Família, Maternidade

Maternidade e luta pessoal

ou… os presentes que os filhos nos dão…

Quando eu ainda trabalhava como professora e tinha 2 das filhas que hoje tenho, em um dos tantos dias que tive que enfrentar aquele trânsito horroroso (como não sinto falta disso…)  acabei saindo atrasada da escola para pegar minha filha mais nova na minha mãe. Eu estava toda afobada, ia o pegar trânsito pior que de costume, estava irritada, enfim queria sair logo. No meio de tudo isso , Maria Clara, minha filha mais velha que estava comigo, lembrou do sorvete, que havíamos combinado no dia anterior. Bom,  eu não estava com humor para ter que parar  no meio do caminho e atrasar mais para comprar um picolé de morango. Porém… eu havia prometido. Fiz um esforço, engoli minha colossal falta de paciência e fui comprar o vermelhinho no palito. No caminho da volta, fiquei satisfeita comigo mesma. Minha tendência natural seria desconversar e quebrar com nosso combinado. Mas que tipo de coisa estaria ensinando à minha filha? Mentir? Que quebrar promessas é normal? Que a palavra da mãe pouco vale? Não! Não era isso que eu queria. Eu ainda estava com pressa e minha “epifania educacional” não diminuíra a intensidade do trânsito, no entanto o mal humor estava começando a ir embora. Cheguei até ela que me olhava ansiosa e sorrindo. Foi gostoso dar o picolé pra ela. Entrei no carro e voltamos ao nosso caminho. Em um instante escuto: “Eu gosto de você, mamãe!”. Meu coração começou a derreter, porém, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela completa: “…mas gosto mais do sorvete.” Rá.   E assim minha filha despachou o meu mal humor. Tive que rir da sinceridade da pimpolha e ficar contente comigo mesma por ter mantido a palavra.

Quando uma criança nasce, ela já traz consigo um presente para sua mãe. Traz a oportunidade de, através dela e por causa dela, essa mãe escolher ser uma pessoa melhor. Ser mãe é uma escolha carregada de muita responsabilidade. Não é algo que se cumpre para dar um “ok” em uma lista de “coisas a fazer”, mais ou menos colocada entre terminar uma faculdade, conquistar um cargo  e ter o reconhecimento da sociedade. A criança não pediu para estar ali. No entanto, ela merece e precisa que essa pessoa ocupe e desempenhe o papel que escolheu ter.

Ser mãe não é um título. Não é uma responsabilidade delegável (muito embora muitas mulheres e famílias escolham delegar, com resultados desagradáveis). Ser mãe é reconhecer que aquele ser humano que está ali é dependente do seu sorriso de aprovação, do seu afeto , da sua presença, dos seus conselhos, enfim, de tudo aquilo que você é e luta para ser. Você pode até não ter paciência suficiente, organização suficiente, tempo suficiente, entre tantas outras coisas super escassas nos dias de hoje. Porém, seu filho precisa que você lute nessas coisas. Ele precisa sentir, saber que apesar de não ser perfeita, sua mãe luta para ser cada dia melhor por ele e por ela mesma.

As mães que largaram tudo para estar com os filhos em casa e dedicar-lhes cada segundo a eles não estão isentas dessa responsabilidade de melhora perante seus filhos. Sim, indo contra a maré que nos quer fora de casa, voltamos para o lar. Desligamos os holofotes do reconhecimento profissional e perfumamos nossos lares com a nossa presença. De certa forma isso é heróico sim. Porém as mulheres, agora donas de casa, mães homeschoolers não se encontram  na perfeição da maternidade por isso. Na realidade, por estarmos imersas na convivência com os filhos, com o marido, encontramos mais momentos para melhorar. Uma profissional que é desleixada ou mal humorada no ambiente de trabalho deixa de contribuir eficazmente para com ele e falta com a caridade para com outros adultos. Uma mãe que se comporta assim, vai minando, devagar ou mais rápido, a visão de mundo de seus filhos, de crianças em formação. E é ela que mostra o caminho. 

Por isso, cada vez que um filho estiver com preguiça num estudo e estiver nos testando, quando os irmãos começarem a brigar, quando tantas coisas do lar estiverem nos deixando de mal humor, que consigamos lembrar que cada uma dessas coisas pode virar uma oportunidade de melhorarmos como pessoas e assim sermos verdadeiros exemplos de luta.

Sobre essa possível luta, confira a próxima publicação: “Maternidade e luta pessoal – parte 2“. Vale a pena que reflitamos sobre isso.

 

Um abraço!

Cibele

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