Família, Maternidade

Mergulho da vida

Passa o cilindro de oxigênio. Snorkel é para os fracos!

Cresce no mundo um jeito estranho de encarar a vida. Algumas coisas que deveriam ser óbvias vão se perdendo no mar das facilidades, das conveniências. Por exemplo, o fato de que para escolher algo eu renuncio a outras coisas é matéria desconhecida para uma  parcela grande das pessoas, principalmente os mais jovens. Outros aspectos podem ser citados, mas de uns 30, 40 anos pra cá alguns medos vêm tomando o espaço da vida de muita gente. Medo de coisa que simplesmente faz parte da vida! Amadurecer pressupõe aquelas escolhas citadas acima. Amadurecer pressupõe compreender que não temos o controle total da nossa vida. Não existe meios de controlarmos tudo o que irá acontecer conosco. O amadurecimento, penso eu, deve nos levar a  compreender que viver responsavelmente inclui essa consciência de que não estamos no controle de tudo, somada ao trabalho e à compreensão de que a vida é curta. Não tem como voltar atrás. Nessa linha de raciocínio, perguntas importantes deveriam ser feitas em nosso interior. Sim, se a vida é curta eu tenho que encontrar as melhores coisas, as mais valiosas que posso desfrutar, trabalhar por elas, conquistá-las. Quais são essas coisas? Vou deixar de viver essas maravilhas por medo, preguiça ou comodidade? Sei lá… me parece um baita desperdício viver dessa forma rasa.

Venho tentando ganhar, aos poucos, as profundidades que a vida possui. Quem me dera ser mergulhadora mais experiente. No entanto, infelizmente, ainda tenho alguns medos. Porém, já compreendi que ficar na superficialidade da vida, brincar apenas no raso não pode ser minha meta. Fui feita para grandes mergulhos, que vão custar esforço, treino, dedicação, mas que me trarão, a cada investida, amostras da real beleza da vida.

O que seria brincar no raso? O que seria viver na superfície? Olha, cada um sabe o que vai no seu interior, mas, pra mim a superfície é aquela que foi moldada por uma tirania do egoísmo que não deixa a pessoa se doar, da sociedade que moldou na cabeça de muita gente que pra permitir a entrada de uma criança na vida do casal só quando a grana do plano de saúde do segundo filho (será? Que preguiça!)  estiver separada, o carro e a casa paga e der pra ter dado uns rolês pelo menos por uns países aí.

Pra mim, brincar no raso é não tomar o touro da vida pelo chifre e aceitar de verdade que prometeu amar AQUELA  pessoa. Que está alí para o que der e vier e que faz isso como um movimento de sua mais profunda vontade. Não depende do sentimento, mas sim do querer.

Brincar no raso é dizer, de vez em quando “mas eu mereço ser feliz” e cogitar a possibilidade de esquecer de todas as promessas feitas ao longo da vida. Seriam nossas promessas coisas tão sem valor? Brincadeira de criança?

Ao meu ver esse é um jeito estranho de encarar a vida…como eu disse logo no começo. É imaturo. Falta querer parar para refletir sobre que sentido se dá para cada segundo vivido. Para que, afinal, fazemos o que fazemos a cada dia? Para onde vai tudo isso? Se acreditamos em eternidade, pensamos nela? Fazemos alguma coisa em nossa vida com a consciência de eternidade? Se acreditamos, quais as consequências de nunca pensar nela e nem colocá-la no plano diário de nossas ações? Me parece tão perigoso e incoerente viver assim… Não estou filosofando apenas. Estou pensando em ações muito concretas que podem definir arrependimentos muito profundos e impossíveis de serem revertidos.

Vou vivendo a vida querendo muito mergulhos mais profundos. Tenho muito ainda o que aprender, mas desde já quero ir mostrando às minhas filhas a beleza de se aventurar, de maneira corajosa em águas profundas, que valham a pena e que façam, a mim e a elas, pessoas coerentes.

E você? Mergulha?

Cibele Scandelari

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2 comentários em “Mergulho da vida”

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