Família, Maternidade

Inspirações Maternas

Quando a vinda dos filhos é abraçada em todos os sentidos possíveis, a maternidade (e a paternidade) podem transformar a maneira com que uma pessoa encara a vida e a sua própria existência. Quando nos dispomos a realmente querer compreender o significado de sermos co-participantes do milagre da vida, mudamos a nossa visão para com os momentos difíceis, incômodos e conturbados que, certamente aparecem ao longo da caminhada e, em contrapartida, passamos a perceber com outros olhos a profundidade da beleza que cada vida traz consigo.

Abraçar e aceitar a condição de mãe e pai e deixar que o sofrimento por amadurecer e ser, ao longo da vida menos egoísta por movimento do esforço e da vontade é algo ímpar e necessário para sermos cada vez mais humanos.

Recentemente assisti, com muita vergonha alheia, com muita dó uma mãe afirmar que “é mentira essa história de que quando a criança nasce, a mãe nasce junto”. Ela afirmava que “até amava o filho”, mas que continuava a preferir a sua liberdade. Disse que agora, com o filho, ela não podia mais fazer nada e, uma das coisas que citava era que não podia mais se masturbar quando quisesse. Ela deixou isso gravado e, com certeza não se importa de que um dia seu filho venha a saber que ela preferia o prazer físico momentâneo a ele. Quanta oportunidade desperdiçada. Somos de uma geração na qual, uns mais que outros, se negam a sofrer para amadurecer e com isso perdem as coisas mais profunda, belas e duradoras do fato de serem pessoas e não bichos.

Em contrapartida, Deus garante que, de quando em quando, eu me depare com outras mães que entenderam, que vão compreendendo cada vez mais o sentido do sacrifício e da real felicidade. Para essas pessoas lindas a passagem do tempo tomou outro peso,, assim como o valor de quem a rodeia e de cada ato seu. Muitas dessas mães são amigas que convivo com muita frequência e peço a Deus por todas para que Ele as abençoe sempre. Uma dessas mães tive o prazer de conhecer através da internet e, um dia, espero poder abraçá-la e agradecer por sua dedicação e maturidade.

Deixo aqui as belas palavras dessa mãe querida, Marília Coêlho e agradeço a delicadeza com que vê a vida, a maternidade, as dificuldades e a passagem do tempo.

Dias de uma mãe  (por Marília Coêlho)

Marília Coêlho e seu filho Davi a espera da irmãzinha.

Quero dias assim
Cheios de passarinhos
Com você em mim
Como os filhotes no ninho

Quero dias assim
Em que eu, em essência,
Não me peça mais paciência
Pois pacientemente já viva
Ouvindo sua voz ativa
A entoar cantigas
Que não pareçam ter fim

Quero dias que passem
Misteriosamente mais lentos
Quando a pele tocar o vento
E o meu e o seu pensamentos
Por nossos olhares se falem
E ninguém no mundo repare
No barulho do nosso silêncio

Quero esses dias calmos
Em que tenham espaço os salmos
As orações e os poemas
Em que todos os grandes problemas
Assim diminuam os palmos
Que parecem ter,
quando em cena,
Não entra paz tão serena

Quero respirar profundo
Colher e comer o fruto
E com você ver o mundo
A celebrar o produto
Da primavera e das flores
Dos sonhos e dos amores
Da vida cheia de cores
Que amanhece nos arredores
Da casa onde a gente more

Quero também o trabalho
De recomeçar quando falho
De me perder em brincadeiras
Exaurida, mas convencida
De me doar inteira
Por tão passageira vida

Quero dias assim
E que sejam dias sem fim
Com passarinhos nos ninhos
E você a eles sorrindo
Sem perceber o encanto
Espalhado em cada canto
Do meu coração em pranto
No desejo que o tempo perdure
E que dia a dia ele cure
Os males dentro de mim

 

Um abraço,

Cibele

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