Família, Maternidade, Virtudes

A intenção dos pais – parte 1

É comum passar pelos pensamentos de pais e mães que seus filhos serão adultos bem sucedidos, confiantes, honestos, autônomos e por aí vai. No palco da nossa imaginação, os medos até podem aparecer mas, como nos tradicionais filmes de Hollywood, as grandes virtudes de nossos pequenos heróis, os protagonistas desse filme criado pela nossa imaginação, sempre vencem. Mas é assim que acontece? Sempre? Os pequenos alcançam  o ponto alto de suas capacidades assim? Sem ajuda, sem exemplos, sem um norte para onde poder olhar? Essa pergunta pode parecer ingênua, pois é claro que qualquer pai ou mãe responderia que é óbvio que as crianças não aprendem a fazer tudo sozinhas. Porém, poucos pais param para refletir sobre o que eles realmente estão fazendo para que aquele filme que passa em suas imaginações entre em cartaz e seja um sucesso de bilheteria.

 No atropelo do dia a dia, muitas famílias acabam sendo engolidas. E, sem querer, muitos pais acabam relegando o futuro de seus filhos à sorte dos acontecimentos. Para uma criança vir a ser uma pessoa completa muita coisa deverá acontecer.

Mas…somos homeschoolers. Não estamos delegando a educação de nossos filhos a ninguém! Bom, aqui eu me incluo. Sim, assumimos corajosamente tudo. Alguns com mais aceitação e facilidades que outros. No entanto, me peguei a pensar o quanto de preocupação eu estava destinando aos “conteúdos” e o quanto eu estava destinando aos outros elementos que irão constituir minhas filhas de maneira integral. Por exemplo, estou muito concentrada em que aprendam matemática, mas estou dando atenção à preguiça que subitamente aparece nesses momentos? Quais são os fatos que levam a preguiça aparecer? Qual é o movimento interno da criança contra isso e como eu ajudo? Nossos heróis vão precisar dos conteúdos sim…mas deverão saber como bem usá-los. Estamos atentos ao bom desenvolvimento das outras áreas de sua integralidade? Estamos interessados na construção de sua auto estima? Lei sobre a auto estima AQUI.

Mas como que esse atropelo acontece?

Ele vem, sorrateiro, e se apodera da nossa vida. Outras vezes vem atropelando tudo mesmo. Independente de como ele comece, a verdade é que se deixarmos, tomará conta daquilo que realmente importa na vida: os relacionamentos entre nós e nossos cônjuges, filhos, amigos. Muitas vezes acabamos percebendo meio tarde que o preço cobrado pelo nosso estilo de vida, na verdade é muito mais alto do que havíamos pensado inicialmente.

Sim. Esse atropelo vem de acordo com o estilo de vida que escolhemos para nós e para nossa família. Vem com aquilo que damos valor dentro desse estilo de vida. Mesmo dentro do homeschooling. Se, dentro desse estilo,  a aprendizagem tomar proporções que fogem da sua real importância, outras áreas poderão ser negligenciadas como, por exemplo, o desenvolvimento de determinadas virtudes. Teremos, então, um garotão craque em matemática, mas que só come arroz branco. Neste exemplo, a falta da fortaleza em enfrentar pequenos desafios pode tornar-se um traço de suas ações ao longo da vida. Ajudar os filhos nesse tipo de coisa é tão importante quanto o conteúdo descrito em algum planejamento. Digo mais: o mundo hoje está cheio de gente que domina determinadas disciplinas e desconhece completamente o autodomínio, a lealdade, a força de vontade, etc.  

Insisto neste tema da intenção educativa, pois vivemos num mundo onde tudo está de ponta cabeça e não é difícil que percamos algumas vezes o norte de nossos objetivos. Nascemos e crescemos numa sociedade de homens light que acham que os outros devem algo a eles e com uma incapacidade de se superar pelos demais. Daí a necessidade de refletir sobre a educação dos filhos sob o prisma da integralidade da pessoa. Isso dá mais trabalho…ensinar algumas disciplinas é muito mais fácil que cuidar de tudo o que diz respeito ao desenvolvimento da pessoa humana. É mais difícil porque requer constante melhora nossa. Pessoal. Somos exemplo e, como diz o ditado: o exemplo arrasta. A presença de pais conscientes faz toda a diferença. Sobre o papel do PAI consciente, você pode ler NESTE artigo.

Continuemos a pensar sobre o blockbuster que pode vir a ser  a vida de nossos filhos no próximo texto “Intenção dos pais – parte 2”.

 

Cibele Scandelari

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