FAQ, Homeschooling

Educação Pública de qualidade e Educação Domiciliar

No primeiro texto (AQUI) sobre a relação que algumas pessoas fazem entre a possibilidade da educação domiciliar impedir seus praticantes de se preocuparem com a educação pública, fiz uma reflexão sobre como essa linha de raciocínio abrange outras instituições e como, na verdade, é perigosa. Hoje, gostaria de analisar esse pensamento à luz das palavras contidas em nossa lei máxima.

Existe um parágrafo na Constituição brasileira que diz que a liberdade e pluralismo de ideias são uns dos princípios da educação no país e que aos pais é garantido o direito e dever de assistir, criar e educar os filhos menores. Pois bem. Não é à toa que está na nossa Carta Magna tais palavras. A garantia da pluralidade de ideias, a coexistência de diferentes concepções pedagógicas aumentam as chances de contemplar as mais diferentes realidades e impedem que a educação seja lançada mão como ferramenta de manipulação, seja para qualquer tipo de mentalidade.

Defender a existência da opção pela educação domiciliar não é defender o descaso para com as outras concepções pedagógicas. É, na verdade, lutar pela possibilidade de escolha, direito de qualquer pessoa.

Quem brada dizendo que luta à favor da escola pública e que, por isso, é contra a educação domiciliar, esquece que não precisamos, efetivamente, usar um serviço público para lutar por ele. Seguindo essa linha de raciocínio, nada mais poderia existir que não fosse estatal. E isso é perigoso. Não acha perigoso? Então, vamos a um exemplo: imagine você não poder escolher o que ver na internet pois o governo detém o controle dos meios e ele escolhe por você o que pode ou não ter acesso. Não precisamos ir muito longe para conseguir exemplos disso… Certas coisas estão na Constituição para garantir que os cidadãos do país possam gozar de direitos, compreender suas responsabilidades, serem cobrados por elas.

Outro argumento contra essa linha de raciocínio é que a existência de um serviço básico nos moldes públicos não impede, não inviabiliza, necessariamente, a existência desses serviços em outros moldes, ou outras formas de conseguir os mesmos resultados. Do contrário teremos que pensar a existência dos transportes particulares, por exemplo.

Privar as famílias de uma possibilidade de escolha vai contra a Constituição e não melhorará o ensino público que sofre, principalmente, com a corrupção (motivo pelo qual a verba não chega). Esta monstra assola o país como um todo e é nela que devemos atacar. E atacaremos através de pessoas bem formadas, com pontos de vistas diferentes, capazes de analisar a realidade sob perspectivas multifacetadas, com maiores chances de encontrar soluções. Ter uma única via de ensino garante apenas e tão somente a produção de um ensino massificante, produtor de indivíduos usuários de antolhos colocados ao longo de muitos anos de uma educação destinada a limitar a visão e forçar o olhar apenas para uma forma de pensar. A realidade, no entanto, é diversificada. É tão rica que necessitamos do olhar dos outros para compreender o todo, ou vislumbrar o caminho para tal empreitada. Para isso, precisamos garantir a pluralidade e a real qualidade em todas essas possibilidades.

Certos assuntos precisam ser pensados e repensados…por isso este ainda não acabou. Continuarei a refletir e a expor minhas opiniões, na busca, sincera, pela verdade dos fatos baseados na realidade.

 

Cibele Scandelari

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