Família, Maternidade, Virtudes

Beleza dos filhos e educação

Beleza é algo muito bom. Uma pessoa, que gosto muito, sempre me diz que quem procura o bom e o belo, procura a Deus, mesmo que não saiba. A busca pela beleza está em diversos aspectos da vida dos homens. Muitos se esforçam por compor uma melodia harmoniosa, outros em transmitir através do movimento em conjunto com a música uma beleza difícil de descrever. Assim acontece em diversos aspectos da vida humana, posso até dizer do trabalho humano, pois é mais que possível encontrar beleza no trabalho bem feito.

Agora mudemos um pouco o foco. Foquemos em nossa família, em nossos filhos e em sua educação. Todo filho é bonito. Todo filho, inclusive os recém nascidos com aquela carinha maravilhosamente amassadinha. Essa beleza é vista com os olhos do coração. Do amor. O amor nos coloca uns óculos capazes de ver coisas muito além daquelas que os olhos conseguem ver.

Mas, o que fazer se todos que passam por um de nossos filhos, comentam, elogiam, aplaudem sua beleza física, praticamente esquecendo a presença dos outros, ali ao lado? O que fazer se parece que, para um dos filhos, os pais foram até o supermercado das belezas genéticas e escolheram, a dedo, a cor de olhos mais linda, a boca mais carnudinha, o narizinho mais arrebitado? Essa preocupação torna-se ainda mais urgente quando compreendemos que beleza, essa aparente, genética, não é um mérito. A criança não fez algo para ser daquela maneira, não se esforçou, mas mesmo assim recebe elogios kilométricos.

Porém, essa compreensão, a de que a beleza não é motivo de mérito, não é certeira. Ou melhor, não é certo que todos cheguem nela. Ainda mais para as outras crianças que estão ali ao lado, observando, percebendo que a aparência ganha muita atenção e que é fácil ficar em segundo plano quando se está ao lado do(a) irmão(a) que “bem poderia ser modelo(a)”. Com o passar do tempo talvez comecem a se questionar se a aparência é mais importante que outras características que dependem da força de vontade, por exemplo.

O que a família deve fazer, se a aparência física de um filho chega antes da grandiosidade de coração, da perseverança, da generosidade, da afetuosidade, etc., que ele mesmo tem ou que os outros possuem e que também é beleza? O que fazer se a própria criança tem inúmeras outras qualidades, mas consegue as coisas porque é bonita e não tem chance de se esforçar?

Bom, acredito que nesta questão, seja importante focar nas atitudes dentro da família, principalmente do núcleo familiar. Difícil, se não impossível, é controlar os comentários das pessoas com as quais encontraremos ao longo da vida. Até mesmo porque, quase certeza, não existirá maldade na menina da panificadora que olha pra sua filha e elogia os olhos, o cabelo e o que mais puder. Sem falar que é claro que é gostoso ouvir elogios aos nossos filhos.

A questão aqui não é ignorar uma característica, ou dar a entender que a mesma não é algo bom. Beleza é bálsamo e é necessário colocá-la com o seu real valor, vendo-a pelo ponto de vista da pessoa integral. Se vejo a pessoa do ponto de vista da sociedade atual, que destaca como mais importante o que é material, a aparência será algo maior que a integridade, por exemplo. Mas este não é o ponto de vista escolhido se você acredita que um ser humano é o seu corpo e algo mais. Do ponto de vista da pessoa integral a beleza, o esforço pelo cuidado com o vestir, o trato corporal, podem ser um serviço aos demais. Explico-me (de maneira exagerada): imagine que vc está para se casar. A data é, sem dúvida, importante para você, que cuidou de cada detalhe e anseia por ver seus amigos queridos testemunharem sua felicidade. Então, chega seu amigo, aquele amigo bonito, vestindo a roupa de corrida, todo suado no meio dos outros convidados. Concorda que é uma falta de respeito? Que a pessoa não deu a menor atenção ao evento e à você? Seria um SERVIÇO da parte dela apresentar-se bem vestida. Embeleza o seu momento, valoriza aquilo que você dá valor. Assim é em cada momento. Depende de nós mostrarmos isso para nossos filhos, inclusive dentro de casa. Uma mãe linda, mas desleixada pode passar a ideia de que quem importa são as visitas, que é quando ela se arruma…filhos captam essas coisas.

Neste aspecto os pais devem ter muita consciência de seu papel, da importância do mesmo e assim fomentar situações nas quais todos os integrantes percebam que são amados pelo que são e recebem reconhecimento pelas coisas que se esforçam. Esse esforço pode e deve aparecer também na medida com que o cuidado com a beleza estética é pensada em ser caridade com os que nos rodeiam. Assim, o foco da beleza genética passa ao foco pela beleza conquistada em inúmeros campos da vida da criança e isso faz toda a diferença. Dar-se-á valor, assim, tanto para o ganhador da loteria de DNA quanto para o super simpático e esforçado. 

Sobre essas questões, o próximo artigo (PARTE 2) a respeito da beleza e da educação tratará sobre a importância da opinião dos pais a respeito de quem a criança é, aparenta, faz. Não deixe de conferir. 🙂

Cibele Scandelari

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