera, tudo está florido, e no jardim isolado do gigante ainda é inverno! Isso acontece com quem fecha-se em si mesmo: ao redor dos demais, tudo está belo, florido. Com certeza há espinhos e dificuldades, mas o belo prevalece. E com quem acha que se basta, só resta solidão e vazio: a ausência das flores para amenizar o lugar, do canto dos pássaros… E ele ficou sem o que mais poderia alegrar a vida dele: as crianças! Onde há crianças, sempre haverá alegria! E o clima castiga o gigante: não lhe dá frutos, pois ele é muito egoísta.

Mas as crianças superam o medo e entram no jardim. Junto com elas entra a primavera! Ao toque da criança, cada árvore floresce e se agita. Mas algo acontece e enternece o coração do gigante: só em uma árvore ainda é inverno. Pois um pequenino não conseguia subir nela. O gigante então percebe que o seu egoísmo só lhe fez mal, e decide tornar aquele jardim como das crianças. Mas, como tinha sido mau, as crianças ao vê-lo fogem, e o inverno volta. Só o menininho que esteve chorando, não o vê e por isso não foge. O gigante o ajuda a subir na árvore. E o menino fica feliz. Novamente, percebemos a alegria ao produzir alegria ao nosso próximo. Mas esse menino não volta mais ao jardim.

O gigante envelhece, e apenas observa as crianças brincarem. Mas como sente falta daquele menino que o fez abrir os olhos!

O inverno retorna. Mas dessa vez, ninguém o odeia. Ele é visto como o descanso da primavera. As coisas não tão agradáveis, mas na maioria das vezes apenas nos preparam para o melhor que está por vir. Uma dificuldade nunca acontece em vão.

Mas uma árvore está florida! E nela está o menino, pelo qual o gigante tanto esperou! E o menino está ferido. O gigante fica bravo, e pergunta quem o feriu. E temos um dos mais belos trechos desse conto infantil: “Estas são as feridas do Amor”. O menino se sacrifica para ver uma árvore florescer, e dar alegria ao gigante. É uma metáfora do amor divino: Deus se entregou por amor a nós! Por isso a palavra amor está em maiúsculo. Porque é o verdadeiro amor, que só provém de Deus. E o menino então diz ao gigante: “Tu deixaste-me brincar uma vez no teu jardim; hoje virás comigo para o meu, que é o Paraíso. E nisso o gigante é encontrado morto pelas demais crianças, coberto de flores brancas. Apenas parece um fim triste. Mas não é! O gigante foi para o jardim que dura eternamente, para a fonte do que há de mais belo e bom. Ao fim do conto, esse gigante já curou seu egoísmo.

Que a beleza, o bem e o amor nos ajudem a sempre melhorarmos também, como esse gigante. E como ele, para melhorarmos sempre, teremos a ajuda do Amor.

Indicação: a partir de 4 anos.

Boa leitura!

Letícia

 

 

 

0-4 Anos, 5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Matemática, Materiais

Tangran, Pattern Blocks, Blocos Lógicos…qual a diferença?

  

Existe uma infinidade de materiais educativos. Alguns são muito, muito úteis, outros são interessantes, mas não vitais. Para saber se realmente precisamos de cada um deles é necessário conhecer para que servem, antes de sairmos comprando tudo. Conhecendo como são e para que servem com certeza compraremos com mais consciência e a aplicação será mais rica, surtindo efeitos mais rápidos, mais profundos e duradouros. Em outras palavras, você não joga dinheiro fora e seu filho aprende de verdade.

Na fase da primeira e segunda infância, dada a necessidade natural de manipulação com o concreto das crianças, a quantidade de diferentes tipos de materiais é bem grande. Falarei neste texto de apenas 3 que, num primeiro contato podem se parecer, mas que possuem objetivos distintos. São eles: tangram, blocos lógicos e os pattern blocks conhecidos no Brasil como Mosaico Geométrico.

Os três materiais são jogos manipulativos que trabalham diferentes conceitos matemáticos como cor, tamanho, forma, padrões lógicos, habilidades visuais e espaciais, compreensão fracionária, etc. Você pode conseguir trabalhar tais habilidades sem eles, não existe uma obrigatoriedade em adquirí-los, mas sua vida pode ser facilitada se os tiver e souber usá-los.

Apesar de serem diferentes, muitas pessoas acabam confundindo os jogos e o que mais acontece é adquirir e seu uso ficar numa manipulação superficial. A intenção deste texto é fazer com que você tenha acesso a uma descrição rápida para que saiba identificar e diferenciar. Mais para frente podemos aprofundar a forma de usar cada um deles.

TANGRAM: é um quebra cabeça formado por 7 peças que juntas, quando corretamente agrupadas, formam um quadrado. As peças são 2 triângulos grandes, 1 triângulo médio, 2 triângulos pequenos, 1 quadrado e um paralelogramo. Em alguns conjuntos as peças são todas de uma só cor e em outros são coloridas. As cores não possuem nenhuma atribuição específica neste quebra cabeça. Este conjunto de peças é comumente usado para desenvolver noção espacial , raciocínio lógico e geométrico. Suas peças possibilitam a formação de inúmeras figuras e, com isso, também ajudam a desenvolver a criatividade.

 

BLOCOS LÓGICOS: são um conjunto de peças com 4 formas geométricas quadrado, triângulo, círculo e retângulo. O conjunto completo terá cada forma nas cores vermelha, amarela e azul, nos tamanhos grande e pequeno e nas espessuras grossa e fina. No total são 48 peças. Através da combinação desses atributos as crianças aprendem a classificar, agrupar, criar padrões lógicos, comparar, descrever, etc. A simples manipulação proporciona o contato com as características básicas das formas e permite que a criança explore e teste alternativas com as peças ao empilhar, tentar rolar, criar desenhos ao colocá-las umas ao lado das outras.

PATTERN BLOCKS (Mosaico Colorido): este conjunto de peças pode ser facilmente confundido com o tangram. Porém, diferentemente do jogo chinês que necessariamente tem apenas 7 peças, este pode conter um número ilimitado de blocos. Outra diferença é que os pattern blocks possuem o hexágono e o trapézio, o tangram não. As formas que compõe o jogo são: hexágonos amarelos, quadrados laranjas, triângulos verdes, trapézios vermelhos, paralelogramos azuis e losangos brancos. Estas peças possuem outra característica importante: tendo o hexágono como “inteiro” podemos cobrí-lo com 2 trapézios (meios), 3 paralelogramos (terços), 6 triêngulos (sextos) e, assim utilizá-los para o trabalho com frações. Os blocos também permitem a formação de diversas figuras e tornam possível o trabalho para o desenvolvimento da criatividade, noção espacial, padrões lineares. É um ótimo manipulativo para a introdução de conceitos geométricos.

A necessidade em adquirir cada material vai depender dos objetivos a serem trabalhados e da idade das crianças que os utilizarão. Blocos lógicos são ótimos para crianças pequenas e o tangram para os maiores. Na fase do trabalho com frações os Pattern Blocks são uma mão na roda! Antes de comprar, confira o objetivo que quer atingir!

Espero ter ajudado!

Um abraço!

Cibele