Família, FAQ, Homeschooling

Homeschooling: potencializador de diferenças?

O homeschooling como potencializador de diferenças e não da igualdade social

Antes mesmo da votação do STF a respeito do homeschooling, chegou ao meu conhecimento alguns artigos supostamente científicos a respeito do tema. Digo supostamente pelo fato de não ter me debruçado sobre eles a fim de esmiuçar a forma como foram feitas as pesquisas. Meu objetivo aqui não é esse. Quero apenas compartilhar uma visão pessoal , de quem já esteve em sala de aula pública e privada e agora se deleita com outra sala: a de casa. 

Pois bem, um dos aspectos dos artigos que li (na íntegra) e que me chamaram a atenção afirmava que o homeschooling é um potencializador, um catalizador das diferenças e, por isso, não promove a igualdade social e que não deveria ser aprovado.

Bom, ao ler tal posição minha inclinação inicial foi pensar que a vida real em si promove inúmeros fatores que tornam a igualdade (essa idealizada) uma Eldorado. Não acho que, como sociedade, não devamos procurar meios que garantam uma justa caminhada, como garantir que todos tenham acesso ao saber. Nada disso, deixemos claro. No entanto, os autores dos artigos indicavam que, inclusive  a existência da escola particular torna a desigualdade mais latente e que seria necessário repensar sua existência. Um dos artigos era da área do direito e não havia ali o menor pudor em sugerir esse tipo de medida, algo que vai contra a Constituição. Nossa Carta Magna, no inciso III do Artigo 206 estabelece como princípio da educação escolar o pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e a coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.  Não pense, quem está a ler estas linhas, que as ideias ali apresentadas não estão sendo ruminadas por muitas pessoas e por muitos anos. Se tais ideias tomam corpo e são implementadas o único caminho para se conseguir algum saber seria a escola pública que tanto carece de…tudo. Então, para tais pessoas, antes de conseguir encontrar meios reais de melhorar a qualidade da escola existente pensam em destruir aquelas alternativas que gozam de uma realidade melhor. Não apontamos para o alto! Puxamos tudo para baixo!

Mas vamos pensar que essa fosse uma boa alternativa. Nenhuma escola particular existisse e todos frequentassem uma educação pública e que esta fosse de melhor qualidade e que, assim estivéssemos garantindo a igualdade de chances a todos como objetivo primeiro. Como ex professora e ex coordenadora  garanto que a igualdade não estaria sendo garantida. Tenho certeza que muitas professoras podem corroborar o que vou expor. Em uma sala de aula, quase sempre os alunos com o melhor desempenho são aqueles que possuem o acompanhamento da família. São aquelas crianças que os pais não faltam às reuniões, que acompanham as tarefas de casa, que estão à porta da sala para saber o que mais podem fazer para melhorar a qualidade do aprendizado do filho. São os pais que fazem o… afterschooll!!  Pela lógica, então, por conta de “não ser justo com os demais” o acompanhamento familiar na evolução do trabalho escolar deveria ser abolido, pois fere a igualdade de oportunidade dos demais.

Para aqueles que acham que estou exagerando, conto que presenciei, numa mesma turma de uma escola pública, 3o. ano, na época 2a. série, um garoto que já repetia a série pela 3a. vez (ou mais, não lembro), tinha problemas de drogas entre os pais e os mesmos nunca apareciam na escola. A algumas carteiras dele sentava um garoto que repetiu a mesma série por conta de uma grave dificuldade na vista e que estava conseguindo acompanhar a turma devido ao constante acompanhamento da mãe. O primeiro garoto morreu com 2 tiros na cabeça. A escola era a mesma. A professora era a mesma. Os materiais eram os mesmos. O uniforme era o mesmo. As oportunidades eram as mesmas? Não. Lhe faltou a estrutura básica que permitisse que ele pudesse crescer como ser, como pessoa. E isso é a família que faz. Mesmo que faltem os pais, ou um dos dois, se a criança possui uma estrutura familiar que a acolha e que a acompanhe, terá condições de crescer.

Por isso, creio firmemente que a busca pela igualdade de oportunidades não passa pela privação de uma ou outra modalidade, incluindo o homeschooling. Mas sim pela proteção, cuidado e apoio à família concomitante com a oferta de real qualidade de educação, seja ela pública, privada ou domiciliar.

 

Cibele Scandelari

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s