FAQ, Homeschooling

Homeschooling? Você é irresponsável e vai alienar seu filho!

Não é difícil encontrar famílias que são homeschoolers ou que estão decidindo por começar a prática, relatarem este tipo de acusação: que são irresponsáveis, que os filhos serão alienados, etc. Comigo já aconteceu de dizerem que eu deveria ser presa. Vejam, minhas filhas são crianças alegres, sociáveis, bem tratadas, curiosas, aprenderam a ler antes da maioria das crianças no Brasil porque demonstraram o interesse e encontraram apoio e carinho em mim e em seu pai para que isso e outros ganhos intelectuais acontecessem e, sem saber realmente do que se trata a educação domiciliar, sem me conhecer direito a pessoa disse, em uma festa de aniversário, para outras pessoas que eu deveria ser presa.

Vivemos uma época na qual todos acham que sabem de tudo. Todos são especialistas em tudo. Nesta época, é necessário saber que nossa caridade e paciência devem ser um pouco maior para fazer com que todos, inclusive nós mesmos, compreendamos que não sabemos tudo.

É importante salientar que, na maioria das vezes, as pessoas que acusam pais homeschoolers (ou aqueles que vão começar) de irresponsáveis, não o fazem por maldade. São pessoas que, como todos, cresceram e se tornaram adultos em uma sociedade que entoa o chavão de “lugar de criança é na escola”.  Realmente acreditam que isso é o melhor para toda e qualquer criança. Não conhecem a possibilidade ímpar, excelente que a educação familiar pode proporcionar a uma criança. Trocando em miúdos, quem acusa, realmente está preocupado(a) com o bem estar das crianças.

Neste panorama, acredito ser importante ter paciência e caridade. Paciência porque são muitos anos de uma crença extremamente enraizada na cabeça das pessoas. Para elas a escola é o ÚNICO lugar onde uma criança pode aprender e socializar. Caridade porque muitas vezes teremos que escolher as palavras certas, que toquem o coração e a razão da pessoa, para que ela, no mínimo compreenda que existem outros meios de ensino e que os pais tem o direito de escolha. Com um pouco de sorte, esforço e boa vontade, talvez consigamos ganhar mais um simpatizante.

Para quem acha que os pais são irresponsáveis ao pensar ou ao tirar os filhos da escola, com muito pesar eu falaria sobre a realidade do ensino brasileiro. Irresponsabilidade é achar que ao adentrar os portões da escola a criança está segura. Sei de escola de ensino fundamental, na região metropolitana de Curitiba, que recebe a “visita” da polícia com uma regularidade inquietante. Fora a questão da segurança física, eu também tentaria debater sobre a qualidade do ensino em si. O Brasil é um dos últimos colocados, há anos, nos principais rankings de avaliação educacional no mundo. Os motivos são variados: condições precárias em sala de aula, turmas lotadas, metodologias ruins ou inventadas com fins políticos e não com fim a fazer com que o aluno adquira aquele conhecimento, problemas familiares que desembocam em sala de aula, etc.

Segundo  a National Home Education Research Institute, entidade americana que vem estudando a educação domiciliar nos Estados Unidos, “Jovens educados em casa tem obtido 15 a 30% mais pontos do que jovens que estudaram na rede pública de ensino dos Estados Unidos, conforme verificado em ‘achievement  tests’. Um estudo publicado em 2015 verificou que crianças negras que receberam ensino domiciliar tiveram pontuação nas provas 23 a 42% maior do que crianças negras que estudaram em escolas públicas (Ray, 2015); o estudo mostra também que os estudantes tem demonstrado pontuação acima da média independente do grau de escolaridade ou faixa de renda dos pais, que são seus professores/tutores na educação domiciliar”.  http://www.nheri.org/research/research-facts-on-homeschooling.html

Os estudos ainda não são conclusivos, mas demonstram as grandes possibilidades dentro da prática e vão mostrando que as famílias não tem nada de irresponsáveis.

Mas você pode me dizer: “Ok… as famílias não são irresponsáveis…mas que vão alienar os filhos, ah! Isso vão! Não tem como uma criança ter contato com o “diferente”, com outras formas de pensar se ficar em casa só com os pais! Vai se tornar um intolerante!” Bom, sobre isso você pode ler mais no texto “Homeschooling? Você vai alienar seu filho!” e deixo aqui a sincera intenção de fazer com que consigamos, pela força de argumentos baseados em fatos, trazer novas luzes para o entendimento daqueles que conosco convivem.

O que você acha sobre isso? Vamos conversar?

Cibele

Áreas do Conhecimento, FAQ, Homeschooling, Matemática, Materiais, Vídeos

Saxon: conheça o material por dentro.

Há um tempo atrás, pensei que seria interessante mostrar o material da Saxon em vídeo pois, para muitas famílias, conhecer o material por dentro seria algo difícil. Pessoalmente, escolhi depois de ter tido contato “ao vivo”, através de uma querida amiga que já havia comprado para os filhos. Por isso, resolvi gravar este vídeo. Já aviso que a gravação foi bem caseira e que se não fosse naquele momento, talvez eu não gravasse mais…rsrsrs. Meu ego diz: “Grave outro, num ângulo mais favorável…” e minha razão diz “Vai esse! Trabalha tua humildade e você tenta melhorar para os próximos!”. Então é isso! Resolvi postar assim mesmo.

A Saxon é a escolha da maioria das famílias homeschoolers americanas e é um dos materiais indicados para o estudo da matemática no livro The Well Trained Mind, da Susan Wise Bauer. Espero mesmo que ajude muitos pais a decidirem qual o melhor material e abordagem a ser escolhida para a suas famílias, de acordo com as suas realidades.

Caso você não tenha lido, o link do texto SAXON MATH, poderá encontrar algumas outras considerações sobre o material que não estão contempladas no vídeo.

Segue o vídeo!!

FAQ, Homeschooling

Homeschooling, homeschool ou homeschooler? Qual o certo?

Estudei inglês por muitos anos, mas estou bem longe de ser expert no assunto. Compreendo bem diversos textos, diálogos em filmes, mas muitas expressões podem me confundir. Isso começou a acontecer com 3 expressões muito usadas por quem pratica a educação domiciliar. Achei estranho o uso de algumas delas em determinadas situações, no entanto, como disse, eu poderia estar bem equivocada.

O tempo passou e fui percebendo que as famílias que educam em casa passam, invariavelmente, uma hora ou outra pelo crivo avaliativo das pessoas, estejam elas aptas a fazê-lo ou não. Não devemos, objetivamente, explicações a ninguém a respeito do que se passa em nosso lar. No entanto, comecei a refletir que apesar disso, seria interessante que aqueles que não praticam essa modalidade de ensino tenham cada vez menos oportunidades para achar que os pais não podem educar seus próprios filhos e isso passa também por questões pequenas, como o uso correto de expressões estrangeiras.

Com o aumento das vias comunicativas, o comércio e tantos outros meios, é natural que as línguas sofram apropriações de expressões e palavras alheias ao nosso vocabulário. Como os Estados Unidos são um dos países com o maior número de crianças educadas pela família, é normal que as palavras que designam a prática venham de lá e sejam incorporadas no dia-a-dia de quem pratica aqui.

Levando em consideração o fato de eu não ser expert, como disse logo acima, entrei em contato com uma queridíssima mãe homeschOOLER brasileira, Mariana Belmonte, que mora há muitos anos nos Estados Unidos e que tem contato com muitas outras mães praticantes de homeschoolING. Os destaques nessa última frase são propositais.

Perguntei a ela a respeito do uso correto dos termos HOMESCHOOLING, HOMESCHOOL E HOMESCHOOLER.  Expliquei que tenho ouvido as pessoas usando o termo homeschool para dizer “pratico homeschool”, mas também usam o outro termo e dizem “pratico homeschooling”. Os dois estariam certos?

Para esta questão,  ela explicou que “Homeschool (nos EUA) é usado como verbo”. Por exemplo, na frase “Eu educo meus filhos em casa” ao passá-la para o inglês ficaria “I homeschool my children”.  Outro exemplo dado foi com a frase “Este ano vou educar em casa” que ficaria assim: “This year I will homeschool”. Sendo assim, torna-se difícil usar o termo em português, pois não estaria correto dizer “Vou fazer homeschool”, seria como dizer “Vou fazer educação em casa”, ou “Faço homeschool”, pois nunca diríamos “Faço educação em casa”. Neste caso, o mais correto seria dizer “Vou fazer homeschooling” ou “Faço/pratico homeschooling”, pois esse último termo é tido como substantivo (apesar do ING ao final comumente usado em verbos).

Outra frase muito utilizada é a seguinte: “Sou uma mãe homeschooling” ou “Somos pais/família/grupo homeschooling”. O emprego do termo, nestes exemplos está muito errado. Neste caso, o termo correto a ser empregado é HOMESCHOOLER. Homeschooler é quem faz homeschooling. O -er no final da palavra designa quem faz a ação. Assim, por exemplo, enquanto  work é trabalho e workER é trabalhador. As frases acima ficariam corretas se faladas da seguinte maneira: “Sou uma mãe homeschoolER”, “Somos uma família/ grupo/ pais homeschoolERS”.

Por hoje é isso pessoas! 

 

Um abraço a todo os homeschoolers…aqueles que praticam…homeschooling! 🙂

Cibele

 

 

 

 

FAQ, Homeschooling

Homeschooling, homeschooling parcial e Afterschooling, qual a diferença?

A existência da prática da educação domiciliar no Brasil é recente. Não é difícil encontrar pessoas que nunca ouviram falar, ou que pensam que isso é coisa de filme americano. Eu mesma achava que era algo vivido nos filmes. Como assim, uma vida sem o sinal do recreio?? Esse desconhecimento é ainda maior quando entramos nas variáveis que orbitam essa modalidade educativa. O presente texto visa expor, em poucas palavras o que significa cada uma dessas expressões e, quem sabe, instigar alguma família a estudar a possibilidade de mergulhar em uma delas.

Vamos lá!

Homeschooling, pode ser traduzido, de forma livre, como Educação Domiciliar. Dizemos domiciliar, mas isso não significa que aconteça apenas dentro de casa. Quem pratica o homeschooling de maneira integral, tem seus filhos fora da escola e assume a responsabilidade de toda a educação dos mesmos, incluindo os conteúdos normalmente trabalhados em sala de aula. Nesta realidade, os pais são os professores e/ou tutores contratados pela família. Neste estilo de vida as crianças não estão matriculadas em instituição de ensino alguma. Seu aprendizado se dá de forma quase individualizada, extremamente personalizada e com chances de ser feito nos mais diferentes ambientes (museus, parques, laboratórios, em casa, em viagens, etc).

O homeschooling parcial, no Brasil, passou a ser entendido como a prática do acompanhamento dos pais após o horário das aulas. No entanto, nos países onde a prática já possui mais anos e já conta com regulamentação específica, o homeschooling parcial é a prática onde os pais matriculam seus filhos numa escola apenas um ou outra disciplina. Algumas famílias desejam que seus filhos frequentem a escola apenas para as aulas de Educação física e matemática, por exemplo, enquanto os demais conteúdos são ministrados em casa. Por enquanto, no Brasil essa modalidade ainda não é possível, pois a regulamentação ainda não foi definida. Esperamos que logo o Congresso vote a lei sobre o assunto e, esperamos que essa seja uma das possibilidades contempladas, pois suas características podem ajudar inúmeras famílias.

A última expressão é o afterschooling. Esta é a realidade contemplada pela maioria das famílias que estão presentes, algumas vezes de maneiras heróicas, na vida escolar de seus filhos. Mesmo com jornadas de trabalhos cansativas e horários apertados conseguem acompanhar as tarefas de casa, sabem quais os conteúdos que seus filhos possuem mais dificuldades e tentam encontrar meios de ajudá-los, promovem meios de crescimento de autonomia, incentivam a leitura, etc. Algumas famílias incrementam ainda mais o afterschooling e propõe atividades que vão além do que a escola realiza, neste caso, ao meu ver, é necessário ter um pouco de cuidado para não sobrecarregar a criança. NESTE artigo iniciamos as dicas pra quem pratica afterchooling.

Aí está. Espero que este texto tenha ajudado você a compreender um pouco sobre homeschooling e a se situar onde sua família está e onde você gostaria que ela estivesse.

Um abraço!

Cibele

FAQ, Homeschooling, Sem categoria

Pretende praticar homeschooling até quando?

Sempre que me perguntam isso, sinto uma forte vontade de responder: “Para sempre! Os netos inclusive!”. Então, meu anjo da guarda me lembra que quem me pergunta pode não fazer a menor ideia de tudo o que envolve o estilo de vida homeschooler e posso parecer, no mínimo, uma extremista desconectada da vida real e que cria os filhos afastados da diversidade proporcionada pelo mundo. Então, me seguro e respondo com um pouco mais de prudência.

Não tenho bola de cristal. O mundo muda bastante e muito rápido. Sendo assim, minha resposta é baseada no que minha família vive hoje e no testemunho que tenho de outras famílias amigas que admiro muito. Com base nessa vivência, acredito que os benefícios encontrados no estilo de vida homeschooler são tantos e tão profundos que não consigo imaginar um bom motivo para voltar para sala de aula, a não ser que no país a prática fosse criminalizada. Se essa possibilidade se tornasse realidade, devido ao que isso representa para a família e para o exercício do pátrio poder dos pais com relação aos filhos, eu colocaria todos os meus esforços para ir embora para um país que respeitasse meu direito sobre a educação dos meus filhos. Sem sombra de dúvida. Não posso dizer que conseguiria, mas tentaria com tudo o que estivesse ao meu alcance.

O homeschooling proporcionou à minha família uma aproximação real e palpável, nos tornamos reais protagonistas da educação de nossas filhas (e não apenas com relação aos conteúdos ditos formais, mas principalmente com relação ao desenvolvimento da integralidade de cada filha), a profundidade do aprendizado aumentou, a educação tornou-se muito mais personalizada, mais direcionada às suas inclinações e pré disposições, as dificuldades de cada menina pôde ser acompanhada no seu ritmo e sanada de forma gradual e respeitosa. Passamos a nos conhecer mais. Passamos a querer melhorar mais uns pelos outros. Isso pode acontecer com uma família escolarizada? Creio que sim, mas nem tudo nessa intensidade. Falo isso por ter vindo de uma família escolarizada e por ter sido professora por muitos anos. Sim. O homeschooling é muito bom. Vejam, apesar de não ser algo impossível, não estou dizendo que é fácil. Neste artigo, explico os motivos que fizeram com que escolhêssemos o homeschooling para nossa família: “Por quê escolhi o homeschooling?“.

Dito tudo isso e por causa dessas questões, volto a afirmar que, se depender de mim, de acordo com a experiência vivida até aqui, minhas filhas serão homeschoolers, no mínimo até o final do Ensino Médio. Se eu encontrar alguma dificuldade com algum assunto ou conteúdo, contrataremos tutores para nos auxiliar, cursos específicos, contaremos com a ajuda de amigos queridos. 

A sala da minha casa, o passeio no parque recheado de amor e intensão educativa, a feira de ciências tão carinhosamente organizada são exemplos tão, tão ricos que mesmo que se a melhor escola estivesse de frente à minha casa, não colocaria minhas filhas de volta numa sala de aula. Vivo hoje uma qualidade de vida que a rotina escolar não pode proporcionar. Só terei a infância delas uma vez e nunca mais. Por isso escolho o caminho estreito da vida homeschooler.