Família

Quais são os papéis dos pais?

Quem, afinal, definiu quais são os papéis que os pais devem desempenhar?

 

Ao conversar com uma amiga do tempo de faculdade, uma pergunta que ela me fez ecoou na minha cabeça por algum tempo. Durante um bom tempo, a pergunta insistia em se fazer presente nos meus pensamentos.  Acho que isso aconteceu porque percebi, ao meu ver, grande importância no tema suscitado. Senti, na pergunta dessa minha amiga, um certo receio na existência de uma classificação pejorativa com relação ao que os pais devem ou não fazer. Tal classificação viria, provavelmente, de uma parcela da sociedade, uma parcela que tivesse a força suficiente para incutir na cabeça das pessoas o que seria “certo” ou “errado” na maneira de agir como pai e mãe.  Talvez viesse daí as chamadas “guerras maternas”.  Nunca ouviu falar delas? Bom, as mãe bem sabem disso. Quem é “melhor”? Aquela que adotou a homeopatia ou a alopatia? Cesárea ou parto normal? Brincadeiras criativas, ou acesso à tecnologia? Aleitamento materno ou fórmula industrializada? Educação escolarizada ou educação domiciliar? Poderia me estender mais nessa lista de embates.

Essas guerras estão tão presentes no cotidiano de tantas famílias, de tantas mães, que já viraram pano de fundo de blogs e até campanha pelo fim das mesmas. Sim… quando nós mulheres escolhemos ser tiriricas, conseguimos irritar até nós mesmas.

Mas voltemos à pergunta. Quem define quais são os papéis que os pais devem desempenhar?

E essa minha amiga continuou: as pessoas são diferentes, logo, cada um tem o seu jeito, a sua maneira de educar. E todos educam. Conforme ela ia tecendo suas dúvidas, meu interior ia me dizendo que não podia concordar 100% com ela. Por exemplo, conseguia concordar que as pessoas são diferentes e que possuem o direito de serem diferentes. Ótimo, mas não que, independente do que façam, todos os pais e mães educam. Não! Muitos deseducam. Muitos simplesmente não estão nem aí. Não podia e não posso achar que praticamente tudo possa ser válido quando se trata das vivências de uma criança.

Bom, independente  de eu ter ou não captado a ideia dela, a pergunta inicial continuava. E eu continuei a pensar sobre ela. A reflexão me fez chegar à conclusão que a questão não possui uma resposta correta, pois  a dúvida que a gerou não está formulada corretamente. A questão não é QUEM e sim O QUÊ. O que define quais são os papéis que os pais devem desempenhar?

A partir desse momento, a resposta ao que já estava me angustiando, veio. O que define os papéis são as necessidades que os filhos apresentam enquanto pessoas únicas, de carne e osso, com personalidades distintas, com sonhos e dificuldades. Isso se considerarmos que o ser humano necessita de algum tipo de apoio para poder desenvolver suas capacidades e essas, por sua vez, de algum tipo de direcionamento para serem aplicadas para o bem da própria pessoa e da sociedade na qual convive. Do contrário, realmente, qualquer coisa é válida.

Os papéis não são definidos por um grupo de pessoas, ou por parte da sociedade dominante numa determinada época. Essas funções vêm responder necessidades reais do ser humano em fases importantes de seu desenvolvimento, nas diferentes áreas que compõe seu ser. Vendo por este ângulo, podemos compreender o quão importante são os pais para o crescimento integral da pessoa.

Entendo, aqui, o termo integral, não como unidade de comunicação muito utilizada nos dias de hoje pelo marketing, mas sim, como uma palavra que abarca, de maneira completa, o ser humano como um todo. Nos seus aspectos físico, intelectual, afetivo-social, volitivo e transcendente.

É certo que as pessoas são livres. Apesar de uns serem mais livres que outros, na minha opinião… Suas ações enquanto pais e mães também estão vinculadas ao uso dessa liberdade. Alguns pais escolhem que castigos físicos deverão entrar nas suas práticas educativas, enquanto outros abolem de vez a idéia e buscam alternativas. Com certeza, você que está lendo tem uma opinião sobre o assunto. Ou pelo menos pende para algum lado dessa balança. Apesar de eu ter uma opinião sobre o tópico, minha intenção aqui não é tratar dele, mas sim utilizá-lo como exemplo.  O pai que utiliza-se do castigo físico o faz pensando no bem da criança ou o faz quase sem pensar, como uma maneira de escape emocional? O pai que decidiu não bater, conversa com seu filho de maneira a garantir sua autoridade, desenvolvendo importantes aspectos da criança ou simplesmente evita brigas para seu próprio bem estar?

Acredito que, quando centramos nossa inteligência, nossa razão, na busca por caminhos que garantam o cuidado com o crescimento integral de nossos filhos, vamos nos deparar com dúvidas internas sobre qual o melhor caminho tomar. Certas coisas serão relativas sim, dependerão da intensidade com que são vividas, dos momentos pelos quais a família está passando entre outras variáveis. Porém, se formos sinceros, encontraremos assuntos nos quais a relatividade não poderá encontrar espaço.  Exemplo: os pais devem garantir ser os primeiros e principais educadores, o amor entre pai e mãe dá segurança aos filhos, autonomia é algo importante a ser desenvolvido, etc.

Não proponho receitas prontas, até mesmo porque elas não existem. Mas faço aqui o alerta pela educação coerente, pela busca de informações realmente eficazes, profundas e transformadoras. Busco ferramentas que permitam aos pais serem protagonistas da educação de seus filhos, que sejam fomentadas ações educativas conscientes, fruto de reflexões, para a busca do desenvolvimento de seres humanos plenos, de bem e sobretudo, felizes, capazes de com suas vidas transformar a sociedade.

É isso aí. Não temos o “Manual do Pai Perfeito”. Mas temos a intenção de estudar, discutir e  buscar melhorar nossas ações como pais e mães. Reconhecer que pouco sabemos e que necessitamos ir atrás de informações para poder refletir e escolher o melhor caminho a seguir é um grande passo para evitarmos jogar a vida de nossos filhos no vale tudo do relativismo.

Nesse sentido, após toda essa reflexão, cabe aos pais analisar a realidade de suas vidas, as necessidades reais e profundas de seus filhos e fazer as grandes escolhas (como,por exemplo, o homeschooling) e, sendo coerentes com relação àquilo que acreditam, permanecer cuidadosos com as aparentes pequenas escolhas de cada dia. Ninguém de fora tem o direito de determinar como os pai devem desempenhar seus papéis, mas , por sua vez, estes pais devem fazer análises prudentes de como viverão essa responsabilidade. Seus papéis são definidos pela realidade apresentada por seus filhos e não pela mídia, rede social ou nova tendência educativa.

 

Um abraço!

 

Cibele Scandelari

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