Família, Homeschooling

IRMÃOS, APRENDIZAGEM E HOMESCHOOLING

Quando eu era professora, uma das coisas que gostava de fazer era planejar situações nas quais meus alunos tivessem a oportunidade de interagir com seus colegas e, assim, aprender com eles. A linguagem usada pela criança, tem algo muito diferente do adulto. Não sei se são as escolhas das palavras, os exemplos, a forma mais direta ou mais fantasiosa…talvez uma junção de tudo. De qualquer modo, a possibilidade desses momentos era de uma riqueza linda de se ver. Surtia muito efeito. Essa é uma estratégia usada por inúmeros professores ao redor do mundo. Não é algo novo. Longe disso.

Foi com grande alegria que percebi que, na minha prática de educação familiar, não precisei planejar nada para que isso acontecesse. A naturalidade com que aconteceu e continua acontecendo me pegou de surpresa.  O convívio entre as irmãs foi se estreitando e, muito embora ainda tenham as disputas naturais, a preocupação uma com a outra cresceu.

Fora isso, pude perceber que a irmã mais velha passou a se preocupar mais em, por exemplo, melhorar sua leitura para poder ler adequadamente para as irmãs. Ela não lê porque peço. Lê por ser algo agradável entre elas. E isso tem repercutido diretamente na evolução de sua habilidade.

Já encontrei minhas pupilas brincando de escolhinha…ou… homescolhinha. Fiquei observando de longe. Era o momento do descanso, da brincadeira, do relax. E elas não tinham a menor noção de que continuavam a estudar. Minha mais velha era a professora (ou será que era a mãe? rsrsrs) e as outras (mais efetivamente a segunda) a aluna. Nessa aulinha, Maria Clara estava trabalhando novamente com a irmã sons de várias letras, a forma correta de suas escritas, perguntou sobre palavras que começassem com determinados sons e letras, elogiou, corrigiu. Em resumo…perfeito. Perfeito para um aprendizado significativo, recheado de memórias para as duas. E perfeito para mim que pude presenciar, me deleitar e…avaliar.

 

Episódios assim já aconteceram com matemática também. Minha mais velha lê o enunciado para a irmã e explica o que deve ser feito. Algumas vezes tenho que intervir. Do contrário, é capaz de fazer a tarefa para a irmã.

Em nossos encontros com outras famílias homeschoolers pude presenciar essa dinâmica natural entre as crianças. Os irmãos mais velhos cuidam e ensinam os mais novos de maneira espontânea. Nessas situações, os amigos menores acabam aprendendo também. Por exemplo, em nosso grupo uma das meninas, que possui uma grande paixão por livros, escreveu uma peça de teatro, dividiu as personagens entre as amigas e, semanalmente, ensaiam juntas. Presenciei quando uma falava para as outras: “Aqui tem uma exclamação. Então você tem que falar assim!”. Pelo menos para a minha filha o resultado foi que ela percebeu que deveria dar diferentes entonações à leitura, dependendo da pontuação.

Sempre considerei a existências dos irmãos verdadeira benção. Agora, com a educação familiar, também reafirmei essa consideração para amigos e amigos dos irmãos. Quanta possibilidade de aprendizado contida nessas ricas relações!

 

Cibele Scandelari

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