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Como alfabetizo

Sabe aquela sensação deliciosa de ver os primeiros passos do seu bebê? Que você segura a respiração, quer gritar de alegria e se contém para não atrapalhar o momento? Então, quando um filho começa a ler na sua frente é mais ou menos isso que se sente. Bom, pelo menos comigo foi assim.

Ao fazer a escolha de educar em casa, nos deparamos com muitos métodos e não é diferente para a realidade da alfabetização. Existem muitos. Alguns são variações, outros são considerados quase como que opostos aos primeiros. Você vai encontrar o método fônico, silábico, global, das boquinhas, historiado…uma infinidade.

Particularmente gosto muito do fônico (e aplico com minhas filhas), mas não sou defensora a ponto de dizer que SÓ ELE ALFABETIZA. Não. Acho que é um método que abrange sim a maioria das crianças no processo de alfabetização, trabalha muito bem as possíveis dificuldades que elas possam vir a ter,mas não acho que ao adotá-lo, a família deva usá-lo de maneira pura e sem passar perto de alguma atividade, brincadeira, complementação do global, por exemplo. Fui professora em uma turma na qual eu usava diariamente a estimulação neurológica de Doman e vi, com meus próprios olhos, uma menina de 3 anos (fora outros) ler palavras de ponta cabeça. Em outra situação, uma amiga percebeu que sua filha de 4 está começando a compreender o processo através dos cards utilizados pelo Kumon. É claro que outras atividades foram realizadas, mas deixo aqui estes relatos apenas para não jogarmos boas alternativas no lixo.

Método bom é o que ensina. É aquele que permite que a criança torne o conhecimento seu. Já vi mais de uma família (mais mesmo) relatar que alfabetizou o primogênito no fônico, mas que o segundo filho só engatou mesmo quando começaram algumas atividades do silábico ou outro método. Com isso, quero dizer que o que dita o andar da carruagem são as demonstrações do seu filho. Você pode ter por base um método e lançar mão de uma estratégia avulsa para ganhar atenção, recobrar o ânimo, dar um empurrão em um mais preguiçoso. E não há mal nisso.

Aqui em casa, adotei (pelo menos por enquanto) o material da Professora de Papel.

O método é fônico e sua abordagem é historiada. Nele, cada letra é apresentada com uma história. O alfabeto é uma família, as meninas são as vogais e os meninos as consoantes. As letras “estrangeiras” K, W , Y, são o pai, a mãe e um tio. Nessa história houve uma briga entre os meninos e as meninas. Nessa briga, os meninos gritaram tão alto que acabaram perdendo a voz e agora só conseguem falar se estiverem de mãos dadas com as meninas.  Faço algumas alterações em algumas histórias, já encontrei errinhos ao longo do material e algumas atividades poderiam dar um espaço maior para a criança escrever. Fora essas questões, amo o material.

A cada letra apresentada, a história mostra qual o seu traçado (primeiramente cursivo, depois as letras script são apresentadas, também de forma historiada) e, o que é muito importante, ensina a produzir de maneira correta o som, fonema,  que aquele grafema representa. A história envolve a criança e isso faz com que sua memória ajude a reconhecer cada letra.

Outro material que trabalha com essa linha historiada é o Casinha Feliz e, apesar de ser mais colorido, mais bonito, escolhi o Professora de Papel porque neste a criança vê apenas 1 letra por vez e isso, ao meu ver, respeita mais seu ritmo, dá mais tempo para que internalize.

Vou apresentando letra por letra, contando cada história aos poucos. Minhas filhas gostam bastante. A mais velha ainda quer estar junto para ouvir. Trabalho o traçado de cada letra com calma, primeiro grande, em diferentes tipos de suporte, realizo atividades de colagem, massinha, perfuração. Aproveito e trabalho coordenação motora.  Realizo brincadeira que reforçam alguma noção e deixam o processo mais leve.

  

Ao longo da caminhada também esbarro (ainda) com dias nos quais a falta de vontade em fazer alguma atividade domina a pupila. Muitas vezes isso pode gerar bastante frustração, tanto na criança que quer ir brincar, como na mãe que organizou, planejou e vê seu plano indo pro ralo. Tento ter, para essas horas, atividades que trabalhem aquele ou outro aspecto de uma maneira diferente, mais leve, em forma de brincadeira. Isso faz diferença. Acalma as duas partes. Podemos falar sobre essas alternativas e como aprender a montá-las em outra ocasião.

Por ora fiquemos com estas informações a respeito de alfabetização. No próximo texto pretendo contar um pouco sobre como faço quando percebo que o método deu uma enjoada.

Até mais!

Cibele Scandelari

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