5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Ciência – Oceanos

Uma viagem ao fundo do mar

“Helena, o que você gostaria de estudar para a Feira de Ciências deste ano?”. “O mar! O mar! O mar!”. E assim, com esse entusiasmo, minha filha de 5 anos escolheu seu tema para a nossa Feira de Ciências de 2018. O tema é dela, a apresentação também. No entanto, todos estudamos juntos, trabalhamos juntos, nos melecamos juntos.  Foi uma experiência muito gostosa trabalhar este tema  e indico a todas as famílias.

Mas então…como fizemos? Vamos lá!

Primeiramente fui sondando, perguntando o que elas sabiam sobre o oceano. O que gostariam de saber, o que gostariam de ver. Após isso, munida com um mapa mundi comecei a mostrar que os oceanos são divididos em 5, seus nomes, localização, fronteiras e algumas curiosidades, como por exemplo o fato do Oceano Pacífico não ser “pacífico”, a localização das maiores profundezas (Fossas Marianas, entre o Japão e as Filipinas). Deixei que elas observassem o mapa e fossem perguntando outras coisas, mesmo que fora do tema (afinal, essa curiosidade é rica e só acrescenta conhecimento). Ao longo dos dias, assim, de repente eu perguntava “Helena! Mamãe esqueceu! Quantos são os Oceanos? Quais os nomes? Quais são os mais gelados? Onde ficam as Fossas Marianas? O que elas são” , entre outras perguntas.  Algumas vezes ela não lembrava, confundia nomes. Normal. Foi melhorando ao longo dos dias. Para acrescentar algumas informações, procurei pequenos vídeos sobre os oceanos. 

Após esta etapa, passamos a estudar um pouco sobre a vida marinha. Conversamos sobre alguns animais que elas gostariam de conhecer, a saber:  baleia, tubarão, lula, polvo, ouriço, peixes “diferentes” (exóticos), tartaruga, água viva. Primeiramente, apresentei vários vídeos infantis onde tais animais aparecem. Minha filha de 3 anos gostou muito e fez com que se interessasse também (mas até a de 8 anos quis acompanhar as músicas). Depois passamos para alguns breves documentários. A cada informação interessante eu parava, nós conversávamos e eu perguntava o que haviam entendido ou repetia a informação com outras palavras. Elas vibravam com as belas imagens e explicações a respeito do cavalo marinho, as perigosas águas vivas… Gostaram muito de saber que os peixes conseguem “respirar” embaixo da água por causa das brânquias. Quando formos à praia, pretendo rever estas informações com elas, talvez visitar um aquário.

Um documentário que gostamos bastante foi sobre a grande barreira de recifes de corais da Austrália. A beleza do lugar é impressionante, as cores, a quantidade de diferentes peixes, a formação dos corais chamaram muito a atenção das meninas.  Quisera eu fazer o estudo in loco…

 

Com base nisso tudo, passamos a montar o nosso fundo do mar. Escolhemos peixes exóticos e eu os desenhei em papelão. As meninas pintaram alguns (com orientação e eu fiz os detalhes). Copos plásticos transparentes, pintados com cola colorida e com fitas de papel crepom transformaram-se em águas vivas. Penduramos os peixes em faixas de papel crepom penduradas no teto em frente a um pedaço de T.N.T. azul.

A parte mais divertida (e desastrosa) foi a confecção dos corais com galhos e espuma de expansão, aquela usada para preencher os batentes das portas em construção civil. Eu nunca havia usado, mas mesmo assim me aventurei. Como eu não sabia a consistência exata da espuma ao sair do tubo, achei que deveria segurar o galho na vertical e aplicar a espuma. O resultado foi que levei um susto de como a substância saiu, deixei cair no chão e para não deixar a bebê pegar e substituir o almoço, peguei com a mão sem luvas. O resultado é que, mesmo agora a noite, enquanto escrevo estas linhas, sinto resíduos da espuma nas mãos. Então, aprendam com a desastrada: não peguem a espuma sem luvas!

  

Continuando, depois que peguei o jeito (aplicar a espuma com o frasco na vertical, sobre o galho na horizontal, podendo criar “galhos” extras com a própria espuma), a coisa deslanchou. Foi necessário esperar um pouco para que secasse. Assim que secou todas (inclusive eu) nos esbaldamos em pintar tudo. Deixamos bem colorido, como um recife mesmo e ficamos muito satisfeitas com o resultado. Enfeitamos nosso fundo do mar com os recifes e fizemos algumas algas com E.V.A. verde.  

Helena vibrava com tudo e suas irmãs aproveitaram junto dela conhecer tanta beleza.

Tentarei transformar este relato em mini planejamento. Assim que possível postarei!

 

Um abraço!

CIBELE

Áreas do Conhecimento, FAQ, Homeschooling, Matemática, Materiais, Vídeos

Saxon: conheça o material por dentro.

Há um tempo atrás, pensei que seria interessante mostrar o material da Saxon em vídeo pois, para muitas famílias, conhecer o material por dentro seria algo difícil. Pessoalmente, escolhi depois de ter tido contato “ao vivo”, através de uma querida amiga que já havia comprado para os filhos. Por isso, resolvi gravar este vídeo. Já aviso que a gravação foi bem caseira e que se não fosse naquele momento, talvez eu não gravasse mais…rsrsrs. Meu ego diz: “Grave outro, num ângulo mais favorável…” e minha razão diz “Vai esse! Trabalha tua humildade e você tenta melhorar para os próximos!”. Então é isso! Resolvi postar assim mesmo.

A Saxon é a escolha da maioria das famílias homeschoolers americanas e é um dos materiais indicados para o estudo da matemática no livro The Well Trained Mind, da Susan Wise Bauer. Espero mesmo que ajude muitos pais a decidirem qual o melhor material e abordagem a ser escolhida para a suas famílias, de acordo com as suas realidades.

Caso você não tenha lido, o link do texto SAXON MATH, poderá encontrar algumas outras considerações sobre o material que não estão contempladas no vídeo.

Segue o vídeo!!

0-4 Anos, 5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Matemática, Materiais

Tangran, Pattern Blocks, Blocos Lógicos…qual a diferença?

  

Existe uma infinidade de materiais educativos. Alguns são muito, muito úteis, outros são interessantes, mas não vitais. Para saber se realmente precisamos de cada um deles é necessário conhecer para que servem, antes de sairmos comprando tudo. Conhecendo como são e para que servem com certeza compraremos com mais consciência e a aplicação será mais rica, surtindo efeitos mais rápidos, mais profundos e duradouros. Em outras palavras, você não joga dinheiro fora e seu filho aprende de verdade.

Na fase da primeira e segunda infância, dada a necessidade natural de manipulação com o concreto das crianças, a quantidade de diferentes tipos de materiais é bem grande. Falarei neste texto de apenas 3 que, num primeiro contato podem se parecer, mas que possuem objetivos distintos. São eles: tangram, blocos lógicos e os pattern blocks conhecidos no Brasil como Mosaico Geométrico.

Os três materiais são jogos manipulativos que trabalham diferentes conceitos matemáticos como cor, tamanho, forma, padrões lógicos, habilidades visuais e espaciais, compreensão fracionária, etc. Você pode conseguir trabalhar tais habilidades sem eles, não existe uma obrigatoriedade em adquirí-los, mas sua vida pode ser facilitada se os tiver e souber usá-los.

Apesar de serem diferentes, muitas pessoas acabam confundindo os jogos e o que mais acontece é adquirir e seu uso ficar numa manipulação superficial. A intenção deste texto é fazer com que você tenha acesso a uma descrição rápida para que saiba identificar e diferenciar. Mais para frente podemos aprofundar a forma de usar cada um deles.

TANGRAM: é um quebra cabeça formado por 7 peças que juntas, quando corretamente agrupadas, formam um quadrado. As peças são 2 triângulos grandes, 1 triângulo médio, 2 triângulos pequenos, 1 quadrado e um paralelogramo. Em alguns conjuntos as peças são todas de uma só cor e em outros são coloridas. As cores não possuem nenhuma atribuição específica neste quebra cabeça. Este conjunto de peças é comumente usado para desenvolver noção espacial , raciocínio lógico e geométrico. Suas peças possibilitam a formação de inúmeras figuras e, com isso, também ajudam a desenvolver a criatividade.

 

BLOCOS LÓGICOS: são um conjunto de peças com 4 formas geométricas quadrado, triângulo, círculo e retângulo. O conjunto completo terá cada forma nas cores vermelha, amarela e azul, nos tamanhos grande e pequeno e nas espessuras grossa e fina. No total são 48 peças. Através da combinação desses atributos as crianças aprendem a classificar, agrupar, criar padrões lógicos, comparar, descrever, etc. A simples manipulação proporciona o contato com as características básicas das formas e permite que a criança explore e teste alternativas com as peças ao empilhar, tentar rolar, criar desenhos ao colocá-las umas ao lado das outras.

PATTERN BLOCKS (Mosaico Colorido): este conjunto de peças pode ser facilmente confundido com o tangram. Porém, diferentemente do jogo chinês que necessariamente tem apenas 7 peças, este pode conter um número ilimitado de blocos. Outra diferença é que os pattern blocks possuem o hexágono e o trapézio, o tangram não. As formas que compõe o jogo são: hexágonos amarelos, quadrados laranjas, triângulos verdes, trapézios vermelhos, paralelogramos azuis e losangos brancos. Estas peças possuem outra característica importante: tendo o hexágono como “inteiro” podemos cobrí-lo com 2 trapézios (meios), 3 paralelogramos (terços), 6 triêngulos (sextos) e, assim utilizá-los para o trabalho com frações. Os blocos também permitem a formação de diversas figuras e tornam possível o trabalho para o desenvolvimento da criatividade, noção espacial, padrões lineares. É um ótimo manipulativo para a introdução de conceitos geométricos.

A necessidade em adquirir cada material vai depender dos objetivos a serem trabalhados e da idade das crianças que os utilizarão. Blocos lógicos são ótimos para crianças pequenas e o tangram para os maiores. Na fase do trabalho com frações os Pattern Blocks são uma mão na roda! Antes de comprar, confira o objetivo que quer atingir!

Espero ter ajudado!

Um abraço!

Cibele

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Dica para o aprendizado da tabuada

Aqui em casa usamos o material da Saxon Math para o estudo de matemática. A maneira estrangeira  de se ensinar essa disciplina difere em muitos aspectos do modo nacional. Pelo menos é o que sinto ao aplicar o método. Descrevo esse material NESTE artigo.

Uma das diferenças encontra-se na forma como a tabuada é introduzida e treinada. Lembro claramente, quando eu era estudante, da professora mandar que montássemos as tabuadas nos cadernos e das broncas quando éramos pegos escrevendo, por exemplo, para a tabuada do 5, vários 5 um em cima do outro, depois vários X, a seqüência numérica , os sinais de iguais para então completar com as respostas. Fui chamada atenção várias vezes. Meu raciocínio acabava se perdendo na obrigação em escrever os números repetidos.

Bom, aqui no Brasil montamos a tabuada assim. Escrevemos tudo completinho. Descobri, usando o material da Saxon que isso dificulta a memorização. Como, então, que eles fazem? A primeira coisa que se pede é que a criança se habitue a contar de 2 em 2. Então, várias vezes na semana é solicitado que conte dessa maneira. Quando já tiver memorizado, passa-se a pedir que conte de 3 em 3 e assim por diante. Essa repetição constante treinará sua memória, coisa essencial para o bom desempenho em matemática. Aconselha-se a não pular o exercício. Alguns dias a criança deverá fazer a contagem  de mais de um multiplicador. Esse treino pode acontecer antes das explicações da tarefa do dia. Aos poucos compreenderá, por exemplo, que a tabuada do 4 encontra-se dentro da do 8. Minha filha chegou à conclusão sozinha.

Caso os pais achem que apenas uma vez ao dia é pouco, podem pedir que, antes de dormir recite uma ou duas das tabuadas, dessa forma descrita acima. Isso pode ajudar. É algo rápido. Basta apenas ter constância.  

Posso dizer, com tranquilidade, que minha filha conseguiu dominar a maioria das tabuadas com essa técnica simples e aparentemente boba. Fez toda a diferença. De vez em quando ela se engana, mas logo corrige.

Isso não impede que a criança monte a tabuada completa algumas vezes, mas o treino pode ser feito dessa maneira. 🙂

Fica a dica! Ao invés de dizer 4 X 1 = 4, 4 X 2 = 8, etc, peça direto: conte de 4 em 4 até 40! Batata minha gente!

Um abração!

Cibele

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Dicas para o desenvolvimento do gosto pela leitura

O hábito da leitura, a ansiedade dos pais e a constância

No começo de nossa jornada pelo universo do homeschooling, quando assumi a educação das minhas filhas e, com isso, a alfabetização, cheguei a achar que seria muito difícil conseguir fazer com que o gosto pela leitura brotasse e florescesse. Isso porque, em muitos momentos do processo de alfabetização, muitas crianças apresentam fases mais difíceis, desinteresse ou são acometidas por uma preguiça quase palpável. Não foi diferente por aqui. Parecia, em certos momentos, que não queriam chegar perto de nada que exibisse letras. Conto um pouco sobre a alfabetização das minhas filhas nestes artigos: “Como alfabetizo”, “Como alfabetizo- parte 2“, “O cuidado no olhar alfabetizador”. 

Talvez fosse ansiedade minha, mas eu queria vê-las logo andando pra cima e pra baixo com seus livros, que viessem me contar as aventuras que aquelas páginas continham… que quando eu chamasse para o jantar, fosse difícil largar a história.  Sempre gostei de ler e minha infância e adolescência foi assim. Levava o livro para a pracinha, para o parque, para a praia. O livro “O menino do dedo verde” li em um dia. Bom…queria isso para minhas filhas e a angústia diante da possibilidade delas não gostarem me afligia. Não só por ser algo que gosto, mas sim, e esse é o motivo mais importante, pelo fato de ser difícil conseguir crescer intelectual, humana e moralmente  sem desenvolver o hábito da leitura.

O hábito da leitura, da leitura de bons livros, diga-se de passagem,  alimenta o imaginário, cultiva a criatividade. Eu não queria, de modo algum que minhas filhas não o desenvolvessem. Você também se sente assim? Está se esforçando para alfabetizar seus pimpolhos, tem algum que já sabe ler, mas parece que “a coisa não engata”? Tudo e qualquer coisa são mais interessantes que um livro? Você não está só. No entanto, digo com muita felicidade, que isso não é algo imutável. Na verdade, para muitas crianças faz parte do processo e isso por diferentes motivos.  Já faz alguns dias que minhas filhas estão sentando, por livre e espontânea vontade para ler. Cada uma (as duas mais velhas, sendo imitadas pela de 3 anos) escolhem o livro para sua faixa etária e sentam em algum canto da casa. Algumas vezes demoram um pouco mais, outras vezes menos. No entanto: estão lendo! E gostando!

 

Para quem está passando pela ansiedade, o que posso dizer, após ter sobrevivido aos meus próprios medos de fracasso, é o seguinte: a ansiedade é algo normal. Ela vem muito porque estamos nos aventurando a fazer algo que poucos pais fazem que é assumir a integralidade da educação dos filhos. Porém, é necessário ter as rédeas curtas para essa visita desagradável. Não alimente sua ansiedade imaginando o terrível futuro de fracasso. Isso só atrapalha e te tira o foco. A ansiedade, a imaginação nesse sentido é a louca da casa. Não dê trela pra louca.

A segunda coisa é que o processo de alfabetização e o desenvolvimento do hábito de leitura dependem de uma virtude. A virtude da constância. O hábito é algo que se faz sempre, que passou a ser natural, parte do viver da pessoa. Sendo assim, é importante que a criança esteja habituada a ver seus pais lendo, a participar de momentos de leitura em voz alta onde seu papel é a de ouvinte, a ser convidada a recontar o que ouviu, a desenhar, ilustrar as aventuras a ela contadas e, finalmente  ser convidada a ler para os outros e em silêncio para si mesma.

 

Para facilitar que tais coisas aconteçam, restrinja o tempo de televisão e demais eletrônicos ao máximo, cultive, se esforce pelo tempo de leitura em família, onde cada um lê algo para si, invista na compra ou empréstimos de bons títulos e mesmo que a criança já saiba ler, leia para ela. Capriche na entonação, dê vida às personagens, faça da leitura um momento agradável. Leia em lugares diferentes, como dentro de uma cabana, embaixo de uma árvore na praça perto de casa, em frente de uma mesa cuidadosamente arrumada para o momento da leitura junto a uns bolinhos e suco fresco. Finalize a leitura em um ponto instigante da história, que faça com que as crianças PEÇAM para que você continue. Converse, em outros momentos sobre o que você mais gostou da história e pergunte a opinião das crianças. Isso trabalhará a memória e incentivará a atenção. Escolha suas estratégias e seja constante. Não espere desenvolver um hábito através da prática anual ou bimestral da mesma. No way.

Mães! Seu filhos ou filhas que acabaram de aprender a ler ainda se encontram no processo de alfabetização. Acalmem seus corações. Gostar de ler, para algumas crianças, pode levar um tempo.  Nesse tempo não façam do livro um castigo. Se seu filho fez algo errado, não castigue-o mandando ler! Ler deve ser deleite para a alma! Alimento para a imaginação!

Permaneçam constantes nas atividades de alfabetização e nos momentos de leitura que logo vocês irão procurar seu filho pela casa e terão a surpresa de encontrá-lo imerso na história fantástica de algum bom livro. Vão por mim!

Um abraço!!

Cibele Scandelari