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O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Olá, pessoal! Fiquei sumida por um tempo, e por isso gostaria de
explicar a falta de publicações semanais no Porção semanal de literatura
infanto-juvenil. Eu casei no dia 15/12/18! E logo depois veio o Natal e o Ano
Novo, a organização da mudança… Então a vida estava super corrida, e por
isso eu peço desculpas por ter deixado o canal sem novos podcasts. Mas
agora retomamos, e farei o possível para manter o podcast semanal.
Hoje falarei um pouco sobre O pequeno príncipe! Publicada no ano de
1943, essa é umas das maiores obras da literatura infanto-juvenil, e um
clássico da literatura em geral. Várias gerações cresceram lendo esse livro, e
ele tem muito a nos ensinar. Acredito que é indicado para crianças a partir de 7
anos, para que possa entender toda a simbologia e o significado dos diálogos
dessa novela infantil.
Primeiramente, falarei um pouquinho sobre o autor. Há muito da sua
vida pessoal no romance, conforme o que lemos em um TCC sobre O Pequeno
Príncipe, intitulado: Antoine de Saint-Exupéry: uma análise das escolhas
simbólicas na obra O pequeno príncipe. Vários elementos da vida pessoal
de Exupéry estão nessa novela. Exupéry, quando criança, tinha grande
vontade de voar. E alimentou isso durante toda a sua vida, pois se tornou piloto
profissional. Então, aquele piloto do início dessa novela pode ser o próprio
Antoine, que depois acaba conhecendo o pequeno príncipe. Além disso, o
autor, em uma conversa com o seu editor e a esposa deste, ao ser perguntado
sobre o esboço de um desenho, responde: “Nada demais. Apenas o garoto que
existe no meu coração.” O pequeno príncipe, de certa forma, era a
materialização do que Exupéry foi e também do que gostaria de ter sido na sua
própria infância.
Outro elemento simbólico é a rosa. O pequeno príncipe a considera
única, e pensa que ela é realmente a única da sua espécie existente em todos
os planetas. Mas, durante a sua viagem, percebe que há muitas rosas no
mundo. Mas, conforme aprende com a raposa foi com ela que ele criou laços,
foi a ela que ele cativou, e por isso ela é única. A esposa de Exupéry se
considerava essa rosa, conforme nos mostra esse trecho de uma carta dela ao
marido: “Então, meu querido, pense em tudo que tem a fazer e quantas
alegrias dará à sua rosa, à sua rosa vaidosa, que dirá consigo mesma: ‘Sou a rosa do rei, sou diferente de todas as outras, porque ele cuida de mim, me faz
viver”.
Em outro artigo, intitulado The Little Prince: Exploring the roots of
Wonder, de Greg Newbold, o autor comenta que a raposa apresenta ao
príncipe uma nova forma de ver o mundo. De forma geral, “esses personagens são ao mesmo tempo simples e complexos – simples em
seus enunciados e ações ligados à idade, universais e verdadeiras em suas
declarações e ações que desafiam a idade.” E temos muito para aprender com
essa raposa, e com vários ensinamentos de muitos personagens dessa história
em geral. Vamos a eles!
Comecemos com uma parte do diálogo entre o rei solitário e o
pequeno príncipe. Ao fazer algumas perguntas ao príncipe, o rei conclui dessa
forma: “— Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou
o rei. A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que se
lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência,
porque minhas ordens são razoáveis.” Muitas vezes exigimos de algumas
situações e das pessoas próximas de nós mais do que elas são capazes de
nos dar. E isso também pode gerar revoluções na nossa vida. A tirania nunca é
solução. O rei nos ensina mais algumas coisas. Ao falar sobre julgamentos, diz
ao príncipe: “— Tu julgarás a ti mesmo, respondeu-lhe o rei. É o mais difícil. É
bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros. Se consegues julgar-
te bem, eis um verdadeiro sábio.” É tão fácil julgarmos e vermos os erros que
os demais cometem… E ao mesmo tempo, é tão difícil reconhecermos os
nossos próprios erros! Por isso ele diz que quem consegue julgar-se bem, é
sábio. Isso não quer dizer que sabe julgar-se quem não vê defeitos e erros em
si; e sim, quem os percebe e age para transformá-los em virtudes.
Mas há quem não aprenda com os erros, e queira usá-los como alento.
O príncipe, ao continuar sua viagem, chega em um planeta onde encontra um
beberrão. “ — Por que é que bebes? Perguntou-lhe o principezinho. — Para
esquecer, respondeu o beberrão. — Esquecer o quê? Indagou o principezinho,
que já começava a sentir pena. — Esquecer que eu tenho vergonha, confessou
o bêbado, baixando a cabeça. — Vergonha de quê? Indagou o principezinho,
que desejava socorrê-lo. — Vergonha de beber! Concluiu o beberrão,
encerrando-se definitivamente no seu silêncio. E o principezinho foi-se embora, perplexo. As pessoas grandes são decididamente muito bizarras, dizia de si
para si, durante a viagem.” São realmente bizarras. O erro torna-se alentador,
para esquecer dele mesmo!
Semelhante ao bêbado é o homem de negócios que o príncipe encontra
em outro planeta. Esse homem gasta todo o seu tempo a contar as estrelas,
pois diz que as possui: “— E que fazes tu dessas estrelas? — Que faço delas? — Sim. — Nada. Eu as possuo. — Tu possuis as estrelas? — Sim. — Mas eu
já vi um rei que … — Os reis não possuem. Eles “reinam” sobre. É muito
diferente. — E de que te serve possuir as estrelas? — Serve-me para ser rico. — E para que te serve ser rico? — Para comprar outras estrelas, se alguém
achar. Esse aí, disse o principezinho para si mesmo, raciocina um pouco como
o bêbado.” O bêbado queria esquecer que bebia tomando um pouco mais.
Este, conta todas as estrelas, diz que é dono delas, e por quê? Para que possa
comprar ainda mais estrelas. Lembremo-nos de que a simples posse, por ela
mesma, não traz felicidade e satisfação para ninguém.
Mas, em outro país, o príncipe encontra um sujeito pelo qual se
interessa. É um acendedor de lampiões que não tem descanso. “Esse aí, disse para si o principezinho, ao prosseguir a viagem para mais longe, esse aí seria desprezado por todos os Outros, o rei, o vaidoso, o beberrão, o homem de
negócios. No entanto, é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio. Suspirou de pesar e disse ainda: Era o único que eu podia ter feito meu amigo. Mas seu planeta é mesmo pequeno demais. Não há lugar para dois …” Foi o único que ele encontrou que preocupa-se com algo externo a eles mesmos. O homem de negócios, só queria saber da sua riqueza; o beberrão, da sua tristeza e da sua satisfação; o rei, apesar de pensar um pouco mais, só queria ter súditos para poder exercer seu poder; e o vaidoso, só queria admiradores, e não amigos.
Isso é o que o egoísmo faz com todos: impede as relações humanas,
impossibilita as amizades.
E finalmente temos os belos ensinamentos da raposa! “A raposa calou- se e considerou por muito tempo o príncipe: — Por favor… cativa-me disse ela. — Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer. — A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um
amigo, cativa-me!” Ela ensina o príncipe que cativar significa criar laços. Por isso ela diz que os homens não conseguem mais amigos, porque não se dão ao trabalho de criar laços com os demais. É por isso também que, ao despedir- se dele, ela diz o seguinte: “— Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É
muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. — O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. — Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante. — Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. — Os homens esqueceram essa verdade,
disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa… — Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.”
Tudo que é essencial nessa vida é invisível, e só podemos sentir: Deus, (a
quem vemos apenas através da fé), o amor, as amizades verdadeiras, a
alegria, o companheirismo… Tudo isso só é visto através do coração. Em
seguida, a raposa fala o trecho mais famoso do livro O pequeno príncipe: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Ou seja: você tem
responsabilidade com as pessoas com as quais você criou laços. Por isso uma esposa tem responsabilidades com seu marido, e vice versa; o pai e a mãe
com seus filhos; os filhos com os pais; os irmãos; e os amigos. Não é possível
desprezar e esquecer uma pessoa que eu cativei.
Por fim, temos um último trecho que considero muito interessante: “ — Bom dia, disse o principezinho. — Bom dia, disse o vendedor. Era um
vendedor de pílulas aperfeiçoadas que aplacavam a sede. Toma-se uma por semana e não é mais preciso beber. — Por que vendes isso? perguntou o
principezinho. — É uma grande economia de tempo, disse o vendedor. Os peritos calcularam — A gente ganha cinqüenta e três minutos por semana. — E que se faz, então, com os cinqüenta e três minutos? — O que a gente quiser…
Eu, pensou o principezinho, se tivesse cinqüenta e três minutos para gastar,
iria caminhando passo a passo, mãos no bolso, na direção de uma fonte.” O
príncipe entendeu melhor do que o vendedor o valor do tempo. Para que
buscar ter mais tempo, se não soubermos como utilizá-lo bem? Aí só teremos mais tempo para desperdiçar, e assim mostraremos que ainda não compreendemos o valor imenso que o tempo possui.
Espero que essa reflexão tenha sido proveitosa, e tenha compensado o
tempo que ficamos sem podcasts por aqui. Continuem acompanhando a
página do Porção semanal de literatura infanto-juvenil, o canal aqui na Sound Cloud, e deixem suas sugestões para as próximas análises.

O Pequeno Príncipe
O Pequeno Príncipe

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