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Como alfabetizo – parte 2

Na continuação do processo de alfabetização de minha segunda filha (a parte 1 encontra-se aqui), em dado momento percebi que ela estava enjoando…não queria mais fazer nada relacionado. Estava desmotivada (ou com preguiça mesmo).  Bom, nesse momento pensei: “ela tem que ver que já sabe alguma coisa“. Fiz algo que não é do método fônico. Lancei mão de uma abordagem, uma atividade bem característica da Alfabetização Natural. Perguntei qual era a palavrinha que ela gostaria de aprender a ler. Ela me olhou com interesse e disse: “Fada”. E eu respondi: “Pois, bem! Fada será!”. Escrevi a palavra no alto de uma folha e perguntei o que ela gostava das histórias onde as fadas apareciam. Ela foi falando e eu anotando à sua frente.  Peguei outra folha e escrevi novamente a palavra e pedi que desenhasse. Colei na parede da sala de jantar.

No dia seguinte perguntei qual era outra palavrinha e ela respondeu. Fiz a mesma coisa. No terceiro dia começamos a brincar, a ver se ela já reconhecia as palavras. Era só uma brincadeira, mas ela gostou. Ao mostrar as palavras eu escondia algumas letras e lia dando ênfase nos sons. Se não conhecia algum grafema, voltávamos para a história da Professora de Papel e ela aprendia mais uma letra. Entre essas situações realizei outros tipos de brincadeiras (caça às letras onde eu falava o som de uma letra e ela tinha que sair pela casa à caça da letra que eu havia escondido, recorte de revistas, caçar a letra no meio de textos, etc).  Quando a parede ficou cheia, montamos um jogo e nunca na minha vida vou esquecer do brilho nos seus olhos ao perceber que estava reconhecendo cada palavra sozinha. Foi um momento muito gostoso para nós duas. A partir desse ponto, seu interesse nas histórias havia voltado e pudemos dar sequência e fazer algumas revisões. Neste momento, ela está com 5 anos e eu estou mais que satisfeita com sua evolução na leitura. Sobre esse respeito, essa delicadeza em prestar atenção aos sinais que os filhos nos mandam durante o processo de alfabetização, você pode ler um pouco mais em “O cuidado no olhar alfabetizador”.

  

Algumas crianças demoram um pouco mais nesse processo e é essencial que os pais não passem sua ansiedade para o filho. Só atrapalha. Se a criança não possui nenhum diagnóstico específico, ela aprenderá no ritmo dela, ainda mais se está rodeada de familiares que lêem para si, para a própria criança, incentivam que ultrapasse suas possibilidades. A demora não quer dizer que será um mal leitor. Só quer dizer que aquele é o ritmo daquela criança e que nós adultos temos que segurar nosso orgulho ferido. Bom é que a criança aprenda! No seu tempo, quando estiver madura e desejosa. Que diferença faz se o fulaninho aprendeu a ler com 2 e o meu com 5, 6, 7? O que não pode acontecer é uma acomodação por parte da família e achar que tudo vai brotar do nada sozinho. Principalmente se é caso de um diagnóstico de dislexia, por exemplo.

Administrar a ansiedade é fundamental, mas isso não significa deixar de realizar atividades que permitam que os filhos tenham contato com a língua escrita, com brincadeiras de sons, etc.

Bom, é importante pensar que a alfabetização não vai terminar quando seu(sua) filho(a) estiver decodificando cada letra e sabendo dizer o que entendeu de cada frase. Alfabetização é um processo de uma vida inteira. Por isso, não tenha pressa de passar para outra fase se seu filho ainda não compreendeu algo direito. Dê tempo para que cada etapa seja vivida com a intensidade necessária e não vista como que de sopetão para dar “ok” no planejamento.  Respeite o ritmo, procurando instigar a vontade de aprender.

No meio do caminho leia muito! Sentar no tapete da sala e ler poesias, parlendas e tentar fazer com que as crianças decorem as mesmas é um ótimo exercício pois trabalha a memória e exercita o ouvir. Poesias com muitas rimas são as melhores para o processo de pré-alfabetização e alfabetização. Não é uma atividade demorada e pode ser realizada tanto em um momento destinado a isso quanto dentro do carro indo para algum lugar, arrumando a mesa para o café ou almoço, por exemplo. A dica é que sejam poesias curtas e com muitas rimas. Troca-se de poesia quando a criança já decorou.

Quando a criança começa a perceber o que é a rima, introduzir a brincadeira de encontrar “o que rima com…” no cotidiano é divertido e trabalha de maneira excepcional a discriminação auditiva, coisa muito necessária para a alfabetização. Essa é outra atividade que pode ser realizada, se a mãe desejar, juntamente com outras situações cotidianas. Um ótimo livro que possui uma grande quantidade de atividades para o trabalho com a consciência fonológica é o “Consciência Fonológica em Crianças pequenas“. Sugere até um cronograma.

Cante junto com seus filhos,  joguem trava línguas, espalhem letras ou palavras e brinquem de caça-palavras, joguem jogos de memória auditiva! Alfabetizar deve ser um processo gostoso e não algo penoso e sofrível.  

Se vc está se sentindo meio perdida(o) mande suas dúvidas! Te ajudo no que eu puder!

 

Um abraço e boa sorte!

 

Cibele Scandelari

 

4 comentários em “Como alfabetizo – parte 2”

  1. Bom dia, tenho 2 filhos, um acabou de fazer 3 anos e o outro faz 5 dia 1.10.18, 💙💙
    O sávio com 4 anos, dorme e acorda falando de robótica, desenha muitos robôs e diz que vai construir todos quando completar 7 anos e estiver na escola de robótica 😊
    Não quero atrapalhar a imaginação dele, ele é cheio de idéias, mais não sei como fazer isso😔, o Nícolas com 3 anos, quer fazer tudo que o irmão estiver fazendo e assim acaba atrapalhando o irmão e não tem interesse nas atividades dele.
    Desde já agradeço pela atenção!

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    1. Olá Veronica!
      Sabia que existe um curso de programação e robótica para crianças? Vou deixar o link do curso para você avaliar. Espero que ajude!
      Com relação ao fato do irmão mais novo atrapalhar o mais velho, te digo que por terem idades próximas, o mais novo já está aprendendo junto e logo passará a participar de verdade, inclusive instigará o mais velho a querer aprender. Tenho contato com uma mãe com um filho com perda auditiva e outro mais novo. O mais novo estava como o seu e quando o filho mais velho percebeu que seu irmão estava começando a ler, tratou de correr atrás do tempo perdido. Uma graça!
      http://www.coopbrasil.org/produto/algoritmo-e-programacao-i/
      http://supergeeks.com.br/

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