FAQ, Homeschooling

A socialização das crianças (em números)

por Gracielle Oliveira, futura mãe homeschooler

Mas e a socialização? Quem nunca falou ou ouviu essa frase quando o assunto é o homeschooling que atire a primeira pedra. Provavelmente este é o primeiro questionamento de um leigo nesse assunto. Curiosamente, precedente aos questionamentos sobre a qualidade do ensino prestado pelas famílias aos seus filhos.

Em princípio, quando se pensa em educação dos filhos em casa, surge no imaginário das pessoas uma criança como Tarzan ou Mogli, que não sabe viver com outros seres humanos, isolada de tudo e de todos, no meio da selva, aliás, aprisionado em sua casa. Ou, como dizem, numa bolha. Porque se não é a escola, afinal, como ela vai se socializar? Como ela vai aprender a conviver com pessoas diferentes, de classes sociais diferentes, religiões, raças, opiniões etc? E aqui eu gostaria de deixar um adendo. Nós pagávamos por uma escolinha caríssima para nosso orçamento, achando que estávamos fazendo o melhor para a educação das nossas filhas, numa época em que não fazíamos ideia do que era homeschooling. Nessa escola, praticamente todas as crianças eram da mesma classe social e raça, mais ou menos a mesma faixa etária, gostavam mais ou menos das mesmas coisas, frequentavam mais ou menos os mesmos lugares etc. Claro que cada ser humano é diferente um do outro, mas, de maneira geral, aquela escolinha não era um ambiente assim tão plural quanto se prega por aí sobre a importância da escola na promoção da socialização. No entanto, nunca passou pela nossa cabeça (nem de ninguém) um dia alguém nos denunciar ao conselho tutelar por não estar promovendo a socialização dos nossos filhos, deixando-os num ambiente pouco plural…

De lá pra cá, nossos conceitos sobre o papel dos pais na educação mudaram bastante. Além disso, tomamos mais consciência do baixíssimo nível em que se chegou a educação brasileira. E, assim, como começaram muitas famílias homeschoolers, estamos estudando sobre educação e educação domiciliar.

Dia desses, durante as férias escolares, enquanto observava meus filhos interagindo entre si, refletia sobre a socialização, que gera tanta preocupação nas pessoas e autoridades. Se a escola é tão imprescindível para as crianças se socializarem, como que fica esse quesito durante as férias? E durante os fins de semana e feriados? Então me dei conta de que, como são 200 dias letivos por ano, logo, restam-se ainda 165 dias em que as crianças não vão à escola. Elas ficam sem se socializar nesses períodos em que estão longe do ambiente escolar? Elas se tornam “Tarzans”? 

Se considerarmos como real o a ideia de que a criança aprende a se socializar na escola, quanto tempo ela tem disponível para isto? Então resolvi colocar na ponta do lápis. Com algumas simples “regrinhas de três”, cheguei ao resultado de 11,41% do seu tempo ao longo de um ano, se caso não faltar nenhum dia de aula, ou 8,6%, tomando-se por base a frequência mínima exigida. Os outros 91,4% do seu tempo, ela faz o quê além de dormir? Ela não se socializa? Qual tem mais impacto no aprendizado de convivência humana, necessariamente, o tempo em que a criança passa na escola (8,6%) ou o que ela passa fora dela (91,4%)? Agora convido você a refletir se é somente na escola que a criança aprende a conviver em sociedade.

Muitas pessoas acreditam que, sem o ambiente escolar, a criança se tornará incapaz de conviver com outros seres humanos saudavelmente. Se a escola é tão imprescindível a esse ponto, talvez as férias não devessem existir ou serem drasticamente reduzidas para não comprometer a boa convivência da criança em sociedade. No entanto, sabe-se que “onde houver pessoas reunidas, haverá interação e socialização” (Clark, 2016).

 

Obrigada pela participação Graciellle!!

Se você quiser ler algo mais sobre socialização, poderá encontrar os seguintes artigos:

“HOMESCHOOLING? Você vai alienar seu filho!”

“HOMESCHOOLING? Você é irresponsável!”

“E a socialização?”

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2 comentários em “A socialização das crianças (em números)”

  1. Hoje assisti uma reportagem sobre um grupo de moças recém aprovadas em medicina. Elas estavam de joelhos perante um grupo imenso de veteranos. Em um estranho ritual, juravam fazer sexo somente com os mais velhos, desde que da mesma especialidade.

    Uma das repórteres disse que elas aceitavam isso para poder fazer parte de um grupo qualquer, senão ficariam sozinhas durante todo o curso.

    Lembrei do que disse o professor Olavo de Carvalho quando escreveu “o imbecil juvenil” no livro “o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”. Ele descreve esse tipo de pessoa que se prostitui, se achar que é preciso, somente pelo temor do isolamento. É o espírito de rebanho, o desejo de viver em bandos, a disposição de tudo ceder, de se prostituir se achar que é preciso, desde que possa ter uma vaga no grupo das pessoas cujo caráter é o pior possível.

    Essa descrição é só um pequeno vislumbre do veneno que está dentro da embalagem rotulado com a palavra “socialização”.

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