0-4 Anos, 5-10 Anos, Homeschooling, Matemática

Ensinar Frações

Redescobrir os conteúdos matemáticos tem sido uma agradável surpresa para mim. Quando eu pensava em alguns deles, a primeira coisa que me vinha á cabeça era “como é que eu vou ensinar isso?!”. Bom, isso é fruto de uma aprendizagem anterior com muitas lacunas. Quem me acompanha a algum tempo sabe que a matemática sempre foi pra mim a disciplina monstro. Culpados? Bem… creio que a forma de ensino adotado em nosso país não favoreceu um real entendimento de minha parte somado ao fato de eu ter, provavelmente, dificuldade para exatas. Falo sobre esse sentimento e sobre a realidade do ensino da disciplina no texto “Quem tem medo de matemática?”. 

Porém, tem sido uma experiência incrível ensinar minhas filhas. A abordagem internacional que encontrei nos materiais pesquisados fizeram muita diferença e a cada dia minha confiança vai aumentando. Ainda mais quando percebo que minhas filhas estão realmente entendendo! Que delícia! É claro que algumas vezes encontramos algumas coisas mais difíceis, ou percebo que preciso tirar o pé do acelerador e fazer algumas revisões ou, até mesmo, explicar novamente o que acabei de trabalhar. A realidade de poder caminhar de acordo com as possibilidades de cada filha e não para seguir o calendário é algo que faz diferença NA APRENDIZAGEM!

Bom, queria aproveitar este meu entusiasmo matemático e deixar registrado aqui uma dica simples que usei com minha filha para o início do ensino das frações.

A primeira coisa que eu tenho a dizer é: dê oportunidades variadas para que a criança possa manipular objetos para ter contato com conceitos (não apenas para frações). Não introduza as frações apresentando de cara 1/2, 1/8. Primeiro as crianças necessitam, sempre que possível, pegar em objetos e fazer aquele conceito acontecer na sua frente. O estágio concreto é super importante para que a criança consiga internalizar as primeiras noções sobre o conceito trabalhado. Não subestime essa fase.

A sugestão é  iniciar o trabalho com frações com a degustação de maçãs. Para esta atividade é interessante ter em mãos 4 maçãs que serão cortadas de formas diferentes. A ideia é que perguntas específicas sejam feitas durante o processo de corte das frutas.  Por exemplo: apresentar a primeira maçã e perguntar “O que temos aqui?”. Obviamente a criança responderá que é uma maçã. Podemos dizer que é uma maçã INTEIRA.  Então podemos separar a inteira, pegar e cortar a segunda maçã ao meio e questionar nossa plateia “e agora? O que temos aqui?”. As respostas podem vir como dois pedaços, duas metades. Se responderem “duas maçãs”, é importante fazer com que a criança reflita se alí se encontram duas maçãs inteiras. Com a resposta “duas metades”, podemos incentivar que as crianças tentem juntar as metades e podemos fazer com que percebam que duas metades juntas formam uma maçã inteira. Nessa fase, não é necessário apresentar a escrita matemática deste conteúdo. Finalizamos esta etapa pegando um dos pedaços e perguntando: “Quantas metades eu tenho aqui na mão?” e incentivar a resposta “uma metade” ou “um meio”.

Depois de explorada essa parte, pegamos a terceira fruta e podemos cortá-la em quatro partes iguais, formando os quartos. O processo para se chegar aos  quatro pedaços é o mesmo do anterior. É interessante que a criança veja a maçã sendo cortada na metade, que as perguntas sejam repetidas, depois que visualize cada metade sendo cortada ao meio. A criança pode tentar juntar as partes e perceber que 2 pedaços daqueles formam uma metade e que para formar a maçã inteira serão necessários 4 pedaços.  Pegar um pedaço e perguntar o que se tem na mão. Pode ser que a criança responda “um pedaço”, confirmamos que ela está certa e damos o nome certo: um quarto.

Com a quarta maçã fazemos a mesma coisa e agora chegamos aos oitavos. Cada maçã das etapas anteriores podem ser colocadas longe da vista, para que a criança se concentre na que está sendo cortada. Após o processo, todas podem ser colocadas à vista de maneira que fique bem visível os cortes.

Numa segunda etapa podemos introduzir algumas comparações. Assim que eu aplicar com elas essa possibilidade corro aqui e deixo registrado!

Outras possibilidades para que as frações sejam trabalhadas: bolas de massinha, noite da pizza, círculos de EVA, onde a criança será convidada a cortá-los, etc. Aproveite muitas, muitas oportunidades para a manipulação do concreto e só depois passe para o papel! Lembre disso!

Boa degustação!

Cibele Scandelari

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0-4 Anos, 5-10 Anos, Homeschooling, Linguagem, Metodologias

Letra bastão ou cursiva?

 

Gostaria de colocar minha visão acerca da questão da alfabetização com letra cursiva e bastão.

Não é difícil encontrar quem inicie o processo de alfabetização pela letra bastão ou caixa alta. Muitas mães já me perguntaram se é essa a letra que devem começar a apresentar aos seus filhos e algumas se surpreendem com minhas respostas.

Antigamente todos aqueles que eram alfabetizados o eram através da escrita cursiva. A mudança se deu não faz muito tempo e, ouso dizer, embora não tenha pesquisado muito à respeito, que essa mudança veio no tempo da reforma da educação, realizada, alí por volta da década de 1990. Tempo de revolução tecnológica em um país que lutava (ainda luta) para dar conta de inúmeras questões econômicas, sociais e educacionais. Nesse panorama e com a realidade que a tecnologia trouxe e continua trazendo, muitos acreditam que a letra de mão, a letra cursiva, deva cair em desuso, que não existe mais necessidade alguma de ser realmente ensinada nas escolas. Inclusive alguns países estabeleceram a diretriz de realmente abolí-la de suas escolas, como é possível verificar em algumas reportagens como esta: https://veja.abril.com.br/educacao/na-finlandia-escolas-trocam-letra-de-mao-por-digitacao/  . Segundo a notícia, os alunos que iniciarem no curso primário não serão mais obrigados a aprender caligrafia. As crianças aprenderão, no lugar disso, a digitação em computadores e tablets. Neste caso a questão vai além da letra cursiva. Nem as letras bastão as crianças seriam ensinadas a traçar.

Minha humilde opinião sobre o assunto é que seguir diretrizes como essas, pode nos levar a caminhos meio tortuosos. Não considero que a escrita seja apenas um meio de comunicação. A vejo como uma forma de arte, como uma maneira de exercitar a mente, o cérebro,  criar novas conexões neurológicas, imprimir no papel, mediante a coordenação visomotora aquilo que se passa na alma. Somos seres humanos e não máquinas e a escrita “ao modo antigo” me parece estar mais intimamente relacionada com isso. Mesmo que a digitação também possa transmitir, de alguma forma, o que vai em nosso coração.

Bom…mas o que então acho sobre a letra cursiva e a bastão? Acredito, após ouvir muitas pessoas e pesquisar algumas fontes, que a escrita cursiva trabalha muito mais partes do cérebro, possibilitando muito mais conexões neurológicas. Essa rede de conexões agilizam o pensamento e dão suporte para novas descobertas. Uma rede neuronal com mais conexões é mais rápida, eficiente, saudável.

Como pais presentes, queremos, com certeza, que nossos filhos sejam expostos à tudo aquilo que venha a acrescentar em seu desenvolvimento. Frente a isso, realmente, não podemos afirmar que toda criança que aprender com a letra bastão terá, certamente, dificuldade de passar para a cursiva. No entanto, essa possibilidade é maior. Muitos dizem que alfabetizam com a bastão pois as letras são mais fáceis de serem escritas. Isso se dá porque a maturidade da coordenação motora, neste quesito, é um pouco mais lenta que a maturidade para a decodificação dos grafemas (os desenhos das letras) em fonemas (o som de cada letra) e a letra bastão quase não possui curvas, mais difíceis de serem traçadas por mãozinhas imaturas.

O trabalho com caligrafia era feito com crianças um pouco maiores, em um material específico para a maturidade motora das mesmas e com uma frequência que crianças maiores poderiam suportar (e mesmo assim  muitos reclamavam). Quando a mudança aconteceu a necessidade da caligrafia também e muitas escolas abandonaram a letra cursiva, uma vez que o “objetivo social” da escrita seria a transmissão do pensamento, da ideia. Ora, se a ideia foi transmitida em letra bastão, não havia necessidade alguma de que as crianças fizessem aqueles treinos de caligrafia. Passaram a fazer uma conexão, entre outras coisas, que a escrita cursiva com crianças um pouco menores seria  cruel. Muitas professoras chegam a dizer que a letra cursiva segregava alguns alunos. De lá para cá, a maioria passou a ser alfabetizada com letra bastão e a maioria dos livros apresentam essa letra.

No entanto, pude ouvir relatos de algumas mães que afirmam que a letra bastão pode até ser mais fácil de ser traçada, no entanto, esse mesmo tipo de letra, essa mesma fonte pode confundir as crianças. Podem confundir um p com um q, um d com um b. Isso é muito fácil de ocorrer, na realidade. Para isso, o trabalho físico de lateralidade (entre outros) deve ser realizado. Existe um trabalho anterior à alfabetização que pode ajudar nessa questão.

Porém, como eu disse, escrever com a mão e não com o auxílio de computadores ou outros dispositivos é essencial para o desenvolvimento de conexões neurológicas. E, mais que escrever com a mão, utilizar-se da letra cursiva, promove ainda mais conexões, pois ” A neurociência sustenta que a escrita cursiva, por exigir maior esforço de integração entre áreas simbólicas e motoras do cérebro, é mais eficiente do que a letra de forma para ajudar a criança a adquirir fluência e escrever “em tempo real”. Ademais, a técnica estimula o cérebro, aumentando o número de sinapses e, consequentemente, sua capacidade.”, como afirma Hirmínia Dorigan de Matos Diniz, promotora de justiça em comunicado sobre educação ao Ministério Público.

Bom…sempre apresentei as letras cursivas primeiro e, quase que paralelamente, inúmeras outras fontes são apresentadas. Ao escrever solicito a cursiva e, em algum tempo, a criança passa a reconhecer todas e, como já tem treino suficiente, consegue traçá-las também sem nenhum problema.

E você? O que acha? Vamos conversar?

 

Cibele Scandelari

0-4 Anos, 5-10 Anos, Homeschooling, Materiais, Vídeos

Latim para Crianças: o material

Olá pessoal!

No post anterior eu trouxe uma dica bem legal de material para o trabalho da língua latina com as crianças. Hoje resolvi colocar aqui para vocês um vídeo para mostrar o que vem dentro desse material. Perdoem a cinegrafista amadora. Mas mãe homeschooler é assim mesmo: filmagem é quando as crianças foram dormir, quase de madrugada e se o cachorro não colaborar é o que temos…rsrsr. Para aqueles que se interessarem o link para a compra do material é https://go.hotmart.com/Y11596912W

Segue o vídeo!

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Um super abraço e bons estudos!

Cibele

5-10 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise Literária – O Príncipe Feliz

Oba! Mais uma Porção de Análise Literária Infanto-juvenil!  Abaixo, você encontra acesso ao podcast da Letícia, autora da Porção Semanal e, abaixo do link, o texto-base do podcast. Se vc quiser saber quais foram as outras análises, dê uma espiada nos links no final do texto.

O príncipe feliz – Oscar Wilde

Idade: 8 anos

Essa bela história de Oscar Wilde foi publicada no ano de 1888. Ao contrário do que nos indica o título, no início da história o príncipe é tudo, menos feliz. Nos diz que durante a sua vida habitava no palácio da tranqüilidade, e nunca percebeu quanto sofrimento havia além dos muros do palácio, pois achava que todos vivam muito bem, como ele. Depois, quando colocado como estátua no alto da cidade, era admirado por todos, que o consideravam muito feliz. Mas agora,com a vista que tinha, percebeu quanto sofrimento havia na sua cidade.

Primeiro, cada consideração das pessoas que passavam pelo príncipe são equivocadas. A mãe diz aos filhos: porque não são como ele, que não importuna ninguém? As crianças pensavam que ele era como os anjos… Mas na verdade ninguém percebia que ele não era feliz, justamente por não poder ao menos importunar os demais, como as crianças faziam. Muitas vezes nós interpretamos equivocadamente a conduta dos demais. Ninguém sabe por quais tipos de problemas cada pessoa está passando.

Mas o príncipe, colocado em um lugar com visão privilegiada, via além do que os demais enxergavam: via a costureira, que cansada do seu trabalho, com o filho doente, sem alimento para oferecer, era tida, durante um baile, pela dona da encomenda, de preguiçosa. Via o rapaz, que cansado e com fome, não conseguia terminar a peça de teatro que estava escrevendo. Via a menininha, que com fome e frio, não tinha vendido nada, e por isso seria repreendida pelos seus pais. Via crianças e mendigos passando fome e frio. E por isso, com a ajuda da Andorinha, o príncipe feliz consegue ajudar a todos que quer. Desmancha-se, por assim dizer. Doa tudo de si. Cada um ali contribuiu com o que podia: ele, com as pedras preciosas de sua espada e de seus olhos. A andorinha com o seu vôo, visto que o príncipe não podia sair do lugar.

Assim devemos ser: contribuir da forma como pudermos. Por maior que seja a dificuldade pela qual estejamos passando, normalmente alguém está sofrendo com um problema muito maior. A ajuda que podemos prestar aos demais pode ser financeira, ou pode ser apenas humana: uma conversa, um conselho, um ombro amigo… Que nós não tenhamos olhos estreitos, que vêem apenas suas necessidades mesquinhas. Que vejamos o quanto o próximo precisa de nós, como o príncipe, que realmente se tornou feliz ao doar-se por inteiro aos demais. Que como o príncipe, tenhamos olhares de águia. Que vê longe, tem olhar amplo. Mas que tenhamos a sutileza e a delicadeza da andorinha, que entregava os bens sem mostrar-se, visto que a caridade deve ser feita para ajudarmos aos demais, e não por simples vaidade. Que possamos ser exemplo para as nossas crianças.

Um abraço!

Letícia

VOCÊ PODE ENCONTRAR AS ANÁLISES ANTERIORES NOS LINKS ABAIXO:

A árvore generosa

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo

O Gigante Egoísta

Um conto de Natal

 

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Oportunidades educativas

 

CIÊNCIAS – O Ciclo da água

Para a Feira de Ciências deste ano, minha mais velha de 8 anos, escolheu apresentar sobre o ciclo hidrológico. Minha intenção aqui não é redigir um texto explicativo sobre o conteúdo, mas sim deixar registrado que, muitas vezes a curiosidade natural da criança pode atropelar nosso planejamento, vir numa hora pouco comum e, mesmo assim ser extremamente rica e criar marcas profundas na memória de todos na família, mesmo parecendo ser uma “bobeirinha”.

Eu havia planejado, para 2018, um estudo tranquilo, lento para ciências, pois dou mais ênfase para linguagem e matemática. O estudo giraria em torno do corpo humano. Poucas coisas de cada vez. No entanto, em um domingo de sol, minhas filhas resolveram me bombardear de perguntas sobre o vapor, sobre o gelo, sobre a água. Pensei, por um instante: domiiingo!! O instante passou e lá fui eu começar a explicar sobre o ciclo da água. Aproveitei as panelas no fogão, o gelo que ia para o suco, o dia quente com algumas roupas no varal e…voilá! Trabalhamos o conteúdo do Ciclo Hidrológico inteirinho. Inclusive fizemos algumas experiências como quanto tempo leva para uma quantidade X de água congelar? E derreter ao sol? E evaporar ao sol? Elas viram a água começar a entrar em ebulição e fizemos a experiência da sublimação (estado sólido para gasoso). Sempre com cuidado.

No dia seguinte, entreguei uma sequência lógica do ciclo para que pintassem e colocassem em ordem. A mais velha teve que escrever as etapas após colá-las.

Quando a feira se aproximou, era sobre isso que ela gostaria de falar. Sobre o domingo que passou junto da mãe e da irmã, fazendo experiências, dando risadas, criando hipóteses. Não podemos subestimar o valor das estreitas relações familiares e da alegria como base para o aprendizado.

Quando voltamos a revisar o assunto para a sua apresentação, Maria tinha guardadas em sua memória todas as etapas. Isso possibilitou que eu trabalhasse outros fatores para a apresentação como impostação da voz, volume, postura, sequência, desinibição, auto controle, confiança.

Não deixe de aproveitar momentos do seu dia a dia ótimos para ensinar e aprender só pelo fato do conteúdo não ter sido escrito em seu planner ou ser domingo…férias…aniversário…se jogue! Curta o momento, dê risada. Faça tudo isso de maneira leve, recheada de intenção educativa e você terá criado, muito provavelmente, uma memória de infância e, de quebra seus filhos terão aprendido, de maneira extremamente significativa um conteúdo formal curricular.  Assim se deu conosco e, espero que possamos passar por mais domingos como aquele.

Um abraço!

Cibele