0-4 Anos, 5-10 Anos, ANÁLISE LITERÁRIA, Homeschooling, Materiais

Análise: O Gigante Egoísta – Oscar Wilde

Aqui está a porção semanal de análise literária infantil! Abaixo o podcast para você ouvir. Se preferir, texto abaixo do link! Enjoy!

Oscar Wilde

Essa história foi publicada por Oscar Wilde em maio de 1888. Conheci esse texto quando estava na graduação em Letras, e me surpreendi ao ver o talento de Wilde também na escrita de obras infantis. Há muitos aspectos que podem ser analisados nessa história. Vamos a eles!

Inicialmente, as crianças brincam no jardim do gigante, enquanto ele está viajando. As árvores estão carregadas de frutos, as flores estão viçosas, o jardim está belíssimo. Quando ele volta, proíbe as crianças de brincarem em seu belo jardim. Constrói um alto muro, e ainda coloca um aviso lá: “É proibida a entrada, proceder-se-á contra os trangressores.” Ele era egoísta. E como uma pessoa egoísta sofre ao querer o belo e bom só para si. As crianças tentavam brincar em outro lugar, mas lembravam-se sempre do belo jardim do gigante. Aqui temos um ponto importante: elas não sentem medo pelo fato de que ele é diferente. Sentem medo porque ele foi mau para com elas. As crianças normalmente são assim: não tem preconceitos, enxergam todos como iguais e com o valor que cada pessoa tem.

Mas, chega a primavera, tudo está florido, e no jardim isolado do gigante ainda é inverno! Isso acontece com quem fecha-se em si mesmo: ao redor dos demais, tudo está belo, florido. Com certeza há espinhos e dificuldades, mas o belo prevalece. E com quem acha que se basta, só resta solidão e vazio: a ausência das flores para amenizar o lugar, do canto dos pássaros… E ele ficou sem o que mais poderia alegrar a vida dele: as crianças! Onde há crianças, sempre haverá alegria! E o clima castiga o gigante: não lhe dá frutos, pois ele é muito egoísta.

Mas as crianças superam o medo e entram no jardim. Junto com elas entra a primavera! Ao toque da criança, cada árvore floresce e se agita. Mas algo acontece e enternece o coração do gigante: só em uma árvore ainda é inverno. Pois um pequenino não conseguia subir nela. O gigante então percebe que o seu egoísmo só lhe fez mal, e decide tornar aquele jardim como das crianças. Mas, como tinha sido mau, as crianças ao vê-lo fogem, e o inverno volta. Só o menininho que esteve chorando, não o vê e por isso não foge. O gigante o ajuda a subir na árvore. E o menino fica feliz. Novamente, percebemos a alegria ao produzir alegria ao nosso próximo. Mas esse menino não volta mais ao jardim.

O gigante envelhece, e apenas observa as crianças brincarem. Mas como sente falta daquele menino que o fez abrir os olhos!

O inverno retorna. Mas dessa vez, ninguém o odeia. Ele é visto como o descanso da primavera. As coisas não tão agradáveis, mas na maioria das vezes apenas nos preparam para o melhor que está por vir. Uma dificuldade nunca acontece em vão.

Mas uma árvore está florida! E nela está o menino, pelo qual o gigante tanto esperou! E o menino está ferido. O gigante fica bravo, e pergunta quem o feriu. E temos um dos mais belos trechos desse conto infantil: “Estas são as feridas do Amor”. O menino se sacrifica para ver uma árvore florescer, e dar alegria ao gigante. É uma metáfora do amor divino: Deus se entregou por amor a nós! Por isso a palavra amor está em maiúsculo. Porque é o verdadeiro amor, que só provém de Deus. E o menino então diz ao gigante: “Tu deixaste-me brincar uma vez no teu jardim; hoje virás comigo para o meu, que é o Paraíso. E nisso o gigante é encontrado morto pelas demais crianças, coberto de flores brancas. Apenas parece um fim triste. Mas não é! O gigante foi para o jardim que dura eternamente, para a fonte do que há de mais belo e bom. Ao fim do conto, esse gigante já curou seu egoísmo.

Que a beleza, o bem e o amor nos ajudem a sempre melhorarmos também, como esse gigante. E como ele, para melhorarmos sempre, teremos a ajuda do Amor.

Indicação: a partir de 4 anos.

Boa leitura!

Letícia

 

 

 

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