Família, Maternidade

Maternidade e luta pessoal – parte 2

Dando continuidade à publicação “Maternidade e luta pessoal” inicio dizendo que sempre quis ser mãe. Quando tinha uns 6 anos minha avó perguntou o que eu queria ser quando crescesse. A resposta veio fácil : “mãe”. Que médica, astronauta, o que? Eu queria ser e fazer  a mesma coisa que eu via na minha heroína! Um heroísmo diário, de pequenas grandes coisas,   um anonimato célebre. Minha mãe é perfeita? Não. Minha mãe luta.

Ser uma mãe que ama, que realmente educa, é estar disposta a agarrar as oportunidades que nossos filhos trazem juntos de si e não apenas ficarmos atadas à educação dos conteúdos dos livros que escolhemos ao formular o currículo de nossa prática homeschooler, ou de acompanhar a tarefa de casa se a família for escolarizada. Todos os dias essas crianças que nos foram confiadas irão nos apresentar novas situações para que possamos escolher deixar o egoísmo de lado, para que nos desprendamos de coisas aparentemente importantes, para que lutemos contra nossas fraquezas. Nem sempre isso será fácil. Nem sempre as demonstrações de amor virão enfeitadas com um baita sorriso.

Tenho um exemplo disso. No ano que minha segunda filha, Helena, nasceu, devo ter comentado em algum outro texto, Curitiba recebeu um inverno de congelar os ossos. Alguém aí consegue imaginar se eu acordava super animada, estampando um sorriso às 03h da madruga, com sensação térmica de -9o.C, para amamentar?? Não… não era “simplesmente” ter que sair da cama quentinha.  Delícia, né?   Mas eu o fazia, assim como outras milhares de mães naquele e em todos os anos.

Bom,  aqui posso afirmar, citando Javier Echevarría e Ricardo Yepes Stork  que “ o amor não é um sentimento, mas um ato da vontade, acompanhado de um sentimento (…) , o sentimento é algo que nos acontece. (…). O amor sem sentimento é mais puro e se concentra no amado”(STORK; ECHEVARRÍA, Fundamentos de Antropologia- Um ideal de excelência Humana, pg199, 2005). Os autores ainda afirmam que o sentimento que acompanha o amor pode ser chamado de afeto, que é sentir que se quer bem. O afeto produz a familiaridade, proximidade física. Nasce do trato com o amado e o trato convida ao crescimento do afeto. “Mas além de afetos, o amor tem efeitos: manifesta-se com atos, ações que atestam sua existência (…). Os afetos são sentimentos; os efeitos são obras da vontade”. (STORK, ECHEVARRÍA).

O amor faz com que aprendamos a educar nossa vontade. Aprender a ” querer, querer”. O amor, livre de amarras, faz com que procuremos ser uma pessoa melhor. Mesmo que me custe, pois disso depende a felicidade da pessoa que gerei, ou que escolhi ter para mim como filho. Também podemos. e devemos querer educar a vontade de nossos filhos. Sobre isso falo um pouco no texto “Como educar a vontade” e nas suas outras 2 partes com links dentro do texto.

Desde que escolhi ser homeschooler, convivo muito mais com minhas filhas. Isso teve um impacto direto no número de vezes que posso ser testemunha ocular e ativa de seu crescimento de suas peraltices, de seus rompantes de gracinhas e de carinhos. Mas também as oportunidades de me testarem diretamente, de criarem situações típicas das idades, mas que tiram qualquer adulto do sério também aumentaram.  Estou, então, num processo de procurar melhorar minhas reações, não reclamar, controlar impulsos, saber valorizar coisas aparentemente, menos importantes, etc. Tento caminhar, nessa realidade de mãe, dona de casa, homeschooler e compreender que, dentre tantas responsabilidades que cada uma dessas funções me atribui , reconhecer que  o maior presente que minhas  filhas podem me dar que é a própria vida delas, com tudo o que isso possa acarretar.

Seu filho está difícil, irriquieto, anda mal nos estudos? Fique mais com ele, se doe. Aceite o presente, melhore como pessoa. Você colherá bons frutos. Tanto em você quanto em seu filho.  

Um super abraço!

Cibele

Família, Maternidade

Maternidade e luta pessoal

ou… os presentes que os filhos nos dão…

Quando eu ainda trabalhava como professora e tinha 2 das filhas que hoje tenho, em um dos tantos dias que tive que enfrentar aquele trânsito horroroso (como não sinto falta disso…)  acabei saindo atrasada da escola para pegar minha filha mais nova na minha mãe. Eu estava toda afobada, ia o pegar trânsito pior que de costume, estava irritada, enfim queria sair logo. No meio de tudo isso , Maria Clara, minha filha mais velha que estava comigo, lembrou do sorvete, que havíamos combinado no dia anterior. Bom,  eu não estava com humor para ter que parar  no meio do caminho e atrasar mais para comprar um picolé de morango. Porém… eu havia prometido. Fiz um esforço, engoli minha colossal falta de paciência e fui comprar o vermelhinho no palito. No caminho da volta, fiquei satisfeita comigo mesma. Minha tendência natural seria desconversar e quebrar com nosso combinado. Mas que tipo de coisa estaria ensinando à minha filha? Mentir? Que quebrar promessas é normal? Que a palavra da mãe pouco vale? Não! Não era isso que eu queria. Eu ainda estava com pressa e minha “epifania educacional” não diminuíra a intensidade do trânsito, no entanto o mal humor estava começando a ir embora. Cheguei até ela que me olhava ansiosa e sorrindo. Foi gostoso dar o picolé pra ela. Entrei no carro e voltamos ao nosso caminho. Em um instante escuto: “Eu gosto de você, mamãe!”. Meu coração começou a derreter, porém, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela completa: “…mas gosto mais do sorvete.” Rá.   E assim minha filha despachou o meu mal humor. Tive que rir da sinceridade da pimpolha e ficar contente comigo mesma por ter mantido a palavra.

Quando uma criança nasce, ela já traz consigo um presente para sua mãe. Traz a oportunidade de, através dela e por causa dela, essa mãe escolher ser uma pessoa melhor. Ser mãe é uma escolha carregada de muita responsabilidade. Não é algo que se cumpre para dar um “ok” em uma lista de “coisas a fazer”, mais ou menos colocada entre terminar uma faculdade, conquistar um cargo  e ter o reconhecimento da sociedade. A criança não pediu para estar ali. No entanto, ela merece e precisa que essa pessoa ocupe e desempenhe o papel que escolheu ter.

Ser mãe não é um título. Não é uma responsabilidade delegável (muito embora muitas mulheres e famílias escolham delegar, com resultados desagradáveis). Ser mãe é reconhecer que aquele ser humano que está ali é dependente do seu sorriso de aprovação, do seu afeto , da sua presença, dos seus conselhos, enfim, de tudo aquilo que você é e luta para ser. Você pode até não ter paciência suficiente, organização suficiente, tempo suficiente, entre tantas outras coisas super escassas nos dias de hoje. Porém, seu filho precisa que você lute nessas coisas. Ele precisa sentir, saber que apesar de não ser perfeita, sua mãe luta para ser cada dia melhor por ele e por ela mesma.

As mães que largaram tudo para estar com os filhos em casa e dedicar-lhes cada segundo a eles não estão isentas dessa responsabilidade de melhora perante seus filhos. Sim, indo contra a maré que nos quer fora de casa, voltamos para o lar. Desligamos os holofotes do reconhecimento profissional e perfumamos nossos lares com a nossa presença. De certa forma isso é heróico sim. Porém as mulheres, agora donas de casa, mães homeschoolers não se encontram  na perfeição da maternidade por isso. Na realidade, por estarmos imersas na convivência com os filhos, com o marido, encontramos mais momentos para melhorar. Uma profissional que é desleixada ou mal humorada no ambiente de trabalho deixa de contribuir eficazmente para com ele e falta com a caridade para com outros adultos. Uma mãe que se comporta assim, vai minando, devagar ou mais rápido, a visão de mundo de seus filhos, de crianças em formação. E é ela que mostra o caminho. 

Por isso, cada vez que um filho estiver com preguiça num estudo e estiver nos testando, quando os irmãos começarem a brigar, quando tantas coisas do lar estiverem nos deixando de mal humor, que consigamos lembrar que cada uma dessas coisas pode virar uma oportunidade de melhorarmos como pessoas e assim sermos verdadeiros exemplos de luta.

Sobre essa possível luta, confira a próxima publicação: “Maternidade e luta pessoal – parte 2“. Vale a pena que reflitamos sobre isso.

 

Um abraço!

Cibele

Família, Maternidade

Maternidade e individualidade – Parte 2

Ser mãe… e ainda sim, ser pessoa

A VISÃO DE MÃES DE FAMÍLIAS NUMEROSAS – continuação

Dando continuidade à reflexão que teve início na publicação “A maternidade aniquila a individualidade?” (inicie sua leitura por lá!), Manoela Martins, mãe homeschooler de 6 lindas crianças, minha amiga e comadre comenta que apesar da maternidade mudar a vida radicalmente, ela acredita que conseguiu manter sua identidade. Seus interesses e suas necessidades foram mudando e, assim como  Ozana, ser mãe passou a fazer parte de quem ela é. Afirma ainda, que apesar de o tempo que agora dispõe para ser despendido com ela mesma seja muito menor, a necessidade do mesmo também diminuiu. 

Eliane Bordini (8 filhos) conta que quando sua primeira filha nasceu não queria que nada desse errado. Queria tudo perfeito e isso gerou desgaste em vários campos de sua vida. Porém, após cada novo nascimento, foi se descobrindo, encontrando seus limites, descobrindo em si coisas boas, novos gostos, novas vontades. “O fato de ter muitos filhos foi  e é determinante para descoberta de minha identidade como mulher, com o esposa, como mãe, como filha, como amiga porque ajudando no desenvolvimento de meus filhos eu mesma fui me exigindo nos diversos aspecto da educação. Eu diria que  fui me educando ao educar e esse processo ainda continua“, afirma Eliane.

Segundo Manoela, a manutenção da individualidade na maternidade depende da maneira como a mulher organiza sua hierarquia de valores (o que é mais importante?) e a abertura para envolver a família em coisas que antes podiam ser só dela. Afirma que ainda faz muitas das coisas que gostava antes de ser mãe, apesar da freqüência ter diminuído.  “Há muitas coisas que eram peculiaridades minhas nas quais passei a envolver as crianças ou a família para poder continuar fazendo, como por exemplo artesanato, culinária e caminhadas no parque. Além disso, quando todas as crianças estão tranqüilas e se sentindo seguras elas se envolvem em suas brincadeiras e hobbies e sobra tempo para eu fazer sozinha coisas minhas como ler e estudar enquanto elas aprendem a cultivar também o próprio espaço individual”.

Eliane também cita a importância em eleger prioridades. O que é importante em cada dia? Conta um episódio: “há anos ao arrumar o armário de meu marido tirei um pijama amarelo que precisava ser costurado e nunca mais achei este pijama, e até hoje ele brinca ao me pedir alguma coisa “olha o pijama amarelo”… O pijama podia ser substituído por outro, minha presença com os filhos não.

Balancear a atenção para si mesma e para o resto da família foi, é e sempre será um desafio para todas as mães. Umas tem mais facilidades que as outras. Encontrar esse balanço pode ajudar na busca por preservar a identidade de pessoa. De todas as pessoas da família, da mãe, do pai e dos filhos. Sobre isso,  Manoela afirma que no gerenciamento do tempo para cada filho busca, em sua família, respeitar a fase em que estão, ou seja, sua individualidade. Um bebê precisa de atenção contínua enquanto que uma criança de seis anos precisa de atenção exclusiva por um período de tempo menor.

Acredito que aqui podemos resumir a missão de ser mãe e continuar a ser mulher, profissional, pessoa, com as seguintes “dicas”:

  • encare a responsabilidade vinda com a maternidade como mais uma oportunidade para crescer e se descobrir.
  • Não crie expectativas que a levem a pensar que as coisas não mudarão, que você conseguirá fazer tudo como fazia antes.
  • Pense sobre as coisas mais importantes da sua vida. Quais são e como você está disposta a encará-las.
  • Inclua no gerenciamento de seu tempo algo que você gosta e vá educando a família a entender que aquele é o SEU tempo. Ele poderá ser um pouco menor e talvez você venha a ter algumas “participações especiais”, mas te ajudará a manter o gostinho em ser você mesma.

Dê uma chance para a maternidade te mostrar facetas que desconhecia em você mesma. Não tenha medo e não dê ouvidos para a leva de gente carrancuda e sem brilho que colocou na maternidade ares de aniquiladora de sonhos e possibilidades.

Um abraço!

Cibele

Família, Maternidade

A maternidade aniquila a individualidade?

Ser mãe… e ainda sim, ser pessoa

A VISÃO DE MÃES DE FAMÍLIAS NUMEROSAS

Antes de ser mãe, eu chegava do trabalho e decidia o que ia fazer… de acordo com a minha vontade. Ia comer algo rapidinho, tomar um banho longo e bem quentinho, assistir ao meu programa favorito? Nos finais de semana, sobrava tempo para ver os filmes que eu e meu marido tanto gostamos. Não havia problema em praticar meu hobbie (mosaicos) na sala… era só passar uma vassoura e retirar os cacos de vidros.

Bom… agora sou mãe. As coisas não são exatamente como antes. Um tempo atrás, quando ainda trabalhava como professora e tínhamos metade das filhas que hoje temos, cheguei do trabalho e depois da rotina com as meninas, eu e meu marido decidimos ficar um pouco junto da Maria Clara, enquanto ela assistia a um desenho antes de dormir. Meu marido queria me mostrar uma música, então peguei meu tablet e lá fomos nós escutá-la com uns foninhos de ouvido. Isso chamou a atenção da Maria que já pediu o fone que estava com o pai. Escutou um pouco, sorriu e olhou pra mim: “O outro ouvido também quer escutar, mamãe”. Sorri e entreguei o foninho pra ela. E assim minha filha de, na época, quase 4 anos ficou escutando Son Volt e eu e meu marido assistido Peppa. Não estávamos fazendo o que queríamos, mas sim o que nos fazia felizes. Olhamos um para o outro e a risada veio fácil.

Manter a individualidade, continuar a praticar hobbies entre outras coisas que fazem parte da personalidade da pessoa, após a maternidade/paternidade pode ser um desafio. Este tema pode ser recorrente em rodas de mães. Quando penso sobre ele, reflito sobre tudo que mudou em minha vida a partir do momento em que minha filha veio ao mundo. Realmente muita coisa…muitas dúvidas podem surgir, principalmente quando se é mãe recente. Começamos a travar uma luta interna a respeito de nossa identidade como mulher, pessoa com vontades, sonhos, desejos, lidando com uma nova e tão importante responsabilidade que a maternidade apresenta. Normal que isso gere uma certa dose de insegurança! E quando a mulher abdica de seu lugar no tão sonhado (e supervalorizado) mercado de trabalho? Quando ela assume seu papel em casa? E quando assume ser “do lar” e ainda por cima mãe educadora? Retrocesso total? Volta à Idade Média?

Então achei que seria interessante uma publicação que tratasse do assunto do ponto de vista de mães de famílias numerosas, cada vez mais raras na sociedade atual. Se um filho já gera instabilidade, como essas mulheres fazem com quatro, oito, ou mais filhos? E aí, fui atrás de algumas outras mães, mulheres corajosas e muito generosas, munida de algumas perguntinhas. Entrei em contato com várias mães, algumas homeschoolers, outras não.

Das mães que conversei, todas consideram a individualidade algo de extrema importância. Eliane Silveira Bordini, mãe de 8 filhos, afirma que ” Individualidade é saber-se uma pessoa única , um “indivíduo” dotado de dimensões biopsiquicosocial e espiritual específicas e que a diferem de qualquer outra criatura. A importância deste conhecimento está em que dele depende seu desenvolvimento integral como pessoa“. Sendo algo tão importante, nada mais natural que não querer perdê-la. 

Mas será que a maternidade causa perda de individualidade na mulher? Acredito que isso depende muito da maneira como a mulher encara a escolha de ser mãe e gerencia a nova realidade.  Por exemplo, Ozana Cristina Nadalin, mãe de nada mais, nada menos que 11 filhos, afirma que sua individualidade assumiu sua plenitude com a família que construiu. Faz parte dela ser mãe. Isso é algo, entre outras coisas, que a identifica. Lindo, não é? Ozana diz que não viu na maternidade uma perda de identidade, nem de gostos (apesar de ter aprendido a gostar de sorvete de chocolate), continua a ser ela mesma com alguns aprendizados a mais.

Talvez aí esteja uma boa dica: ao invés de encarar a maternidade como uma escolha capaz de minar a individualidade, que tal encará-la como uma oportunidade de enriquecê-la? Tarefa fácil? Mmmm.. não. Mas me digam qual tesouro é encontrado com facilidade? Se fosse tão fácil encontrar diamantes, eles não valeriam tanto. Este, talvez seja um desafio para nós, mulheres modernas, ensinadas a lutar pelo seu lugar na sociedade e ver na maternidade uma algema, quando, na verdade ser mãe apenas faz com que cada faceta de nossas características individuais sejam enriquecidas. Com a maternidade, eu que agora tenho 4 lindas meninas, percebi que devo me conhecer ainda mais e isso só tem me ajudado a ser eu mesma e a querer ser melhor, pois todos os dias me deparo com um eu cheio de arestas a serem lapidadas.

Sim! A maternidade enriquece cada canto de nossa individualidade!

Na continuação deste tema, “Maternidade e individualidade – Parte 2”, você poderá conferir mães que assumem a mudança mas negam a morte de sua identidade e contam como lutaram para serem melhores pessoas.

Até lá!

Cibele

0-4 Anos, Família, Hábitos Básicos, Homeschooling, Maternidade

Tem filhos pequenos? Foque nos hábitos básicos!

Marcos de Desenvolvimento Infantil – enfoque: hábitos básicos

É sabido que a responsabilidade da criação dos filhos é grande. Cabe aos pais, a mais ninguém o estabelecimento de um plano educativo sólido para a boa formação e desenvolvimento dos filhos. Entretanto, pode acontecer , por falta de informação, que muitas famílias não saibam exatamente por onde começar. Pensando nisso, aí vão os primeiros passos para o estudo desta fase tão gostosa que nossas crianças estão. Mas não se enganem: é gostosa, mas é curta.

Esta é uma fase de grandes e intensos aprendizados. É uma época irrepetível e valiosa na qual os pais desempenham um papel fundamental.  Neste período, a tarefa educativa consiste em proporcionar um ambiente que instigue, que “cutuque” todo o potencial que um cérebro em formação oferece. Isso não significa, entretanto, que a abordagem da família deva, necessariamente, passar por fornecer conhecimento massificado aos filhos e sobrecarregá-los em tenra idade. Não. Cada coisa possui seu tempo e muitas vezes o empenho deve ser o de observar tendências e interesses e proporcionar ricos momentos com aquilo que a criança se inclina. Falo um pouco sobre isso no texto “Intenção educativa com crianças de menos de 4 anos“.  O resultado desse empenho será uma criança bem desenvolvida em diferentes aspectos e que estará preparada para receber a enxurrada de conhecimentos, vivências que a continuidade de seu desenvolvimento pessoal e social exigirá.

É importante esclarecer que o enfoque educativo abordado tem alguns princípios básicos adotados. São eles: 1) a educação e o desenvolvimento integral da criança acontece, principalmente, através de 4 marcos (Antropológico, Psicológico, Pedagógico e Neurológico). 2 a boa organização cerebral necessita da aquisição de bons hábitos básicos (Ordem, sono, alimentação e higiene). 3) Todas as ações educativas devem ter como fim o afeto do filho e este deve perceber, sentir e apreciar. 

O Marco Antropológico tem a base na família, que é onde a criança descobre as interações que tem com o ambiente e suas relações com as pessoas que o compõe. Intimamente ligado ao marco Antropológico, encontram-se os Hábitos Básicos. É extremamente importante que os pais tenham, em comum acordo, planos de ação para o bom desenvolvimento de cada hábito. Esses planos são muito próprios de cada família e devem ser tratados com atenção pelo casal como equipe. É interessante que tais planos de ação sejam implementados o quanto antes na rotina familiar e que os pais estejam dispostos a seguir estratégias firmes, o que não significa agir com rispidez, mas sim com constância. Algumas famílias conseguem estabelecer tais planos de maneira simples, através de conversas rotineiras, outras famílias se organizam melhor através das anotações de suas observações sobre os filhos e, posteriormente, anotações dos planos de ação em si. Isso depende muito de cada realidade, de cada casal, enfim, de cada família.

É importante destacar que o cuidado dos pais com os hábitos básicos, ajudará na formação das virtudes mais para frente. Crianças pequenas que encontram, um ambiente preparado por pais dispostos a se sacrificar para desenvolver tais hábitos, terão terreno adubado para cultivar hábitos operativos bons que irão depender mais de sua própria vontade (muito embora os pais ainda tenham que ajudar e serem exemplo por algum tempo).

Homeschooling com crianças pequenas tem mais a ver com o cuidado com o marco antropológico, com o desenvolvimento de sólidos e saudáveis hábitos básicos que com as tarefas de pontilhado e mil e um jogos. Tais coisas podem até fazer parte da rotina da família, mas não são o mais importante. Trato sobre outros aspectos da prática do homeschooling com crianças pequenas nos seguintes artigos: “Homeschooling e crianças pequenas” e “Quero praticar homeschooling, mas meu filho nem nasceu” (apesar do título este último texto traz informações muito úteis mesmo para quem já é pai ou mãe).

Então! Se você tem filhos pequenos, já tem consciência de seu papel e abraçou a responsabilidade da empreitada, anote aí! Neste começo de jornada se empenhe nos 4 hábitos básicos: SONO, ALIMENTAÇÃO, ORDEM E HIGIENE. No artigo “Os quatro hábitos da primeira infância”, você poderá encontra um pouco de informação sobre cada um deles. Não deixe de conferir!

Um abraço!

Cibele