5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Materiais

Aprendendo a apreciar arte

Não sou artista…pouco entendo…mas incluí nos conteúdos que quero trabalhar com minhas filhas um pouco de arte. Com o passar do tempo quero melhorar e aprofundar esse estudo. Acredito que a arte seja de extrema importância para o desenvolvimento de um ser humano realmente humano. A arte nos ajuda a expressar sentimentos, a registrar importantes acontecimento de maneiras extremamente singulares, desenvolve a criatividade , a atenção, a delicadeza…

Bom, mas como tenho feito isso? Estamos numa fase bem inicial e como todos aqui somos leigos no assunto, todos aprenderão juntos. Para tanto escolhi um livro da querida Laurie Bluedorn, “What do you see? A Child’s First Introduction to Art, Volume One”.  Como a própria descrição do material afirma, o livro apresenta um breve currículo para uma” gentil e fácil introdução à apreciação da arte, para crianças de 4 a 12 anos.” O material ensina a criança a olhar para uma obra de arte e avaliá-la. 

Através das obras e perguntas indicadas espera-se que as crianças (e, digo de passagem, os adultos) aprendam como identificar perguntas a serem feitas a respeito da obra, como identificar os prováveis motivos que fizeram o artista pintar o que pintou, como identificar detalhes na pintura, etc.

No trabalho com este material, é esperado que as crianças e o(s) adulto(s) envolvidos , invistam um breve tempo de observação da obra sugerida para então responder as perguntas propostas pela autora. O objetivo é que seja algo prazeroso e, por esse motivo, recomenda-se que as respostas sejam dadas de forma oral. Como uma conversa, um bate papo.

O primeiro volume da série trata de apenas um princípio da arte que é o Centro de Interesse, que é a parte da pintura que chama a atenção primeiro e que foi pintada com esse propósito: atrair a mente. “O centro de interesse geralmente tem as bordas mais nítidas, as cores mais brilhantes e o maior detalhe. Além disso, geralmente contém uma cor que não existe em nenhum outro lugar da pintura. No entanto, nem todas as pinturas contêm um centro de interesse, a menos que o artista tenha nos dito o que pretendia que fosse seu centro de interesse, pode haver diferenças de opinião quanto ao centro de interesse de uma pintura.” As obras de arte trabalhadas neste primeiro volume são as seguintes:

1. Little Red Riding Hood and Grandmother by Harriet Backer
2. The Dog Cart by Henriëtte Ronner-Knip
3. The Birthday Cake by Victor Gabriel Gilbert
4. Boy with Baby Carriage by Norman Rockwell
5. Feeding the Baby by Axel Theophilus Helsted
6. Elsie Cassatt Holding a Big Dog by Mary Cassatt
7. Carnation, Lily, Lily, Rose by John Singer Sargent
8. Cottage Girl with Dog and Pitcher by Thomas Gainsborough
9. A Child’s Menagerie by Eastman Johnson
10. Belshazzar’s Feast by Rembrandt Harmenszoon van Rijn
11. Suggested Answers to Questions

Por escolha pessoal, após realizar a observação e conversarmos sobre a obra, solicito que minhas filhas façam algum tipo de releitura da obra. Para cada pintura peço coisas diferentes. Por exemplo, para a primeira obra pedi que elas observassem novamente a obra e tentassem reproduzir o que viam com um desenho e tinta guache. Algo bem simples para nosso começo.         

 

Na segunda obra, imprimi a imagem da pintura e recortei vários pedaços colando-os em folhas separadas. Cada menina ganhou uma folha contendo apenas partes da obra. O desafio era reproduzir o que faltava. Foi um trabalho muito gostoso! Conforme formos avançando no estudo da arte e eu tiver tendo novas ideias de releituras, compartilharei por aqui. Se você é conhecedor ou tem criatividade para me ajudar, não se acanhe! Mande sua ideia que tentarei colocá-la em prática. 🙂

Um abraço!

Cibele Scandelari

 

0-4 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Planejamentos

Contagem e correspondência 1 a 1 para crianças pequenas

Duas noções importantes a serem desenvolvidas logo na primeira infância é a correspondência 1 a 1 e contagem na ordem numérica. Esse tipo de correspondência consiste em estabelecer uma relação, atribuir um elemento único de um conjunto a outro elemento, também único, de outro conjunto. Ao contar os dedos da mão, o que as crianças fazem é estabelecer um “nome” único para cada dedo. A aprendizagem dessa noção de correspondência é necessária para que a criança compreenda o conceito de número e, mais tarde compreenda tudo o que envolve as operações. A contagem na ordem desenvolve a memória e começa a estruturar a lógica matemática. No começo são palavras postas numa determinada ordem, com o passar do tempo cada palavra passa a ter um valor diferenciado dependendo da situação.

Pode parecer lógico, mas é importante destacar que muitas vezes podemos passar por noções que para nós adultos são incrivelmente lógicas, mas que para a criança não são. Realmente não deixam de ser básicas, fáceis, óbvias, mas só possuem essas características para nós devido a toda uma estrutura de vivências, relações, maturidade cerebral, etc que detemos. Precisamos permitir que as crianças tenham as oportunidades de vivenciar estas relações e melhor se puderem contar com quem amam para isso.

Dito isto, gostaria de compartilhar umas atividades muito simples, mas de extrema importância para o desenvolvimento do pensamento lógico-matemático em crianças pequenas. A primeira atividade seria o desenvolvimento do hábito de cantar canções que apresentem a seqüência numérica. Músicas como “1, 2, 3 indiozinhos, 4, 5, 6 indiozinhos, 7, 8, 9 indiozinhos, 10 num pequeno bote..”, ou então, “1,2 feijão com arroz! 3, 4 feijão no prato…”, colocam a contagem numérica em situações que permitem que a criança aproveite a melodia e aos poucos memorize a sequência.  Contar passos até chegar em algum lugar, contar os degraus de uma escada são ótimas oportunidades para trabalhar a sequência numérica.

Paralelamente a isso, é possível fazer uma brincadeira que pode ser montada de diferentes tamanhos, em diferentes lugares. O conceito é muito simples e a brincadeira pode durar poucos minutos. Entretanto, o importante não é o tempo destinado e sim que a criança tenha a oportunidade de fazer suas tentativas após a explicação, brincar com os pais e, mais tarde tentar fazer sozinha. Sem pressão, mas como algo natural (que na realidade é). A brincadeira consiste em desenhar uma tabela de quantas linhas e colunas os pais acharem plausível para a criança. Então, podem trazer vários ursos de pelúcia, ou carrinhos, ou outros objetos e sugerir que cada quadrado é uma casinha que precisa de apenas 1 morador, ou garagem que cabe apenas 1 carro. Após, deixar a criança realizar a montagem da maneira como ela acha que deve. Então, depois que ela fez sua montagem averiguar se cada casinha realmente tinha apenas 1 morador, 1 carrinho, se nenhuma ficou apertada.  É interessante que a atividade seja feita em diferentes lugares e com diferentes materiais, apesar do objetivo ser o mesmo, o contexto para a criança muda, reforçando a ideia por detrás. Após a criança brincar com peças grandes, é possível criar tabelas no papel e pedir que pequenas peças sejam organizadas da mesma maneira. Neste simples jogo a criança passa a desenvolver a noção da correspondência 1 a 1.

Após um tempo brincando assim, é possível tornar a matemática mais viva e pedir que a criança ajude a montar a mesa e pense, por exemplo, quantos pratos é necessário naquele dia? Por que? Depois, quantos copos? Por que?

Outras situações do dia-a-dia ajudam na formação do conceito de correspondência 1 a 1: 1 calçado para cada pé, uma meia para cada pé, uma luva para cada mão, uma toalha para cada pessoa, etc.

Após, ou durante as ricas atividades práticas, é possível que registros sejam feitos onde a criança liga, por exemplo 1 abelha para 1 flor. Aqui, mais um elemento é trabalhado: coordenação motora fina e talvez seja necessário que atividades amplas sejam desenvolvidas, por exemplo que a criança caminhe por sobre uma corda que leva até seu objetivo, depois que realize o traçado em grandes dimensões e vá diminuindo o tamanho desse traçado aos poucos, conforme sua coordenação vai amadurecendo.

Esse tipo de atividade não precisa ser forçada, não devem ser longas e podem ser inseridas como brincadeiras ao longo do dia e logo a criança pode começar a solicitar fazer a sua “atibidadi”, como minha furacãozinho gosta de pedir.

Boa sorte com os seus ciclones!

 

Cibele

0-4 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Metodologias

O cuidado no olhar alfabetizador

Gostaria de falar um pouco sobre alfabetização e os caminhos que podem ajudar e/ou dificultar esse processo.

Mas antes de qualquer coisa, existe algo que é importante deixar registrado: nós pais temos, com certa urgência, controlar nossa fúria pedagógica (ou talvez nosso orgulho) e parar de querer ver crianças alfabetizadas cada vez mais cedo  só “porque sim”. Só porque, em algum canto obscuro do nosso interior, nosso ego infla e diz para si mesmo “essa criaturinha de 2, 3 anos já está lendo tudo…e quem ensinou foi EU”.

Vejam bem, não sou contra que o processo seja iniciado, aconteça e desemboque numa criança alfabetizada cedo, se essa criança demonstrou interesse e tudo transcorreu bem. Apenas acho que muita gente está comparando os filhos com outras crianças, ou comparando com aquilo que sua imaginação idealizou e está esquecendo que cada um tem o seu ritmo. E isso não é bom nem ruim. É simplesmente o que é. Uma criança que aprende a ler com 7 anos não é, necessariamente, um aluno deficiente em relação a um que aprendeu  com 4. Sim, o homeschooling promove um contato maior com o mundo escrito, as aventuras que se passam dentro dos livros, mas isso não quer dizer que seu filho TENHA que ler antes, muito antes da média nacional. Seu filho tem que desenvolver, gosto… amor pela leitura. Isso sim. E seu acompanhamento constante, seu olhar amoroso, sua atenção às suas necessidades permitirão perceber a vontade de aprender, ou uma real dificuldade (dislexia, falha no processamento  auditivo, visão, etc).

O processo de alfabetização, ao meu ver, deve ser gostoso. Falo um pouco sobre a forma como encaminho o processo aqui em casa nos artigos “Como alfabetizo” e “Como alfabetizo – Parte 2”. Claro que esse processo prazeroso não significa que a criança pode sempre desviar-se das tarefas se estas não a agradarem. Aos poucos é importante que vá desenvolvendo noção de responsabilidade e de sacrifício. No entanto, existem situações nas quais os pais devem estar atentos. Algumas vezes a criança não quer fazer determinada atividade pelo fato da mesma não estar em sintonia com o estilo de aprendizado ou o nível de maturidade da criança.

Por exemplo, existem crianças que necessitam pegar nas coisas para aprender melhor. Outras precisam falar sobre o que estão aprendendo para poder processar as novas informações. Algumas vezes a criança saberia fazer a atividade, mas seu temperamento trava sua iniciativa. São desafios paralelos à alfabetização e devemos entender que eles existem e fazem parte do processo. Dizer simplesmente “esta é a atividade, senta e faça” é dar umas bofetadas num processo que pode ser gostoso. Algumas vezes, repito, a criança terá que sentar e se esforçar mais, enfrentar uma preguiça. Mas é necessário que os pais, quem a acompanha estejam atentos para perceber se algumas vezes não cabe algumas alterações nas atividades propostas.

Tenho percebido essa necessidade aqui em casa. Minha menina que está passando pelo processo de alfabetização, demonstra muita necessidade em que eu esteja por perto. Eu sei que ela já sabe, mas ela ainda está insegura quanto à sua própria capacidade. Minha presença e incentivo preenche o espaço criado pela insegurança.  Em certos aspectos essa necessidade dela não é algo fácil para mim. Meu primeiro impulso é “você já sabe, logo não preciso ficar o tempo todo aqui”. Tenho feito um esforço para conseguir encontrar uma justa medida em dar a presença que ela necessita para sentir-se segura e dar o espaço necessário para que avance em confiança e autonomia no processo.

  

Descobri que uma das coisas que podem ajudar é alterar a maneira como algumas atividades podem ser feitas. Os objetivos permanecem os mesmos, mas a forma como são trabalhados não. Por exemplo, em uma atividade do livro Professora de Papel, material que adotamos para a alfabetização, a criança deve colocar em ordem uma série de palavras para formar uma frase com sentido. Minha filha consegue ler todas as palavras ali colocadas, não falta trabalhar  nenhum fonema. No entanto, ela não queria fazer. Estava extremamente reticente. Ela tentava ler e não entendia o que era para fazer. Eu dei exemplos mas, mesmo assim, a coisa não fluía. Então, pensei (depois de ter passado nervoso, confesso), que talvez ela não tenha maturidade para realizar a atividade da maneira como está proposta. Ela ainda necessita manusear as coisas para conseguir visualizar um resultado. Sua capacidade de abstração ainda é limitada. Então, imprimi as várias frases e recortei cada uma e pedi que fosse colocando-as em ordem até que fizesse sentido. Que mudança! Para algumas ela ainda necessitou da minha presença, mas conseguiu compreender a proposta e deu para ver que sentiu-se muito bem  consigo mesma por ter conseguido fazer. Não conseguimos finalizar tudo, pois ainda não consegue se concentrar por muito tempo, mas fiquei muito feliz em ter tomado a decisão de dar uma afrouxada e escolher outro caminho. Algumas vezes temos que dar um passo atrás para poder seguir adiante. Outras vezes temos que escolher um caminho diferente e não há nada de errado nisso.  

 

Cibele Scandelari

Áreas do Conhecimento, FAQ, Homeschooling

Como alfabetizo – parte 2

Na continuação do processo de alfabetização de minha segunda filha (a parte 1 encontra-se aqui), em dado momento percebi que ela estava enjoando…não queria mais fazer nada relacionado. Estava desmotivada (ou com preguiça mesmo).  Bom, nesse momento pensei: “ela tem que ver que já sabe alguma coisa“. Fiz algo que não é do método fônico. Lancei mão de uma abordagem, uma atividade bem característica da Alfabetização Natural. Perguntei qual era a palavrinha que ela gostaria de aprender a ler. Ela me olhou com interesse e disse: “Fada”. E eu respondi: “Pois, bem! Fada será!”. Escrevi a palavra no alto de uma folha e perguntei o que ela gostava das histórias onde as fadas apareciam. Ela foi falando e eu anotando à sua frente.  Peguei outra folha e escrevi novamente a palavra e pedi que desenhasse. Colei na parede da sala de jantar.

No dia seguinte perguntei qual era outra palavrinha e ela respondeu. Fiz a mesma coisa. No terceiro dia começamos a brincar, a ver se ela já reconhecia as palavras. Era só uma brincadeira, mas ela gostou. Ao mostrar as palavras eu escondia algumas letras e lia dando ênfase nos sons. Se não conhecia algum grafema, voltávamos para a história da Professora de Papel e ela aprendia mais uma letra. Entre essas situações realizei outros tipos de brincadeiras (caça às letras onde eu falava o som de uma letra e ela tinha que sair pela casa à caça da letra que eu havia escondido, recorte de revistas, caçar a letra no meio de textos, etc).  Quando a parede ficou cheia, montamos um jogo e nunca na minha vida vou esquecer do brilho nos seus olhos ao perceber que estava reconhecendo cada palavra sozinha. Foi um momento muito gostoso para nós duas. A partir desse ponto, seu interesse nas histórias havia voltado e pudemos dar sequência e fazer algumas revisões. Neste momento, ela está com 5 anos e eu estou mais que satisfeita com sua evolução na leitura. Sobre esse respeito, essa delicadeza em prestar atenção aos sinais que os filhos nos mandam durante o processo de alfabetização, você pode ler um pouco mais em “O cuidado no olhar alfabetizador”.

  

Algumas crianças demoram um pouco mais nesse processo e é essencial que os pais não passem sua ansiedade para o filho. Só atrapalha. Se a criança não possui nenhum diagnóstico específico, ela aprenderá no ritmo dela, ainda mais se está rodeada de familiares que lêem para si, para a própria criança, incentivam que ultrapasse suas possibilidades. A demora não quer dizer que será um mal leitor. Só quer dizer que aquele é o ritmo daquela criança e que nós adultos temos que segurar nosso orgulho ferido. Bom é que a criança aprenda! No seu tempo, quando estiver madura e desejosa. Que diferença faz se o fulaninho aprendeu a ler com 2 e o meu com 5, 6, 7? O que não pode acontecer é uma acomodação por parte da família e achar que tudo vai brotar do nada sozinho. Principalmente se é caso de um diagnóstico de dislexia, por exemplo.

Administrar a ansiedade é fundamental, mas isso não significa deixar de realizar atividades que permitam que os filhos tenham contato com a língua escrita, com brincadeiras de sons, etc.

Bom, é importante pensar que a alfabetização não vai terminar quando seu(sua) filho(a) estiver decodificando cada letra e sabendo dizer o que entendeu de cada frase. Alfabetização é um processo de uma vida inteira. Por isso, não tenha pressa de passar para outra fase se seu filho ainda não compreendeu algo direito. Dê tempo para que cada etapa seja vivida com a intensidade necessária e não vista como que de sopetão para dar “ok” no planejamento.  Respeite o ritmo, procurando instigar a vontade de aprender.

No meio do caminho leia muito! Sentar no tapete da sala e ler poesias, parlendas e tentar fazer com que as crianças decorem as mesmas é um ótimo exercício pois trabalha a memória e exercita o ouvir. Poesias com muitas rimas são as melhores para o processo de pré-alfabetização e alfabetização. Não é uma atividade demorada e pode ser realizada tanto em um momento destinado a isso quanto dentro do carro indo para algum lugar, arrumando a mesa para o café ou almoço, por exemplo. A dica é que sejam poesias curtas e com muitas rimas. Troca-se de poesia quando a criança já decorou.

Quando a criança começa a perceber o que é a rima, introduzir a brincadeira de encontrar “o que rima com…” no cotidiano é divertido e trabalha de maneira excepcional a discriminação auditiva, coisa muito necessária para a alfabetização. Essa é outra atividade que pode ser realizada, se a mãe desejar, juntamente com outras situações cotidianas. Um ótimo livro que possui uma grande quantidade de atividades para o trabalho com a consciência fonológica é o “Consciência Fonológica em Crianças pequenas“. Sugere até um cronograma.

Cante junto com seus filhos,  joguem trava línguas, espalhem letras ou palavras e brinquem de caça-palavras, joguem jogos de memória auditiva! Alfabetizar deve ser um processo gostoso e não algo penoso e sofrível.  

Se vc está se sentindo meio perdida(o) mande suas dúvidas! Te ajudo no que eu puder!

 

Um abraço e boa sorte!

 

Cibele Scandelari

 

Áreas do Conhecimento, FAQ, Homeschooling, Metodologias, Planejamentos

Como alfabetizo

Sabe aquela sensação deliciosa de ver os primeiros passos do seu bebê? Que você segura a respiração, quer gritar de alegria e se contém para não atrapalhar o momento? Então, quando um filho começa a ler na sua frente é mais ou menos isso que se sente. Bom, pelo menos comigo foi assim.

Ao fazer a escolha de educar em casa, nos deparamos com muitos métodos e não é diferente para a realidade da alfabetização. Existem muitos. Alguns são variações, outros são considerados quase como que opostos aos primeiros. Você vai encontrar o método fônico, silábico, global, das boquinhas, historiado…uma infinidade.

Particularmente gosto muito do fônico (e aplico com minhas filhas), mas não sou defensora a ponto de dizer que SÓ ELE ALFABETIZA. Não. Acho que é um método que abrange sim a maioria das crianças no processo de alfabetização, trabalha muito bem as possíveis dificuldades que elas possam vir a ter,mas não acho que ao adotá-lo, a família deva usá-lo de maneira pura e sem passar perto de alguma atividade, brincadeira, complementação do global, por exemplo. Fui professora em uma turma na qual eu usava diariamente a estimulação neurológica de Doman e vi, com meus próprios olhos, uma menina de 3 anos (fora outros) ler palavras de ponta cabeça. Em outra situação, uma amiga percebeu que sua filha de 4 está começando a compreender o processo através dos cards utilizados pelo Kumon. É claro que outras atividades foram realizadas, mas deixo aqui estes relatos apenas para não jogarmos boas alternativas no lixo.

Método bom é o que ensina. É aquele que permite que a criança torne o conhecimento seu. Já vi mais de uma família (mais mesmo) relatar que alfabetizou o primogênito no fônico, mas que o segundo filho só engatou mesmo quando começaram algumas atividades do silábico ou outro método. Com isso, quero dizer que o que dita o andar da carruagem são as demonstrações do seu filho. Você pode ter por base um método e lançar mão de uma estratégia avulsa para ganhar atenção, recobrar o ânimo, dar um empurrão em um mais preguiçoso. E não há mal nisso.

Aqui em casa, adotei (pelo menos por enquanto) o material da Professora de Papel.

O método é fônico e sua abordagem é historiada. Nele, cada letra é apresentada com uma história. O alfabeto é uma família, as meninas são as vogais e os meninos as consoantes. As letras “estrangeiras” K, W , Y, são o pai, a mãe e um tio. Nessa história houve uma briga entre os meninos e as meninas. Nessa briga, os meninos gritaram tão alto que acabaram perdendo a voz e agora só conseguem falar se estiverem de mãos dadas com as meninas.  Faço algumas alterações em algumas histórias, já encontrei errinhos ao longo do material e algumas atividades poderiam dar um espaço maior para a criança escrever. Fora essas questões, amo o material.

A cada letra apresentada, a história mostra qual o seu traçado (primeiramente cursivo, depois as letras script são apresentadas, também de forma historiada) e, o que é muito importante, ensina a produzir de maneira correta o som, fonema,  que aquele grafema representa. A história envolve a criança e isso faz com que sua memória ajude a reconhecer cada letra.

Outro material que trabalha com essa linha historiada é o Casinha Feliz e, apesar de ser mais colorido, mais bonito, escolhi o Professora de Papel porque neste a criança vê apenas 1 letra por vez e isso, ao meu ver, respeita mais seu ritmo, dá mais tempo para que internalize.

Vou apresentando letra por letra, contando cada história aos poucos. Minhas filhas gostam bastante. A mais velha ainda quer estar junto para ouvir. Trabalho o traçado de cada letra com calma, primeiro grande, em diferentes tipos de suporte, realizo atividades de colagem, massinha, perfuração. Aproveito e trabalho coordenação motora.  Realizo brincadeira que reforçam alguma noção e deixam o processo mais leve.

  

Ao longo da caminhada também esbarro (ainda) com dias nos quais a falta de vontade em fazer alguma atividade domina a pupila. Muitas vezes isso pode gerar bastante frustração, tanto na criança que quer ir brincar, como na mãe que organizou, planejou e vê seu plano indo pro ralo. Tento ter, para essas horas, atividades que trabalhem aquele ou outro aspecto de uma maneira diferente, mais leve, em forma de brincadeira. Isso faz diferença. Acalma as duas partes. Podemos falar sobre essas alternativas e como aprender a montá-las em outra ocasião.

Por ora fiquemos com estas informações a respeito de alfabetização. No próximo texto pretendo contar um pouco sobre como faço quando percebo que o método deu uma enjoada.

Até mais!

Cibele Scandelari