Família, Maternidade

A intenção dos pais – parte 2

Fora do círculo homeschooler, quem não conhece o pai de família que, sob a bandeira do “trabalho para que minha família tenha o que não tive”, submete-se  a horários de trabalho muito além da real necessidade? A busca incessante pelos valores monetários das horas extras que, no frigir dos ovos, pagarão por necessidades materiais inventadas enquanto as reais necessidades de proximidade, participação e carinho que a convivência exige ficarão num distante segundo plano. Falamos um pouco sobre isso na primeira parte deste artigo: “A intenção dos pais – parte 1”. Não é difícil encontrar pessoas que escolhem a troca anual do carro em detrimento de um tempo de qualidade com seus filhos. Para muitos isso pode soar absurdo, mas afirmo que essa situação não é ficção.

A maioria das famílias homeschoolers fizeram escolhas muito diferentes desse tipo para poder garantir o acompanhamento e a convivência. Mas é necessário lembrar que mesmo estando perto, temos que reavaliar a nossa prática sempre, repensar nossos objetivos continuamente. Levar em consideração que estamos criando pessoas e não máquinas de aprender.

Acredito que como homeschoolers devemos ter cuidado ao depositar no estudo toda e qualquer formação que a criança venha a ter. Queremos que nossos  filhos estrelem um filme de sucesso, mas nossa participação não pode ser resumida a de um patrocinador e treinador de falas. De um patrocinador que não interfere na história, não participa da construção dos personagens. Que apenas paga para a que a história exista e garante falas decoradas.  A vida dos filhos é uma história que necessita da participação ativa dos pais em todas as dimensões que compõe uma pessoa.

Acredito que, como mãe homeschooler, tenho que trabalhar muito. Devo estudar e garantir que minhas filhas tenham acesso ao saber.  Porém, acredito também que é necessário colocar no horizonte os reais motivos desse trabalho. Por qual motivo eu trabalho tanto? Quero criar pessoas dignas, fortes, inteligentes, de caráter firme? Ou minha preocupação está se resumindo na corrida por vencer o conteúdo (e, de quebra, denunciando minha mente escolarizada). Escrevo isso apontando o dedo para mim mesma. Fazendo um exame de consciência. Não tenho sobreposto a dimensão intelectual sobre as outras? Acredito que algumas vezes sim. A parte boa é que, no processo da vida, essas avaliações acontecem e nos permitem desacelerar, avaliar nossas próprias ações e endireitar o barco. Voltar para o script que fará sucesso.

Tentarei, todos os dias lembrar que, para a boa e integral formação de minhas filhas, devo estar atenta a 5 dimensões e não apenas 1 ou 2. São elas: dimensão intelectual, física, afetiva-social, transcendente e volitiva. Sobre esta última dimensão, a da vontade, iniciamos um diálogo no seguinte artigo: “Como educar a vontade – parte 1”.

E nesse propósito sincero, convido a todos para que no filme da vida de nossos filhos, não nos releguemos apenas à produção, apenas aos conteúdos. Queiramos ser, juntamente deles, protagonistas preocupados com o todo e em profundidade. Com a certeza de que, deste tipo de intenção unida à ação, belas histórias surgirão.

 

Cibele Scandelari

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