FAQ, Homeschooling

Luto pela educação pública. Sou contra o homeschooling!

Fomos feitos para viver em sociedade. Acredito verdadeiramente que encontramos o vislumbre da real felicidade quando nos vivemos para os outros e não para nosso umbigo. Poucas são as pessoas que realmente não sentem falta alguma de conversar, estar perto, aprender, sorrir, conviver com outras pessoas. Neste sentido, é necessário que, como indivíduos, nos preocupemos com o cuidado do nosso entorno, das nossas relações interpessoais. Esse cuidado afeta a todos, inclusive a nós mesmos. Essa preocupação honesta promove um efeito positivo na teia social e, à medida que cada um procura fazer a sua parte, a sociedade passa a caminhar para uma situação mais próspera. É importante deixar claro que a situação não será perfeita, pois nós não somos.

O que isso tem a ver com a educação domiciliar? Bom, para muitos, a ideia de que algumas famílias possam querer retirar seus filhos da escola para prover sua educação em âmbito integral pode parecer, claramente, que desejam que seus filhos não participem do mundo, que cresçam longe da realidade, que não façam parte da sociedade. E, como eu disse acima, por sermos seres sociais, isso traz uma sensação de que algo pode não estar correto. Geralmente essa sensação vem acompanhada de uma das mais frequentes dúvidas ou argumentos de quem se coloca contra o homeschooling: como as crianças crescerão sem a convivência com os demais? Como desenvolverão senso de comunidade se forem afastadas da escola? Para quem sempre viveu numa sociedade escolarizada, cresceu na rotina escolar, é compreensível que enxergue o mundo sob esse prisma, considero normal que pensem assim. Na sequência da lógica de pensamento, não é raro que então a pessoa afirme que é contra o homeschooling porque acredita que devemos lutar por uma escola pública de qualidade. E é sobre este aspecto que gostaria de falar um pouco mais.

Apesar de uma coisa não ter, objetivamente, nada a ver com a outra, consigo compreender as preocupações de quem pensa assim. A linha de raciocínio é, mais ou menos, a seguinte: famílias que tiram seus filhos das escolas públicas não têm motivos para se preocupar com tais instituições, uma vez que não mais as frequentam. E, uma vez que a escola pública de qualidade é uma necessidade em nossa sociedade, essa lógica as faz ser contra a educação domiciliar. Muitos não percebem que, seguindo essa forma de pensar, deveriam ser contra a escola particular também, as escolas de reforço escolar e a tudo que possa desviar o foco da instituição pública, caminhando para uma diminuição bastante rápida das liberdades individuais garantidas até mesmo pela Constituição. Diminuição dos direitos de escolha.

Muitos acham que existindo apenas a escola pública, a pressão para com o governo feita pela “elite” seria muito maior, uma vez que seus filhos estariam ali. O que esse pensamento significa realmente? Nessa linha de raciocínio os alunos abastados teriam uma escola melhor pois seus pais teriam condições de pressionar e até pagar os políticos para isso. É…acho que aconteceria mesmo isso. Mas também acho que aconteceria tão bem feito que escolas inteiras seriam construídas, seriam “públicas”, mas públicas para só alguns tipos de pessoas. E, voilá, teríamos as escolas “particulares” novamente.

Não precisamos de apenas um tipo de escola para garantir qualidade. Precisamos garantir que o ser humano tenha liberdade, possa ter oportunidades para ter contato com dados primários (ou algo próximo) para o estudo de história, que seja instigado a analisar a realidade, que tenha contato com uma educação verdadeira, independente de onde isso aconteça.

Quem acha que o homeschooling, a escola privada são ruins, acredita que essas alternativas não deveriam existir e que isso, a inexistência dessas alternativas, contribuiria para a diminuição das diferenças de classe. No entanto, essa é uma ideia que contraria frontalmente o direito de escolha das pessoas e, se fosse implementada, não garantiria diminuição de diferença e nem a qualidade, mas garantiria sim a planificação do ensino. Com apenas um tipo de escola, teríamos apenas uma ideia de educação. Quem define o que é bom? Quais aspectos seriam levados em conta? A quem estes aspectos iriam beneficiar? Quando ficaríamos sabendo sobre isso? Acho perigoso que a educação de uma nação inteira, todos os aspectos, todas as minúcias sejam definidos por um grupo seleto de pessoas e que se abra espaço para, cada vez mais, as instituições, as regiões serem esvaziadas de suas características locais, interesses próprios comunitários, crenças em nome do que essas poucas pessoas acreditam. Uma nação cresce com a liberdade! Com debate saudável de ideias! E isso só existe a partir a possibilidade da pluralidade de concepções de pensamento, concepções pedagógicas. Através do respeito às liberdades de consciência.

 

No próximo texto (AQUI) poderemos refletir um pouco mais sobre o que a Constituição nos diz sobre  a liberdade e o pluralismo de ideias no âmbito educacional, levando em consideração a ideia de que é preciso estudar na escola pública para lutar por ela. Se somos à favor da democracia a Constituição deve servir de alguma coisa, não é?

 

Cibele Scandelari

2 comentários em “Luto pela educação pública. Sou contra o homeschooling!”

    1. Olá Veridiana!
      A palavra “luto” está empregada como verbo. Verbo “lutar”. O texto pretende ser uma resposta a quem diz que é contra a educação domiciliar por causa de sua defesa em prol da educação pública. O texto mostra, como vc disse, que uma coisa não tem nada a ver com outra.
      Obrigada por acompanhar o blog!
      Abraços
      Cibele

      Curtir

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