Família

Por uma educação integral

Comprometimento. Aí está uma palavra que poderia originar um filme de terror para uma parcela considerável da população mundial. Isso porque cresce neste planeta, o horror a tudo aquilo que gere alguma relação de obrigatoriedade. Pensa-se, creio eu, que isso é  tolher a amada liberdade.

O comprometimento indica uma promessa recíproca, é sinônimo de compromisso. Compromisso é algo que vem carregado de responsabilidade. Entenda-se aqui, as mais variadas formas de responsabilidade: casamento, filhos, emprego, amizades, etc.

Mas será que esta maneira de pensar está correta? Será que comprometer-se com algo, com alguém leva o comprometido a privar-se da sua liberdade ou, pelo fato de ser realmente livre ele analisa as alternativas à sua frente e, fazendo uso de sua razão, escolhe aquela que realmente o fará feliz e assim se compromete com essa escolha livre?

E agora, voltando os olhos para nossos filhos. Estamos preparando-os para essas tomadas de decisões? Ou estamos criando parasitas que não conseguem responsabilizar-se pelas suas escolhas, comprometendo-se com elas?

Ouvi uma amiga contar, não sei se realmente é assim, que os homens italianos são das “mamas”. São das mães. Estão crescidos, barbados, formados e não saem da casa e da barra da saia das suas mães. Incapazes de assumir a responsabilidade por sua roupa, sua alimentação, a organização da sua casa. Junto a isso, mostram-se incapazes de administrar compromissos amorosos sérios uma vez que isso pode tirá-los de uma zona de conforto, já que um relacionamento requer dedicação, coisa para a qual não estão treinados.

A mãe será sempre a mãe. Já a namorada, esposa, não fará necessariamente as mesmas coisas que a primeira e ainda por cima necessitará de atenção, dedicação, exclusividade. Quanto trabalho! Pra quê? Pra quê se comprometer e perder a chance de conhecer outras pessoas e continuar a ser atendido pela mãe?

Bom, dei o exemplo dos italianos, mas acho que brasileiros, argentinos, canadenses… enfim seres humanos desta geração, estão apresentando esta séria dificuldade em realmente amadurecer e ter coragem de assumir responsabilidades e ser realmente felizes.

Amar requer esforço, tempo, dedicação. Porém, amar de verdade nos leva à verdadeira felicidade, não à euforia.

Ensinamos nossos filhos a dedicarem-se, a esforçarem-se pelo que vale a pena? Mostramos, mais tarde os frutos, os bons frutos dessa dedicação? Ensinamos que as coisas que realmente valem a pena são como diamantes que necessitam de muito trabalho para serem encontrados, mas que valem cada instante dedicado, ou fazemos com que se resignem com pedras toscas encontradas no meio do caminho?

De vez em quando vejo que preciso parar para analisar se, como homeschoolers, realmente estamos nos preocupando com o desenvolvimento integral de nossa prole ou se dei atenção muito superior aos conhecimentos ditos acadêmicos, à bendita socialização… Ou seja, faço de tudo pra aula de matemática, de linguagem, a leitura acontecer, mas esqueço de proporcionar momentos de real crescimento e amadurecimento. Fácil, fácil cair nesse esquema…

Chega de pessoas light! Sejamos pais e mães empenhados em amar os filhos de tal maneira que estes almejem só coisas nobres, mesmos que estas coisas lhes custem muito. Que não sejam, como diz a música  “gente che ama mille cose… E si perde per le strade del mondo”, gente que ama mil coisas e se perde pelas estradas do mundo. Pessoas que, por medo da responsabilidade, não são verdadeiramente felizes.

 

Cibele Scandelari

 

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