Psicologia

AFETIVIDADE: O FILÃO DAS RELAÇÕES

Há algo na pessoa de 2ª categoria? Nada. Nela, tudo importa. Ainda que seja um mistério a ser desvendado para o outro (e para si mesmo), o afeto está aí, justamente para edificar a própria vida pela via das relações humanas.

Entretanto, há algumas enfermidades nesta esfera, quando o isolamento social, a dissimulação e a superficialidade se interpõem entre a pessoa e seus pares, empobrecendo a interação, a autenticidade e a intimidade, condições tão próprias dos seres humanos.

Motivados pelo medo de relacionamentos mais profundos, estamos vivendo numa sociedade de riscos, riscos que aumentam, com a constante individualização das pessoas, desprovidas de interesse em experiências solidárias e agregadoras.

Sem falar do descarte, numa era em que o “amor” acaba (como assim?), um amor que é de tão baixa qualidade que definha e morre. A isso, soma-se um séquito de novos amores, que também sucumbem.

Mas, não vamos nos deter nos fracassos, porque o afeto não vai desabar em face das indiferenças. Ele está ali, à espreita, latejando nos corações, pronto para se entregar às almas que passam.

Amar os outros é um dever de justiça, porque sem o amor, o homem não é viável.

Abaixo o medo, estamos em um caminho comum. Vale instituir uma globalização da solidariedade, não aquela que se derrama em emojis emocionados nas redes sociais, mas aquela que vai ao encontro do outro real e olha nos olhos dele enquanto conversa, passeia, cozinha ou ajuda a carregar caixas.

Voltar a visitar as pessoas, chorar em algum ombro, dar conselhos, contar os segredos ou boas piadas, pode passar a ser a pauta dos dias que seguem.

Somos cidadãos do mesmo mundo e o amor não comporta passividade. Que vida indigesta a dos sentimentos muito contidos. É preciso lutar bravamente contra um monstro que tudo devora: o costume. Costume de não querer incomodar, de não ultrapassar a linha do “razoável”, de não se envolver muito, etc., pois estes nos levam a andar pelo mundo com vultos ao nosso lado.

Então, chega de vidas paralelas e de contatos em vez de relacionamentos, de relações utilitárias ou mornas, de compensações disfuncionais.

Reeducar a nossa capacidade de convivência e a de nossos filhos, ampliar os horizontes sociais e relançar um novo protagonismo que não defraude o afeto humano.

E tudo isso por quê? Para evitar o colapso e reencontrar a verdadeira humanidade interior, cuja eterna fome é a do amor.

Lélia Cristina de Melo

Psicóloga Clínica e orientadora familiar – CRP 08/02909

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