Família, Hábitos Básicos, Virtudes

Como Educar a vontade? Parte 2

Como formar a (boa)  vontade nas crianças pequenas – Parte 2: a concretização da ação na primeira infância

 

Na primeira parte da nossa conversa sobre como educar a vontade das crianças, falamos um pouco sobre o belo. Ao refletir sobre o tema, sobre como fazer com que as crianças venham a “querer querer” algo bom, me pareceu certo que para isso acontecer, essas mesmas crianças devem saber identificar o belo, ter tido contato, saber apreciar. Podemos colocar essa etapa junto da educação do intelecto…a inteligência deve captar e processar a beleza. No entanto, não basta apenas  isso. Deve existir um movimento interno que me leve à ação e um movimento externo, físico, a ação propriamente dita que seja colocada em prática. Como podemos educar nossos filhos para que isso aconteça?

Bom, assim como na musculação não começamos levantando 40 kg, não vamos esperar que uma criança tenha a força de vontade da maturidade. Aliás, cá está uma boa medida para podermos avaliar a nossa maturidade…somos maduros o suficiente para querermos o que vale a pena, arcando com as consequências que isso possa acarretar? Dá pra ver que vivemos numa época bem imatura não é mesmo?

Mas vamos continuar…foquemos nos nossos filhos. Para desenvolver a dimensão volitiva, devemos ter a intenção para tal. Dessa maneira o processo poderá obter maiores resultados. Devemos começar cedo e não esperar que a criança cresça para, então conversar e explicar. Seu filho deve poder vivenciar o desenvolvimento dessa “ferramenta”. Como dito anteriormente, não podemos exigir coisas grandes e profundas das crianças neste quesito. É normal que sejam egocêntricas e tenham dificuldade de fazer certas coisas. É importante termos claro isso. No entanto, o fato de ser normal não quer dizer que não devamos dar a oportunidade da criança exercitar determinada atitude.

O desenvolvimento da vontade se dá através da vivência cotidiana de 4 pilares na primeira infância que são os hábitos básicos: sono, alimentação, ordem e higiene. Por exemplo, ao ter um horário para dormir, uma rotina estruturada para esse fim, a criança terá a oportunidade de ter uma parte de seu dia organizado, previsível e isso lhe dará mais segurança. Em dado momento, dormir em determinada hora pode ser que seja custoso, mas isso a fortalecerá quando estiver à frente de uma decisão que custe um pouco mais.

Nesse sentido, o papel dos pais é proporcionar o ambiente adequado e as metas plausíveis para que a criança possa vivenciar a concretização de determinados atos imprescindíveis para o fortalecimento de sua vontade como por exemplo guardar seus brinquedos sempre após brincar, acordar e/ou dormir em horas determinadas, conquistar a autonomia gradativa na alimentação, enfrentar o queixume por não querer comer algum alimento e consumí-lo cada vez um pouco mais e cada vez com menos reclamação, etc. Na medida em que a criança realiza ações como essas, é elogiada e vai percebendo que seus esforços resultam em algo bom, sua força de vontade vai se fortalecendo para, mais tarde, ser firme o suficiente e poder renunciar a algum luxo ou comodidade em prol de um bem maior. Não esperemos um adolescente altruísta se o mesmo nunca foi exigido em nada, nunca foi contrariado e sempre tratado como o rei da casa.

Trabalhar a força de vontade nas crianças não quer dizer que os pais não podem dar um carinho para seus filhos, fazer-lhes alguns mimos. Quer dizer que os pais devem ter claro para si mesmos os fins, ter um diálogos de casal afinado, metas concretas e plausíveis para cada filho e saber exigir a concretização de cada meta, ato de maneira firme e carinhosa. Ou seja, a criança deve saber que é seu DEVER, por exemplo, guardar aqueles brinquedos. Mas recebe os lembretes através de um sorriso, de uma companhia. Ela faz sabendo que é amada.

Seguem algumas sugestões que devem ser avaliadas conforme a realidade da família:

  •  chupeta: ideal é que, se for usada, que a criança tenha momentos para o uso, por exemplo, apenas para dormir. Usar apenas nessas horas fortalecerá sua vontade.
  •  Não gosta de alguma comida? Começa comendo  muito pouco e vai aumentando a quantidade gradativamente.
  •  Estabelecer previamente o local para que algumas coisas sejam guardadas e que isso seja de responsabilidade da criança.
  •  Incentivar a autonomia gradativa no despir-se e no vestir-se. Além da vontade ajuda a desenvolver a coordenação motora.

Mande outras sugestões…

Queremos pessoas inteiras? Então vamos criar filhos de boa vontade. Mas uma vontade atuante. Pessoas cheias de vontade e não cheias de si.

Cibele Scandelari

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s