Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Matemática

Quem tem medo de matemática?

Uma das coisas que mais me davam medo na escola era a aula de matemática. Chééssussss … quanto calafrio passei antes, durante e depois das aulas. E olha que eu tive professores interessados… Já ouvi, li e recebi muitas mensagens de mães que relatam muita ansiedade e medo em sua prática de educação domiciliar, ou que nem começam o homeschooling por causa de seu medo com alguma disciplina. E a fofura da matemática está brilhando como uma das contempladas com o Oscar das disciplinas mais incompreendidas do cenário educacional brasileiro.

Cresci escutando que se numa turma, mais de 50% dos alunos “vão mal” na prova, é necessário que o professor faça uma reavaliação da forma como o conteúdo está sendo ministrado. Faz sentido. O que dizer, então, de um país que ocupa a 65ª posição entre as 70 nações avaliadas no PISA nessa disciplina em 2015 ? Essa foi a colocação brasileira. A avaliação mais geral do país no projeto The Learning Curve, o Brasil aparece em penúltima posição, entre 40 países pesquisados.

Eu sentia minha mão suar nas aulas de matemática. Passava mal literalmente e me senti incapaz de compreender a lógica de tudo aquilo por muitos anos. Desenvolvi medo da matéria. Hoje, após verificar que o país é massivamente jogado no limbo matemático e não conseguimos caminhar nem perto de outros países, consigo compreender que, sim, eu tinha dificuldades…mas a culpa não era só minha.

Algo está sendo feito de muito errado, há alguns anos, dentro dessa disciplina em nosso país.  Não é possível que os países bem avaliados expliquem, apliquem a matemática da mesma forma e que somente nós não consigamos captar a mensagem. O que é que países como Finlândia, Singapura, Grã-Bretanha fazem de diferente?

Quando cheguei  na idade de escolher minha profissão, sonhava com arquitetura. Não cheguei a tentar o vestibular para a área por puro medo de enfrentar os números. Nunca havia contado à minha família que desisti de algo que me inspirava, por que não me sentia capaz de enfrentar alguns pares de cálculos e problemas matemáticos. Será justo que deixemos isso acontecer com nossos filhos? Que eles nem pensem em trilhar um caminho por medo, fruto de um encaminhamento metodológico fraco, errôneo?

O que devemos fazer, como pais, para reverter esse processo? Como podemos realmente ensinar, ou ajudar nossos filhos a compreender uma disciplina tão complexamente bela como a matemática? O que precisamos fazer para que nossos filhos tenham, desde os primeiros anos, o contato com o desenvolvimento de uma linha de raciocínio que os ajude, que dê base a um pensamento lógico organizado, bem sustentado, articulado e com sólida base? Se você pudesse reaprender a lógica com seus filhos se sentiria mais confiante para ensiná-los em casa?

Vamos encontrar um caminho? Quem quer?

 

Cibele Scandelari

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Afterschooling, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Materiais

MÚSICA CLÁSSICA PARA CRIANÇAS 2.0

Um tempo atrás escrevi um texto (AQUI) que pretendia fazer uma reflexão a respeito do tipo de música a que nossos filhos estão sendo expostos. Sim… como pais nossa preocupação deve ser ampla, extremamente responsável, sem alarmismos, mas atenta. Naquele texto exponho o quanto a música influencia a vida das pessoas e como é importante que tenhamos consciência disso. Hoje, gostaria de falar o que eu faço para tentar fazer com que minhas filhas tenham contato com música de qualidade e fazer um convite.

Eu, Cibele, não sou formada em Música, sou pedagoga e comunicadora. Mas fui observando ao longo da minha experiência materna e através do convívio com outras mãe que devemos ter alguns cuidados. Algumas vezes na realidade familiar teremos que proibir algumas coisas, no entanto, seria interessante que soubéssemos agir no estilo da Medicina Preventiva e nos preocuparmos em expor nossos filhos a situações diversas nas quais eles possam experimentar a beleza, a elaboração de algo profundo e que tais momentos sejam banhados por uma convivência familiar capaz de produzir agradáveis, suaves e profundas memórias afetivas.

Pensando nessas questões, em minha casa escolhemos que nossas filhas teriam acesso à música conhecida como “música clássica”.

Talvez alguém possa pensar: “mas o que tem a ver a música com o caráter das pessoas?”.  A música permeia muitos campos da vida humana , ela exerce uma influência muito grande na vida das pessoas. Podemos verificar isso facilmente no vestuário que acompanha muitos jovens que seguem determinadas bandas, no comportamento ditado por determinadas tendências musicais, na multidão que muitos astros arrastam. A qualidade musical é sempre boa?  As composições refletem o potencial criativo humano de maneira profunda sempre? Na verdade, muitas vezes a música que é apresentada pela mídia, vendida para sociedade de maneira geral, tem a característica de degradar o ser humano, de ter má qualidade sonora, de aproveitar-se de certas tendências de algumas faixas etárias para manipulá-las. A exposição é tão frequente  que, aos poucos, nos acostumamos ao ruim e o mesmo é tido como normal. Começamos a ficar tão acostumados a certa sorte de criações artísticas diversas, dentre elas a música, que nossos padrões vão baixando de maneira que nem percebemos e logo não sabemos mais identificar o belo, o bom e nem mais a apreciá-lo adequadamente, uma vez que nos faltam os dados necessários para esse deleite, para essa análise. É importante esclarecer que não quero dizer que apenas um tipo de música seja boa, mas que devemos tentar elevar nossos padrões.

Um dos motivos é que simplesmente não temos mais contato com aquilo que é belo. Ninguém mais fala sobre esses assuntos em casa, como era feito antigamente.  Esse foi um dos motivos de termos colocado a música clássica dentro dos estudos de nossas filhas. Percebemos que a música pode ser uma ferramenta muito importante para o desenvolvimento delas.

Algumas pesquisas indicam que a música erudita é um gênero musical com uma elaboração tal capaz de acionar diferentes partes do cérebro, dando maiores possibilidades de novas conexões neurológicas. Além disso,  expor nossas crianças ao que é verdadeiramente bom possibilita que, ao terem contato com outras formas musicais, possam vir a ter condições, ferramentas que lhe permitam serem realmente livres e avaliarem a qualidade do que lhes é apresentado tanto no nível auditivo quanto na estética das roupas, nos padrões de comportamento.

Pensando nisso, criamos um programa de audição aqui em casa. Minhas filhas ouvem, todos os dias durante uma semana uma composição e conversamos sobre a mesma. Nossas conversas abrangem o país do compositor, a história do mesmo e um pouco sobre a vida dele. Com o passar do tempo, o mapa mundi virou amigo delas e aspectos geográficos se tornaram algo muito simples de compreender. Dados históricos se tornaram curiosidades que elas amam falar e a apreciação da música trouxe uma maravilhosa atmosfera para nosso lar. Ao perceber tudo isso, pensei em disponibilizar a outras famílias a pesquisa que fiz de forma que pudessem se beneficiar a um preço baixo e eu pudesse ajudar financeiramente em casa. E assim surgiu o “Música Clássica para Crianças”. Um programa de audição musical orientada.

Queria te convidar a conhecer e permitir que seus filhos tenham a oportunidade de ter contato com música de qualidade cercado de um ambiente acolhedor. Experimente!

Abaixo segue o link da página do programa:

http://berryclub.kpages.online/musica-classica-criancas-2

Estamos com inscrições da segunda turma abertas até dia 05/05/2019. Aproveite!

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Ciência – Oceanos

Uma viagem ao fundo do mar

“Helena, o que você gostaria de estudar para a Feira de Ciências deste ano?”. “O mar! O mar! O mar!”. E assim, com esse entusiasmo, minha filha de 5 anos escolheu seu tema para a nossa Feira de Ciências de 2018. O tema é dela, a apresentação também. No entanto, todos estudamos juntos, trabalhamos juntos, nos melecamos juntos.  Foi uma experiência muito gostosa trabalhar este tema  e indico a todas as famílias.

Mas então…como fizemos? Vamos lá!

Primeiramente fui sondando, perguntando o que elas sabiam sobre o oceano. O que gostariam de saber, o que gostariam de ver. Após isso, munida com um mapa mundi comecei a mostrar que os oceanos são divididos em 5, seus nomes, localização, fronteiras e algumas curiosidades, como por exemplo o fato do Oceano Pacífico não ser “pacífico”, a localização das maiores profundezas (Fossas Marianas, entre o Japão e as Filipinas). Deixei que elas observassem o mapa e fossem perguntando outras coisas, mesmo que fora do tema (afinal, essa curiosidade é rica e só acrescenta conhecimento). Ao longo dos dias, assim, de repente eu perguntava “Helena! Mamãe esqueceu! Quantos são os Oceanos? Quais os nomes? Quais são os mais gelados? Onde ficam as Fossas Marianas? O que elas são” , entre outras perguntas.  Algumas vezes ela não lembrava, confundia nomes. Normal. Foi melhorando ao longo dos dias. Para acrescentar algumas informações, procurei pequenos vídeos sobre os oceanos. 

Após esta etapa, passamos a estudar um pouco sobre a vida marinha. Conversamos sobre alguns animais que elas gostariam de conhecer, a saber:  baleia, tubarão, lula, polvo, ouriço, peixes “diferentes” (exóticos), tartaruga, água viva. Primeiramente, apresentei vários vídeos infantis onde tais animais aparecem. Minha filha de 3 anos gostou muito e fez com que se interessasse também (mas até a de 8 anos quis acompanhar as músicas). Depois passamos para alguns breves documentários. A cada informação interessante eu parava, nós conversávamos e eu perguntava o que haviam entendido ou repetia a informação com outras palavras. Elas vibravam com as belas imagens e explicações a respeito do cavalo marinho, as perigosas águas vivas… Gostaram muito de saber que os peixes conseguem “respirar” embaixo da água por causa das brânquias. Quando formos à praia, pretendo rever estas informações com elas, talvez visitar um aquário.

Um documentário que gostamos bastante foi sobre a grande barreira de recifes de corais da Austrália. A beleza do lugar é impressionante, as cores, a quantidade de diferentes peixes, a formação dos corais chamaram muito a atenção das meninas.  Quisera eu fazer o estudo in loco…

 

Com base nisso tudo, passamos a montar o nosso fundo do mar. Escolhemos peixes exóticos e eu os desenhei em papelão. As meninas pintaram alguns (com orientação e eu fiz os detalhes). Copos plásticos transparentes, pintados com cola colorida e com fitas de papel crepom transformaram-se em águas vivas. Penduramos os peixes em faixas de papel crepom penduradas no teto em frente a um pedaço de T.N.T. azul.

A parte mais divertida (e desastrosa) foi a confecção dos corais com galhos e espuma de expansão, aquela usada para preencher os batentes das portas em construção civil. Eu nunca havia usado, mas mesmo assim me aventurei. Como eu não sabia a consistência exata da espuma ao sair do tubo, achei que deveria segurar o galho na vertical e aplicar a espuma. O resultado foi que levei um susto de como a substância saiu, deixei cair no chão e para não deixar a bebê pegar e substituir o almoço, peguei com a mão sem luvas. O resultado é que, mesmo agora a noite, enquanto escrevo estas linhas, sinto resíduos da espuma nas mãos. Então, aprendam com a desastrada: não peguem a espuma sem luvas!

  

Continuando, depois que peguei o jeito (aplicar a espuma com o frasco na vertical, sobre o galho na horizontal, podendo criar “galhos” extras com a própria espuma), a coisa deslanchou. Foi necessário esperar um pouco para que secasse. Assim que secou todas (inclusive eu) nos esbaldamos em pintar tudo. Deixamos bem colorido, como um recife mesmo e ficamos muito satisfeitas com o resultado. Enfeitamos nosso fundo do mar com os recifes e fizemos algumas algas com E.V.A. verde.  

Helena vibrava com tudo e suas irmãs aproveitaram junto dela conhecer tanta beleza.

Tentarei transformar este relato em mini planejamento. Assim que possível postarei!

 

Um abraço!

CIBELE

Áreas do Conhecimento, FAQ, Homeschooling, Matemática, Materiais, Vídeos

Saxon: conheça o material por dentro.

Há um tempo atrás, pensei que seria interessante mostrar o material da Saxon em vídeo pois, para muitas famílias, conhecer o material por dentro seria algo difícil. Pessoalmente, escolhi depois de ter tido contato “ao vivo”, através de uma querida amiga que já havia comprado para os filhos. Por isso, resolvi gravar este vídeo. Já aviso que a gravação foi bem caseira e que se não fosse naquele momento, talvez eu não gravasse mais…rsrsrs. Meu ego diz: “Grave outro, num ângulo mais favorável…” e minha razão diz “Vai esse! Trabalha tua humildade e você tenta melhorar para os próximos!”. Então é isso! Resolvi postar assim mesmo.

A Saxon é a escolha da maioria das famílias homeschoolers americanas e é um dos materiais indicados para o estudo da matemática no livro The Well Trained Mind, da Susan Wise Bauer. Espero mesmo que ajude muitos pais a decidirem qual o melhor material e abordagem a ser escolhida para a suas famílias, de acordo com as suas realidades.

Caso você não tenha lido, o link do texto SAXON MATH, poderá encontrar algumas outras considerações sobre o material que não estão contempladas no vídeo.

Segue o vídeo!!

0-4 Anos, 5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Matemática, Materiais

Tangran, Pattern Blocks, Blocos Lógicos…qual a diferença?

  

Existe uma infinidade de materiais educativos. Alguns são muito, muito úteis, outros são interessantes, mas não vitais. Para saber se realmente precisamos de cada um deles é necessário conhecer para que servem, antes de sairmos comprando tudo. Conhecendo como são e para que servem com certeza compraremos com mais consciência e a aplicação será mais rica, surtindo efeitos mais rápidos, mais profundos e duradouros. Em outras palavras, você não joga dinheiro fora e seu filho aprende de verdade.

Na fase da primeira e segunda infância, dada a necessidade natural de manipulação com o concreto das crianças, a quantidade de diferentes tipos de materiais é bem grande. Falarei neste texto de apenas 3 que, num primeiro contato podem se parecer, mas que possuem objetivos distintos. São eles: tangram, blocos lógicos e os pattern blocks conhecidos no Brasil como Mosaico Geométrico.

Os três materiais são jogos manipulativos que trabalham diferentes conceitos matemáticos como cor, tamanho, forma, padrões lógicos, habilidades visuais e espaciais, compreensão fracionária, etc. Você pode conseguir trabalhar tais habilidades sem eles, não existe uma obrigatoriedade em adquirí-los, mas sua vida pode ser facilitada se os tiver e souber usá-los.

Apesar de serem diferentes, muitas pessoas acabam confundindo os jogos e o que mais acontece é adquirir e seu uso ficar numa manipulação superficial. A intenção deste texto é fazer com que você tenha acesso a uma descrição rápida para que saiba identificar e diferenciar. Mais para frente podemos aprofundar a forma de usar cada um deles.

TANGRAM: é um quebra cabeça formado por 7 peças que juntas, quando corretamente agrupadas, formam um quadrado. As peças são 2 triângulos grandes, 1 triângulo médio, 2 triângulos pequenos, 1 quadrado e um paralelogramo. Em alguns conjuntos as peças são todas de uma só cor e em outros são coloridas. As cores não possuem nenhuma atribuição específica neste quebra cabeça. Este conjunto de peças é comumente usado para desenvolver noção espacial , raciocínio lógico e geométrico. Suas peças possibilitam a formação de inúmeras figuras e, com isso, também ajudam a desenvolver a criatividade.

 

BLOCOS LÓGICOS: são um conjunto de peças com 4 formas geométricas quadrado, triângulo, círculo e retângulo. O conjunto completo terá cada forma nas cores vermelha, amarela e azul, nos tamanhos grande e pequeno e nas espessuras grossa e fina. No total são 48 peças. Através da combinação desses atributos as crianças aprendem a classificar, agrupar, criar padrões lógicos, comparar, descrever, etc. A simples manipulação proporciona o contato com as características básicas das formas e permite que a criança explore e teste alternativas com as peças ao empilhar, tentar rolar, criar desenhos ao colocá-las umas ao lado das outras.

PATTERN BLOCKS (Mosaico Colorido): este conjunto de peças pode ser facilmente confundido com o tangram. Porém, diferentemente do jogo chinês que necessariamente tem apenas 7 peças, este pode conter um número ilimitado de blocos. Outra diferença é que os pattern blocks possuem o hexágono e o trapézio, o tangram não. As formas que compõe o jogo são: hexágonos amarelos, quadrados laranjas, triângulos verdes, trapézios vermelhos, paralelogramos azuis e losangos brancos. Estas peças possuem outra característica importante: tendo o hexágono como “inteiro” podemos cobrí-lo com 2 trapézios (meios), 3 paralelogramos (terços), 6 triêngulos (sextos) e, assim utilizá-los para o trabalho com frações. Os blocos também permitem a formação de diversas figuras e tornam possível o trabalho para o desenvolvimento da criatividade, noção espacial, padrões lineares. É um ótimo manipulativo para a introdução de conceitos geométricos.

A necessidade em adquirir cada material vai depender dos objetivos a serem trabalhados e da idade das crianças que os utilizarão. Blocos lógicos são ótimos para crianças pequenas e o tangram para os maiores. Na fase do trabalho com frações os Pattern Blocks são uma mão na roda! Antes de comprar, confira o objetivo que quer atingir!

Espero ter ajudado!

Um abraço!

Cibele