0-4 Anos, 5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Matemática, Materiais

Tangran, Pattern Blocks, Blocos Lógicos…qual a diferença?

  

Existe uma infinidade de materiais educativos. Alguns são muito, muito úteis, outros são interessantes, mas não vitais. Para saber se realmente precisamos de cada um deles é necessário conhecer para que servem, antes de sairmos comprando tudo. Conhecendo como são e para que servem com certeza compraremos com mais consciência e a aplicação será mais rica, surtindo efeitos mais rápidos, mais profundos e duradouros. Em outras palavras, você não joga dinheiro fora e seu filho aprende de verdade.

Na fase da primeira e segunda infância, dada a necessidade natural de manipulação com o concreto das crianças, a quantidade de diferentes tipos de materiais é bem grande. Falarei neste texto de apenas 3 que, num primeiro contato podem se parecer, mas que possuem objetivos distintos. São eles: tangram, blocos lógicos e os pattern blocks conhecidos no Brasil como Mosaico Geométrico.

Os três materiais são jogos manipulativos que trabalham diferentes conceitos matemáticos como cor, tamanho, forma, padrões lógicos, habilidades visuais e espaciais, compreensão fracionária, etc. Você pode conseguir trabalhar tais habilidades sem eles, não existe uma obrigatoriedade em adquirí-los, mas sua vida pode ser facilitada se os tiver e souber usá-los.

Apesar de serem diferentes, muitas pessoas acabam confundindo os jogos e o que mais acontece é adquirir e seu uso ficar numa manipulação superficial. A intenção deste texto é fazer com que você tenha acesso a uma descrição rápida para que saiba identificar e diferenciar. Mais para frente podemos aprofundar a forma de usar cada um deles.

TANGRAM: é um quebra cabeça formado por 7 peças que juntas, quando corretamente agrupadas, formam um quadrado. As peças são 2 triângulos grandes, 1 triângulo médio, 2 triângulos pequenos, 1 quadrado e um paralelogramo. Em alguns conjuntos as peças são todas de uma só cor e em outros são coloridas. As cores não possuem nenhuma atribuição específica neste quebra cabeça. Este conjunto de peças é comumente usado para desenvolver noção espacial , raciocínio lógico e geométrico. Suas peças possibilitam a formação de inúmeras figuras e, com isso, também ajudam a desenvolver a criatividade.

 

BLOCOS LÓGICOS: são um conjunto de peças com 4 formas geométricas quadrado, triângulo, círculo e retângulo. O conjunto completo terá cada forma nas cores vermelha, amarela e azul, nos tamanhos grande e pequeno e nas espessuras grossa e fina. No total são 48 peças. Através da combinação desses atributos as crianças aprendem a classificar, agrupar, criar padrões lógicos, comparar, descrever, etc. A simples manipulação proporciona o contato com as características básicas das formas e permite que a criança explore e teste alternativas com as peças ao empilhar, tentar rolar, criar desenhos ao colocá-las umas ao lado das outras.

PATTERN BLOCKS (Mosaico Colorido): este conjunto de peças pode ser facilmente confundido com o tangram. Porém, diferentemente do jogo chinês que necessariamente tem apenas 7 peças, este pode conter um número ilimitado de blocos. Outra diferença é que os pattern blocks possuem o hexágono e o trapézio, o tangram não. As formas que compõe o jogo são: hexágonos amarelos, quadrados laranjas, triângulos verdes, trapézios vermelhos, paralelogramos azuis e losangos brancos. Estas peças possuem outra característica importante: tendo o hexágono como “inteiro” podemos cobrí-lo com 2 trapézios (meios), 3 paralelogramos (terços), 6 triêngulos (sextos) e, assim utilizá-los para o trabalho com frações. Os blocos também permitem a formação de diversas figuras e tornam possível o trabalho para o desenvolvimento da criatividade, noção espacial, padrões lineares. É um ótimo manipulativo para a introdução de conceitos geométricos.

A necessidade em adquirir cada material vai depender dos objetivos a serem trabalhados e da idade das crianças que os utilizarão. Blocos lógicos são ótimos para crianças pequenas e o tangram para os maiores. Na fase do trabalho com frações os Pattern Blocks são uma mão na roda! Antes de comprar, confira o objetivo que quer atingir!

Espero ter ajudado!

Um abraço!

Cibele

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Dica para o aprendizado da tabuada

Aqui em casa usamos o material da Saxon Math para o estudo de matemática. A maneira estrangeira  de se ensinar essa disciplina difere em muitos aspectos do modo nacional. Pelo menos é o que sinto ao aplicar o método. Descrevo esse material NESTE artigo.

Uma das diferenças encontra-se na forma como a tabuada é introduzida e treinada. Lembro claramente, quando eu era estudante, da professora mandar que montássemos as tabuadas nos cadernos e das broncas quando éramos pegos escrevendo, por exemplo, para a tabuada do 5, vários 5 um em cima do outro, depois vários X, a seqüência numérica , os sinais de iguais para então completar com as respostas. Fui chamada atenção várias vezes. Meu raciocínio acabava se perdendo na obrigação em escrever os números repetidos.

Bom, aqui no Brasil montamos a tabuada assim. Escrevemos tudo completinho. Descobri, usando o material da Saxon que isso dificulta a memorização. Como, então, que eles fazem? A primeira coisa que se pede é que a criança se habitue a contar de 2 em 2. Então, várias vezes na semana é solicitado que conte dessa maneira. Quando já tiver memorizado, passa-se a pedir que conte de 3 em 3 e assim por diante. Essa repetição constante treinará sua memória, coisa essencial para o bom desempenho em matemática. Aconselha-se a não pular o exercício. Alguns dias a criança deverá fazer a contagem  de mais de um multiplicador. Esse treino pode acontecer antes das explicações da tarefa do dia. Aos poucos compreenderá, por exemplo, que a tabuada do 4 encontra-se dentro da do 8. Minha filha chegou à conclusão sozinha.

Caso os pais achem que apenas uma vez ao dia é pouco, podem pedir que, antes de dormir recite uma ou duas das tabuadas, dessa forma descrita acima. Isso pode ajudar. É algo rápido. Basta apenas ter constância.  

Posso dizer, com tranquilidade, que minha filha conseguiu dominar a maioria das tabuadas com essa técnica simples e aparentemente boba. Fez toda a diferença. De vez em quando ela se engana, mas logo corrige.

Isso não impede que a criança monte a tabuada completa algumas vezes, mas o treino pode ser feito dessa maneira. 🙂

Fica a dica! Ao invés de dizer 4 X 1 = 4, 4 X 2 = 8, etc, peça direto: conte de 4 em 4 até 40! Batata minha gente!

Um abração!

Cibele

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling

Dicas para o desenvolvimento do gosto pela leitura

O hábito da leitura, a ansiedade dos pais e a constância

No começo de nossa jornada pelo universo do homeschooling, quando assumi a educação das minhas filhas e, com isso, a alfabetização, cheguei a achar que seria muito difícil conseguir fazer com que o gosto pela leitura brotasse e florescesse. Isso porque, em muitos momentos do processo de alfabetização, muitas crianças apresentam fases mais difíceis, desinteresse ou são acometidas por uma preguiça quase palpável. Não foi diferente por aqui. Parecia, em certos momentos, que não queriam chegar perto de nada que exibisse letras. Conto um pouco sobre a alfabetização das minhas filhas nestes artigos: “Como alfabetizo”, “Como alfabetizo- parte 2“, “O cuidado no olhar alfabetizador”. 

Talvez fosse ansiedade minha, mas eu queria vê-las logo andando pra cima e pra baixo com seus livros, que viessem me contar as aventuras que aquelas páginas continham… que quando eu chamasse para o jantar, fosse difícil largar a história.  Sempre gostei de ler e minha infância e adolescência foi assim. Levava o livro para a pracinha, para o parque, para a praia. O livro “O menino do dedo verde” li em um dia. Bom…queria isso para minhas filhas e a angústia diante da possibilidade delas não gostarem me afligia. Não só por ser algo que gosto, mas sim, e esse é o motivo mais importante, pelo fato de ser difícil conseguir crescer intelectual, humana e moralmente  sem desenvolver o hábito da leitura.

O hábito da leitura, da leitura de bons livros, diga-se de passagem,  alimenta o imaginário, cultiva a criatividade. Eu não queria, de modo algum que minhas filhas não o desenvolvessem. Você também se sente assim? Está se esforçando para alfabetizar seus pimpolhos, tem algum que já sabe ler, mas parece que “a coisa não engata”? Tudo e qualquer coisa são mais interessantes que um livro? Você não está só. No entanto, digo com muita felicidade, que isso não é algo imutável. Na verdade, para muitas crianças faz parte do processo e isso por diferentes motivos.  Já faz alguns dias que minhas filhas estão sentando, por livre e espontânea vontade para ler. Cada uma (as duas mais velhas, sendo imitadas pela de 3 anos) escolhem o livro para sua faixa etária e sentam em algum canto da casa. Algumas vezes demoram um pouco mais, outras vezes menos. No entanto: estão lendo! E gostando!

 

Para quem está passando pela ansiedade, o que posso dizer, após ter sobrevivido aos meus próprios medos de fracasso, é o seguinte: a ansiedade é algo normal. Ela vem muito porque estamos nos aventurando a fazer algo que poucos pais fazem que é assumir a integralidade da educação dos filhos. Porém, é necessário ter as rédeas curtas para essa visita desagradável. Não alimente sua ansiedade imaginando o terrível futuro de fracasso. Isso só atrapalha e te tira o foco. A ansiedade, a imaginação nesse sentido é a louca da casa. Não dê trela pra louca.

A segunda coisa é que o processo de alfabetização e o desenvolvimento do hábito de leitura dependem de uma virtude. A virtude da constância. O hábito é algo que se faz sempre, que passou a ser natural, parte do viver da pessoa. Sendo assim, é importante que a criança esteja habituada a ver seus pais lendo, a participar de momentos de leitura em voz alta onde seu papel é a de ouvinte, a ser convidada a recontar o que ouviu, a desenhar, ilustrar as aventuras a ela contadas e, finalmente  ser convidada a ler para os outros e em silêncio para si mesma.

 

Para facilitar que tais coisas aconteçam, restrinja o tempo de televisão e demais eletrônicos ao máximo, cultive, se esforce pelo tempo de leitura em família, onde cada um lê algo para si, invista na compra ou empréstimos de bons títulos e mesmo que a criança já saiba ler, leia para ela. Capriche na entonação, dê vida às personagens, faça da leitura um momento agradável. Leia em lugares diferentes, como dentro de uma cabana, embaixo de uma árvore na praça perto de casa, em frente de uma mesa cuidadosamente arrumada para o momento da leitura junto a uns bolinhos e suco fresco. Finalize a leitura em um ponto instigante da história, que faça com que as crianças PEÇAM para que você continue. Converse, em outros momentos sobre o que você mais gostou da história e pergunte a opinião das crianças. Isso trabalhará a memória e incentivará a atenção. Escolha suas estratégias e seja constante. Não espere desenvolver um hábito através da prática anual ou bimestral da mesma. No way.

Mães! Seu filhos ou filhas que acabaram de aprender a ler ainda se encontram no processo de alfabetização. Acalmem seus corações. Gostar de ler, para algumas crianças, pode levar um tempo.  Nesse tempo não façam do livro um castigo. Se seu filho fez algo errado, não castigue-o mandando ler! Ler deve ser deleite para a alma! Alimento para a imaginação!

Permaneçam constantes nas atividades de alfabetização e nos momentos de leitura que logo vocês irão procurar seu filho pela casa e terão a surpresa de encontrá-lo imerso na história fantástica de algum bom livro. Vão por mim!

Um abraço!!

Cibele Scandelari

 

5-10 Anos, Áreas do Conhecimento, Homeschooling, Materiais

Aprendendo a apreciar arte

Não sou artista…pouco entendo…mas incluí nos conteúdos que quero trabalhar com minhas filhas um pouco de arte. Com o passar do tempo quero melhorar e aprofundar esse estudo. Acredito que a arte seja de extrema importância para o desenvolvimento de um ser humano realmente humano. A arte nos ajuda a expressar sentimentos, a registrar importantes acontecimento de maneiras extremamente singulares, desenvolve a criatividade , a atenção, a delicadeza…

Bom, mas como tenho feito isso? Estamos numa fase bem inicial e como todos aqui somos leigos no assunto, todos aprenderão juntos. Para tanto escolhi um livro da querida Laurie Bluedorn, “What do you see? A Child’s First Introduction to Art, Volume One”.  Como a própria descrição do material afirma, o livro apresenta um breve currículo para uma” gentil e fácil introdução à apreciação da arte, para crianças de 4 a 12 anos.” O material ensina a criança a olhar para uma obra de arte e avaliá-la. 

Através das obras e perguntas indicadas espera-se que as crianças (e, digo de passagem, os adultos) aprendam como identificar perguntas a serem feitas a respeito da obra, como identificar os prováveis motivos que fizeram o artista pintar o que pintou, como identificar detalhes na pintura, etc.

No trabalho com este material, é esperado que as crianças e o(s) adulto(s) envolvidos , invistam um breve tempo de observação da obra sugerida para então responder as perguntas propostas pela autora. O objetivo é que seja algo prazeroso e, por esse motivo, recomenda-se que as respostas sejam dadas de forma oral. Como uma conversa, um bate papo.

O primeiro volume da série trata de apenas um princípio da arte que é o Centro de Interesse, que é a parte da pintura que chama a atenção primeiro e que foi pintada com esse propósito: atrair a mente. “O centro de interesse geralmente tem as bordas mais nítidas, as cores mais brilhantes e o maior detalhe. Além disso, geralmente contém uma cor que não existe em nenhum outro lugar da pintura. No entanto, nem todas as pinturas contêm um centro de interesse, a menos que o artista tenha nos dito o que pretendia que fosse seu centro de interesse, pode haver diferenças de opinião quanto ao centro de interesse de uma pintura.” As obras de arte trabalhadas neste primeiro volume são as seguintes:

1. Little Red Riding Hood and Grandmother by Harriet Backer
2. The Dog Cart by Henriëtte Ronner-Knip
3. The Birthday Cake by Victor Gabriel Gilbert
4. Boy with Baby Carriage by Norman Rockwell
5. Feeding the Baby by Axel Theophilus Helsted
6. Elsie Cassatt Holding a Big Dog by Mary Cassatt
7. Carnation, Lily, Lily, Rose by John Singer Sargent
8. Cottage Girl with Dog and Pitcher by Thomas Gainsborough
9. A Child’s Menagerie by Eastman Johnson
10. Belshazzar’s Feast by Rembrandt Harmenszoon van Rijn
11. Suggested Answers to Questions

Por escolha pessoal, após realizar a observação e conversarmos sobre a obra, solicito que minhas filhas façam algum tipo de releitura da obra. Para cada pintura peço coisas diferentes. Por exemplo, para a primeira obra pedi que elas observassem novamente a obra e tentassem reproduzir o que viam com um desenho e tinta guache. Algo bem simples para nosso começo.         

 

Na segunda obra, imprimi a imagem da pintura e recortei vários pedaços colando-os em folhas separadas. Cada menina ganhou uma folha contendo apenas partes da obra. O desafio era reproduzir o que faltava. Foi um trabalho muito gostoso! Conforme formos avançando no estudo da arte e eu tiver tendo novas ideias de releituras, compartilharei por aqui. Se você é conhecedor ou tem criatividade para me ajudar, não se acanhe! Mande sua ideia que tentarei colocá-la em prática. 🙂

Um abraço!

Cibele Scandelari