Família, Homeschooling, Maternidade

CONTOS DE FADAS

Quando conheci o mundo da educação domiciliar (muito obrigada Manoela Martins!!), junto a essa aventura maravilhosa, passei a descobrir um sem fim de encantos da educação. Dentre muitos, que poderei contar aqui aos poucos, uns deles foram os Contos de Fadas. Claro que eu já conhecia sua existência, mas foi com a prática do homeschooling que esse mundo mágico começou a fazer mais sentido e ser mais….mmm…real para mim.

Eu tinha a noção de que através das histórias eu poderia trabalhar inúmeras coisas. Mas minha visão ainda era de sala de aula(acho que ainda tenho muito a caminhar). Eu procurava nas histórias algo que combinasse com os conteúdos estudados, procurava textos que eu pudesse trabalhar algo de português, etc. Não existe mal nenhum nisso! Muito pelo contrário! Mas, aos poucos fui me dando conta de que a leitura desses contos poderia me aproximar de minhas filhas de maneiras realmente mágicas. Eu teria a chance de, além de trabalhar daquela forma citada logo acima, ainda poderia aproveitar o rico imaginário transmitido e crescer junto com elas na análise bem, do belo, da busca pela verdade. Por exemplo, após ler contos de fada e assistindo a filmes onde princesas aparecem, minha filha perguntou: “Mamãe, por que as princesas devem ser graciosas?”. Gostei da oportunidade de poder destacar para minha pequena princesa que a graciosidade é qualidade destinada às filhas dos reis nas histórias, pelo fato delas serem personagens importantes de grandes enredos. Expliquei-lhe que graciosidade é característica de quem reconhece que seu modo de agir impacta na vida dos outros e, por assim ser, deseja transmitir a quem está ao seu redor paz e tranquilidade. Falei para minha menina que ser graciosa não é, apenas, ser delicada mas sim, ser corajosa. A graciosidade pode, em meio situações tensas, domar temperamentos, acalmar ânimos, indicar necessidade de reavaliar julgamentos.  Isso só acontece com pessoas muito donas de si, capazes de avaliar a realidade e compreender que muitas batalhas são travadas em guerras veladas, vencidas pela prudência e pela constante busca das verdades encontradas nos fatos. Essa graciosidade não é a única, nem a principal arma, mas é aquela capaz de desmontar corações duros e doídos de pessoas que esqueceram os motivos de suas lutas. As palavras foram outras…claro, mas nunca esquecerei o olhar atento de minha primogênita durante a explicação.

Não vejo, pessoalmente, nada de mal em uma princesa ser hábil fisicamente, demonstrar capacidade de luta, como as atuais são mostradas. Ora carambolas! Mulheres são dotadas de um corpo capaz. O problema é que, as histórias atuais tendem a reduzir a real beleza e profundidade dos contos de fadas a essa disputa maniqueísta entre príncipes e princesas. Os contos de fada tratavam das qualidades dos dois, ao contrário do que hoje é martelado. Essas histórias passavam para as crianças as responsabilidades vindas de determinadas situações, introduziam situações dignas de análise como, por exemplo, em “Cinderela” a exaltação da humildade, destacada por Chesterton.

Os contos de fada podem ser combustível para a imaginação das crianças. Trabalham com medos, desenvolvem a criatividade e, entre outras coisas, ajudam a aprofundar o conhecimento da linguagem, estrutura daquilo que a criança deverá saber utilizar para o resto de sua vida e que permite que ideias sejam compreendidas , passadas do intelecto para um interlocutor de maneira compreensível.

Desde que comecei a prática homeschooler, percebi o quanto tenho que aprender e como minha educação formal foi rasa, principalmente nessa questão de literatura.

Os contos de fada, segundo Chesterton, citado por Rafael Falcón, apresentam para a criança, o fundamento simbólico de todas as experiências que a mesma viverá ao longo de sua vida. Sendo assim, é normal, natural e bom que sinta medo, por exemplo, do lobo mau e que peça para escutar a história uma vez e outra e mais outra. São as primeiras experiências com o mau e esse medo vai lhe mostrar as diferenças entre a maldade e a bondade, o certo e o errado.

A prática homeschooler foi proporcionando, não sem dificuldades pois, infelizmente não me era natural (e ainda tenho muito a melhorar), o hábito da leitura em voz alta, todos os dias de um conto de fada ou de um trecho do mesmo. No começo achei que não ia dar certo: quem disputa com a televisão? Porém, qual a agradável surpresa, ao dizer “por hoje é isso” e escutar “Não pare, mamãe! Leia um pouco mais!”. Ou então, perguntas a respeito dos motivos das ações dos personagens e até dúvidas a respeito da maneira como a situação era descrita, significado das palavras. Que oportunidade para estreitar os laços familiares, criar memórias de infância, aumentar o vocabulário, adubar o imaginário…Quisera o dia tivesse mais horas!

 

Cibele Scandelari

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