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Família…à barlavento

Somos duas famílias que vivem à barlavento, contra os ventos da correria da modernidade, contra a maré do pouco tempo com os filhos, contra a correnteza do esquecimento das coisas que realmente valem a pena serem vividas. O fato mais marcante desse viver à barlavento é o fato de sermos duas famílias educadoras. Praticamos a educação familiar (homeschooling). Isso quer dizer que provemos o ensino formal para nossos filhos em casa.

Embora seja uma prática comum em países desenvolvidos, o tema não é muito conhecido no Brasil. Acreditamos na importância de desmistificar a educação familiar e, por isso, criamos este espaço, no intuito de registrar um pouco das atividades que as crianças fazem, das nossas vivências como mães, nossos erros e acertos. Falaremos sobre nossas leituras, nossas escolhas metodológicas, nossas descobertas, as amizades e tudo o que delas aprendemos. O principal intuito é mostrar como é a nossa realidade para motivar os simpatizantes, trocar ideias com outras mães e ampliar nossos próprios horizontes. Dentre essas outras mães surgiram muitas amigas queridas, e é com elas que aprendemos todos os dias como seguir esse caminho. Como viver…navegar à barlavento.

Família é uma das coisas que mais amamos neste mundo. Acreditamos, de corpo e alma, que é através dela que podemos fazer um mundo melhor e não, não achamos isso pieguice.

É na família que aprendemos, ou não, a sermos honestos, caridosos, a termos coração grande. Na família temos a chance de sermos aceitos incondicionalmente como somos e de retribuir essa aceitação. Acreditamos que está na família a semente de um mundo mais humano. Mas também acreditamos que isso só acontece, na maioria das vezes, se os pais são os protagonistas do núcleo familiar e reconhecem a importância de seu papel. Para estes pais a família é a “empresa” mais importante de suas vidas. Por ela tiram força lá de dentro da carcaça cansada para se aprofundar e estudar em como podem ser pais melhores.

Esperamos que este seja um espaço para que a família possa melhorar, possa estreitar suas relações e reforçar seu papel, tanto para aqueles que a compõe quanto para a sociedade da qual ela faz parte, através de reflexões, debates, sugestões, dicas. Tudo o que for possível para tornar mais forte aquilo que dá base à sociedade: o serverdadeiramentehumano.

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Família, Maternidade, Psicologia

CRIANÇA NÃO É FRAQUINHA

De onde vem o insistente conceito de que a infância é tão frágil? Essa visão não é muito antiga, as crianças de décadas atrás eram naturalmente maduras, autônomas e mais preparadas para a realidade e as exigências da vida, mesmo em idades precoces. Elas tinham várias tarefas em casa, ajudavam os irmãos, iam sozinhas a um comércio próximo, preparavam seu próprio lanche, zelavam pelos seus pertences, etc.

A desconcertante proteção que se vem concedendo a elas nas últimas décadas decorre de um equívoco conceitual no âmbito da educação. Os pais tendem a poupá-las e a substituí-las. Muitas crianças de 10 anos parece que têm 7, as de 4 parece que têm 2, as de 6 têm comportamentos de 4.

A maioria dos pais tratam os filhos no mesmo nível durante 2 ou 3 anos, não percebendo que a criança de 0 a 6 anos avança em questão de semanas, requerendo gradativas exigências, uma vez que as novas fases pedem novas conquistas.

Em uma sociedade que insiste no conceito de limites em educação, deveria se ater em alavancar todas as quase ilimitadas potências que toda criança traz consigo. Poupá-la não ajuda no seu desenvolvimento, o que ela pede (sem falar) são mais experiências e estímulos, porque é de sua natureza aprender muito, ter autonomia e resolver problemas.

Crianças precisam de pais suficientemente bons, não ilimitadamente bons, pois neste caso, eles “roubam” a parte que cabe aos filhos empreender.

Filhos fortes são fortes porque são motivados a ter responsabilidades, a se esforçar, a se posicionar, a pensar nos outros e a colaborar com eles.

A medida da educação, que não tem receita nem manual, é perceber que você “puxa para cima” a criança, jeitosamente, de modo que ela vai avançando nos estágios posteriores esperados.

Educar é exigir motivando, e é natural dizer mais não do que sim, pois toda criança é regida pelo princípio do prazer. A energia da infância é para ser aproveitada, construída e otimizada.

Criança estimulada aprende idiomas, aumenta o vocabulário, raciocina, brinca, memoriza, interpreta, tem compaixão, ajuda, não chora demais, é autônoma e se comunica. Não subestimemos as suas potencialidades, ela não é bibelô, não é fraquinha e está longe de ser coitadinha.

Aos pais que amam com um amor sadio, não esquecer que educar é mais exigir (sempre amorosamente) do que conceder, e que o contrário disso é um equívoco do amor, porque expõe os filhos à fragilidade e ao despreparo.

Lélia Cristina de Melo

Psicóloga Clínica e Orientadora Familiar – CRP: 08/02909

lelia.melo2609@gmail.com – 99925-0926

Afterschooling, Família, Homeschooling, Vídeos

Atenção e Concentração dos filhos (live)

Seu filho tem dificuldade de concentração? Ele se dispersa a qualquer mosca que passar à sua frente? Você está tendo dificuldade para encontrar meios que retenham sua atenção? Bom, você não está sozinha(o). De vez em quando também passo por isso…eu e mais um monte de famílias!

Algumas vezes me perguntam sobre esse assunto. Tenho algumas dicas e fui atrás de alguém que pudesse dar outras. Dessa busca surgiu a ideia de fazer uma live sobre o assunto. A super convidada foi a nossa psicóloga, Lélia Melo, que já possui alguns textos no blog.

Tivemos um bate papo muito gostoso que durou quase uma hora e contém dicas preciosas! Não deixe de conferir!

Se você deseja receber conteúdo sobre filhos, material de apoio, etc, entre no link abaixo e deixe seus dados para fazer parte da nossa lista vip!

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Um abraço!

Cibele

Afterschooling, Família, Psicologia

DIVERSÃO É COISA SÉRIA

A idéia de férias não significa não fazer nada ou não ter compromissos. É um tempo de maior relaxamento, mas de lazer divertido, para qualquer idade. Tendo em vista a proximidade deste período, estão elencadas neste texto dicas de brincadeiras para a criançada, nas variadas situações do cotidiano. Sempre lembrando que é preciso dar a elas opções criativas, disponibilizar materiais, incentivar a variedade, dispor de tempo e, muitas vezes, brincar juntos. Limitar-se a dizer que elas precisam sair dos aparelhos não ajuda, os pais devem abrir caminhos concretos para que os filhos se interessem por outras atividades.

Se você se interessa por essas dicas no texto “Dicas de atividades para as férias”  irá  encontrar outra lista!

Outro ponto fundamental é saber que brincadeiras criativas são espetaculares para divertir, alegrar, estimular, educar, conviver e aprender. É preciso levar muito a sério essa história. Nada de crianças irritantes e adultos irritados dentro de casa. A alegria deve ser o pano de fundo da educação na família, pois é ela que dá sustentação para que a disciplina funcione bem e a autoridade dos pais seja bem vista e respeitada. Vocês sabiam que quando vocês se divertem e riem com os filhos, aumenta, diante deles: o seu crédito, a admiração, a confiança, a intimidade e o “pátrio poder”?

Programar as atividades deixa esse período mais organizado e mais proveitoso. As lacunas, aqueles espaços tediosos e vazios que ocorre quando se deixou tudo para a última hora e não se sabe o que fazer, podem ocasionar conflitos, mau-humor, irritabilidade e apatia.

Outra idéia-chave para as férias é não demonizar atividades intelectuais/culturais, como por exemplo: ler, fazer alguma tarefa escolar enviada pelo colégio, estudar outro assunto de interesse pessoal, pesquisar sobre temas de diferentes áreas, visitar museus.

Para as famílias que valorizam a vertente transcendente, planejar visita a asilos, hospitais, orfanatos e outras instituições filantrópicas é uma ótima dica. Essas vivências despertam sentimentos como compaixão, solidariedade, altruísmo e benevolência, além de promover um maior amadurecimento, pela oportunidade de constatar a fragilidade e o sofrimento alheio e poder fazer algo pelos necessitados.

As experiências gratificantes das férias vitalizam o bom humor e harmonizam as relações familiares e de amizade. Os filhos agradecem e retornam à escola mais motivados.

Abaixo, sugestões de atividades para as diversas ocasiões.

1 – DIAS CHUVOSOS/FERIADOS/FÉRIAS/DENTRO DE CASA

  • Colagem em folhas A4 usando: feijão, macarrão, folhas de árvores, tecidos, bolinhas de papel crepom, recortes de revistas, fios de lã, etc.
  • Cortar tiras finas de qualquer papel (10, 15 cm por 4, 5) e colar entrelaçando-as para formar elos.
  • Confeccionar “livrinhos” feitos pela criança, grampeando metade de folhas A4 após desenhos coloridos, colagens e pequenos textos.
  • Recortar figuras de revistas, colar sobre cartolinas e cortar em pedaços formando quebra-cabeças caseiros.
  • Cobras de meias de seda: usar a parte das pernas e enchê-las com flocos de espuma, amarrar e desenhar a cara com canetinhas ou colar boca e olhos com botão e fio de lã.
  • Bolas com meias velhas: cortar e encher com arroz cru e costurar a abertura.
  • Receitas simples: gelatina, brigadeiro, patê de atum, saladas, sanduíches.
  • Karaokê, com ou sem aparelho. O importante é soltar a voz.
  • Ver fotos antigas da família, inclusive dos pais e avós.
  • Diferentes jogos de tabuleiro.
  • Adivinhar o objeto escondido no ambiente. As crianças perguntam: está no chão? É vermelho? É mole?
  • Em um mapa ou globo, alguém escolhe um ponto geográfico e as demais crianças fazem perguntas que exijam respostas SIM ou NÃO. Ex.: está no mar? É no Brasil? É um rio? É uma cidade? Está no hemisfério sul?
  • Encontrar palavras (2, 3, 4) em um texto. Ganha ponto quem encontra antes.

2 – VIAGENS (NO CARRO)

  • Dizer palavras terminadas em ão, ol, al, etc. Dizer palavras iniciadas com m, c, etc.
  • Dizer nomes de animais aquáticos, terrestres, da floresta, que voam, etc.
  • Citar características de um objeto e os demais tentam acertar o nome.
  • Alguém lê uma historinha para todos. Depois comentam.
  • Cada um (inclusive o pai e a mãe) contam uma situação difícil que depois deu certo.
  • Imitar a voz de um personagem de desenhos/filmes para que adivinhem.
  • Utilizar palavras que rimem: carteira/porteira/torneira/esteira/madeira.
  • Adivinhar objetos feitos de madeira ou de metal ou de plástico.
  • Dizer o maior número de características de um objeto apresentado. Ex.: lápis – pequeno, de madeira, escreve, cilíndrico.
  • Um de cada vez diz um tipo de: esporte, comida, material escolar, móveis da casa, objetos da cozinha, brinquedos, peças de roupas, etc.
  • Dizer o contrário de palavras: alto, pequeno, muito, macio, certo, aberto, feio, etc.
  • Rimar frases. Ex.: vi um camelo/ele não tem cabelo, gosto do mar/subi no altar, aquele é meu/primeiro sou eu, o cavalo corre/a galinha morre.

3 – ESPAÇO EXTERNO

  • GINCANAS (levar ovo em uma colher, andar em sacos, com os olhos vendados, conseguir morder uma maçã pendurada, etc.)
  • Elástico, bambolê, empurrar pneus, corda.
  • Caça ao tesouro. Alguém esconde um objeto ou mais e se cronometra o tempo da caçada. Podem-se fornecer pistas da localização.
  • Olimpíadas de avião de papel: folhas de A4 dobradas. Cada piloto lança o seu e ganha o que conseguir a maior distância ou fizer os melhores loopings. Pode-se usar diferentes critérios.
  • Jogo da velha humano: traçar com giz os quadrados no chão e formar as equipes do X e da bolinha. Para diferenciar, uma equipe joga com as mãos levantadas. As regras são as mesmas do jogo no papel.
  • Brincadeiras tradicionais: pique, esconde-esconde, estátua, não deixar a bola cair mais de 2 ou 3 vezes, senão paga “castigo”.
  • Empinar pipas.
  • Guerra com balão e tinta: a tinta pode ser caseira ou com corante alimentar. Encher balões com água e tinta e começar a “guerra”.
  • Cabo de guerra. Uma corda grande e 2 times.
  • Bolas de sabão normais ou gigante (ver na internet como fazer as gigantes.
  • Grande pintura: papel ou tecido bem grande para as crianças colorirem simultaneamente.
  • Trenó na grama: em um morrinho, as crianças sentam sobre um papelão e escorregam até embaixo.
  • Piquenique no parque com a família e/ou amigos.

As férias vêem aí. Final de semana tem toda semana. E final de tarde tem todos os dias. As brincadeiras são chances para as crianças crescerem com mais qualidade. Não precisam ficar de fora os passeios, as viagens e algumas tarefas sugeridas pela escola. Boas férias!!

SUGESTÕES DE PASSEIOS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

– Aeroporto

– Corpo de Bombeiros

– Exército Boqueirão

– Cavernas em Colombo (Bacaetava)

– Pescarias

– Churrasco à beira de rios

– Empinar pipas

– Museu do Automóvel

– Parques de Curitiba (piquenique)

– Passeio a pé

– Visitas a familiares e amigos

– Cinema em casa com amigos

– Sessão de ver fotos antigas e atuais

– Museu e Moinho holandês (Castro)

– Parque Estadual Guartelá

– Cidade histórica da Lapa

– Vila Velha

– Linha Turismo

– Caminho do Vinho

– Parque Histórico de Carambeí.

Lélia Cristina de Melo – Psicóloga clínica e orientadora familiar – CRP: 08/02909

3252-2163/99925-0926

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DICA DE LEITURA!

Gosto de contribuir com outras famílias na educação de seus filhos. Isso, para mim, acaba sendo uma via de mão dupla. Quase sempre que ajudo, recebo uma infinidade de aprendizados, frutos das vivências dessas mães queridas que cada vez mais vão se tornando parte da minha história. Como mais um capítulo dessa minha caminhada, esta é mais uma forma de contribuir. Iniciei, através do instagram algumas postagens com dicas de leituras para as crianças. Espero que sejam sugestões interessantes e que ajudem os pais na hora de escolher um livro para comprar ou emprestar e que também possam ser mais uma ferramenta para o trabalho de diferentes aspectos vividos em família e entre amigos.

Na dica de hoje, falo sobre um dos livros de uma coleção que gosto muito: “Quer uma mãozinha”, Editora Scipione e trata do desenvolvimento do espírito de serviço, de ajuda aos demais. Gosto bastante! Espero que vocês também!

Família, Psicologia

FAMÍLIA E SOCIEDADE: BREVE PERSPECTIVA

Que funções a família tem?

– Unidade de produção econômica e centro de consumo;

– responsável pelo cuidado dos menores e anciãos;

– formadora da personalidade das crianças (estrutura psíquica);

– transmissora de valores culturais, morais e religiosos;

– lugar de socialização primária e secundária.

Sua principal função é proteger a esfera privada da pessoa e prepará-la para integrar-se à esfera pública.

E quais são as atuais crises na família?

– Novos papéis homem/mulher;

– Individualização dos filhos (põem a família a seu serviço);

– Perda do sentido de autoridade parental (super-proteção, excesso de coisas, fragilidade);

– Adultos atraídos ao universo juvenil;

– Jovens ingressam precocemente no mundo adulto (prazeres, sexualidade, liberdade, uso de bebidas);

– Expansão da permanência do jovem no lar;

– Debilitação de valores morais e religiosos;

– Contra-valores nos meios de comunicação;

– Decomposição dos valores éticos (culto ao corpo e ao $$, hedonismo, etc.);

– Ausência do pai.

A família é cada vez menor, se forma mais tarde e se lhe dedica menos tempo.

Veja-se que as ameaças são numerosas e graves, mas a esperança e as possibilidades são maiores.

Sabe-se que sem família, o homem não é viável. Se os pais não construírem convicções sólidas e firmes, se não cuidarem do amor e do compromisso, se não engendrarem valores morais, se não motivarem a valentia, se não assumirem o timão da nave, se não forem coesos e fortes e não cumprirem com maestria o seu indelegável papel, se não aprenderem a ser melhores e se não recomeçarem quando falharem, então o projeto de família não se efetivou.

Precisamos não nos conformar com os sistemáticos inimigos da família, manifestar nosso descontentamento com os padrões vigentes equivocados e contrários aos valores.

Levar vidas paralelas e individualizadas não soma, não agrega, não constrói. Só assistir ao cenário e se comover, não muda nada. A sociedade é o que são suas famílias, e pela nossa inércia, uma cultura de baixa estatura moral vem influenciando gerações.

Mas, há, claramente, um movimento de retomada dos valores familiares. Pessoas, grupos e entidades têm se mobilizado para fortalecê-los. Quero convidá-los também a fazer parte desta seara: escrever artigos, criar blogs, dar conferências, aconselhar os amigos, agrupar-se com outras famílias, dar bons exemplos, etc., pode fazer parte do pacote pró-família. Somos muitos e temos as melhores intenções, só estamos dispersos. Mas podemos começar a nos juntar.

Lélia Melo – Psicóloga clínica e Orientadora familiar

CRP – 08/02909

3252-2163/99925-0926