Família, Maternidade

Maternidade e individualidade – Parte 2

Ser mãe… e ainda sim, ser pessoa

A VISÃO DE MÃES DE FAMÍLIAS NUMEROSAS – continuação

Dando continuidade à reflexão que teve início na publicação “A maternidade aniquila a individualidade?” (inicie sua leitura por lá!), Manoela Martins, mãe homeschooler de 6 lindas crianças, minha amiga e comadre comenta que apesar da maternidade mudar a vida radicalmente, ela acredita que conseguiu manter sua identidade. Seus interesses e suas necessidades foram mudando e, assim como  Ozana, ser mãe passou a fazer parte de quem ela é. Afirma ainda, que apesar de o tempo que agora dispõe para ser despendido com ela mesma seja muito menor, a necessidade do mesmo também diminuiu. 

Eliane Bordini (8 filhos) conta que quando sua primeira filha nasceu não queria que nada desse errado. Queria tudo perfeito e isso gerou desgaste em vários campos de sua vida. Porém, após cada novo nascimento, foi se descobrindo, encontrando seus limites, descobrindo em si coisas boas, novos gostos, novas vontades. “O fato de ter muitos filhos foi  e é determinante para descoberta de minha identidade como mulher, com o esposa, como mãe, como filha, como amiga porque ajudando no desenvolvimento de meus filhos eu mesma fui me exigindo nos diversos aspecto da educação. Eu diria que  fui me educando ao educar e esse processo ainda continua“, afirma Eliane.

Segundo Manoela, a manutenção da individualidade na maternidade depende da maneira como a mulher organiza sua hierarquia de valores (o que é mais importante?) e a abertura para envolver a família em coisas que antes podiam ser só dela. Afirma que ainda faz muitas das coisas que gostava antes de ser mãe, apesar da freqüência ter diminuído.  “Há muitas coisas que eram peculiaridades minhas nas quais passei a envolver as crianças ou a família para poder continuar fazendo, como por exemplo artesanato, culinária e caminhadas no parque. Além disso, quando todas as crianças estão tranqüilas e se sentindo seguras elas se envolvem em suas brincadeiras e hobbies e sobra tempo para eu fazer sozinha coisas minhas como ler e estudar enquanto elas aprendem a cultivar também o próprio espaço individual”.

Eliane também cita a importância em eleger prioridades. O que é importante em cada dia? Conta um episódio: “há anos ao arrumar o armário de meu marido tirei um pijama amarelo que precisava ser costurado e nunca mais achei este pijama, e até hoje ele brinca ao me pedir alguma coisa “olha o pijama amarelo”… O pijama podia ser substituído por outro, minha presença com os filhos não.

Balancear a atenção para si mesma e para o resto da família foi, é e sempre será um desafio para todas as mães. Umas tem mais facilidades que as outras. Encontrar esse balanço pode ajudar na busca por preservar a identidade de pessoa. De todas as pessoas da família, da mãe, do pai e dos filhos. Sobre isso,  Manoela afirma que no gerenciamento do tempo para cada filho busca, em sua família, respeitar a fase em que estão, ou seja, sua individualidade. Um bebê precisa de atenção contínua enquanto que uma criança de seis anos precisa de atenção exclusiva por um período de tempo menor.

Acredito que aqui podemos resumir a missão de ser mãe e continuar a ser mulher, profissional, pessoa, com as seguintes “dicas”:

  • encare a responsabilidade vinda com a maternidade como mais uma oportunidade para crescer e se descobrir.
  • Não crie expectativas que a levem a pensar que as coisas não mudarão, que você conseguirá fazer tudo como fazia antes.
  • Pense sobre as coisas mais importantes da sua vida. Quais são e como você está disposta a encará-las.
  • Inclua no gerenciamento de seu tempo algo que você gosta e vá educando a família a entender que aquele é o SEU tempo. Ele poderá ser um pouco menor e talvez você venha a ter algumas “participações especiais”, mas te ajudará a manter o gostinho em ser você mesma.

Dê uma chance para a maternidade te mostrar facetas que desconhecia em você mesma. Não tenha medo e não dê ouvidos para a leva de gente carrancuda e sem brilho que colocou na maternidade ares de aniquiladora de sonhos e possibilidades.

Um abraço!

Cibele

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