Família, Virtudes

A educação da virtude da ordem

Um belo dia você chega em casa, dirige-se ao quarto do seu filho adolescente e, ao abrir a porta, olhando com cansaço visível para a bagunça generalizada, pensa como pode que alguém consiga pensar no meio de tudo aquilo. Se vc pudesse entrar numa máquina do tempo, com a cura para aquele quarto, onde até a cueca foi parar em cima do armário, você entraria na mesma hora.

Uma parte de você entraria na máquina porque aquela zona incontrolável te irrita até o último fio de cabelo. Mas, algo te diz, que o verdadeiro motivo para querer voltar no tempo e impedir que seu filho cresça achando que a desordem é um “modus operandi” aceitável, é algo muito mais profundo. Mesmo que não tenha certeza do que.

A boa, ótima notícia é que seu filho não é adolescente! Você tem filhos pequenos! Então aproveite esta oportunidade única, na qual não precisa que a máquina do tempo tenha sido inventada. A melhor idade para desenvolver numa pessoa uma disposição oportuna à ordem é a primeira infância. Após essa fase, você pode vir a ter alguns sucessos, mas nada que possa ser comparado aos profundos resultados de uma intenção educativa de qualidade, realizada pelos pais até os 6 anos. Quanto antes começar melhor!

Veja, é importante salientar aqui que o que se busca não é a ordem como fim em si mesma. O que seria algo muito ruim. David Isaacs, em seu livro ‘La Educación de las Virtudes Humanas’, afirma que , “O desenvolvimento da ordem nunca deve alcançar o limite no qual não cabe a vida espontânea de amor. Não se trata de estruturar a vida em todos os aspectos e sim estabelecer o mínimo para poder perseguir uns objetivos de muito valor”. Ter um mínimo de ordem é um caminho na vida para se alcançar algo de valor maior que a ordem em si. Por exemplo, coloco as chaves do carro no lugar não porque encasquetei que elas devam estar ali, mas sim porque da próxima vez que sair, não me atrasarei porque tive que revirar a casa procurando-as.

Educar os filhos na ordem não pode ser visto como algo de mania dos pais. É, por outro lado um serviço que lhes prestamos. Damos a eles mais uma ferramenta para viver a vida de maneira mais completa e feliz.

Porém, como realizar esse processo educativo de maneira que realmente não seja por mania, que a ordem não seja um fim em si mesma, que os filhos passem, aos poucos a perceber os fins, os motivos de se esforçar por ser ordeiro?

Bom, o primeiro passo é começar o quanto antes. Existem, na primeira infância os chamados Períodos sensitivos. Que são períodos nos quais o ser humano está pré-disposto a desenvolver uma ou outra aptidão/habilidade. Se bem aproveitados, estes períodos podem proporcionar um grande salto na qualidade do desenvolvimento da criança.

O período Sensitivo da Ordem acontece com maior freqüência, com variações de intensidade de criança para criança, na primeira infância. Maior ênfase para o tempo que vai dos 1,5 anos até 3,5. anos. Nesta fase é possível presenciar crianças arrumando a ponta do tapete ou a franja do mesmo que ficou virada, incomodada em sentar num lugar que possui farelo de pão, arrumar os carrinhos um ao lado do outro, etc. É uma pré disposição apresentada. Se, no entanto a criança aparentemente, não apresenta essas atitudes ou outras semelhantes, isso não quer dizer que vá ser um adulto desorganizado, que não tenha o período sensitivo, que não possa ser ensinada. Apenas tem uma forma peculiar de passar pelo momento. Se bem orientada desenvolverá apreço por ambientes com um mínimo de ordem e isso não será um fardo para sua vida.

Para viver a ordem em casa e ajudar os filhos a bem desenvolvê-la é necessário vivê-la com prudência, ou seja, ter cuidado com a intensidade e os motivos. Ou seja, deve estar a serviço da família e de seus membros, da felicidade dos mesmos.

Alguns pais podem achar que nunca poderão ajudar seus filhos na ordem pelo fato deles mesmos terem sérias dificuldades nessa área. Porém, isso não é bem assim. O exemplo de luta para se superar ajuda os filhos no processo educativo. Por outro lado se os pais já são ordenados, podem apresentar certa dificuldade em compreender como seu cônjuge e/ou seus filhos não são. Nesta questão é importante esclarecer que devemos lembrar que todos somos diferentes. Os pais devem aceitar os filhos como são e ajudar-lhes a melhorar. Estimular a luta na superação.

Os exemplos de luta na ordem sempre surtirão maiores efeitos na medida que os pimpolhos compreenderem os reais motivos dos esforços. É importante que aquilo que os pais lhe peçam faça sentido para a criança. Guardar os brinquedos no lugar para poder encontrá-los mais tarde, para que não se percam, para que ninguém acabe quebrando, para que o ambiente fique agradável após a brincadeira, são alguns exemplos bons que crianças da primeira infância podem compreender.

A ideia não é tornar a casa um quartel nem um museu. Mas desenvolver um hábito que ajude a tornar a vida cada vez mais agradável e feliz, cada um com seu estilo pessoal, respeitando os demais e sendo-lhes útil também.

Para desenvolver a ordem 3 importantes dicas se fazem presentes: deixar muito claro para a criança onde, quando e como deve fazer as coisas. E estas devem estar adequadas à sua faixa etária. Exemplo: Onde colocar os sapatos? Resposta: na sapateira. Quando: sempre que chegar de um passeio. Como: um ao lado do outro e não jogado.

Faz parte da educação na virtude da ordem o manejo do tempo. Para as crianças pequenas esta questão encontra-se, principalmente, no cumprimento de sua rotina: a hora do banho, da alimentação, do sono. A ordem de sua rotina passa-lhe segurança para desenvolver outras questões.

Algumas  para começar:

* escolher uma ou duas coisas e o lugar para as mesmas e combinar que sempre após o uso elas devem ser guardadas da mesma maneira. Cobrar, com muito carinho, o cumprimento desse combinado. Para que desenvolva o hábito, a criança deverá ser lembrada do mesmo muitas e muitas vezes.

* combinar o que fazer com os calçados quando chegar em casa, onde colocar a roupa suja, etc.

* Estabelecer uma rotina e seguí-la todos os dias.

Uma boa sorte a todos! Aos organizados e aos bagunceiros também!

Cibele Scandelari

 

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