Família, Maternidade, Virtudes

Como educar a vontade? Parte 1

Como formar a (boa)  vontade nas crianças pequenas – Parte 1: O BELO

Certa vez, eu conversava com uma mãe a respeito do desenvolvimento de nossos filhos em um âmbito integral. Minha intenção era destacar a importância de olharmos o todo e darmos o devido valor para todas as partes que compõe o ser humano. Entretanto, minha interlocutora estava muito preocupada com o desenvolvimento intelectual de suas crianças. Segundo ela, o bom desenvolvimento da parte intelectual era a coisa mais importante do processo educativo de uma pessoa. Explico nas linhas que virão o porquê não concordo com ela.

O ser humano é dotado de uma capacidade pensante capaz de conhecer o que o rodeia, pensar sobre essa realidade e propor mudanças segundo objetivos específicos. Uma capacidade extraordinária e de extrema importância. No entanto, mesmo dotado de uma profunda inteligência esse mesmo ser humano, se não quiser, não fará aquilo que seu intelecto lhe mostra como certo. É necessário, desde a mais tenra idade, que sejamos ensinados a querer sermos donos de atos valorosos. E nesse caminho por ensinar, desenvolver a vontade dos filhos, teremos que ensinar-lhes também a distinguir o que é realmente bom daquilo que pode até parecer, mas não é.

Distinguir o que é bom daquilo que não é depende, em grande parte, dos valores adquiridos no seio familiar. As virtudes conquistadas no meio da família balizam o caminho pessoal de cada um a uns objetivos mais ou menos nobres.

Acredito que o primeiro passo para uma eficaz educação da vontade, que desemboque em alguém que “queira querer” o bem, é que esta pessoa esteja em contato, desde cedo, com coisas boas, com o belo, com a harmonia, com as oportunidades de realizar bons atos e vivenciar tanto a luta por tê-los colocado em prática quanto a realização advinda dos mesmos.

Mesmo que estejamos vivenciando uma época na qual as coisas estão de cabeça para baixo, acredito que ainda saibamos diferenciar o que é belo. Mesmo que estejamos de acordo que este seja um conceito que possa variar de pessoa para pessoa, existem coisas intrinsecamente belas e é natural que o olhar humano seja “puxado” para elas. As belas paisagens dos destinos turísticos mais visitados, as histórias de grandes vidas ou o esforço de certas pessoas em agir retamente mesmo quando tudo ao seu redor torna aquele ato impensável. 

Em “Irmãos Karamazov”, (meu marido me contou, com vergonha assumo que ainda não li) Dostoievski afirma que “a beleza salvará o mundo”.  Estaria o escritor a referir-se apenas à beleza estética material?  Exatamente sobre esse assunto, outro russo,  Alexander Soljenítsin (1918–2008), citado por Alderi Souza de Matos, diz que a beleza possui uma qualidade especial. “Quando verdadeira, subjuga, conquista. A beleza real está cheia da verdade a ponto de se confundirem e serem pólo de atração. Em meio a uma realidade de desumanização da pessoa humana, a apresentação do belo pode exercer um papel redentor, resgatando as possibilidades intrínsecas humanas, mas que exigem empenho.”

Mas em que sentido o belo poderia salvar o mundo? Deixo aqui um trecho do artigo escrito pelo Professor Alderi Souza de Matos:  Alguns, tendo renunciado à fé, entendem que só o belo, o estético, o artístico, o poético, o lúdico, o prazeroso pode dar algum significado à vida, algum senso de transcendência para o ser humano. Não querendo se entregar ao cinismo e à incredulidade fria, procuram consolo na poesia, na literatura, na música, nas artes plásticas, nas artes dramáticas e em outras experiências sensoriais e estéticas. Essa postura caracteriza boa parte da cultura moderna, embora muitos iconoclastas nem isso aceitem mais. Outros entendem essa expressão em termos da beleza do amor, da generosidade, da solidariedade, ou então a beleza de uma causa nobre, de um ideal pelo qual valeria a pena viver e morrer.”

Pensando nisso, acredito que para educarmos a vontade em nossos filhos uma das coisas que devemos nos preocupar, é fornecer material nobre para a formação de seu imaginário (boas histórias, bons livros, música de qualidade, brinquedos que provoquem a criatividade), contato com a natureza como fonte primária de beleza e deslumbramento pela vida, oportunidades para a observação de detalhes em obras de arte, etc, oportunidades de terem contato com atos nobres. Esse contato com o belo promoverá um campo interno de referências. As boas lembranças poderão fazer parte do repertório da pessoa ao agir para construir sua vida. Mesmo que, no decorrer dos dias, eventos ruins venham a fazer parte do seu viver, ainda sim ela terá a possibilidade de recorrer às sensações boas vindas com o contato com a beleza e o seu movimento interno e externo em promover alterações no seu entorno  podem ter como base essas vivências.

No entanto, deixo claro: o contato com o belo é apenas 1 das coisas a serem feitas na busca pelo “querer querer”, pela boa vontade. Pois se apenas bastasse o contato não teríamos registros de grandes reis que viveram rodeados de beleza estética ao longo da vida e mesmo assim agiram de forma assassina ou, no mínimo grotesca.  Por isso, continuaremos com o tema nos artigos que virão. A segunda parte do tema “Como formar a boa vontade nas crianças pequenas” encontra-se NESTE link. Enjoy!

 

Cibele Scandelari

O trecho citado encontra-se neste link, retirado do blog Ultimato.

Família, Maternidade, Virtudes

A intenção dos pais – parte 1

É comum passar pelos pensamentos de pais e mães que seus filhos serão adultos bem sucedidos, confiantes, honestos, autônomos e por aí vai. No palco da nossa imaginação, os medos até podem aparecer mas, como nos tradicionais filmes de Hollywood, as grandes virtudes de nossos pequenos heróis, os protagonistas desse filme criado pela nossa imaginação, sempre vencem. Mas é assim que acontece? Sempre? Os pequenos alcançam  o ponto alto de suas capacidades assim? Sem ajuda, sem exemplos, sem um norte para onde poder olhar? Essa pergunta pode parecer ingênua, pois é claro que qualquer pai ou mãe responderia que é óbvio que as crianças não aprendem a fazer tudo sozinhas. Porém, poucos pais param para refletir sobre o que eles realmente estão fazendo para que aquele filme que passa em suas imaginações entre em cartaz e seja um sucesso de bilheteria.

 No atropelo do dia a dia, muitas famílias acabam sendo engolidas. E, sem querer, muitos pais acabam relegando o futuro de seus filhos à sorte dos acontecimentos. Para uma criança vir a ser uma pessoa completa muita coisa deverá acontecer.

Mas…somos homeschoolers. Não estamos delegando a educação de nossos filhos a ninguém! Bom, aqui eu me incluo. Sim, assumimos corajosamente tudo. Alguns com mais aceitação e facilidades que outros. No entanto, me peguei a pensar o quanto de preocupação eu estava destinando aos “conteúdos” e o quanto eu estava destinando aos outros elementos que irão constituir minhas filhas de maneira integral. Por exemplo, estou muito concentrada em que aprendam matemática, mas estou dando atenção à preguiça que subitamente aparece nesses momentos? Quais são os fatos que levam a preguiça aparecer? Qual é o movimento interno da criança contra isso e como eu ajudo? Nossos heróis vão precisar dos conteúdos sim…mas deverão saber como bem usá-los. Estamos atentos ao bom desenvolvimento das outras áreas de sua integralidade? Estamos interessados na construção de sua auto estima? Lei sobre a auto estima AQUI.

Mas como que esse atropelo acontece?

Ele vem, sorrateiro, e se apodera da nossa vida. Outras vezes vem atropelando tudo mesmo. Independente de como ele comece, a verdade é que se deixarmos, tomará conta daquilo que realmente importa na vida: os relacionamentos entre nós e nossos cônjuges, filhos, amigos. Muitas vezes acabamos percebendo meio tarde que o preço cobrado pelo nosso estilo de vida, na verdade é muito mais alto do que havíamos pensado inicialmente.

Sim. Esse atropelo vem de acordo com o estilo de vida que escolhemos para nós e para nossa família. Vem com aquilo que damos valor dentro desse estilo de vida. Mesmo dentro do homeschooling. Se, dentro desse estilo,  a aprendizagem tomar proporções que fogem da sua real importância, outras áreas poderão ser negligenciadas como, por exemplo, o desenvolvimento de determinadas virtudes. Teremos, então, um garotão craque em matemática, mas que só come arroz branco. Neste exemplo, a falta da fortaleza em enfrentar pequenos desafios pode tornar-se um traço de suas ações ao longo da vida. Ajudar os filhos nesse tipo de coisa é tão importante quanto o conteúdo descrito em algum planejamento. Digo mais: o mundo hoje está cheio de gente que domina determinadas disciplinas e desconhece completamente o autodomínio, a lealdade, a força de vontade, etc.  

Insisto neste tema da intenção educativa, pois vivemos num mundo onde tudo está de ponta cabeça e não é difícil que percamos algumas vezes o norte de nossos objetivos. Nascemos e crescemos numa sociedade de homens light que acham que os outros devem algo a eles e com uma incapacidade de se superar pelos demais. Daí a necessidade de refletir sobre a educação dos filhos sob o prisma da integralidade da pessoa. Isso dá mais trabalho…ensinar algumas disciplinas é muito mais fácil que cuidar de tudo o que diz respeito ao desenvolvimento da pessoa humana. É mais difícil porque requer constante melhora nossa. Pessoal. Somos exemplo e, como diz o ditado: o exemplo arrasta. A presença de pais conscientes faz toda a diferença. Sobre o papel do PAI consciente, você pode ler NESTE artigo.

Continuemos a pensar sobre o blockbuster que pode vir a ser  a vida de nossos filhos no próximo texto “Intenção dos pais – parte 2”.

 

Cibele Scandelari

Família, Virtudes

A educação da virtude da ordem

Um belo dia você chega em casa, dirige-se ao quarto do seu filho adolescente e, ao abrir a porta, olhando com cansaço visível para a bagunça generalizada, pensa como pode que alguém consiga pensar no meio de tudo aquilo. Se vc pudesse entrar numa máquina do tempo, com a cura para aquele quarto, onde até a cueca foi parar em cima do armário, você entraria na mesma hora.

Uma parte de você entraria na máquina porque aquela zona incontrolável te irrita até o último fio de cabelo. Mas, algo te diz, que o verdadeiro motivo para querer voltar no tempo e impedir que seu filho cresça achando que a desordem é um “modus operandi” aceitável, é algo muito mais profundo. Mesmo que não tenha certeza do que.

A boa, ótima notícia é que seu filho não é adolescente! Você tem filhos pequenos! Então aproveite esta oportunidade única, na qual não precisa que a máquina do tempo tenha sido inventada. A melhor idade para desenvolver numa pessoa uma disposição oportuna à ordem é a primeira infância. Após essa fase, você pode vir a ter alguns sucessos, mas nada que possa ser comparado aos profundos resultados de uma intenção educativa de qualidade, realizada pelos pais até os 6 anos. Quanto antes começar melhor!

Veja, é importante salientar aqui que o que se busca não é a ordem como fim em si mesma. O que seria algo muito ruim. David Isaacs, em seu livro ‘La Educación de las Virtudes Humanas’, afirma que , “O desenvolvimento da ordem nunca deve alcançar o limite no qual não cabe a vida espontânea de amor. Não se trata de estruturar a vida em todos os aspectos e sim estabelecer o mínimo para poder perseguir uns objetivos de muito valor”. Ter um mínimo de ordem é um caminho na vida para se alcançar algo de valor maior que a ordem em si. Por exemplo, coloco as chaves do carro no lugar não porque encasquetei que elas devam estar ali, mas sim porque da próxima vez que sair, não me atrasarei porque tive que revirar a casa procurando-as.

Educar os filhos na ordem não pode ser visto como algo de mania dos pais. É, por outro lado um serviço que lhes prestamos. Damos a eles mais uma ferramenta para viver a vida de maneira mais completa e feliz.

Porém, como realizar esse processo educativo de maneira que realmente não seja por mania, que a ordem não seja um fim em si mesma, que os filhos passem, aos poucos a perceber os fins, os motivos de se esforçar por ser ordeiro?

Bom, o primeiro passo é começar o quanto antes. Existem, na primeira infância os chamados Períodos sensitivos. Que são períodos nos quais o ser humano está pré-disposto a desenvolver uma ou outra aptidão/habilidade. Se bem aproveitados, estes períodos podem proporcionar um grande salto na qualidade do desenvolvimento da criança.

O período Sensitivo da Ordem acontece com maior freqüência, com variações de intensidade de criança para criança, na primeira infância. Maior ênfase para o tempo que vai dos 1,5 anos até 3,5. anos. Nesta fase é possível presenciar crianças arrumando a ponta do tapete ou a franja do mesmo que ficou virada, incomodada em sentar num lugar que possui farelo de pão, arrumar os carrinhos um ao lado do outro, etc. É uma pré disposição apresentada. Se, no entanto a criança aparentemente, não apresenta essas atitudes ou outras semelhantes, isso não quer dizer que vá ser um adulto desorganizado, que não tenha o período sensitivo, que não possa ser ensinada. Apenas tem uma forma peculiar de passar pelo momento. Se bem orientada desenvolverá apreço por ambientes com um mínimo de ordem e isso não será um fardo para sua vida.

Para viver a ordem em casa e ajudar os filhos a bem desenvolvê-la é necessário vivê-la com prudência, ou seja, ter cuidado com a intensidade e os motivos. Ou seja, deve estar a serviço da família e de seus membros, da felicidade dos mesmos.

Alguns pais podem achar que nunca poderão ajudar seus filhos na ordem pelo fato deles mesmos terem sérias dificuldades nessa área. Porém, isso não é bem assim. O exemplo de luta para se superar ajuda os filhos no processo educativo. Por outro lado se os pais já são ordenados, podem apresentar certa dificuldade em compreender como seu cônjuge e/ou seus filhos não são. Nesta questão é importante esclarecer que devemos lembrar que todos somos diferentes. Os pais devem aceitar os filhos como são e ajudar-lhes a melhorar. Estimular a luta na superação.

Os exemplos de luta na ordem sempre surtirão maiores efeitos na medida que os pimpolhos compreenderem os reais motivos dos esforços. É importante que aquilo que os pais lhe peçam faça sentido para a criança. Guardar os brinquedos no lugar para poder encontrá-los mais tarde, para que não se percam, para que ninguém acabe quebrando, para que o ambiente fique agradável após a brincadeira, são alguns exemplos bons que crianças da primeira infância podem compreender.

A ideia não é tornar a casa um quartel nem um museu. Mas desenvolver um hábito que ajude a tornar a vida cada vez mais agradável e feliz, cada um com seu estilo pessoal, respeitando os demais e sendo-lhes útil também.

Para desenvolver a ordem 3 importantes dicas se fazem presentes: deixar muito claro para a criança onde, quando e como deve fazer as coisas. E estas devem estar adequadas à sua faixa etária. Exemplo: Onde colocar os sapatos? Resposta: na sapateira. Quando: sempre que chegar de um passeio. Como: um ao lado do outro e não jogado.

Faz parte da educação na virtude da ordem o manejo do tempo. Para as crianças pequenas esta questão encontra-se, principalmente, no cumprimento de sua rotina: a hora do banho, da alimentação, do sono. A ordem de sua rotina passa-lhe segurança para desenvolver outras questões.

Algumas  para começar:

* escolher uma ou duas coisas e o lugar para as mesmas e combinar que sempre após o uso elas devem ser guardadas da mesma maneira. Cobrar, com muito carinho, o cumprimento desse combinado. Para que desenvolva o hábito, a criança deverá ser lembrada do mesmo muitas e muitas vezes.

* combinar o que fazer com os calçados quando chegar em casa, onde colocar a roupa suja, etc.

* Estabelecer uma rotina e seguí-la todos os dias.

Uma boa sorte a todos! Aos organizados e aos bagunceiros também!

Cibele Scandelari

 

Família, Maternidade, Virtudes

Educar de maneira positiva – Parte 2

Na primeira parte (Educar de maneira positiva – parte 1) da nossa reflexão sobre a educação positiva, falamos um pouco sobre a proliferação dos “nãos”. Agora, falaremos um pouco sobre a forma de agir dos pais. A atuação paterna/materna em uma família, seja ela homeschooler ou não, que seja consciente e não gere medo, insegurança, requer tempo, paciência, reflexão e conhecimento.Tempo porque consumirá mais segundos que apenas dizer “não”, obviamente, mas também porque para atuar adequadamente, os pais necessitarão conhecer seus filhos e dificilmente os conhecerão se não investirem tempo COM eles. Paciência porque crianças são insistentes, curiosas. Reflexão para encontrar as maneiras adequadas de mostrar, de acordo com a idade da criança uma alternativa melhor que aquela que ela deseja. Conhecimento do período no qual a criança está inserida, da sua realidade, do seu temperamento.

Educar de maneira positiva também não significa achar ingenuamente que tudo que a criança faz é digno de aplausos. A criança necessita do incentivo sim, mas quando comete algum erro necessita ter a sua atuação retificada com a firmeza e o carinho necessários.

                Mas, afinal, como posso educar positivamente?

De antemão é necessário deixar claro que o casal deve estar de acordo nos diferentes quesitos e situações que compõe a vivência da criança. A falta de sintonia dos pais desorienta os pequenos e os deixam inseguros. É um bom criadouro para a desobediência. Mais tarde, aproveitarão essas brechas para atuar da maneira que lhes aprouver, mesmo que não seja a mais adequada e os levem, invariavelmente a sofrer más conseqüências.

Estando os pais de acordo e cuidando para que sua comunicação de casal seja algo vivo, a atuação com os filhos torna-se mais positiva e mais fluida, uma vez que um encontra apoio no outro.

Algumas dicas práticas. Quando a criança quiser fazer algo que não pode, apresente uma alternativa melhor. Um bebê quer pegar algo inadequado? Ao invés de apenas tirar de sua mão, mostre como auma outra coisa pode ser interessante. Evitemos os choros. Outro bom exemplo, o fatídico desenho na parede. Quase toda família tem um Picasso em casa… Na maioria das casas esse não é um hábito incentivado e querido pelos adultos. Em resumo, a criança NÃO pode desenhar. Então o que fazer? Como ser positivo nessa situação? O desenho em si não é uma coisa ruim. Faz parte do desenvolvimento normal da criança e nosso objetivo não é fazer com que ache que ele não é algo bom. Sendo assim, devemos mostrar-lhe que existem lugares adequados para que faça suas obras de arte. Ao invés de dizer o sonoro “Nããão!! Você sujou toda a parede!” (Até porque, para a criança, aquilo não é sujeira, é algo que ela acredita ser bonito, que foi ela que conseguiu fazer), podemos dizer “Gostei do seu desenho. Ele é lindo! Mas estou triste que não poderei guardar. Você pode desenhar no papel e assim poderemos guardar todos!”. Dessa maneira valorizamos a criança e sua habilidade e deixamos claro a maneira que ela pode atuar. Da próxima vez dizemos apenas: “Fulaninho… onde devemos/podemos desenhar?” E ajudamos a criança a lembrar do combinado. Importante: ao cumprir com o combinado a criança deve ser elogiada. Isso reforça seu sentimento de confiança em si mesma e percebe que ganha atenção quando faz coisas boas. Se ela insistir deve saber, de antemão, a consequência de seu ato. Uma das consequências deve ser limpar o que fez. Não há mal no fato de algumas crianças gostarem de limpar suas artes (o que irrita alguns pais), mas uma forma pode ser que a limpeza aconteça no momento em que a criança brincaria de outra coisa.

Outra dica importante para uma educação positiva é não aceitar nenhuma chantagem. Não importa quão pequeno seja o filho ou quão ínfima seja a chantagem. Ceder à chantagem é abrir mão da autoridade de pais. E isso fará muita falta, num futuro não muito distante. 

Para evitar os “nãos”, habitue-se a: responder de maneira concreta (seja específico(a) no que a criança deve fazer), motivar, dar bons exemplos de atuação, ensine a criança a expressar o que está sentindo (dê nome aos sentimentos), valorize não apenas o resultado do que a criança faz, mas também o seu esforço em fazer, pedir pequenas ajudas e valorizá-las, evitar comparações com irmãos principalmente, combinar de antemão o que acontecerá nas situações que seguirão e o que se espera de maneira concreta, por exemplo: “Entraremos no mercado e vamos comprar X coisas. Você consegue me ajudar a carregar algumas coisas? Hoje você não poderá escolher algo. Mas quando chegarmos em casa poderemos brincar de…”, dizer apenas “espero que se comporte”, é muito vago para crianças pequenas).

Vamos lá! Vamos mostrar o lado belo e positivo da vida! Nossos anjinhos merecem! 

Até mais!!

Cibele Scandelari

 

Família, Maternidade, Virtudes

Educar de maneira positiva – Parte 1

Já ouvi algumas vezes que, algumas crianças antes de aprenderem qualquer outra palavra, acabam, para tortura das mães, a pronunciar em alto e bom tom o “não”. Outras, se não o pronunciam mostram de maneira taxativa sua negativa, balançando firmemente a cabeça. Não há nada de ‘errado’ nisso, no fato da criança aprender o significado do não, mas mostra como estamos imersos numa realidade onde virou costume mostrar para a criança a vida através das coisas que ela ‘não’ pode fazer.

“Não pegue na comida!”, “Não, amasse o papel!”, “Não deixe isso cair!”, “Não desenhe aí!”

Convenhamos. Que chatice. Ainda mais os nossos filhos que estão conosco, pais e mães homeschoolers, 24 horas por dia.  Nestes primeiros anos de descobertas para os pequenos, nós adultos, passamos boa parte do tempo mostrando para eles uma vida de coisas proibidas. E a realidade não é essa. A vida é muito gostosa exatamente pelo fato de possuir uma infinidade de coisas boas que podem e devem ser feitas. Essa é uma possibilidade de ação dos pais que não pode ser perdida e encontra-se no Marco Pedagógico. Este compreende toda a ação que aplicam sobre a criança para que esta consiga êxito em sua vida. Preparam o caminho para o desenvolvimento de suas potencialidades. Isso acontece, dentre outros meios, pela comunicação verbal e não verbal.

Podemos achar que isso é algo muito fácil, uma vez que conversamos e estamos em contato com as pessoas e com nossos filhos o tempo todo. Porém, na verdade não é assim. Na verdade, saber comunicar da maneira correta, na medida correta é uma arte. E no quesito educação dos filhos, os pais necessitam esmerar-se nessa arte que supõe entrega.

A comunicação requer um cuidado especial, exige de cada um esquecer-se de si próprio para sair ao encontro da outra pessoa, de seus interesses e necessidades.”

Os gestos,  a expressão facial, a atitude corporal, o lugar escolhido para comunicar-se, a proximidade ou distância  física, inclusive  a hora, podem influenciar no êxito ou fracasso de uma comunicação. O saber escolher,  o cuidar as formas, são aspectos fundamentais para obter um bom resultado.

Quando mostramos a realidade sempre destacando seu aspecto negativo, não estamos educando. Frases terminantes e categóricas não educam. “Não faça isso! É assim porque eu mandei!”, é uma maneira de resolver a situação. Mas não de educar. Dessa forma os pais são autoritários e a criança não tem a chance de compreender tudo o que está em jogo. Por exemplo, esse tipo de situação pode ocorrer com muita facilidade quando o assunto é ordem. A mãe e o pai desejam uma casa (um pouco) mais organizada, mas a forma com que comunicam isso passa apenas algo arbitrário ou mania “Quero que fique aqui e pronto”. (Sobre a Educação da Virtude da Ordem você pode ler um pouco mais aqui). Porém, do contrário, quando os pais estão dispostos a comunicar de maneira verdadeira e profunda, usam de frases pausadas e mostram o outro lado daquela situação. Dessa maneira ganham prestígio e autoridade. Além de melhorarem a qualidade da comunicação, preparam o caminho para educar seus filhos para a liberdade, pois eles terão melhores condições de avaliar diferentes lados da mesma situação e escolher dentre eles.

Lembre-se! Limitar-se a dizer “não toque”, “não vá”, “não faça”, transmite medo, insegurança e superproteção.

Não posso mais dizer ‘não’? Não é bem assim. Educar de maneira positiva não é abandonar a firmeza necessária de diversas situações. Com certeza existem momentos nos quais precisamos dizer não. Pelo bem da criança. Porém, nossa atuação de pais deve ser CONSCIENTE. Ligar o piloto automático e responder sem refletir, apenas para evitar danos atuais nunca será o posicionamento adequado de pais que se preocupam com o desenvolvimento integral de seus filhos. Continuaremos esta reflexão no próximo texto: “Educar de maneira positiva. – Parte 2”. Não deixe de ler!

Até mais!

Cibele Scandelari