5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Dica para o aprendizado da tabuada

Aqui em casa usamos o material da Saxon Math para o estudo de matemática. A maneira estrangeira  de se ensinar essa disciplina difere em muitos aspectos do modo nacional. Pelo menos é o que sinto ao aplicar o método. Descrevo esse material NESTE artigo.

Uma das diferenças encontra-se na forma como a tabuada é introduzida e treinada. Lembro claramente, quando eu era estudante, da professora mandar que montássemos as tabuadas nos cadernos e das broncas quando éramos pegos escrevendo, por exemplo, para a tabuada do 5, vários 5 um em cima do outro, depois vários X, a seqüência numérica , os sinais de iguais para então completar com as respostas. Fui chamada atenção várias vezes. Meu raciocínio acabava se perdendo na obrigação em escrever os números repetidos.

Bom, aqui no Brasil montamos a tabuada assim. Escrevemos tudo completinho. Descobri, usando o material da Saxon que isso dificulta a memorização. Como, então, que eles fazem? A primeira coisa que se pede é que a criança se habitue a contar de 2 em 2. Então, várias vezes na semana é solicitado que conte dessa maneira. Quando já tiver memorizado, passa-se a pedir que conte de 3 em 3 e assim por diante. Essa repetição constante treinará sua memória, coisa essencial para o bom desempenho em matemática. Aconselha-se a não pular o exercício. Alguns dias a criança deverá fazer a contagem  de mais de um multiplicador. Esse treino pode acontecer antes das explicações da tarefa do dia. Aos poucos compreenderá, por exemplo, que a tabuada do 4 encontra-se dentro da do 8. Minha filha chegou à conclusão sozinha.

Caso os pais achem que apenas uma vez ao dia é pouco, podem pedir que, antes de dormir recite uma ou duas das tabuadas, dessa forma descrita acima. Isso pode ajudar. É algo rápido. Basta apenas ter constância.  

Posso dizer, com tranquilidade, que minha filha conseguiu dominar a maioria das tabuadas com essa técnica simples e aparentemente boba. Fez toda a diferença. De vez em quando ela se engana, mas logo corrige.

Isso não impede que a criança monte a tabuada completa algumas vezes, mas o treino pode ser feito dessa maneira. 🙂

Fica a dica! Ao invés de dizer 4 X 1 = 4, 4 X 2 = 8, etc, peça direto: conte de 4 em 4 até 40! Batata minha gente!

Um abração!

Cibele

Anúncios
5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Dicas para o desenvolvimento do gosto pela leitura

O hábito da leitura, a ansiedade dos pais e a constância

No começo de nossa jornada pelo universo do homeschooling, quando assumi a educação das minhas filhas e, com isso, a alfabetização, cheguei a achar que seria muito difícil conseguir fazer com que o gosto pela leitura brotasse e florescesse. Isso porque, em muitos momentos do processo de alfabetização, muitas crianças apresentam fases mais difíceis, desinteresse ou são acometidas por uma preguiça quase palpável. Não foi diferente por aqui. Parecia, em certos momentos, que não queriam chegar perto de nada que exibisse letras. Conto um pouco sobre a alfabetização das minhas filhas nestes artigos: “Como alfabetizo”, “Como alfabetizo- parte 2“, “O cuidado no olhar alfabetizador”. 

Talvez fosse ansiedade minha, mas eu queria vê-las logo andando pra cima e pra baixo com seus livros, que viessem me contar as aventuras que aquelas páginas continham… que quando eu chamasse para o jantar, fosse difícil largar a história.  Sempre gostei de ler e minha infância e adolescência foi assim. Levava o livro para a pracinha, para o parque, para a praia. O livro “O menino do dedo verde” li em um dia. Bom…queria isso para minhas filhas e a angústia diante da possibilidade delas não gostarem me afligia. Não só por ser algo que gosto, mas sim, e esse é o motivo mais importante, pelo fato de ser difícil conseguir crescer intelectual, humana e moralmente  sem desenvolver o hábito da leitura.

O hábito da leitura, da leitura de bons livros, diga-se de passagem,  alimenta o imaginário, cultiva a criatividade. Eu não queria, de modo algum que minhas filhas não o desenvolvessem. Você também se sente assim? Está se esforçando para alfabetizar seus pimpolhos, tem algum que já sabe ler, mas parece que “a coisa não engata”? Tudo e qualquer coisa são mais interessantes que um livro? Você não está só. No entanto, digo com muita felicidade, que isso não é algo imutável. Na verdade, para muitas crianças faz parte do processo e isso por diferentes motivos.  Já faz alguns dias que minhas filhas estão sentando, por livre e espontânea vontade para ler. Cada uma (as duas mais velhas, sendo imitadas pela de 3 anos) escolhem o livro para sua faixa etária e sentam em algum canto da casa. Algumas vezes demoram um pouco mais, outras vezes menos. No entanto: estão lendo! E gostando!

 

Para quem está passando pela ansiedade, o que posso dizer, após ter sobrevivido aos meus próprios medos de fracasso, é o seguinte: a ansiedade é algo normal. Ela vem muito porque estamos nos aventurando a fazer algo que poucos pais fazem que é assumir a integralidade da educação dos filhos. Porém, é necessário ter as rédeas curtas para essa visita desagradável. Não alimente sua ansiedade imaginando o terrível futuro de fracasso. Isso só atrapalha e te tira o foco. A ansiedade, a imaginação nesse sentido é a louca da casa. Não dê trela pra louca.

A segunda coisa é que o processo de alfabetização e o desenvolvimento do hábito de leitura dependem de uma virtude. A virtude da constância. O hábito é algo que se faz sempre, que passou a ser natural, parte do viver da pessoa. Sendo assim, é importante que a criança esteja habituada a ver seus pais lendo, a participar de momentos de leitura em voz alta onde seu papel é a de ouvinte, a ser convidada a recontar o que ouviu, a desenhar, ilustrar as aventuras a ela contadas e, finalmente  ser convidada a ler para os outros e em silêncio para si mesma.

 

Para facilitar que tais coisas aconteçam, restrinja o tempo de televisão e demais eletrônicos ao máximo, cultive, se esforce pelo tempo de leitura em família, onde cada um lê algo para si, invista na compra ou empréstimos de bons títulos e mesmo que a criança já saiba ler, leia para ela. Capriche na entonação, dê vida às personagens, faça da leitura um momento agradável. Leia em lugares diferentes, como dentro de uma cabana, embaixo de uma árvore na praça perto de casa, em frente de uma mesa cuidadosamente arrumada para o momento da leitura junto a uns bolinhos e suco fresco. Finalize a leitura em um ponto instigante da história, que faça com que as crianças PEÇAM para que você continue. Converse, em outros momentos sobre o que você mais gostou da história e pergunte a opinião das crianças. Isso trabalhará a memória e incentivará a atenção. Escolha suas estratégias e seja constante. Não espere desenvolver um hábito através da prática anual ou bimestral da mesma. No way.

Mães! Seu filhos ou filhas que acabaram de aprender a ler ainda se encontram no processo de alfabetização. Acalmem seus corações. Gostar de ler, para algumas crianças, pode levar um tempo.  Nesse tempo não façam do livro um castigo. Se seu filho fez algo errado, não castigue-o mandando ler! Ler deve ser deleite para a alma! Alimento para a imaginação!

Permaneçam constantes nas atividades de alfabetização e nos momentos de leitura que logo vocês irão procurar seu filho pela casa e terão a surpresa de encontrá-lo imerso na história fantástica de algum bom livro. Vão por mim!

Um abraço!!

Cibele Scandelari

 

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Materiais

Aprendendo a apreciar arte

Não sou artista…pouco entendo…mas incluí nos conteúdos que quero trabalhar com minhas filhas um pouco de arte. Com o passar do tempo quero melhorar e aprofundar esse estudo. Acredito que a arte seja de extrema importância para o desenvolvimento de um ser humano realmente humano. A arte nos ajuda a expressar sentimentos, a registrar importantes acontecimento de maneiras extremamente singulares, desenvolve a criatividade , a atenção, a delicadeza…

Bom, mas como tenho feito isso? Estamos numa fase bem inicial e como todos aqui somos leigos no assunto, todos aprenderão juntos. Para tanto escolhi um livro da querida Laurie Bluedorn, “What do you see? A Child’s First Introduction to Art, Volume One”.  Como a própria descrição do material afirma, o livro apresenta um breve currículo para uma” gentil e fácil introdução à apreciação da arte, para crianças de 4 a 12 anos.” O material ensina a criança a olhar para uma obra de arte e avaliá-la. 

Através das obras e perguntas indicadas espera-se que as crianças (e, digo de passagem, os adultos) aprendam como identificar perguntas a serem feitas a respeito da obra, como identificar os prováveis motivos que fizeram o artista pintar o que pintou, como identificar detalhes na pintura, etc.

No trabalho com este material, é esperado que as crianças e o(s) adulto(s) envolvidos , invistam um breve tempo de observação da obra sugerida para então responder as perguntas propostas pela autora. O objetivo é que seja algo prazeroso e, por esse motivo, recomenda-se que as respostas sejam dadas de forma oral. Como uma conversa, um bate papo.

O primeiro volume da série trata de apenas um princípio da arte que é o Centro de Interesse, que é a parte da pintura que chama a atenção primeiro e que foi pintada com esse propósito: atrair a mente. “O centro de interesse geralmente tem as bordas mais nítidas, as cores mais brilhantes e o maior detalhe. Além disso, geralmente contém uma cor que não existe em nenhum outro lugar da pintura. No entanto, nem todas as pinturas contêm um centro de interesse, a menos que o artista tenha nos dito o que pretendia que fosse seu centro de interesse, pode haver diferenças de opinião quanto ao centro de interesse de uma pintura.” As obras de arte trabalhadas neste primeiro volume são as seguintes:

1. Little Red Riding Hood and Grandmother by Harriet Backer
2. The Dog Cart by Henriëtte Ronner-Knip
3. The Birthday Cake by Victor Gabriel Gilbert
4. Boy with Baby Carriage by Norman Rockwell
5. Feeding the Baby by Axel Theophilus Helsted
6. Elsie Cassatt Holding a Big Dog by Mary Cassatt
7. Carnation, Lily, Lily, Rose by John Singer Sargent
8. Cottage Girl with Dog and Pitcher by Thomas Gainsborough
9. A Child’s Menagerie by Eastman Johnson
10. Belshazzar’s Feast by Rembrandt Harmenszoon van Rijn
11. Suggested Answers to Questions

Por escolha pessoal, após realizar a observação e conversarmos sobre a obra, solicito que minhas filhas façam algum tipo de releitura da obra. Para cada pintura peço coisas diferentes. Por exemplo, para a primeira obra pedi que elas observassem novamente a obra e tentassem reproduzir o que viam com um desenho e tinta guache. Algo bem simples para nosso começo.         

 

Na segunda obra, imprimi a imagem da pintura e recortei vários pedaços colando-os em folhas separadas. Cada menina ganhou uma folha contendo apenas partes da obra. O desafio era reproduzir o que faltava. Foi um trabalho muito gostoso! Conforme formos avançando no estudo da arte e eu tiver tendo novas ideias de releituras, compartilharei por aqui. Se você é conhecedor ou tem criatividade para me ajudar, não se acanhe! Mande sua ideia que tentarei colocá-la em prática. 🙂

Um abraço!

Cibele Scandelari

 

0-4 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Planejamentos

Contagem e correspondência 1 a 1 para crianças pequenas

Duas noções importantes a serem desenvolvidas logo na primeira infância é a correspondência 1 a 1 e contagem na ordem numérica. Esse tipo de correspondência consiste em estabelecer uma relação, atribuir um elemento único de um conjunto a outro elemento, também único, de outro conjunto. Ao contar os dedos da mão, o que as crianças fazem é estabelecer um “nome” único para cada dedo. A aprendizagem dessa noção de correspondência é necessária para que a criança compreenda o conceito de número e, mais tarde compreenda tudo o que envolve as operações. A contagem na ordem desenvolve a memória e começa a estruturar a lógica matemática. No começo são palavras postas numa determinada ordem, com o passar do tempo cada palavra passa a ter um valor diferenciado dependendo da situação.

Pode parecer lógico, mas é importante destacar que muitas vezes podemos passar por noções que para nós adultos são incrivelmente lógicas, mas que para a criança não são. Realmente não deixam de ser básicas, fáceis, óbvias, mas só possuem essas características para nós devido a toda uma estrutura de vivências, relações, maturidade cerebral, etc que detemos. Precisamos permitir que as crianças tenham as oportunidades de vivenciar estas relações e melhor se puderem contar com quem amam para isso.

Dito isto, gostaria de compartilhar umas atividades muito simples, mas de extrema importância para o desenvolvimento do pensamento lógico-matemático em crianças pequenas. A primeira atividade seria o desenvolvimento do hábito de cantar canções que apresentem a seqüência numérica. Músicas como “1, 2, 3 indiozinhos, 4, 5, 6 indiozinhos, 7, 8, 9 indiozinhos, 10 num pequeno bote..”, ou então, “1,2 feijão com arroz! 3, 4 feijão no prato…”, colocam a contagem numérica em situações que permitem que a criança aproveite a melodia e aos poucos memorize a sequência.  Contar passos até chegar em algum lugar, contar os degraus de uma escada são ótimas oportunidades para trabalhar a sequência numérica.

Paralelamente a isso, é possível fazer uma brincadeira que pode ser montada de diferentes tamanhos, em diferentes lugares. O conceito é muito simples e a brincadeira pode durar poucos minutos. Entretanto, o importante não é o tempo destinado e sim que a criança tenha a oportunidade de fazer suas tentativas após a explicação, brincar com os pais e, mais tarde tentar fazer sozinha. Sem pressão, mas como algo natural (que na realidade é). A brincadeira consiste em desenhar uma tabela de quantas linhas e colunas os pais acharem plausível para a criança. Então, podem trazer vários ursos de pelúcia, ou carrinhos, ou outros objetos e sugerir que cada quadrado é uma casinha que precisa de apenas 1 morador, ou garagem que cabe apenas 1 carro. Após, deixar a criança realizar a montagem da maneira como ela acha que deve. Então, depois que ela fez sua montagem averiguar se cada casinha realmente tinha apenas 1 morador, 1 carrinho, se nenhuma ficou apertada.  É interessante que a atividade seja feita em diferentes lugares e com diferentes materiais, apesar do objetivo ser o mesmo, o contexto para a criança muda, reforçando a ideia por detrás. Após a criança brincar com peças grandes, é possível criar tabelas no papel e pedir que pequenas peças sejam organizadas da mesma maneira. Neste simples jogo a criança passa a desenvolver a noção da correspondência 1 a 1.

Após um tempo brincando assim, é possível tornar a matemática mais viva e pedir que a criança ajude a montar a mesa e pense, por exemplo, quantos pratos é necessário naquele dia? Por que? Depois, quantos copos? Por que?

Outras situações do dia-a-dia ajudam na formação do conceito de correspondência 1 a 1: 1 calçado para cada pé, uma meia para cada pé, uma luva para cada mão, uma toalha para cada pessoa, etc.

Após, ou durante as ricas atividades práticas, é possível que registros sejam feitos onde a criança liga, por exemplo 1 abelha para 1 flor. Aqui, mais um elemento é trabalhado: coordenação motora fina e talvez seja necessário que atividades amplas sejam desenvolvidas, por exemplo que a criança caminhe por sobre uma corda que leva até seu objetivo, depois que realize o traçado em grandes dimensões e vá diminuindo o tamanho desse traçado aos poucos, conforme sua coordenação vai amadurecendo.

Esse tipo de atividade não precisa ser forçada, não devem ser longas e podem ser inseridas como brincadeiras ao longo do dia e logo a criança pode começar a solicitar fazer a sua “atibidadi”, como minha furacãozinho gosta de pedir.

Boa sorte com os seus ciclones!

 

Cibele

0-4 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Metodologias

O cuidado no olhar alfabetizador

Gostaria de falar um pouco sobre alfabetização e os caminhos que podem ajudar e/ou dificultar esse processo.

Mas antes de qualquer coisa, existe algo que é importante deixar registrado: nós pais temos, com certa urgência, controlar nossa fúria pedagógica (ou talvez nosso orgulho) e parar de querer ver crianças alfabetizadas cada vez mais cedo  só “porque sim”. Só porque, em algum canto obscuro do nosso interior, nosso ego infla e diz para si mesmo “essa criaturinha de 2, 3 anos já está lendo tudo…e quem ensinou foi EU”.

Vejam bem, não sou contra que o processo seja iniciado, aconteça e desemboque numa criança alfabetizada cedo, se essa criança demonstrou interesse e tudo transcorreu bem. Apenas acho que muita gente está comparando os filhos com outras crianças, ou comparando com aquilo que sua imaginação idealizou e está esquecendo que cada um tem o seu ritmo. E isso não é bom nem ruim. É simplesmente o que é. Uma criança que aprende a ler com 7 anos não é, necessariamente, um aluno deficiente em relação a um que aprendeu  com 4. Sim, o homeschooling promove um contato maior com o mundo escrito, as aventuras que se passam dentro dos livros, mas isso não quer dizer que seu filho TENHA que ler antes, muito antes da média nacional. Seu filho tem que desenvolver, gosto… amor pela leitura. Isso sim. E seu acompanhamento constante, seu olhar amoroso, sua atenção às suas necessidades permitirão perceber a vontade de aprender, ou uma real dificuldade (dislexia, falha no processamento  auditivo, visão, etc).

O processo de alfabetização, ao meu ver, deve ser gostoso. Falo um pouco sobre a forma como encaminho o processo aqui em casa nos artigos “Como alfabetizo” e “Como alfabetizo – Parte 2”. Claro que esse processo prazeroso não significa que a criança pode sempre desviar-se das tarefas se estas não a agradarem. Aos poucos é importante que vá desenvolvendo noção de responsabilidade e de sacrifício. No entanto, existem situações nas quais os pais devem estar atentos. Algumas vezes a criança não quer fazer determinada atividade pelo fato da mesma não estar em sintonia com o estilo de aprendizado ou o nível de maturidade da criança.

Por exemplo, existem crianças que necessitam pegar nas coisas para aprender melhor. Outras precisam falar sobre o que estão aprendendo para poder processar as novas informações. Algumas vezes a criança saberia fazer a atividade, mas seu temperamento trava sua iniciativa. São desafios paralelos à alfabetização e devemos entender que eles existem e fazem parte do processo. Dizer simplesmente “esta é a atividade, senta e faça” é dar umas bofetadas num processo que pode ser gostoso. Algumas vezes, repito, a criança terá que sentar e se esforçar mais, enfrentar uma preguiça. Mas é necessário que os pais, quem a acompanha estejam atentos para perceber se algumas vezes não cabe algumas alterações nas atividades propostas.

Tenho percebido essa necessidade aqui em casa. Minha menina que está passando pelo processo de alfabetização, demonstra muita necessidade em que eu esteja por perto. Eu sei que ela já sabe, mas ela ainda está insegura quanto à sua própria capacidade. Minha presença e incentivo preenche o espaço criado pela insegurança.  Em certos aspectos essa necessidade dela não é algo fácil para mim. Meu primeiro impulso é “você já sabe, logo não preciso ficar o tempo todo aqui”. Tenho feito um esforço para conseguir encontrar uma justa medida em dar a presença que ela necessita para sentir-se segura e dar o espaço necessário para que avance em confiança e autonomia no processo.

  

Descobri que uma das coisas que podem ajudar é alterar a maneira como algumas atividades podem ser feitas. Os objetivos permanecem os mesmos, mas a forma como são trabalhados não. Por exemplo, em uma atividade do livro Professora de Papel, material que adotamos para a alfabetização, a criança deve colocar em ordem uma série de palavras para formar uma frase com sentido. Minha filha consegue ler todas as palavras ali colocadas, não falta trabalhar  nenhum fonema. No entanto, ela não queria fazer. Estava extremamente reticente. Ela tentava ler e não entendia o que era para fazer. Eu dei exemplos mas, mesmo assim, a coisa não fluía. Então, pensei (depois de ter passado nervoso, confesso), que talvez ela não tenha maturidade para realizar a atividade da maneira como está proposta. Ela ainda necessita manusear as coisas para conseguir visualizar um resultado. Sua capacidade de abstração ainda é limitada. Então, imprimi as várias frases e recortei cada uma e pedi que fosse colocando-as em ordem até que fizesse sentido. Que mudança! Para algumas ela ainda necessitou da minha presença, mas conseguiu compreender a proposta e deu para ver que sentiu-se muito bem  consigo mesma por ter conseguido fazer. Não conseguimos finalizar tudo, pois ainda não consegue se concentrar por muito tempo, mas fiquei muito feliz em ter tomado a decisão de dar uma afrouxada e escolher outro caminho. Algumas vezes temos que dar um passo atrás para poder seguir adiante. Outras vezes temos que escolher um caminho diferente e não há nada de errado nisso.  

 

Cibele Scandelari