Família, Hábitos Básicos, Maternidade

Realidade familiar na era digital

Uns tempos atrás uma amiga minha postou um vídeo britânico de uns 5 minutos que me chamou a atenção.

Este é outro exemplo:

O assunto tratado era como as redes sociais e as novas tecnologias estão ajudando o ser humano a entrar em um triste processo de desumanização.

Porém, vou deixar claro, nada contra a existência das redes e das tecnologias. Não acho que a humanidade estava melhor antes da invenção, por exemplo, do papel e da caneta… Sem eles era difícil escrever uma carta, fato que obrigava as pessoas a se relacionarem ainda mais. Mas ,nem por isso as invenções são ruins, obviamente.

O ser humano é dotado de inteligência e esta torna-o capaz de pensar “e se”. “E se” as pessoas pudessem locomover-se com mais agilidade e conforto? “E se” pudéssemos ter as ruas iluminadas à noite? Existe uma infinidade de perguntas que, ainda bem, o ser humano fez a si mesmo e foi atrás de uma resposta. Tais respostas trouxeram uma vida mais confortável, mais produtiva, mais segura entre tantas outras coisas.

Então, por quê os vídeos, que chamaram minha atenção, colocam as redes sociais e as novas tecnologias como vilãs na atualidade? Acredito que o problema reside na maneira como a sociedade, a família, cada um de nós, valoriza, utiliza, prioriza tais questões em detrimento de outras, infinitamente mais importantes. E agora, a grande questão para nós, pais e mães, que queremos educar, que desejamos estar presentes e temos consciência da importância de nosso protagonismo na vida de nossos filhos, é como ajudá-los a crescer e descobrir um mundo já dominado por avanços antes inimagináveis sem deixar as coisas mais importantes de lado.

Pessoalmente, como mãe homeschooler e orientadora familiar não vejo problema algum nas crianças terem contato com os avanços tecnológicos que o ser humano atingiu. O problema está no fato de muitas crianças deixarem de fazer as coisas naturais para a idade em que se encontram, para estarem “conectadas”. Deixam de brincar com o vizinho no parquinho para ter como companhia, o tablet com o último joguinho viciante da semana. E ficam ali por muito tempo. Algumas vezes sem nenhuma supervisão de um adulto.

Sei de uma menina inglesa, e não é a única com certeza, que está sendo acompanhada por especialistas pois está, aos 4 anos, viciada no seu tablet. Sim. Ela chega a ter crises de abstinência. Passa mais de 4 horas seguidas no aparelho. Com 4 anos ela deveria estar com o joelho ralado e não visitando um especialista para tratar de um vício!!

Agora eu pergunto: quem nunca viu num restaurante algum adulto conseguir, facilmente entreter uma criança com seu telefone para conseguir ter uma refeição tranquila? De antemão já digo que em minha própria família esse recurso já foi usado. É o recurso da nossa época. Porém, a meu ver ele se torna um problema se, nesta situação os pais não conseguem comer em paz se não tiverem o tablet à mão.

Prefiro não usar. Mas não serei hipócrita dizendo que nunca usei ou que nunca mais usarei. Acredito que o uso depende da situação: vejamos, seu filho está cansado, você precisa terminar uma conversa que vai demorar um pouco mais do que ele aguentaria “numa boa”. Nessa situação, não vejo problema em utilizar-se da maravilha da tecnologia. O problema está quando todas as situações são salvas através da telinha hipnotizante. Quando a criança nunca obedece o que os pais pedem.

Sejamos sinceros: uma casa, um restaurante, um parquinho com um tablet é igual a uma casa, um restaurante e um parquinho sem criança.

Então, o que devemos fazer? Ao meu ver, com nossas atitudes, dar valor para a real convivência. Passar tempo com os filhos, levá-los em parques, brincar de casinha, soltar uma pipa. Levá-los para brincar na casa de um amiguinho. Convidar os amigos para fazer bagunça na própria casa ( e depois incluir os filhos na posterior organização). Trabalhar, nós mesmos no exercício da socialização. Visitar um vizinho, uma tia, a avó. Convidar pessoas para virem às nossas casas. É claro que tudo isso exige um certo esforço de nossa parte. Nós também fazemos parte desse mundo da informação, da tecnologia que consome nosso tempo e transforma nossas horas em minutos. Mas lembrem-se! O intuito não é proibir o uso da tecnologia. É só evitar zumbificar nossos amados filhotes.E as possibilidades são infinitas! Nossas avós teriam exemplos aos montes!

Outra forma, que anda de mãos dadas com todas as possibilidades acima citadas é fazer combinados com os filhos sobre quando podem ligar os aparelhos e quanto tempo poderão brincar. Ressalva importante: uma vez que se combinem os horários, os pais devem zelar para que sejam cumpridos. Assim cuidam dos filhos e de sua própria autoridade. Que, aliás, é de importância ímpar numa família.

Uma dica: combinar que a hora da refeição é a hora de comer, de estar com a família, de falar com quem se ama. Tablets, telefones, televisão não fazem parte da família e nem do almoço, do jantar ou do café. Logo não devem vir pra mesa.

Esses dias ouvi uma senhora contar com grande pesar: no dia anterior sua casa estava lotada de pessoas. Não havia mais lugar para sentar. No entanto, continuava vazia: ninguém conversava, ninguém se olhava. Todos estavam de cabeça baixa. Todos olhando em seus celulares. Todos sozinhos em seus mundos feitos de cliques, com a falsa sensação de serem queridos por todos os seguidores de alguma rede social.

E nós? Qual mundo, qual rede social queremos para nossos filhos? A real ou a virtual?

 

Cibele Scandelari

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