Maternidade, Psicologia

Psicologia à Barlavento

Minha intenção com o blog sempre foi registrar minhas aventuras em família através de nossos dias homeschoolers, minhas ideias e valores a respeito da maternidade, da vida em família, da criação dos filhos. Mas também sempre foi para poder ajudar, compartilhar saberes, sugestões. Crescer e crescer junto com os outros! Acredito que quando nos dispomos a servir os outros vivemos melhor. Por isso, sempre quis ver o blog crescer nessa perspectiva. Para isso, fico sempre de olho em pessoas que também queiram essas mesmas coisas. Não perco tempo e já pergunto se gostariam de compartilhar seu conhecimento com outras pessoas por meio deste canal.

Sendo assim, mais uma vez estou aqui, feliz da vida, pra dizer que o blog Família Barlavento contará com uma “coluna” escrita pela minha amiga e psicóloga Lélia Melo, que nos dará valiosas dicas para vivermos de verdade essa aventura maravilhosa que é a vida. Lélia nos brindará com suas publicações 1 vez por semana, às quintas feiras. Daqui a pouco publico seu primeiro texto aqui! Não deixe de conferir!

Lélia é Psicóloga Clinica e Orientadora familiar, Especialista em Educação, Especialista em Família, possui vasta experiência na área clínica e escolar, bem como em atendimento clinico de jovens e adultos.

Se quiserem conversar com a Lélia podem encaminhar suas perguntas! Quem quiser encontrá-la pessoalmente, seu consultório fica em Curitiba/PR e está de portas abertas para recebê-los(as). lelia.melo2609@gmail.com

Abaixo um “olá” da nossa parceira!

Olá seguidoras do blog Família Barlavento! Meu nome é Lélia Melo. Sou psicóloga clínica e orientadora familiar. Estou entrando hoje neste espaço para, com meus conhecimentos e experiência na área, contribuir com vocês em temas relacionados à educação de filhos, vida conjugal e outros temas de saúde mental.

Conheço a Cibele há 10 anos e acredito que esta parceria será muito proveitosa, para nós e para vocês.
Estou à disposição de todas.
 Muito obrigada.
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Maternidade, Sem categoria

Você é mãe/pai de uma criança especial?

A descoberta da maternidade/paternidade é algo grandioso na vida de qualquer pessoa. Tenha sido ou não uma gravidez planejada. Um mundo de expectativas se abre, alguns (muitos) medos também se fazem presentes. Isso acontece para praticamente todas as pessoas. É difícil que alguém receba a notícia de que será mãe/pai pela primeira vez (ou novamente) e não tenha nenhuma reação. Mas, e se dali a algum tempo vem alguma notícia sobre alguma síndrome? Se algo acontece durante o parto? Como lidar com a realidade de ser mãe/pai de uma criança especial? Como passar pela dor, pelo desapontamento, pelo trauma e encarar a realidade de maneira que a mesma possa amadurecer os pais e fazê-los capazes de a transformar? Como encontrar um sentido para o que “não deu certo”? Como encontrar forças para o dia a dia exigente?

Tenho uma amiga que durante seu primeiro parto aconteceram complicações. Seu bebê sofreu grave anóxia e a perspectiva que a vida colocava à sua frente era muito difícil. No entanto, ela e seu marido transformaram aquilo que “não havia dado certo” num caminho lindo de amadurecimento, aprendizagem que os ajudou a caminhar de maneira incrivelmente bela e ainda por cima ajudando muitas outras pessoas.

A Kerol e o Fábio são pessoas que admiro muito. O Pedro e seus irmãos são crianças muito sortudas em tê-los como pais e eu por tê-los como amigos. Para eles (e muitos outros casais)  Filhos não são obstáculos – são motivos!

Depois de tantos anos em terapias, fazendo cursos de  relacionamento conjugal, orientação familiar e desenvolvimento infantil, Fabio (que também tem deficiência, Charcot-Marie-Tooth) e Carolina decidiram criar o Mater & Pater PLUS, um canal para auxiliar outras mães e pais a comprovarem que a mater/paternidade atípica pode levar a um PLUS na vida!

A Kerol e o Fabio abriram inscrições para o Programa Online VOE PARA O PLUS – o único voltado especialmente para mães e pais de crianças que têm algum tipo de limitação, atraso, deficiência, síndrome, enfermidade ou qualquer outra condição de desenvolvimento atípico.

O programa acontece totalmente via Internet, e conta com:

  •  Vídeo-aulas gravadas;
  •  Materiais complementares em PDF;
  •  Lives exclusivas;
  •  Exercícios práticos;
  •  Bônus especiais – assista ao vídeo completo para saber mais detalhes: http://bit.ly/Vídeo-Programa-Online-VPPSepare 19 minutos para assistir ao vídeo completo para ver todos os detalhes sobre garantia, preço, formas de pagamento, bônus extras e benefícios do Programa Online VOE PARA O PLUS. Ao final do vídeo, você terá acesso à página de inscrição.
As inscrições ficam abertas de 09 a 17 de maio de 2019 (até 23h59).

Os assuntos são tratados em 4 módulos:

MÓDULO 1 – MEU FILHO NÃO SE DESENVOLVE COMO AS OUTRAS CRIANÇAS, E AGORA?

Aqui será abordada a surpresa que um diagnóstico pode trazer para a mãe e/ou o pai e de como transformar esta novidade em algo positivo e transformador. Neste módulo, serão dados os primeiros passos para você:

  •  viver sua mater/paternidade plenamente, mesmo que ela seja diferente do que você esperava ou diferente da experiência de seus familiares e amigos;
  • perceber, na prática, que receber o diagnóstico de sua criança não é o fim do mundo. Há muito o que pode ser feito, vivido e comemorado, até porque você vai perceber grandes ganhos na sua vida, em todas as áreas.

MÓDULO 2 – CUIDE DE VOCÊ PRIMEIRO!

Aqui Kerol e Fabio falam de como descansar, conciliar tantas atividades da rotina (inclusive as terapias) e ainda manter vivos os seus sonhos após a chegada da sua criança.

Com este módulo, você:

  • aprenderá maneiras de descansar mesmo que tenha uma rotina exigente;
  • verá que fazer o tempo render não é privilégio somente de quem tem muitas horas livres (muito pelo contrário!);
  • verá que é possível e até necessário que você mantenha vivo algum sonho ou projeto pessoal após a chegada da sua criança.

MÓDULO 3 – AMAR E EDUCAR UMA CRIANÇA COM DESENVOLVIMENTO ATÍPICO

É possível ter equilíbrio entre carinho e firmeza com crianças especiais?

Com uma criança com desenvolvimento atípico (ou seja, diferente do que era esperado e/ou do que é mais comum), é plenamente possível viver uma mater/paternidade afetuosa, respeitosa, firme, leve e plena. Cuidar dela não significa apenas levar às terapias. Por isso, neste módulo, falaremos da relação como um todo entre você e sua criança. Você verá:

  • a importância de ter um equilíbrio entre carinho e firmeza no seu relacionamento com sua criança;
  • o impacto positivo de uma educação afetuosa e, ao mesmo tempo, firme no desenvolvimento global de sua criança;
  • os benefícios a longo prazo que tudo isso trará para a criança, para você e para a família como um todo.

MÓDULO 4 – FAMÍLIA EM HARMONIA E SINTONIA

Como fica o casamento após a chegada de uma criança especial? Como ficam os outros filhos? A relação com amigos e parentes muda? Este módulo abordará:

  • Como fortalecer o casamento após os filhos, especialmente quando esta mudança na vida envolve UTI neonatal, acompanhamento médico da criança e terapias de reabilitação neurológica;
  • Como os irmãos da criança especial podem se sentir igualmente importantes, valiosos e protagonistas na vida de seus pais;
  • Como facilitar uma boa interação entre a criança com deficiência e seus irmãos;
  • Como lidar de maneira positiva e tranquila com parentes, amigos e colegas após tantas mudanças na nossa mater/paternidade.

Ufa! Leu até aqui? Tem alguma dúvida? Quer participar do programa Voe para o Plus? Entrem em contato com a Kerol e o Fabio por email: contato@materpaterplus.com.br ou WhatsApp: (41) 9115-1294 (diga que leu aqui no Família Barlavento, com a Cibele!)

Um abraço!!

Família, Maternidade

O dilema do uso da chupeta

Dia desses fui ao supermercado perto de casa. Não pude deixar de perceber, ao chegarem perto de mim, uma mãe e seus dois filhos. Um menino de uns 3 ou 4 anos e uma menina maior, por volta de 9 anos.  A presença deles ficava me chamando a atenção por causa da dita chupeta. Você deve estar pensando: “Ora, uma chupeta numa criança de 3 anos não é o mais correto, mas não para ficar chamando atenção assim…”. Porém não era o menino que ostentava o bico pra cima e pra baixo no mercado. Sim… era a menina. Não era uma criança com qualquer síndrome aparente. Conversava com sua mãe perfeitamente para sua idade, sem tirar, em nenhum momento o “pacificador” de sua boca. Apesar de sua fala ficar truncada com chupeta na boca, a mãe não pedia pra tirar e ela não mostrava vergonha de nenhum tipo.

Bom…antes de continuar, queria esclarecer que não demonizo a chupeta e nem a acho a solução dos problemas das famílias com crianças pequenas. Não minto: tentei, em momentos de maior cansaço, ver se conseguia um pouco mais de tranqüilidade através do “bico”. Minhas duas primeiras filhas cuspiam, dava-lhes ânsia. A terceira até que teria uma disposição um pouco maior para usar, a quarta fez de brinquedo.  Não insisti. Já me falaram que seria necessário insistir um pouco mais. Tentar alguns dias seguidos e que todas iriam “pegar”.

No entanto, nunca fui muito fã da dita cuja. Concordo que em muitos momentos, para muitas famílias ela representa uma válvula de escape, tanto para a mãe extremamente cansada, quanto para a criança que ainda está aprendendo a sentir os desconfortos sem ter a menor ideia do que são. Nessas situações, acredito que seu uso evite um maior desgaste da família como um todo, pois, sejamos sinceros, ter um bebê em casa é algo muito, muito bom, mas também pode ser muito cansativo e a família precisa estar unida nesse momento.

Tenho uma amiga, quase irmã, que tem um fluxo de leite abundante e seus filhos simplesmente não precisavam fazer esforço algum para mamar. Resultado: aqueles que não pegaram a chupeta tiveram problemas em suas arcadas dentárias e músculos faciais. Aqueles que pegaram a chupeta estão com tudo no lugar. No mínimo interessante, não é?

Nunca fui muito fã por acreditar que existiria uma maneira melhor de acalmar a criança, de ensiná-la a controlar-se. Também tinha receio que a chupeta acabasse sendo, além de uma muleta psicológica para minhas filhas, uma saída fácil para mim. Nem todas as saídas fáceis são erradas, eu sei, mas as coisas de valor costumam custar um pouco mais. Preferi penar um pouco mais algumas vezes. O resultado disso foi que, até o momento, nenhuma filha minha usa chupeta e eu e meu marido procuramos incentivá-las a descobrir meios de controlar impulsos de frustração, raiva, tristeza. Essa foi uma decisão tomada em parceria.

Mais uma vez torno a repetir: não ruim, o fim do mundo, um casal de comum acordo, depois de combinar as regras do uso, escolher pelo uso da “peta”. Mas, como explicitei aqui, deve ser uma decisão consciente. Quais serão os momentos nos quais a criança poderá usar? Até qual idade? Quais regras?

Além disso, acredito ser extremamente importante e útil ouvir especialistas. O que os pediatras, odonto-pediatras e psicólogos falam a respeito?

Pessoalmente, acredito que se casal opta pelo uso, recomendaria que fosse apenas para dormir. Que não fosse criada uma dependência artificial para acalmar a criança num acidente por exemplo. Que o uso fosse apenas dentro de casa, no âmbito privado e que não existissem chupetas infinitas que brotassem em todos os cantos da casa.  Se a criança dorme algumas vezes fora de casa (avós, tios, escolinha) que leve apenas uma e que o combinado seja de retirá-la da mochila apenas na hora do soninho. Nada de usar para entrar no carro quando os pais chegam para buscá-la. Qual o motivo do uso nesta situação? Sinto-me impelida a analisar como uma dependência não sadia… está com a família, não dormirá naquele momento, está tudo bem. Não existe motivo!  Isso que eu acho que o único motivo deveria ser ir dormir…

Bom, voltemos à menina no mercado. 9 anos! O que fazia naquela boca uma chupeta? Que tipo de base emocional esta criança está desenvolvendo? Que auto imagem faz de si mesma? Terá coragem suficiente para enfrentar os desafios que, com certeza, a vida lhe trará?

Tenho visto muitas crianças, com mais de 2, 3 anos ostentando a chupeta. E me parece que o motivo de estar em suas bocas não é algo consciente para os pais. Está ali simplesmente porque o casal não planejou adequadamente seu uso e agora a única coisa que conscientemente querem evitar são os acessos de choro.

Sim, existem crianças que não apresentaram dificuldades para deixar da chupeta. Mas também há aquelas que sofrem. E muito. Acredito que dependendo da estrutura psicológica da criança e do tempo de uso, sua dependência vá se acentuando e a despedida seja mais dolorida.

Como será que vai ser a despedida dessa menina de 9 anos?

Que sejamos pais dispostos a ter uma proximidade tal de nossos cônjuges, que essas decisões sejam tomadas de maneira consciente, amorosa, visando o bem e o amadurecimento da criança e também o bem da família. Que não tomemos as decisões só porque parecem mais fáceis. Que ajudemos nossas crianças a amadurecer, com carinho e firmeza.

 

Cibele Scandelari

FAQ, Maternidade

Rotina e organização de um lar homeschooler

No texto “Homeschooling e e a rotina de organização do lar” comentei  sobre o que já tentei fazer e não deu certo e sobre as escolhas que tenho aplicado em momentos caóticos. Prometi continuar a falar um pouquinho sobre o tema e nessa promessa falei que iria comentar sobre a mágica que a simplicidade e a constância podem fazer dentro do dia a dia de um lar.

Sou uma mãe, dona de casa, mulher em desenvolvimento. Sou fruto de uma geração educada quase que à marteladas a olhar sempre para fora da casa, para o mercado de trabalho. Ainda bem que tive o exemplo da minha mãe como mãe presente e dona de casa e de minhas avós.  Sim, somos super capazes de estar lá fora, no disputado mercado,  no entanto a casa aconchegante e gostosa de se viver não é feita de bons materiais de construção. É feita de calor humano, de amor e de rotina, insistência, suor, cansaço e, ” meu Deus! A pia está cheia de novo?!”. Esse trabalho que retorna num lar que deixa sua marca nas memórias de infância das crianças  e que permeia o amadurecimento, amizade e amor entre o casal, não possui holofotes e há quem veja com desdém. Pois bem, pode desdenhar, minha casa será um lar, luminoso, alegre e não um dormitório.

Para isso tenho me esforçado em não criar rotinas mirabolantes. A simplicidade nos ajuda a dar valor para aquilo que é importante. Pare para pensar em quais coisas são importantes e liste-as. Aquelas que precisam ser feitas, mas que não são urgentes podem ser agendadas para um dia específico e você poderá se organizar com antecedência para cumprir aquele propósito.

Já compreendi que a educação das meninas vem antes da casa no aspecto importância. Em situações que a organização básica irá demorar um pouco mais e, por exemplo, iremos sair em algum momento do dia, mesmo que eu esteja tilintando para arrumá-la, me seguro e realizo primeiro os estudos. A casa SEMPRE vai ter o que arrumar, limpar, varrer, aspirar. O tempo de estudo das minhas filhas nesses dias é limitado e infinitamente mais precioso. Por  isso e pelo fato de termos que melhorar na virtude da ordem (ai, ai) nossa casa sempre está um pouco (ou muito) bagunçada. Então após os estudos procuro atacar na ordem e coloco as meninas para ajudar em algumas coisas. Quando não iremos sair, procuro dar uma passada pelos cômodos, colocando as coisas básicas no lugar. Tento mostrar a elas que esse processo também necessita que participem e então vamos estudar.

Iniciamos as tarefas num ambiente minimamente organizado. O mesmo vai sendo bagunçado ao longo do tempo por causa das irmãs menores, por conta de jogos, picotes, etc. Mas esta é a bagunça que veio com os estudos e é saudável. O que não dá é estudar no meio da gordura, da pilha de roupa suja, misturando papel de estudo com conta de luz.

A constância pode ser um desafio para muitos, mas quando consigo seguir com minha rotina de maneira constante, num compasso adequado ao ritmo da família, as coisas fluem melhor. Rotina não é chatice. Ela permite que as coisas andem! E para isso a constância será necessária.

Nessa rotina que depende do meu empenho, da minha constância, procuro lavar roupa quase todos os dias da semana, almoço tento fazer com que o que cozinhei em um dia possa servir para o outro também. Também tento congelar alguns pratos para facilitar a vida. Ao entrar em um quarto mostro para as meninas que tudo que não é daquele cômodo deve sair e ir para a “casinha” dele. O que fica e está fora do lugar deve ser arrumado.  Elas já colocam suas roupas íntimas no lugar (muito embora eu tenha que pedir ainda) e já colocam suas roupas no armário, apesar de ser “do jeito delas”.  Em resumo, estou incluindo minhas filhas cada vez mais na organização da casa sem fazer com que percam o tempo de brincar.

Bom…por enquanto é isso. Conforme eu for amadurecendo, tendo novas ideias para com a rotina vou escrevendo sobre essa caminhada. Tenho muito a melhorar e reconhecer é apenas o primeiro passo da melhora. Sendo assim…deixa eu ir lá arrumar aquela pilha de roupa.

Um abraço!

Cibele

Família, Maternidade

Você alimenta a infância do seu filho com que tipo de música?

Quando eu tinha uns 10 anos e estava na antiga quarta série, minha professora daquele ano , professora Lisa Simone, fez uma atividade que me marcou muito. Lembro da sensação durante e depois da atividade e também lembro de ter pensado: por quê não fazem mais vezes isso? A atividade não foi nenhum passeio ou situação “estrambólica”. Foi simples. Em uma tarde normal a professora pediu que todos nós apoiássemos nossas cabeças nas carteiras, da forma que fosse mais confortável, que fechássemos os olhos e que ouvíssemos com atenção a música que seria tocada. Enquanto a obra fosse apresentada, a professora nos convidou a imaginar alguma situação e que a composição fosse a trilha sonora. Lembro de ter relaxado muito, de ter vivido uma grande aventura e de ter ficado com a sensação de que ficamos por muito tempo ali. Foi uma experiência extremamente gratificante e a redação que dali surgiu foi uma delícia de escrever.  Era uma música “clássica”, erudita, instrumental. Como eu disse, me marcou muito.

Realmente, a dúvida que tive naquela época era justa: por quê não nos colocavam mais em contato com aquele tipo de composição? Por quê a música mais elaborada não tinha seu lugar dentre outros estilos tocados á exaustão  e, muitas vezes,  de uma qualidade extremamente duvidosa? Acredito que, como para com outras coisas, somos fruto de uma geração que quis se desprender completamente da que a precedeu. Tudo foi jogado fora, ou rechaçado com bastante veemência: valores, ideais, modos de encarar a vida, meios de amadurecer, o próprio amadurecimento em si. Dentre essas coisas, a música também sofreu reviravoltas. Não estou querendo dizer que acredito que apenas a música erudita preste, não (até mesmo porque quem me conhece sabe que gosto bastante de um rock :)). No entanto, a música mais elaborada, por ter uma compreensão mais difícil de ser alcançada, foi sendo deixada de lado. Foi sendo vista como coisa de gente velha. Não precisava escutar só ópera, mas era necessário sumir com ela da vida das pessoas?

Música não é apenas algo que escutamos com determinada melodia, harmonia, ritmo. Ela também está incluída dentro do caldo cultural que cozinha a mentalidade da época. Ela influencia os trejeitos, a vestimenta, os objetivos, os heróis daquela geração. Acredito que, visto por esse ponto de vista a música exerce grande importância no tipo de homens e mulheres , de pessoas que constroem o nosso mundo. Ela não é a única peça do quebra cabeça, mas é uma peça importante e quando negligenciada na infância pelos pais, na adolescência, quando o indivíduo começar a experimentar as primeiras brisas de liberdade, irá querer ter contato com pacotes mais completos daqueles apresentados pelas tendências musicais da época. Alguns inocentes, divertidos, bonitos e outros com consequências muito prejudiciais para a vida de quem embarca naquela livre escolha. Principalmente se o caráter, a vontade daquele jovem foi negligenciado e o mesmo não tem maturidade para discernir que aquela moda vinda com aquele estilo não é só moda, mas um caminho que talvez não tenha volta. É necessário que a família acompanhe o amadurecimento da criança e ajude-o a amadurecer. Isso passa também pela educação da vontade e esse acompanhamento também está na responsabilidade da família em prover contato com situações que apresentem o belo, o difícil, a conquista. Falo um pouco sobre isso nos textos: “Como educar a vontade: parte 1” e continuações.

Fomos perdendo, por rebeldia, a presença de um estilo musical denso, de profunda qualidade e fomos dando todo o lugar a músicas que passaram a imbecilizar os jovens, coisificar as pessoas (principalmente a mulher), sem falar na perda da qualidade musical.

Não apenas não expomos nossas crianças a repertórios de qualidade mais profunda como não é difícil ter contato com famílias que acham normal, bonito, saudável levar, por exemplo, meninas de 5 anos em “shows” de cantoras que o que mais sabem fazer é sexualizar ao máximo seus trejeitos, colocar a mulher como objeto dentro de músicas com qualidade musical muito ruim. 5 anos é idade para brincar, educar os ouvidos  com sons variados e não para colocar um shortinho e rebolar até o chão.  Estão percebendo como a música é muito mais do que aquilo que entra pelos ouvidos? É estética que entra pelos poros, é modelo de ser que vai impregnando na alma.

Não precisa ser música de apenas um tipo, repito, mas é importante que fique claro: música de qualidade enriquece o imaginário, trabalha a criatividade, melhora a concentração e ativa mais partes do cérebro. Aí eu te pergunto: Você alimenta a infância do seu filho com que tipo de trilha sonora?

 

Cibele Scandelari