5-10 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise Literária – O Príncipe Feliz

Oba! Mais uma Porção de Análise Literária Infanto-juvenil!  Abaixo, você encontra acesso ao podcast da Letícia, autora da Porção Semanal e, abaixo do link, o texto-base do podcast. Se vc quiser saber quais foram as outras análises, dê uma espiada nos links no final do texto.

O príncipe feliz – Oscar Wilde

Idade: 8 anos

Essa bela história de Oscar Wilde foi publicada no ano de 1888. Ao contrário do que nos indica o título, no início da história o príncipe é tudo, menos feliz. Nos diz que durante a sua vida habitava no palácio da tranqüilidade, e nunca percebeu quanto sofrimento havia além dos muros do palácio, pois achava que todos vivam muito bem, como ele. Depois, quando colocado como estátua no alto da cidade, era admirado por todos, que o consideravam muito feliz. Mas agora,com a vista que tinha, percebeu quanto sofrimento havia na sua cidade.

Primeiro, cada consideração das pessoas que passavam pelo príncipe são equivocadas. A mãe diz aos filhos: porque não são como ele, que não importuna ninguém? As crianças pensavam que ele era como os anjos… Mas na verdade ninguém percebia que ele não era feliz, justamente por não poder ao menos importunar os demais, como as crianças faziam. Muitas vezes nós interpretamos equivocadamente a conduta dos demais. Ninguém sabe por quais tipos de problemas cada pessoa está passando.

Mas o príncipe, colocado em um lugar com visão privilegiada, via além do que os demais enxergavam: via a costureira, que cansada do seu trabalho, com o filho doente, sem alimento para oferecer, era tida, durante um baile, pela dona da encomenda, de preguiçosa. Via o rapaz, que cansado e com fome, não conseguia terminar a peça de teatro que estava escrevendo. Via a menininha, que com fome e frio, não tinha vendido nada, e por isso seria repreendida pelos seus pais. Via crianças e mendigos passando fome e frio. E por isso, com a ajuda da Andorinha, o príncipe feliz consegue ajudar a todos que quer. Desmancha-se, por assim dizer. Doa tudo de si. Cada um ali contribuiu com o que podia: ele, com as pedras preciosas de sua espada e de seus olhos. A andorinha com o seu vôo, visto que o príncipe não podia sair do lugar.

Assim devemos ser: contribuir da forma como pudermos. Por maior que seja a dificuldade pela qual estejamos passando, normalmente alguém está sofrendo com um problema muito maior. A ajuda que podemos prestar aos demais pode ser financeira, ou pode ser apenas humana: uma conversa, um conselho, um ombro amigo… Que nós não tenhamos olhos estreitos, que vêem apenas suas necessidades mesquinhas. Que vejamos o quanto o próximo precisa de nós, como o príncipe, que realmente se tornou feliz ao doar-se por inteiro aos demais. Que como o príncipe, tenhamos olhares de águia. Que vê longe, tem olhar amplo. Mas que tenhamos a sutileza e a delicadeza da andorinha, que entregava os bens sem mostrar-se, visto que a caridade deve ser feita para ajudarmos aos demais, e não por simples vaidade. Que possamos ser exemplo para as nossas crianças.

Um abraço!

Letícia

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A árvore generosa

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo

O Gigante Egoísta

Um conto de Natal

 

ANÁLISE LITERÁRIA, Materiais

Análise literária – Um conto de Natal

E aqui está mais uma porção semanal de análise literária infanto juvenil! Se vc quiser saber quais foram as outras análises, dê uma espiada nos links no final do texto.

 

Charles Dickens

Olá, pessoal. Esse é o porção semanal de literatura infanto juvenil, e hoje falaremos sobre Um conto de Natal, de Charles Dickens.

Esse livro foi publicado pela primeira vez em 1843, e comenta-se que foi escrito em um mês, pois Dickens contava com o dinheiro da venda desse livro para pagar dívidas. Mal sabia ele que seu livro se tornaria um dos maiores clássicos da literatura universal a tratar do Natal!

Bem, inicialmente, eu gostaria de dizer que o livro escolhido para essa semana é indicado para crianças de 10 anos ou mais, visto que é extenso, e exige mais da compreensão da criança. Mas pode ser utilizado para ensinar muitas coisas para o público infantil! Vejamos quais são elas.

Em primeiro lugar, quando Scrooge é visitado pelo espírito de Marley, seu amigo lhe diz que espera que Scrooge tenha um fim diferente do que ele teve. E por isso, os Espíritos Natalinos do passado, do presente e do futuro visitarão Scrooge durante aquele Natal. Scrooge era um sujeito avarento, egoísta, mal educado, e totalmente mundano. Só pensava em acumular mais e mais dinheiro, e, apesar disso, vivia como se fosse miserável. Tratava todos os seus conhecidos muito mal. Digamos que esses três espíritos natalinos são a nossa consciência. Nela, nós temos guardado tudo que de bom ou ruim fizemos no passado, no presente, e o que poderemos ou não fazer no futuro. Cabe a nós examiná-la, e vermos, com a ajuda de quem nos quer bem, como podemos continuar fazendo o que já fazíamos de bom, e como podemos mudar para não mais praticar atos maus. Seria muito bom que, como Scrooge, nessas datas que nos lembram do quanto devemos ser bons uns para com os outros, nossa consciência nos alertasse sobre como devemos agir! Mas ela só nos alerta se nós quisermos, por isso, devemos estar muito atentos a ela. Para que depois, não soframos como Jacob Marley: “Seu sofrimento, e de todos os outros, era querer fazer o bem na Terra e não conseguir, ter perdido esse poder para sempre”.

Além disso, o conto também nos ensina sobre o verdadeiro valor do Natal. Mais do que uma época para grandes ceias ou ricos presentes, é tempo de olharmos para a necessidade do nosso próximo, que muitas vezes tem uma realidade semelhante às condições em que Cristo Menino nasceu: simples, necessitando da ajuda do próximo. É tempo de lembrarmos também do verdadeiro sentido do Natal: o nascimento de Jesus. A família de Bob, empregado de Scrooge, nos ensina de forma belíssima como o amor muitas vezes é a única fonte de alegria de uma família. A ceia deles era simples, eles passavam por muitas necessidades, mas tinham o coração aquecido pelo verdadeiro sentido do Natal, a presença do Amor entre nós: ”Esta não era, por certo, uma família de gente bonita: eles não estavam bem vestidos, seus sapatos eram desconfortáveis, suas roupas apertadas e, além disso, Peter conhecia muito bem uma loja de penhores. Mesmo assim, estavam felizes e satisfeitos com o que tinham, e também uns com os outros desfrutando juntos aquelas data”.

O conto, também nos ensina sobre o verdadeiro arrependimento. Arrepender-se não significa apenas reconhecer o erro passado, mas tentar não cometê-lo mais no futuro. E Scrooge aprende muito bem isso. “Entrou na igreja, caminhou pelas ruas, olhou as pessoas andando apressadas de lá para cá, afagou a cabeça das crianças, conversou com mendigos, espiou para dentro das janelas das casas e de suas cozinhas, e tudo isso lhe trouxe muita alegria. Nunca tinha imaginado que uma simples caminhada pudesse lhe trazer tamanha felicidade. E, quando a tarde chegou, decidiu ir fazer uma visita ao sobrinho. […] Scrooge fez tudo isso e ainda muitíssimo mais. Para o pequenino Tim – que não morreu – Scrooge acabou tornando-se um segundo pai. Também se tornou um bom amigo, um bom chefe e um bom homem, o melhor que a cidade já conhecera ou que qualquer outra cidade poderia ter conhecido.”

Por fim, esse texto também nos ensina a não desanimarmos ao pensar que somos capazes de fazer tão pouco, diante de tanta necessidade presente no mundo. Scrooge aprende isso com o espírito do natal do passado, ao ver o que seu antigo patrão fazia pelos seus empregados: “Uma coisa tão insignificante, afinal – disse o Fantasma, e ainda assim esses tolos ficam tão agradecidos. – Insignificante?! – ecoou Scrooge. […] – E não é insignificante? O velho só gastou umas poucas libras do seu perecível dinheiro, três ou quatro no máximo. Acha que isso merece tanto elogio? – Não se trata disso – disse Scrooge, ofendido pela crítica e falando, sem querer, como o seu antigo eu, e não como o seu eu atual. – Não é nada disso, Fantasma. Ele tinha o poder de nos tornar felizes ou infelizes, de fazer nosso trabalho suave ou opressivo, de torná-lo um prazer ou uma tortura. Quero dizer que o poder dele estava em suas palavras e gestos, estava em coisas tão vagas e insignificantes que seria impossível medir seu valor. Mas e daí? A felicidade que ele espalhou foi imensa e equivale ao gasto de uma grande fortuna”.

Que assim sejamos nós. Aprendamos, com Scrooge, a examinarmos a nossa consciência, e possamos ensinar nossas crianças a fazerem o mesmo. Podemos fazer muito pouco pelos demais? Não é pouco. É muito melhor do que não fazermos nada. Depende de nós, muitas vezes, como no trecho acima, tornar a vida dos demais suave ou opressiva. Nossos gestos e palavras podem tornar a vida de outras pessoas muito melhor. E, como nos diz o final do conto, “ todos concordavam em dizer que ali estava um homem que sabia celebrar o Natal e manter seu espírito vivo o ano todo – se é que algum homem consegue isso. Que o mesmo possa ser dito de cada um de nós”!.

Boa leitura a todos!

Um abraço!

Letícia

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A árvore generosa

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo

O Gigante Egoísta

 

ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise Literária – Os fantásticos livros voadores de modesto máximo

E a porção semanal de análise literária infantil desta semana apresenta este belíssimo livro de William Joyce! Abaixo o podcast para você ouvir. Se preferir, texto abaixo do link!

 

Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo – William Joyce 

Esse conto infantil foi publicado pela primeira vez em 2012. Dessa vez, estamos falando de uma história mais recente do que as anteriores. William Joyce é cineasta, escritor e ilustrador. Deve ser por isso que o livro é tão bem ilustrado, e a adaptação feita em um curta metragem ganhou o Oscar em 2012 como melhor curta animado.

Nesse conto, o sr. Modesto gostava muito de palavras, histórias e livros. Mas, em um certo dia, acontece um temporal, e tudo voa pelos ares. As vezes, algumas histórias geram reviravoltas na nossa forma de ver o mundo e os acontecimentos. E olhamos além, como o sr. Modesto, que passa a olhar para o céu, para a imensidão. Lá, de repente, ele vê uma moça sendo carregada por livros voadores. Era uma bela moça. Ela é a imaginação, que através dos livros, como nos diz um básico clichê, nos leva para lugares desconhecidos por nós. Modesto então também quer que seu livro voe. E qual é a resposta da moça? Ela diz que ele precisa de uma boa história. Histórias enriquecem o imaginário, e nos fazem conhecer, através da leitura e da imaginação, outros tempos, lugares e pessoas.

Modesto então é levado para um abrigo de livros. Podemos interpretar esse abrigo como uma biblioteca, que aqui é representada como se fosse um ser vivo. É vida que pulsa dos livros! “Estava tomada pelo farfalhar de uma infinidade de páginas, e ele podia ouvir o cochichar de mil histórias diferentes.” E cada livro o convidava a uma aventura. E todos os livros são realmente assim. O livro nos convida a viver algo que provavelmente não teríamos oportunidade de viver na prática.

Além disso, a história nos diz que os livros se misturavam. Tragédias com comédias, poesias com romances… Ninguém vive só de sofrimentos ou tristezas ou apenas de alegrias. A vida é um misto disso. Nos livros, normalmente as coisas estão separadas para facilitar a compreensão, e para que tenhamos a oportunidade de analisarmos de forma pura determinado sentimento ou assunto.

Modesto cuidava de seus livros. Nós sempre teremos a tendência de cuidar do que ou de quem nos faz bem. E isso normalmente não nos custa, pois apreciamos isso. Como Modesto, muitas vezes ficamos imersos em uma história, e não largamos o livro enquanto não o terminamos. O conto também nos diz que ele escrevia sua própria história. Podemos não escrever, mas a vida de cada um de nós poderia ser a base de qualquer narrativa. Ela é história, e por isso nos identificamos tanto com os personagens.

Modesto envelhece, e os livros, para retribuir o cuidado que ele anteriormente tinha com eles, contam-se a si próprios para ele. Quem reconhece o que os outros fazem por eles, retribuirá o cuidado. A vida de Modesto chega ao fim, e o conto termina como começou. Nós passamos e as histórias ficam. São comuns a toda a humanidade, e podem ajudar qualquer ser humano. Eu, você, nossas crianças, somos Modesto Máximo.

 

Boa leitura!

Letícia

0-4 Anos, 5-10 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise: O Gigante Egoísta – Oscar Wilde

Aqui está a porção semanal de análise literária infantil! Abaixo o podcast para você ouvir. Se preferir, texto abaixo do link! Enjoy!

Oscar Wilde

Essa história foi publicada por Oscar Wilde em maio de 1888. Conheci esse texto quando estava na graduação em Letras, e me surpreendi ao ver o talento de Wilde também na escrita de obras infantis. Há muitos aspectos que podem ser analisados nessa história. Vamos a eles!

Inicialmente, as crianças brincam no jardim do gigante, enquanto ele está viajando. As árvores estão carregadas de frutos, as flores estão viçosas, o jardim está belíssimo. Quando ele volta, proíbe as crianças de brincarem em seu belo jardim. Constrói um alto muro, e ainda coloca um aviso lá: “É proibida a entrada, proceder-se-á contra os trangressores.” Ele era egoísta. E como uma pessoa egoísta sofre ao querer o belo e bom só para si. As crianças tentavam brincar em outro lugar, mas lembravam-se sempre do belo jardim do gigante. Aqui temos um ponto importante: elas não sentem medo pelo fato de que ele é diferente. Sentem medo porque ele foi mau para com elas. As crianças normalmente são assim: não tem preconceitos, enxergam todos como iguais e com o valor que cada pessoa tem.

Mas, chega a primavera, tudo está florido, e no jardim isolado do gigante ainda é inverno! Isso acontece com quem fecha-se em si mesmo: ao redor dos demais, tudo está belo, florido. Com certeza há espinhos e dificuldades, mas o belo prevalece. E com quem acha que se basta, só resta solidão e vazio: a ausência das flores para amenizar o lugar, do canto dos pássaros… E ele ficou sem o que mais poderia alegrar a vida dele: as crianças! Onde há crianças, sempre haverá alegria! E o clima castiga o gigante: não lhe dá frutos, pois ele é muito egoísta.

Mas as crianças superam o medo e entram no jardim. Junto com elas entra a primavera! Ao toque da criança, cada árvore floresce e se agita. Mas algo acontece e enternece o coração do gigante: só em uma árvore ainda é inverno. Pois um pequenino não conseguia subir nela. O gigante então percebe que o seu egoísmo só lhe fez mal, e decide tornar aquele jardim como das crianças. Mas, como tinha sido mau, as crianças ao vê-lo fogem, e o inverno volta. Só o menininho que esteve chorando, não o vê e por isso não foge. O gigante o ajuda a subir na árvore. E o menino fica feliz. Novamente, percebemos a alegria ao produzir alegria ao nosso próximo. Mas esse menino não volta mais ao jardim.

O gigante envelhece, e apenas observa as crianças brincarem. Mas como sente falta daquele menino que o fez abrir os olhos!

O inverno retorna. Mas dessa vez, ninguém o odeia. Ele é visto como o descanso da primavera. As coisas não tão agradáveis, mas na maioria das vezes apenas nos preparam para o melhor que está por vir. Uma dificuldade nunca acontece em vão.

Mas uma árvore está florida! E nela está o menino, pelo qual o gigante tanto esperou! E o menino está ferido. O gigante fica bravo, e pergunta quem o feriu. E temos um dos mais belos trechos desse conto infantil: “Estas são as feridas do Amor”. O menino se sacrifica para ver uma árvore florescer, e dar alegria ao gigante. É uma metáfora do amor divino: Deus se entregou por amor a nós! Por isso a palavra amor está em maiúsculo. Porque é o verdadeiro amor, que só provém de Deus. E o menino então diz ao gigante: “Tu deixaste-me brincar uma vez no teu jardim; hoje virás comigo para o meu, que é o Paraíso. E nisso o gigante é encontrado morto pelas demais crianças, coberto de flores brancas. Apenas parece um fim triste. Mas não é! O gigante foi para o jardim que dura eternamente, para a fonte do que há de mais belo e bom. Ao fim do conto, esse gigante já curou seu egoísmo.

Que a beleza, o bem e o amor nos ajudem a sempre melhorarmos também, como esse gigante. E como ele, para melhorarmos sempre, teremos a ajuda do Amor.

Indicação: a partir de 4 anos.

Boa leitura!

Letícia

 

 

 

0-4 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Materiais

Análise: “A árvore generosa”

Aqui está pessoal! Nossa primeira análise literária feita pela querida Letícia! Se vc preferir, acesse o podcast da Porção semanal de literatura no link abaixo. O texto encontra-se abaixo do link.

A árvore generosa 

Shel Silverstein

Esta é uma história do autor norte-americano Shel Silverstein, publicada pela primeira vez em 1964.   Nela,  a árvore é uma grande amiga de um menino, do qual não ficamos sabendo o nome, pois esse menino poderia ser qualquer criança.

Da árvore, já no título, ficamos sabendo que é generosa, então o leitor já fica sabendo que, de alguma forma, essa árvore ajudará alguém. E isso é o que ela faz durante toda a vida do menino, até a velhice deste. Primeiro, é fonte de diversão, de alimento e de repouso. Depois, quando o menino cresce um pouco, vira fonte de renda: o menino vende seus frutos. Passam-se mais alguns anos, e com os galhos da árvore o menino faz uma casa para a sua família. Depois, corta o tronco da árvore, e com ele faz um barco. A árvore acha que se tornou inútil para seu grande amigo, mas no toco que restou, ele encontra um lugar para repousar, pois já é um idoso.

A árvore é símbolo da verdadeira amizade. Pois o verdadeiro amigo quer sempre o bem do outro, mesmo que isso lhe custe tempo, dedicação, ou até mesmo a doação de si próprio. A árvore doou tudo de si para que o menino ficasse contente. E ao final de cada doação, o narrador nos diz: “e a árvore ficou feliz!”. Ela foi tão abnegada na sua amizade, que no fim ela resume-se a um toco. E fica infeliz ao pensar que não servirá mais para nada para o seu amigo: mas ele, já idoso, não quer mais brincar com suas folhas, balançar-se em seus troncos, e também não precisa construir uma casa. Apenas quer repousar. E repousa no toco que restou da árvore. E ela novamente se torna feliz, por ver que faz o seu amigo feliz.

Acredito que essa história pode nos ajudar a ensinar aos pequenos o que é a verdadeira amizade: doação, entrega ao outro, encontro da nossa própria felicidade no ato de proporcionar felicidade ao nosso amigo. Que ensinemos as crianças a serem como a árvore, que doou-se inteiramente. Lembremos que o menino, nessa história, não doa nada para a sua amiga tão dedicada. Não sejamos como ele. Sejamos como a árvore, sempre generosos!

Faixa etária: 4 a 6 anos.

Um abraço!

Letícia